Thirteen Years Later
7 Capítulo 6 - Tempo de mudanças
Notas iniciais
Anyway, obrigada pelos reviews anteriores e olá, novas leitoras! Irei responder a todas em breve, pois não gosto de deixar reviews em branco. Saber que se importam com a história e com quem a escreve me anima bastante, e responde-las é o mínimo que posso fazer.
Enfim, espero que gostem!
PS: Desculpem-me pelo péssimo título outra vez.
Os dias seguiram tranquilos naquela cidade, e aos poucos as coisas começaram a melhorar. Lia havia conseguido alguns trabalhos fotografando crianças nas escolas (nem preciso dizer como ela odiou estar cercada por pirralhos curiosos), duas festas de aniversário e o book de um casal de namorados. As coisas não haviam saído pelo valor que ela normalmente cobrava, mas pelo menos tinha o suficiente pra viver por alguns dias com internet e comida decente. Já Sara continuava sendo obrigada a fazer os caprichos de Thomas, mas pelo menos não havia sido espancada ou coisa parecida naqueles dias. Parecia que ele tinha arrumado outra pessoa para se divertir, e aquilo era muito bom para todos.
Depois de mais alguns dias, chegaram na cidade alguns caminhões, carros, um fusca azul bebê e um trailer arco-íris. As pessoas da cidade ficaram loucas querendo saber o que tudo aquilo significava, e Lia sorriu na varanda ao ouvir os carros de som anunciarem que em breve crianças e adultos teriam uma nova diversão naquele "fim de mundo adorável", conforme foi anunciado.
Giovanna já estava na cidade.
Foi encontrá-la num enorme campo aberto que existia como tantos outros na cidade, enquanto homens tiravam coisas dos caminhões e deixavam no chão ou começavam a montar. Já havia uma cozinha improvisada ao ar livre, um aglomerado de mesas e cadeiras onde seriam realizadas as futuras refeições enquanto não estivessem funcionando e era ali que Giovanna estava, preparando o almoço com a ajuda de duas jovens que cortavam legumes e cozinhavam coisas. Lia sorriu ao perceber que eram gêmeas.
- Com licença... — Lia chegou timidamente no local, passando as mãos pelos cabelos loiros e as colocando nos bolsos da calça logo depois.
— Meu amor! Você finalmente apareceu, eu já estava pensando que ficaria sozinha nesse fim de mundo adorável! — Giovanna abandonou as panelas e puxou Lia para um forte abraço, enchendo o rosto da loira de marcas de batom. Gio era uma mulher alta, com 1,78 de altura e um corpo que certamente invejaria muitas frequentadoras de academia. Tinha olhos verde claros e longos cabelos castanhos que caíam até a sua cintura em um rabo de cavalo. A pele sempre estava dourada por conta do sol, e por algum motivo Giovanna amava usar roupas decotadas. Todas elas eram um convite para o belo par de seios que possuía.
— Como se fosse difícil ver essas suas tranqueiras. — Lia sorriu, e Giovanna fez o mesmo enquanto soltava o abraço e a puxava até as garotas. — E então, vai ficar aqui por quanto tempo?
— Provavelmente o de sempre, sedução. — Giovanna chamava todo mundo assim. Sedução, paixão, essas coisas. — Quero que conheça as minhas mais novas ajudantes, Aline e Alice.
As meninas sorriram timidamente, acenando para Lia. Ambas tinham os cabelos negros, olhos escuros e o rosto repleto de sardas. Lia julgou que elas não deviam ter mais de dezoito anos, e olhou para Giovanna como se quisesse saber se sua relação com elas também se estendia para além do trabalho.
- Relaxa, — A morena pareceu ler sua mente — São apenas garotas. Mas bem que eu queria experimentar gêmeos outra vez, eles tem uma sincronia inacreditável, sabia?
Lia apenas ignorou a mulher e ficou parada por um instante, observando elas cozinharem mais e mais coisas para aquele batalhão que trabalhava sem parar. Lia acabou por almoçar ali mesmo, rindo das conversas de Giovanna e do bom humor de seus amigos, como ela costumava dizer. Quando terminaram de comer e todos foram descansar, Gio levou sua amiga loira até o trailer arco-íris, onde ela normalmente costumava viver.
- Agora conte-me tudo, Liazinha! — A loira sentou-se confortavelmente na pequena cama enquanto a outra se jogava sobre ela — Como estão as coisas com a sua queridinha?
— Estão avançando lentamente... — Lia jogou a amiga na cama para desviar-se dos olhos verdes e do par de seios — Lento até demais.
— Então chama ela pra algum passeio romântico, um drive in ou coisa parecida. Se fosse comigo, era só jogar na cama e pronto.
