Thinking Of You.
47 Capítulo 47- Especial de 2 anos
Notas iniciais
Castiel acordou cedo.
Não sabia se a hora de acordar era boa ou ruim, pois, quando acordava a única coisa que passava pela sua cabeça era a apreciação pelo silencio, em seguida, a preguiça de acordar e logo depois com a péssima realidade.
Olhou na tela do celular era cedo, faltava duas horas pra abrir o horário de visita do hospital.
Levantou ainda meio zonzo do sono, e decidiu tomar um banho para acordar e depois levar o Dragon para passear, não podia negligenciar o amigo.
Já pronto respirou fundo ao sair silenciosamente do quarto, não queria se deparar com ninguém, sabia que os pais iriam voltar a qualquer hora para o aeroporto e só retornariam dias mais tarde, mas ter que conviver diariamente com o irmão lhe dava nos nervos, sem falar que o irmão iria querer conversar e se entender com ele, mas não tinha o que conversar, eles o haviam traído, jamais voltariam a ser o que eram antes, a confiança foi perdida, a confiança que pouco tinha.
Andou a passos leves no corredor e subiu as escadas, ao entrar na sala viu o irmão dormindo de mal jeito na poltrona, seu rosto estava péssimo, provavelmente por ter chorado a noite toda.
Sempre foi um chorão, Castiel disse consigo mesmo.
Miguel dormiu ali, esperava que o irmão fosse sair no meio da noite, fugindo para se embebedar sempre como fazia quando ficava irado, ou bravo, ou chateado, ou feliz, Castiel gostava de fugir para beber não importa o animo, e não queria que o irmão fosse beber com ódio dele, o impediria de sair naquelas condições, ajoelharia e pediria perdão, mas não deixaria o irmão ficar pior porque ele foi fraco e caiu na lábia dos pais.
Aguentou firme até as cinco da manhã, sendo vencido pelo cansaço e caiu em um sono conturbado.
O Ruivo hesitou ao ouvir o irmão mais velho o chamar pelo nome em um sussurro sôfrego.
Franziu o cenho, ele estava se sentindo diferente, Castiel já havia reparado algumas mudanças em seu comportamento, como por exemplo, havia semanas que não ir ao seu bar preferido, que era frequentado umas 2 ou 3 vezes por semana, que estava mais receptivo as pessoas, que deixava seus sentimentos, antes escondidos, mais soltos, se fosse um mês atrás que tivesse descoberto a mentira, teria espancado alguém para descontar a raiva e beberia até cair, transaria com a primeira que lhe apetece-se os olhos e não seria somente uma, declararia ódio eterno a família, sem se importar com o lado dela, e depois simplesmente ignora-los e ficar indiferente com tudo a sua volta como sempre foi, mas o que havia diferente? Ah sim, ela...
Melissa Miranda Helts, a garota dos olhos azuis incríveis, ela o havia mudado, deixado o assim, tão sentimental... E isso era bom? Não, era péssimo, respondeu para si, essas mudanças o faziam sentir mais, por exemplo aquela dor de traição, doía pra cacete em seu peito, e também, só o fato de ver o irmão ali derrotado na poltrona sentia dó dele, vontade de perdoa-lo, também se lembrava de Will, no fundo, no seu intimo, a criança que já foi um dia a muito tempo, sorria feliz, seu amigo estava vivo.
Mas o que fazer? Ele voltaria ao normal? Odiando tudo e a todos? Ou continuaria onde está? Seguindo o caminho daquela garota, não se importando com as mudanças?
Castiel riu desdenhoso sacudindo levemente a cabeça, porque se perguntar de algo tão idiota? Era claro, óbvio que ele jamais, em hipótese alguma, deixaria a garota, por mais que ela o tornasse mais humano e sujeito a ser ferido pelos outros, ele se arriscaria, porque no final ela estaria lá, por ele e com ele, enquanto tivesse ela, seria o suficiente.
O Ruivo bateu as mãos no rosto, ultimamente seus pensamentos estavam tão melosos que precisava de uma dose alta de insulina, era isso que a paixão fazia com as pessoas? Credo, gostaria de ser menos brega.
