Notas iniciais
Primeira história postada aqui no site, espero que goste.
Enjoy!

Era sábado e a chuva escorria pela vidraça da biblioteca. Não havia sido uma boa ideia me oferecer para ficar lá durante os fins de semana, por mais que o dinheiro que eu estava ganhando seria uma boa forma de pagar todo o aluguel atrasado.

Meu celular apita com a décima mensagem de Holly:

Cadê você?

É claro que ela não estava realmente interessada, apenas queria se certificar de que não encontrasse um corpo em decomposição quando voltasse de sua viagem. Respondo um “ok” e volto a me recostar na poltrona.

É estranho ficar sozinha num lugar tão grande e tão silencioso, mas que ao mesmo tempo guarda tanto conhecimento escondido dentro de capas de couro e títulos bregas que todos conhecem.

Lembro-me de quando era criança e meu pai me trazia até aqui, me sentava no canto mais afastado da biblioteca e lia baixinho para mim, uma vez que meu poder de dicção ainda não era um dos melhores.

A porta faz um barulho ensurdecedor das dobradiças rangendo, fazendo minha atenção se voltar completamente para lá. O homem entra lentamente e fecha a porta atrás de si. A touca molhada é retirada e deixa amostra os cachos castanhos. Ele caminha até minha mesa, mascando calmamente seu chiclete.

O analiso milimetricamente, procurando qualquer vestígio que me dê indícios de que ele é um assassino em série de bibliotecárias.

- Posso ajudar? – Tento manter a voz firme, mas realmente tenho medo desse homem. Quem, em pleno sábado chuvoso, vai à biblioteca? Além de mim, é claro.

- Estou apenas fugindo da chuva, está um verdadeiro temporal lá fora – Murmura, cuspindo o chiclete na mão e jogando no lixo. Ele arrasta uma cadeira até a frente da minha mesa e se instala lá, com os cotovelos na madeira e as mãos sustentando o queixo. Faço o mesmo, olhando-o de perto e tentando enxergar por detrás de seus óculos escuros.

- Está um Sol tão forte, não é mesmo?

Minha mãe sempre disse que meus maiores defeitos eram a curiosidade e a falta de papas na língua.

- Realmente, que falta de educação a minha – Me dá um sorriso torto e retira os óculos, jogando-os na mesa. Minha boca se abre em um imenso “O” quando vejo a roxura em seus olhos.

- Uau, deve ter sido uma noite e tanto.

- Você não faz ideia – Resmunga.

Continuo encarando-o, mas rapidamente perco o interesse e abro um jogo no meu celular. Qualquer coisa sobre perguntas lógicas que te fazem pensar. Quando me canso, levanto os olhos da tela e o estranho já não está mais lá. Meu coração acelera e levanto da cadeira, andando lentamente pelos corredores.

Eu já assisti filmes de terror onde essas coisas aconteciam e a mocinha ia atrás do suspeito e sempre acabava morta. Eu deveria correr e chamar a polícia, mas a curiosidade e meu problema de confiança excessiva me fizeram continuar andando.

Encontro o estranho sentado num dos cantos da biblioteca, folheando um livro antigo.

- Anna Karenina? – Pergunto sem me conter – Pensei que você fosse um cara mais para o estilo Bukowski.

- Não me conhece e já está fazendo suposições sobre mim – Murmura, fechando o livro num único movimento. Ele se levanta e sobe no banquinho, colocando o livro de volta no lugar de onde tirou.

- Já que entrou no assunto suposições, acho que devo dizer mais uma coisa – Ele me olha e espera, abrindo espaço para que eu fale – Eu acho que você é um serial killer que entrou aqui apenas para me matar. Acertei?

Ficamos em silêncio, até que um enorme sorriso se abre sem seu rosto.

- Você é engraçada – Balança a cabeça, encostando-se a estante – Gosto de pessoas engraçadas.

- Fico feliz que eu esteja desempenhando um bom papel de bobo da corte para você – Reviro os olhos.

- Ainda não me decidi se está ou não – Ele continua sorrindo, enquanto minha expressão muda para completo choque. Bato os pés de volta para a minha mesa, jogando-me na cadeira – Acho que precisamos começar de novo, concorda?

Continuo em silêncio, enquanto ele suspira e volta a se sentar na minha frente. Estende a mão e diz:

- Edward Cullen, e não sou um assassino de bibliotecárias.

Notas finais
Deixe sua opinião e crítica nessa caixinha mágica aqui em baixo.
Espero que tenha aproveitado!
Beijos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.