Os raios de sol passavam pela janela e iluminavam aquele quarto que, por mais estranho que pareça, nunca havia visto. Sinto umas mãos entrelaçadas à minha cintura e nem demoro muito a perceber que estou no quarto de Lysandre na sua cama coladinha com ele…mágico!

Fico mais um tempo apreciando aquele momento e ele depois não tarda a acordar.

— Oi Lysandre. Ai – Minha cabeça estava doendo muito – o que aconteceu ontem a noite? – Ainda estávamos naquela posição estranhamente reconfortante.

— Não te preocupes que não aconteceu nada. – Ele falava tão perto do meu ouvido como se fosse de propósito mas a inocência na sua voz denunciava que ele não fazia ideia do que estava a fazer – Se eu te contasse você nem ia acreditar.

Nos sentamos no meio da sua cama enquanto ele me contava tudo que eu fiz a noite passada, me senti cada vez mais envergonhada e cheguei a poisar minha cabeça em seu ombro enquanto ouvia as coisas mais estúpidas que alguma vez saíram da minha boca.

— Meu Deus! Lysandre peço imensas desculpas, nem fazia ideia de que pudesse causar-te um incómodo.

— Não faz mal. Eu me diverti muito ao ouvir cada palavra que dizias e imaginar como é que seria quando tu me ouvisses a contar-te. Acho que deveria gravar.

— Isso seria ainda mais humilhante.

— Mas para a próxima eu gravo. Podes ouvir sozinha se quiseres.

— Não. Eu acho que se eu ouvisse contigo poderia dar umas boas gargalhadas.

— Então para a próxima gravo está combinado?

— Combinado. Mas hey, eu sou uma bêbada racional… pelo menos um pouco.

— És a mais racional daqui. Muitas das meninas já tentaram beijar-nos dizendo que sempre tiveram uma paixão secreta por nós. Era realmente muito engraçado.

— Bem… hoje é dia de praia! Sol, mar, calções, bikinis, e mais mar e raios de sol e mais sol e enfim… vamos – Eu estava levantado Lysandre da sua cama. – Temos que nos apressar.

— Ok, já vou!

Fui a correr para o quarto de banho tomei um relaxado banho. Quando saí do banho demorei mais um tempo escolhendo a roupa mas o cabelo foi mais fácil.

As meninas depois de algum tempo chegaram e logo a seguir os rapazes.

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Não demorou muito para chegarmos e quando chegamos nós todas saímos a correr dos carros para nos encontrarmos, parecíamos crianças e eu me sentia mais integrada do que nunca.

— Oi meninas!

— Oi Ally! – Responderam todas em coro.

— Estás gira!

— Deixa disso Rosa, todas nós estamos giras.

— Tens razão.

Entramos todos para a praia e descalçamos os sapatos. Soube bem, estar com os pés na areia para variar. Tinha sido a primeira vez em que eu tinha isso para a praia em França. Era de facto maravilhoso.

Passado algum tempo ainda nem tínhamos entrado para a água. Estávamos vendo a casa de Praia da Rosa que era muito grande e linda com vários móveis brancos que dava um ar mais acolhedor a casa. Quando saímos vimos os rapazes todos sentados em espreguiçadeiras.

— Vocês não vão nadar? – Armin perguntou para nós. Mas Rosa respondeu.

— Na verdade… — Ela começou a tirar a roupa e os rapazes todos estavam a olhar e entre eles estava Leigh que nem parecia irritado – Eu vou para lá agora mesmo.

— Espera por mim! – Kim fez a mesma coisa.

— E por mim. – E Íris.

— E por mim também! – E Melody.

— E por mim! – E Violette!

— E eu! – E finalmente eu. Olhei na ponta do olho e vi Lysandre um pouco corado e desviando o olhar.

— Então vamos!

Demos as mãos e corremos todas juntas em direcção ao mar e pulamos para a água e começamos a brincar lá. Não demorou muito até Dake tirar sua camisa, mostrar suas tatuagens e juntar-se a nós, depois dele foi Armin, Alexy, Leigh, Castiel, Nathaniel e depois Lysandre mas ele levava uma camisa.