Decidiu sair antes que o irmão acordasse, deixaria aquele assunto pra depois, bem depois, quando estivesse preparado e menos magoado talvez.
Pegou um Dragon bem animado e saiu de casa, assim que saiu observou uma figura magra e pálida, vestida de preto, sair fechando o portão devagar com uma bolsa sobre os ombros.
—Ei!- Castiel chamou e viu o outro saltar assustado, Castiel riu com a constatação, ele estava fugindo de casa.
—O que é?- Nico olhou zangado para o outro arrumando a alça sobro o ombro.
—Onde pensa que esta indo a essa hora? Sabe que o horário de visita é só daqui uma hora e meia né?- O Ruivo riu do rosto vermelho do garoto.
—Eu sei muito bem, mas ela é minha irmã, eu não vou ficar aqui, eles tem que me deixar vê-la!- Esbravejou o menor.
Quando viu o tio no acampamento sabia que algo tinha acontecido, na verdade percebeu que algo estava errado assim que o Percy grudou no seu pé o dia todo, não que fosse ruim, ele gostava muito do garoto, talvez um pouco mais do que deveria, mas não deixava de estranhar.
No final, sua irmã estava mal novamente e o tio havia ido busca-lo. Percy e Annabeth foram com eles, o maior tentava puxar assunto e anima-lo, mas no momento só queria ver a irmã, ela era tudo pra ele, ele tinha um medo sufocante de perde-la.
Quando chegou em casa queria ir pro hospital ver Melissa, mas não deixaram, porque a droga do horário de visita já tinha encerrado. E daí? Era a sua irmã! Tinham que deixa-lo vê-la, mas não! O pai e o tio o seguraram em casa.
Mas agora ele iria ver a irmã e não tinha ninguém que o impediria de tal ato.
Castiel olhou para o garoto, bem mais pálido do que já é, com os olhos vermelhos inchados, grossas sombras negras abaixo dos olhos, lábio inferior tremendo e os olhos azuis como os da irmã, com uma determinação igual a da garota, não havia como negar o parentesco.
—Eu te levo até lá- O Ruivo suspirou e o garoto o olhou surpreso- Espera aqui, eu vou buscar a chave da moto e deixar o Dragon- Di Angelo somente assentiu em concordância ainda não acreditando.
Castiel foi rápido, esperou que ninguém fosse vê-lo, e assim conseguiu, levou o cão para a casinha, depois desceu para casa buscando a jaqueta, carteira e a chave da moto, por sorte sua, ninguém o viu.
Nico esperava ansioso o maior, nunca havia ido ao hospital a pé, ou de ônibus, pensava em pegar um taxi, era uns vinte minutos de casa, mas deu sorte por encontrar o garoto de cabelos vermelhos e se perguntava o porque dele ajuda-lo, na verdade ele já sabia a resposta, queria bajular o irmãozinho da garota que ele estava afim, pra Nico, precisava muito mais que isso pra impressiona-lo.
O ruivo voltou e entregou o capacete pra o menor, e subiu na sua querida moto.
—Me ajudar não vai deixar você melhor com a minha irmã, nem comigo, eu te detesto, vou deixar isso bem claro- resmungou o menor.
—Se eu melhorar na visão da sua irmã sobre mim, ela casa comigo hoje mesmo- O Ruivo retrucou e o mais novo ficou vermelho de raiva- Escuta garoto, eu não preciso impressionar ninguém, nem você, nem Megan, os seus pais, ou os amigos dela, a única coisa que eu me importo é com ela, Melissa, fim, agora se vai quer a carona põe essa droga na cabeça e vamos logo.
O menor o olhou tentando entender a do garoto, todos sempre se aproximavam dele querendo ser seu amigo, mesmo o achando estranho e tudo isso para se aproximarem da irmã, mas o maior a sua frente era diferente, arrogante e grosso sem duvida, mas diferente.
—Tanto faz, continuo te detestando- Nico colocou o capacete e subiu na moto do maior.
—Continue falando e você não vai fazer uma visita no hospital, vai ser visitado- Castiel soltou venenosamente, ligou a moto e se foi.
Nico se assustou com a velocidade e segurou-se no Ruivo.
