This Is My Gang!
16 Capítulo 16
Capítulo 16 — Um furo que pode te meter numa furada!
Na hora do intervalo, nosso grupo se reúne na sala do jornal (é...achamos um lugar mais confortável para passar os intervalos) e estávamos realmente ansiosos para ver o que Demi tinha de tão grave para nos contar. Ela parecia ansiosa e nervosa, falando o tempo todo que achou algo grande. O que ela tinha encontrado de tão polêmico? Bem, nossa dúvida seria sanada logo, assim que ela nos mostrou o vídeo da conversa do presidente do grêmio com um dos valentões da escola.
- Uau! Isso é grave mesmo, heim? — diz Wilson, com uma rara expressão séria.
- Não é? — Demi concorda — O presidente do grêmio estudantil está pagando os caras para ameaçarem os estudantes e cobram para salvá-los! Estão cobrando para salvar a comunidade estudantil deles mesmos!
- É...isso é grave mesmo — repete Wilson.
- Você já disse isso! — comentei — E agora? O que a gente faz?
- Como assim o que a gente faz? Temos que denunciar os caras!
Jorjão e Karina ficam mais calados do que de costume. Além de calados, pareciam preocupados. Jorjão é o primeiro a comentar.
- Olha...vocês são novos na escola, não é? Mas é que...mexer com o grêmio estudantil pode ser perigoso
- Perigoso? — pergunta Demi — Mas se eles estão errados, temos que denunciar! É uma questão de cidadania!
- Não...não creio que seja uma questão de cidadania — diz Karina. Ela falava pouco, mas sabia se expressar muito bem quando abria a boca — Creio que seja mais uma questão política
- Política? — perguntei.
- Bem...permitam que eu explique com calma — Karina se dirige ao quadro branco de recados da sala, pega um canetão, apaga o que estava escrito e começa a traçar um esquema (ela adorava fazer essas coisas) — Vejam...como eu já expliquei uma vez, a escola é controlada pela direção e coordenação, certo? — ela diz, escrevendo coodenação no topo do quadro, alunos na parte de baixo do quadro e circulando as palavras.
- Sim — diz Demi — É o que esperamos, né?
- No entanto, é necessário haver um corpo discente que possa nos proteger de abusos da coordenação. Os alunos possuem tais direitos e temos a possibilidade e liberdade de esolher um grupo para formar o que chamamos de grêmio ou conselho estudantil, que não só nos representa em conflitos com a direção como também tenta resolver problemas entre alunos numa primeira instância. — ela fala isso enquanto escreve grêmio no meio de \"coordenação\" e alunos\"\"
- Primeira instância? Como assim?
- Significa que se os alunos possuem problemas entre eles, devem passar pelo conselho antes de subir para a coordenação. É da política da escola que o conselho leve os problemas para a coordenação.
- Então, quer dizer que... — Demi já sabia a resposta que viria.
- Mesmo que quiséssemos falar com a coordenação sobre esse vídeo, eles iriam nos mandar falar com o conselho. E é claro que eles iriam barrar a gente. O sistema é cruel, mas é assim
- Isso é um absurdo! — reclama nossa cantora-modelo-adolescente — Se é assim, o grêmio da escola pode fazer o que quiser!
- Bem ou mal eles resolvem nossos problemas. Os bullies até que diminuiram desde que a política de conselho foi criada — comenta Jorjão.
- Fala isso para os caras que comeram o meu lanche no primeiro dia de aula! — falei, ao lembrar de um fato não muito agradável.
- Putz, isso aí é ruim mesmo.Bem...eles não podem estar alertas o tempo todo, né? — diz Jorjão, filando o pacotinho de batatas que trouxe de casa.
- Na verdade — Karina limpava os óculos — Ouvi dizer que alguns metidos a valentão acabam tendo que pagar o grêmio se quiserem vista grossa para várias coisas
- O que?! — Demi parecia inconformada.
- Mesmo assim eles ainda mantém alguma ordem...bem, nesse caso estão fazendo o contrário...cobrando dos fracos para protegê-los dos fortes, não é? — comenta Karina
- Quer dizer que os casos de bullying vão aumentar se não pagarmos. Droga. E eu estava economizando uma graninha para comprar aquele jogo e..