Ficamos conversando lá mesmo na água, fizemos um jogo em que as meninas ficavas as cavalitas dos rapazes e eu ganhei, depois foi Rosa e Íris. Eu estava com Lysandre, Íris com Dake e Rosa com Leigh, jogamos voleibol e jogamos água uns aos outros.

— Estou com fome! – Reclamou Armin.

— Eu também. – Disse Alexy.

— Eu cozinho! – Disse Lysandre. – Com a assistência da senhorita Allison, claro.

— Seria um prazer.

Ele deu a mão para mim, eu a peguei e saímos da água. Depois de algum tempo os outros começaram a sair da água.

POV Kim on

Eu estava conversando com os outros quando Castiel me chama e diz que quer falar comigo.

— Sim?

— Já pensou na minha proposta?

— Castiel já disse que não podemos ficar juntos.

— Mas pense bem. Você mesma disse que gostava de mim e agora diz que não podemos ficar juntos?

— Castiel é mais complicado do que parece.

— Então me explique.

Eu estava travada. Não sabia o que dizer. Ele continuava a insistir e isso estava matando pouco a pouco a nossa amizade.

— Kim!

Olhei para trás e era Dake que me chamava. Salva pelo gongo.

— Dake está me chamando. Adeus.

— Kim…

Antes que eu pudesse me dar ao luxo de virar e olhar para ele, minhas pernas não pararam até encontrar Dake. Que estava mais distante do outros.

— Sim? O que foi?

— O que foi é que salvei você e não recebo agradecimentos.

— Tem razão. Você merece.

— O que se passa com Castiel?

— Ontem eu estava bêbada e acabei dizendo que o amava o que não deixava de ser verdade mas que não poderíamos estar juntos porque ele ficava com todas e isso seria apenas passageiro mas depois eu me apercebi que gostava mesmo dele mas haveria vários problemas em relação a isso e agora ele disse que também me ama e não tira da cabeça que ainda pode me conquistar e isso está estragando nossa amizade.

— Isso é complicado.

— Nem sabes o quanto. Eu não quero perder outra amizade.

— Outra?

— Isso foi a muito tempo. Eu tinha um amigo, meu único amigo, acredites ou não eu não era tão popular assim. Então, eu tinha acho que treze anos quando ele diz que estava apaixonado por mim desde que me conheceu e que eu deveria dar uma chance a ele e ver como é que ficávamos mas eu disse que eu não gostava dele dessa forma e o via como um irmão, aí ele foi insistindo e insistido e insistindo até que disse que se não fossemos namorados tampouco seriamos amigos e assim o foi. Afastamo-nos de vez. Nunca mais falei com ele, tentei pedir desculpas e pedir que voltássemos a ser amigos mas ele dizia que nunca mais queria olhar para a minha cara. Fiquei devastada e muito desanimada, sozinha numa escola até que meu pai se apercebeu e perguntou o que era, eu expliquei tudo. Ele trabalhava na marinha mas mesmo para qualquer homem ele era muito frio e nunca me permitiu sequer chorar a frente dele e caso ele descobrisse que estive a chorar ele me ralhava sempre com aquela “ tu és uma Rosen. És boa demais para essas emoções. Não deves nunca mais sentir qualquer sinal de fraqueza” e me mandou para outro país para ver se eu me esquecia disso. Foi quando vim para cá. Quando completei 16 ele disse que eu já era independente o suficiente para viver sozinha e voltou para a América fiz muitos amigos cá e a amizade de Castiel é importante para mim. Não posso perder isso tudo por amor. Um amor que não vai dar em nada, não posso me entregar, todo acto mal feita acarreta consequências e como dizia o meu pai “tens que pensar em todas as jogadas possíveis antes de atacares pois o inimigo pode ser mais esperto que tu”.

— O problema é que foste criada para ser uma máquina fria e sem amor. E quando isso acontece tu te preocupas. É claro que pode ter as suas consequências mas se achas que é a coisa certa a fazer deves entregar-te.