Chegaram em tempo recorde, 15 minutos.
Só passava uma coisa na cabeça do menor, “MANEIRO”, quando crescer, definitivamente teria uma moto.
Castiel viu o garoto descer da moto animado, seu rosto expressava excitação, era melhor vê-lo assim, menos zumbi e mais adolescente.
—Sabe, não precisava ser tão afoito, ela esta bem, fiquei com ela aqui o dia todo, ela está bem- Castiel disse sem olhar pro menor.
—Afoito- zombou o menor e o maior revirou os olhos- Eu preciso ver, preciso vê-la sorrindo e dizendo que está tudo bem- continuou e então Castiel entendeu o que eu ela quis dizer que as lagrimas dela causariam mais dor, ela se sacrificava demais pelos outros, então decidiu ser o apoio dela, com ele ela não precisaria fingir, não tinha problema deixar ele mima-la um pouco.
—Só quero ver como vai entrar, o horário de visita ainda não começou- Castiel pôs as mãos nos bolsos.
—Eu dou meu jeito- Nico respondeu e saiu em disparada.
Vários enfermeiros gritaram, alguns tentaram pegar o garoto, o segurança demorou pra entender o que aconteceu e quando viram o garoto já havia sumido.
Castiel passou as mãos pelo cabelo e pegou o celular mandando uma mensagem pra Megan dizendo que estava no hospital com o menor, então andou calmo atrás do outro.
Nico foi tolo demais, custava perguntar onde a irmã estava antes de adentrar o hospital desta maneira? Ela provavelmente estava no terceiro ou no quarto andar, sempre ficava nesses, subiu as escadas de emergência correndo, odiava elevadores, eram sufocantes.
Estava perdido em pensamentos quando bateu de frente com alguém, que foi rápido em segura-lo, caso o contrario desceria rolando a escada.
—Ei, deveria tomar mais cuidado, já pensou quebra alguma coisa? Garanto que não é muito legal- Nico olhou para o garoto a sua frente.
Perdeu-se por um segundo, ele era novo, bem novo, pelo menos para estar de jaleco como um médico, e bem, ele era bonito, muito bonito e isso fez Nico corar levemente.
—Você está bem?- sentiu o maior apertar-lo contra si um pouco mais, então tocou seu rosto quente com a mão morna, deixando ele ainda mais sem jeito.
—E-eu ‘to legal- sussurrou Nico envergonhado desviando o olhar, mas logo voltou a olhar o loiro levemente familiar.
Nico se perdeu mais uma vez na beleza do outro, ele era claro, tão brilhante quanto o sol, seus cabelos louros caiam sobre os olhos com cachos leves, olhos azuis tão bonitos, mas a aparência cansada não combinava com ele, os olhos vermelhos marcados com olheiras logo abaixo, Nico sabia o que era aquilo.
Di Angelo era gay, isso era claro pra ele desde mais novo, quando percebeu que gostava além da conta do amigo da irmã, Percy Jackson, maldito Jackson, que só tinha olhos para Annabeth, ela era uma garota legal então não conseguia a detestar, e já tinha se conformado que do maior nunca sentiria nada além de amizade, mas não significa que goste menos dele, poucos anos de vida, com um coração tão conturbado.
—Tem certeza?- Will questionou olhando o rosto do outro tão corado e quente, mas não lhe parecia febre, apesar da aparência cansada do menor.
—E-eu te-tenho sim- Nico se repreendeu por gaguejar tanto, então percebeu que ainda estava nos braços do maior e se afastou bruscamente.
—De nada- o maior respondeu o olhando curioso, o garoto lhe era familiar, cabelos negros como ébano bagunçados, pele pálida, olhos azuis tão brilhantes e grossas olheiras debaixo dos olhos.
Os dois ficaram parados quando deveriam continuar seus caminhos, mas estavam ali encarando um ao outro.
—Você é paciente?- Will perguntou olhando o relógio no pulso.
—Não- murmurou o menor- Vim ver minha irmã...
—Mas ainda não está no horário de visita- O loiro disse.
—Eu vou ver minha irmã- Di Angelo disse determinado.