— É, eu sei. — Lia abriu um pequeno sorriso — Você já fez isso comigo.
— Mas é melhor esquecer que isso aconteceu, porque não quero ninguém pedindo pra voltar comigo. — Giovanna riu, tanto ela quanto Lia sabiam muito bem que a única química delas acontecia na amizade — E também, caso acredite que sua história com essa garota é algum conto de fadas, eu odiaria ser a vilã da coisa toda. Falando nisso, traga ela na inauguração! Te dou bilhetes pros brinquedos de presente, abrirei o parque no fim de semana.
— Ela é casada, Gio. Provavelmente o marido fará isso.
Lia deitou na cama e olhou para o teto do trailer, que era cheio de estrelinhas feitas com pedaços de espelhos. Sua amiga podia ser um espírito livre e realista, mas também tinha uma pitada de fantasia. Um trailer arco-íris?
- Então arranque ela do marido quando ele menos perceber. Leve-a pra algum brinquedo legal, ou caso queiram privacidade... Use isso. — A mulher lhe entregou uma chave que aparentemente era do trailer, e Lia não sabia o que dizer. — Se estão vivendo um conto de fadas, quero ser a fada madrinha de vocês.
Lia agradeceu pela cópia da chave, conversou mais um pouco e depois foi embora com a desculpa de que devia fotos pra alguns clientes. Giovanna aproveitou para pegar seus livros e prosseguir com sua leitura infinita, confortável no seu trailer arco-íris abarrotado de livros.
Ao chegar em casa, Lia correu para o telefone. Havia pego o número de Sara com a senhora Hills e não sabia se ligar seria um incômodo, ainda mais depois do que havia acontecido em seu último "encontro". Depois de alguns minutos ainda pensando no que fazer, finalmente conseguiu ligar e riu internamente ao ouvir a voz suave do outro lado da linha.
- Alô?
— Sara, aqui é a Lia... Eu não vou te incomodar por muito tempo...
— Você não incomoda, Lia. — A voz da morena soou alegre — Em que posso ajudar?
— Ah, é que uma amiga minha chegou na cidade com seu parque de diversões, e eu acabei ganhando alguns bilhetes mas são muitos pra eu gastar sozinha, então...
— Então?
— Você não quer ir comigo? Pode levar o pirralhinho se quiser. Sabe, eu quero conversar com você, pedir desculpas. — A voz de Lia saiu baixa, triste.
— Não tem motivos para desculpar-se, Lia. Infelizmente o Thomas vai me levar nesse parque com ele, mas porque não marcamos um encontro outro dia?
Sara pôde ouvir Lia engasgar do outro lado da linha, batendo no próprio peito e tentando voltar ao normal.
- Você disse encontro? Encontro tipo...
— Entenda como quiser. — Sara sorriu — Nos vemos no parque e lá conversamos melhor sobre o assunto, certo?
— É... Certo, mas e o seu marido?
— Eu dou um jeito nisso. Nos vemos na inauguração.
Ambas desligaram o telefone e Lia se jogou no sofá, olhando a chave que Giovanna lhe dera. Não importava as consequências, ela faria Sara acreditar no seu amor daquela vez.
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O final de semana chegou rápido, e todos estavam animados com a inauguração do tal parque. Quando a noite chegou todos puderam ver as luzes que vinham dos brinquedos, e o que mais chamava a atenção era a roda gigante. Várias pessoas foram chegando e junto delas estava Sara, que usava um vestido lilás e sapatilhas pretas, além de uma jaqueta jeans pra espantar o vento que corria solto pelo local. Ao seu lado estavam Thomas e Daniel, que saiu correndo pelo local enquanto admirava todos aqueles brinquedos que pareciam ter vida. Enquanto o garoto se decidia em qual deles ir primeiro, seus pais foram comprar os bilhetes e foram atendidos por ninguém menos que Giovanna.
- Boa noite, casal bonito. Vieram passar um tempo em família? — A desconhecida sorriu, pegando alguns bilhetes e entregando para Sara. — Deixaram esses aqui pagos pro menino. Pegue, são seus.
A morena apenas aceitou os bilhetes sem entender e saiu dali com Thomas e seu filho, indo leva-lo para a pista de carrinhos bate-bate. Enquanto isso, Lia estava tirando fotos aleatórias, fossem dos brinquedos funcionando ou das crianças se divertindo. Vez ou outra atendia aos pedidos de alguma família feliz e tirava uma fotografia deles, mas a grande parte daquilo tudo ficaria com ela. Por mais que aquele fosse um dia deveras rentável, ela não estava ali pela grana e sim pela arte.
Depois de algum tempo, a loira foi até a bilheteria principal procurar por Giovanna.
- Ei, Gio. — Lia bateu no vidro da cabine, chamando a atenção da mulher — Eles já chegaram?