— Eu sei mas o pior é que não acho que deveria ficar com ele e ele insiste e está a estragar tudo. Isto é tão frustrante! – Apoiei minha cabeça em seu ombro e ele me deu a mão – Não acha que isto – levantei as nossas mãos dadas – Vai tornar as coisas diferentes ou acha?

— Não. Somos amigos, e você precisa de um abraço.

Continuamos assim como estávamos mas a conversar sobre coisas diferentes para me distrair. Quando quem vem?

— O que é que se passa aqui?

— Hey! Castiel, amigo! É mesmo contigo que queria falar. – Dake se aproximava mas foi travado por um soco em direcção a sua bochecha, Castiel o agarrou e deu mais um na sua barriga.

— Castiel pára! – Agarrei a mão de Castiel – Você está estragando tudo.

— Tudo? Tudo quê? É por isso que não quer namorar comigo? Por causa do Dake?

— Não. Somos apenas bons amigos e eu também quero que sejamos assim.

— Mas Kim gosto de ti, a sério e não me interessa as consequências – Ele segurou a minha mão.

— Não, não, não! Isto não está bem, não vai estragar nossa amizade por favor.

POV Dake

Ver aquilo era realmente triste, Castiel não estava a entender que estava a abrir uma ferida de muitos anos e Kim não quer passar por isso novamente.

— Castiel, mano, nós podíamos deixar Kim um tempinho sozinha para ela se acalmar.

— Cala-te Dake! – Olhei para ela que ainda não chorava, era mesmo uma guerreira, mas olhava para mim como se me pedisse para lhe fazer sair dali.

— Não Castiel, eu não vou estragar mais uma amizade! – Ela saiu correndo mas não em direcção ao pessoal lá na praia mas sim para um lado mais escuro e com mais árvores.

— Kim. – Saí correndo, deixando Castiel sozinho e fui ter com Kim. – Hey, o que é que se passa? – Ela limpou rapidamente as lágrimas e olhou para mim.

— Nada, só o que você já sabe – Ela baixou a cabeça.

— Não se dê por vencida – Levantei seu queixo – Explique-lhe tudo, tenho certeza que Castiel vai entender.

— Eu nunca contei isso pra ninguém. Nem Violette sabe. Só você.

— Deixe essa tristeza de lado e vamos para perto da malta.

POV Kim on

Dake é um excelente companheiro, mas ainda estava preocupada com os socos que levou, visto que quando ria ou andava ainda fazia caretas de dor e ainda não havia limpado o sangue de sua boca.

— Você está bem?

— Como assim?

— Seus ferimentos. Temos que fazer um curativo.

— Acha?

— Não se arme em bobo comigo menino, vamos.

Fomos de mão dadas até dentro da casa de Rosa onde fiz um curativo nele, a parte talvez mais constrangedora foi quando tive de o ajudar a tirar a camisa.

— Vou sobreviver doutora?

— A chance é nula, já deveria estar morto.

— Muito engraçada.

— Eu me esforço.

Andamos para fora da casa e uns passos depois ele pára.

— Que se passa?

Ele agacha e queria que eu subisse às suas cavalitas mas eu morria de medo disso mas mesmo assim fiz.

— Ok, Dake pode me largar.

Ele apertou minhas mãos com ainda mais força e saiu correndo. Passamos pela casa e vi Castiel que nos olhava com uma expressão de quem não entendia nada e fomos até onde estavam os nossos amigos que riam dos meus gritos, pensei que Dake iria pôr-me no chão mas me fez descer para o seu colo e me carregou até ao mar onde me jogou na água. Assim que levantei a minha cabeça comecei a atirar água para ele mas só depois de algum tempo é que notamos que todos, inclusive o Castiel, estavam a olhar apara nós e saímos da água, pouco depois Lysandre chegou com um prato onde tinha picanha.

POV Kim off

Ensinar Lysandre a cozinhar nem foi tão difícil assim e em compensação a picanha não estava nada má.

— Lysandre tem de cozinhar mais vezes.

— Tive uma boa professora, devo todo o meu mérito à Allison.