Solace mirou o menor, ele não estava com nenhum pingo de vontade de discutir com o menor, ele parecia tão cansado quanto a si mesmo, talvez o convencesse de lhe acompanhar num café enquanto esperava o horário de visitação.
—Você sabe ao menos onde ela está?- Will coçou a nuca pensando em como chama-lo pra tomar café, sem se atrapalhar nas palavras.
—Não- Will sorriu ao ver o outro corar envergonhado.
—Me diga o nome da sua irmã- Pediu.
—Melissa Miranda Helts, você sabe onde ela está? A conhece?- Nico perguntou esperançoso.
Will olhou para o menor ligando os pontos, riu baixo.
—É claro que você é irmão dela- O maior riu ainda mais, estava tão evidente.
Solace não tinha muito contato com a família da amiga, geralmente ficava com ela a noite, deixava o dia para as visitas dos familiares e amigos, sempre ficava meio deslocado, mas se lembrava de ter visto o irmão de Miranda, mas ele era bem menor, não lhe chamava tanta atenção como agora, estava mais bonito.
—Então você a conhece?- O pequeno Helts perguntou, não conseguia deixar de corar, o maior tinha um sorriso muito bonito no rosto, definitivamente, ele ficava melhor sorrindo, pensou, mas logo afastou tais pensamentos.
—Sim Nico, eu conheço- O seu sorriso se alargou com a cara surpresa do outro.
—Você sabe meu nome- Nico apontou para o maior- Como?
—Eu sou Will Solace, filho do doutor Apolo- Apontou para si mesmo- Você pode não se lembrar de mim, mas...
—Eu lembro!- cortou o menor realmente se lembrando, era o garoto que dividia o quarto com sua irmã quando eram crianças- Lembro, você é amigo da Mei-Nee-san, você é quem fica com ela de noite- completou com desgosto, não sabia porque os pais deixavam tal absurdo.
—Sou eu mesmo- O sorriso do maior desmanchou com a carranca do menor- Não gosta de mim?- foi direto.
—Não, só é mais um que quer se aproveitar da Mei-Nee-san- O moreno disse irritado.
Will que se surpreendeu dessa vez, já tinha ouvido falar que o menor era bem ciumento em relação a irmã mais velha.
—Escuta, eu sou só amigo da sua irmã- De defendeu abrindo um sorriso educado.
—É o que todos dizem- resmungou Nico começando achar irritante o tanto de sorrisos que o outro dava pra si.
—Nico, eu gosto muito da sua irmã, mas não estou interessado nela- Tentou mais uma vez, mas o menor só aumentou o bico.
—É o que você diz- virou o rosto, não aguentava mais olhar aquele sorriso brilhante.
—Nico, olhe pra mim- Will tocou o ombro do menor e Nico o olhou irritado pronto pra se esquivar do toque indesejado- Sua irmã só me interessaria se fosse um homem, eu sou gay.
—Ah! Tá- as mãos agarraram a barra da camisa- entendi, ok, er... Tudo bem- Nico disse desviando o olhar, se repreendeu por estar corando.
—Agora que estamos resolvidos, venha, vou te levar até sua irmã- Will retirou a mão do ombro do menor, quem sabe um café mais tarde pensou.
—Vo-você vai?- Gaguejou o moreno, mas logo tomou postura- Quer dizer, vamos logo.
Nico tomou a frente subindo as escadas apressado.
—Ei Di Angelo- Chamou Will, ele sabia muito sobre a família da Miranda, ela sempre contava sobre eles, principalmente sobre o caçula mimado.
Nico já estava subindo mais um andar, quando viu o outro parado de frente para a porta do quarto andar.
—Aqui- sorriu abrindo a porta para o menor, que atravessou batendo o pé sem olhar e dizer nada para o maior.
Observou Castiel saindo do elevador mais a frente, com as mãos nos bolsos olhando para todos os lados.
—Onde raios você estava? Perdido aposto- praguejou o Ruivo assim que pos os olhos sob o menor.
—Já disse que te detesto hoje?- resmungou o menor o olhando de baixo.
—Se continuar dizendo vou acabar acreditando que gosta de mim- Provocou o maior.