- Que conformismo é esse, gente? — diz Demi — Estão com medo deles? É isso? Isso tudo é um absurdo! Nós não podemos e não vamos aceitar uma coisa dessas! Se eles estão sendo injustos e corruptos, temos que denunciar! Eles deivam ser até expulsos da escola por isso, sabiam?
- Mas o sistema não ajuda — comenta Jorjão — A coordenação pedagógica dessa escola é um lixo e estamos lidando com o conselho da escola. Aqueles que deveriam nos ajudar!
- Isso é o que me deixa mais irritada! — exclama a garota — Como podem cobrar por algo que deveria ser a obrigação deles? Isso é tão sujo!
- De fato...muito sujo — comentei — Mas se são tão influentes assim...acho que não vai adiantar muito tentar falar com a coordenação. Não é melhor deixar pra lá?
- Você também, Daniel? É por isso que esse país não vai pra frente! O que vai ser do nosso futuro com atitudes como essa? Se abaixamos a cabeça para simples valentões de escola, o que dizer dos políticos maiores? Temos uma prova nas mãos e vocês não querem fazer nada? Nada?!
Ela tinha razão, mas o que podíamos fazer? Bem, para quem está lendo de fora, a resposta era mais do que óbvia. Afinal, ninguém percebeu o poder que tinhamos nas mãos? Claro que sim...o primeiro a perceber foi Wilson.
- É claro que podemos fazer alguma coisa! — diz Wilson, finalmente entrando no momento crítico
- Wilson! — Demi olha para ele, esperançosa.
- Sim! Agora nós temos poder para encarar o conselho estudantil de frente! — ele brada, se levantando da cadeira e colocando as duas mãos na mesa — Agora nós somos o novo jornal da Megatec!
- Mas...isso é mais perigoso ainda — diz Jorjão — Se publicarmos o que temos, aqueles caras vão acabar com a gente
- Não tenha medo, meu grande e comilão amigo! — ele estava em modo exaltado — Com a matéria que publicaremos, teremos a opinião pública do nosso lado!
- Isso! É assim que se fala! Sabia que você não ia me decepcionar, Wilson! — diz Demi, abraçando e dando um beijo na bochecha dele. Ai, que inveja, mas Wilson estava mais preocupado com a revolução do que com beijinhos.
- Suas palavras revolucionárias mexeram com o meu coração, querida Demétria! — ele estava realmente empolgado — Irmãos da NERD! Nós, como jornal da escola, temos o dever de levar a verdade a todos os alunos. E, quando todos perceberem que estão sendo explorados, não deixarão os membros do conselho impunes! Até mesmo a coordenação terá que abrir os olhos para toda essa sujeira e dará a devida punição para aqueles marmanjos!
É verdade. Estávamos lidando com gente do Ensino Médio, ou seja, uma galera bem maior e mais forte que a gente. Alguma coisa me diz que aquilo não ia dar certo. É. Podem me chamar de covarde, mas aquilo não me cheirava nada bem.
- Glup — Jorjão engole seco — Você quer mesmo fazer isso?
Wilson volta seu olhar para o amigo e diz, com toda a confiança.
- Totalmente! É nossa oportunidade de mostrar o poder da NERD! O que nós queremos desde o começo? Provar que nós, a minoria, podemos chegar longe! Muito longe! Mas para isso precisamos enfrentar os obstáculos. Começando pela ameaça daquele que deveria nos proteger: o grêmio estudantil
- Enfrentar o sistema logo assim de cara — comenta Karina — Nunca pensei que fosse chegar a esse ponto
— Você não parece preocupada — reparei.
- Se as coisas derem errado, é só voltar ao que era antes, não?
Sabia que ela diria algo assim.
- Perfeito! Quero começar a trabalhar nessa matéria agora mesmo, Wilson! — diz Demi, toda empolgada.
- É pra já! Vou criar um modelo para o texto agora! — diz o outro empolgado, já ligando o computador, mas, aparentemente havíamos esquecido que era intervalo. O sinal toca — Bem...talvez depois das aulas
- Beleza! Gente, vamos mudar essa birosca, heim?
- Pode apostar! — responde Wilson, com um sinal de positivo.
É. A NERD estava mesmo disposta a desafiar o sistema. Mas...vocês já podem adivinhar que não será tão fácil assim...
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