— Deixe disso, você aprende rápido, talvez eu deixe você cozinhar sozinho um dia. Mas que lance foi esse com o Dake, Kim?

— Também fiquei curioso.

— Nada. Não há nenhum “lance” entre Dake e eu. Somos só amigos.

— Por um momento pareceu mesmo que estivessem namorando e não nos contaram.

— Lysandre desde quando é que ficou tão…

— Directo?

— Atrevido.

— Não diria bem isso.

Comemos numa mesa que tinha na casa de praia picanha com arroz, feijão preto, batatas fritas e salada e estava delicioso, talvez Lysandre deva cozinhar uma vez na vida só para mim.

Ficamos todos sentados na areia a ver o pôr-do-sol e a conversar, Rosa e Leigh estavam de mãos dadas enquanto conversavam os outros e pareciam mesmo apaixonados, em seguida vi Dake e Kim que para “só amigos” estavam bem íntimos, Violette com Armin, Melody e Nathaniel, Íris estava com Alexy e Castiel sozinho.

Pensei que Lysandre também seguraria na minha mão mas até agora… porquê que eu estou a dizer isto? É completa parvoíce, só porque os outros estão de mãos dadas não quer…

Meu raciocínio lógico caiu por terra quando ele passou seu braço pelos meus ombros e encostei minha cabeça em seu ombro, deu para ver que ficou surpreso mas depois relaxou e assim ficamos.

— O que é que se passa entre a menina Ally e o Lys?

— Nada, Kim… mas porquê que está de mãos dadas com o Dake.

Todos os outros se viraram e confirmaram, eles não largaram as mãos depois disso.

— Somos amigos. É irrelevante para nós. – Disse Dake.

— Allison está cansada e se encostou a mim. Somos amigos, é irrelevante para nós também.

— E o braço a volta dos ombros?

— Para me proteger do frio. Um amigo faria isso.

— Sei.

Ficamos durante mais um tempo lá e depois subimos para os carros e fomos para casa. Assim que chegamos a casa o sono invadiu-me, mas nem assim dormi, tomei banho vesti uma roupa confortável e fiquei deitada com Lysandre no sofá a assistir televisão até fazermos o jantar juntos. Estávamos mesmo a entrar em sintonia e gosto disso, de me sentir mais integrada na dinâmica da casa.

— Não sabes o quanto estou feliz em me sentir integrada. É como se de repente o mundo estivesse ao meu favor.

— Porquê?

— Acredites ou não nem sempre foi assim. As pessoas não gostavam muito de abrir o seu circulo de amigos e eu ficava totalmente de fora, minha mãe se deu conta do ocorrido e me mudava de escola mas eu acabava sempre arrumando briga ou sendo desleixada com qualquer tipo de coisa, acabei por ser uma verdadeira rebelde, uma fase que nunca mais gostaria de passar até que encontrei Ken, ele era como eu, negado pelos outros e um grande nerd mas era muito fofo apesar de gostar de mim e saber que o amor não era correspondido ele não parava, minha mãe acabou por me trocar de escola de novo por causa de uma proposta de emprego que ela tinha cá e o resto da história acho que você já conhece, acabei chegando as sete da manhã na casa de um estranho de olhos heterocromáticos que abriu a porta de pijama num sábado e a partir daí a minha vida nunca mais foi a mesma.

— Digo o mesmo. Castiel mal se continha com a noticia, dizia que a partir daquele dia ele passaria a dormir mais em nossa casa.

— Tu disseste “ em nossa casa”?

— Sim porquê?

— Consideras esta casa como nossa?

— Claro.

— Isto é como se fosse um sonho! Absolutamente tudo está a correr como eu queria.

— Como assim.

— Tenho amigos, uma escola de que gosto, estou bem nas notas, ensinei-te a cozinhar, e finalmente acho que me estou a integrar.

— E estás. Para falar a verdade já estás bem integrada. Não tens com o que te preocupar.

Depois de algum tempo juntos no sofá conversando fomos para a cama só desejava que este fim-de-semana nunca mais acabasse.

Notas finais
a curisidade deste cap é... "Nathaniel pratica boxe." Comentem.