—Cala a boca, você é irritante!- Então Nico se lembrou do Loiro e olhou pra trás- Tá fazendo o que parado ai? Não ia me mostrar o quarto?- Ele podia muito bem pedir para o ruivo, mas se recusava, ele era irritante demais.
Castiel olhou na direção que o menor olhava e viu Will o olhando triste, com os olhos levemente marejados.
Nico olhou para os dois sem entender, o Loiro sorria até um minuto atrás e agora parecia que ia cair no choro a qualquer momento, e o vizinho só o olhava sem expressão.
—Tá tudo bem?- Nico ficou entre os dois, olhando para ambos, mas sustentou o olhar no garoto de olhos azuis- Will?- chamou pela primeira vez o nome do garoto.
—Tá sim- Will piscou mirando o menor, ele precisava se controlar, não podia chorar mais, pelo menos não agora.
—Vai me levar no quarto?- Nico perguntou vendo o outro olhar pra todo canto menos para o Ruivo.
—V-vou, vou sim- assim que disse isso, seu bip apitou e ele olhou, era uma emergência, emergência no quarto da Helts- Droga- praguejou e saiu correndo para o quarto.
Assim que entrou no quarto viu Melissa agarrada num cesto vomitando sangue e tudo que estava em seu estomago, enquanto a mãe a amparava segurando seus cabelos e dando sustentação.
—Will, ela acordou gemendo e então começou a vomitar- A mãe dizia aos prantos.
O loiro correu até a garota, olhou as maquinas rapidamente vendo o batimento muito acelerado. Apertou o botão que bipava o pai e outro chamando outras enfermeiras, logo se aproximou da garota vendo suas orbitas vagarem e sua pele pálida.
—Não- choramingou quase inaudível, então Solace olhou para a porta e viu um Ruivo espantado e um moreno chorando.
—Castiel- Will chamou atenção do maior que o olhou perdido- Levo-o- disse com firmeza e o maior olhou para Nico entendendo o que tinha que fazer.
O caçula Helts tentava lutar contra a força do outro o xingando de nomes inimagináveis, mas era impossível, o outro era muito mais forte que si então deixou o Ruivo leva-lo para a sala de espera do andar.
Esperaram alguns minutos e logo um Will afoito entrou, logo Castiel e Nico se levantaram.
—O que aconteceu, ela está bem?- O Ruivo perguntou.
—Não muito, mas vai ficar, a cirurgia vai ser antecipada- Explicou.
—Cirurgia? Outra? Quantas vão ser necessárias até que ela fique boa?- O menor esbravejou aos prantos e tacou a bolsa em suas costas contra o loiro- Vocês são incompetentes! Nunca fazer nada direito- Nico avançou contra o maior começou a bater com os punhos fechados no peito do loiro. Castiel tentou pega-lo, mas Solace deu um sinal para que deixasse- Porque vocês não fazem nada? Porque não salvam a minha irmã? Eu não posso ficar sem ela, eu não posso!
O menor começou a tremer chorando alto, ainda batendo os punhos fracamente no outro, então Will o abraçou deixando o menor chorar o quanto quisesse, molhando seu jaleco.
Castiel só observou, Will parecia lidar bem com toda aquela situação, enquanto ele ficou estático vendo sua garota vomitar sangue, o outro tomou uma atitude, ainda soube acalmar o menor, ele se sentiu inútil, gostaria de saber como agir.
Will arrastou o menor para o sofá e ficou ali com ele, o garoto chorava muito, seu pequeno corpo tremia nos braços dele, tão magro, mas era forte, sentia uma leve ardência no seu peito. O maior sentiu uma vontade imensa de abraça-lo mais e assim o fez, o que fez Nico chorar mais.
Passou-se uns trinta minutos, Castiel aguardava do lado da mãe da garota, que chorava baixo, Nico havia adormecido nos braços do Loiro.
Logo varias pessoas entraram o local ao mesmo tempo, Rafael e Megan Helts, junto com Nathaniel, Ambre, Armin, Alexy, Kentin, Percy, Annabeth, Lysandre e outro homem que Castiel desconhecia.
Todos se cumprimentaram, e Kath começou a explicar que a garota passou mal, teve que fazer uma lavagem estomacal e antecipar a cirurgia que seria no dia seguinte para aquela manhã.