Giovanna ergueu os olhos e parou de contar o dinheiro por um instante, tentando lembrar de quem Lia estava falando.
- Eles? Quer dizer o garanhão e a moça recatada? Essa cidade está cheia de gente assim. Mas pela descrição que me deu, eles chegaram sim. Até entreguei alguns bilhetes pra tal Sara. Vai tentar a sorte? Posso distrair o cara se quiser.
— Isso seria ótimo. — Lia sorriu, e Gio chamou uma das gêmeas para ocupar seu lugar na bilheteria. Logo depois, as duas foram procura-los.
- Ei, como pretende distrair ele? — Já haviam avistado os dois quando Lia perguntou.
— Hm... Segredo. — Gio sorriu, e deu sinal para que Lia avançasse. Ela atuaria depois.
A loira ajeitou por uns instantes sua camisa vermelha xadrez, para logo depois ajeitar a câmera entre as mãos e fingir estar caminhando aleatoriamente pelo parque. Quando Sara a avistou, ela fingiu surpresa.
- Sara, há quanto tempo! — A mulher ignorava Thomas enquanto conversava — Como está? Animada com o parque?
— Ah, mas é claro! Lia, esse aqui é o Thomas. — Sara abriu um pequeno sorriso enquanto o marido estendia a mão direita para Lia — Viemos trazer o pequeno Daniel pra se divertir um pouquinho, ele nunca tinha ido em um parque de diversões antes...
— Isso porque há anos que nenhum aparece aqui. — Thomas disse enquanto apertava a mão de Lia, e a mulher o xingou internamente milhões de vezes por ser tão falso daquele jeito. Mas fingiu ser amigável.
— Vocês formam um belo casal, sabia? Que tal uma foto?
— Que boa ideia! — Sara sorriu outra vez, um sorriso que não demonstrava felicidade. Lia conseguia ver isso claramente.
Lia pegou a câmera e ajustou todos os detalhes, enquanto Thomas e Sara se abraçavam para tirar a tal foto. Lia apertou o botão e logo a foto já havia sido salva junto de tantas outras, mas aquela era especial. Era a primeira foto que ela tirava de Sara.
- Prontinho! Sara, se importa de ir ali comigo por um instante? É coisa rápida, só alguns minutinhos. Tudo bem, Thomas?
Sara olhou para o marido e ele apenas acenou positivamente com a cabeça, deixando com que as duas se perdessem em meio a tantas outras pessoas. Não demorou muito para que Giovanna aparecesse e começasse a puxar conversa, fazendo com que o brutamontes esquecesse por um momento a esposa.
Lia guiou Sara até o trailer arco-íris que ficava do outro lado do parque, onde as pessoas não chegavam. Tirou a chave do bolso e abriu a porta do trailer, deixando que Sara entrasse antes de fazer o mesmo e fechar a porta.
- Sara, eu queria pedir desculpas por aquele dia... Eu agi errado, não devia fazer aquilo com você. — Lia dizia enquanto sentava na cama bagunçada de Giovanna, e Sara ficava em pé a observando. O silêncio reinou ali por alguns minutos, enquanto Lia mantinha a cabeça baixa até sentir as mãos da morena em seus cabelos.
— Ei, Lia... — Sara olhava nos olhos da loira, no mesmo instante em que sentava sobre suas pernas e se aproximava cada vez mais. — Eu já disse, não tem porque se desculpar.
As duas ficaram ali, se olhando por um momento, até que a morena tomou a iniciativa e cobriu os lábios da outra com um beijo. Lia apenas retribuiu enquanto era deitada pouco a pouco na cama, e não demorou muito para que as mãos de Sara vasculhassem seu corpo e apertassem cada canto possível.
- Ei, Sara... Agora não. — Lia abriu os olhos e encarou Sara por um momento, girando na cama até estar livre e poder se levantar.
— Mas não era isso que queria naquele dia?
— Sim, era o que eu queria, mas você não merece isso. Não aqui, nesse trailer arco-íris onde a Gio deita com umas quinze pessoas por dia.
Sara ficou apenas encarando a loira, vendo ela ajeitar outra vez a camisa xadrez e lhe estender a mão.
- Venha, Sara. Você merece coisa melhor. E terá, mas não hoje.
A morena segurou a mão de Lia e respirou fundo, depositando mais um beijo em seus lábios antes de ambas saírem do trailer.
- É por isso que eu te amo, Lia. Você sempre se importou demais com o que diz respeito a minha felicidade.
— Você me ama? — Lia sorriu, ajeitando uma mecha de cabelo.
— É claro que sim.
As duas aproveitaram o vazio do local e aproveitaram mais um beijo, antes de voltarem para o parque.
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