Lysandre olhou com pena para o amigo, Castiel não é muito bom em se expressar, quase sempre andava com uma máscara inexpressiva, mas agora tinha um olhar vagante, preocupado e culpado.
— Ei cara- o albino o sentou do lado do amigo que só assentiu com a cabeça — Você está péssimo.
Castiel o olhou e sorriu de lado, o amigo sabia falar com ele.
—Eu poderia dizer o mesmo, mas você está sempre péssimo — respondeu.
—Preciso perguntar porque o Miguel me ligou umas trezentas vezes pra saber onde você estava?- colocou os braços atrás da cabeça olhando de canto para o ruivo.
—Não agora- suspirou derrotado, não podia ser uma bomba de cada vez? Tinha que ser todas ao mesmo tempo.
—Sabe, não sei qual foi o idiota que disse isso, mas já ouvi que a melhor hora pra dar uma péssima notícia é nos piores momentos, porque já sofre tudo de uma vez só — Lys deu com os ombros.
—Solta logo, duvido ficar pior- resmungou o Ruivo.
—Cara você não devia ter falado isso, é tipo carma, quando fala, acontece algo...
—Fala logo Lysandre — Castiel o olhou irritado, detestava quando davam voltas só pra dizer algo.
—Debrah esta voltando.
—Como é que é?!- a voz alta do Ruivo ecoou pela sala de espera fazendo todos se calarem e o olhar.
Lysandre coçou a cabeça e olhou em volta sentindo os olhares curiosos dos amigos sobre ambos, levantou, querendo ter aquela conversa em outro lugar.
—Castiel vamos...
—Você está falando sério? Ela está voltando? — o olhar de ódio, a voz fria como gelo.
Will percebeu que não tinha recebido todo o ódio do Ruivo como pensará, que havia alguém que ele odiava mais do que a ele.
—Sim está- o Albino estava incomodado com aquele assunto, talvez não devesse ter falado, mas assim que soube teve que falar para o amigo, se o Ruivo soubesse que ele não disse nada, não ia ser legal.
—Como você soube disso? — Castiel não dava a mínima se olhavam, ele precisava saber, não se lembrava da última vez que teve notícia da ex.
—Ela está na cidade em que a Rosa e meu irmão estão, foram num show e ela era uma das convidadas, anunciou que ela iria voltar para a cidade natal- respondeu, tinha mais coisas, coisas piores- Castiel, vamos dar uma volta- não sabia da reação do amigo sobre o que estava por vir.
Castiel levantou imediatamente, precisava saber, precisava, deu um passo na direção do amigo, porém congelou. Lysandre franziu o cenho, o olhar do amigo estava confuso.
—Castiel- o chamou.
—Não vou sair daqui- respondeu Burn recuperando o controle e olhou para a porta por onde esperava notícias da sua garota.
Isso, sua garota, Melissa sim merecia sua atenção, preocupação, não tinha que ficar assim só porque a vadia da ex iria voltar, isso não significava que fosse acontecer algo, ele não se importava, não mais, agora ele tinha a sua pequena, e não tinha mais espaço pra Debrah nem na sua cabeça, muito menos no seu coração.
—Mas ela...
—Não quero saber Lysandre — o Albino estranhou o amigo, o brilho de determinação nos olhos dele, apesar de detestar a ex, sempre queria saber sobre ela, tudo. O que era diferente agora?
Lysandre sorriu abertamente, olhando para onde o amigo olhava, ele sabia que Castiel iria se apaixonar por Melissa, quando soube onde o amigo ia morar, deu boas risadas só em seu quarto, Melissa era o tipo de garota que era linda por fora e maravilhosa por dentro, não tinha como não gostar, até ele já tinha tido uma queda pela menor.
—Se ela aparecer, mandamos ela de volta para o inferno, beleza? — tocou o ombro de Castiel, foda-se o que a ex do amigo disse, o Ruivo finalmente tinha encontrado paz e amor, não deixaria a cobra da Debrah fazer algo.
—Ah, disso você pode ter certeza — Castiel sorriu de lado.
—Olha, tô perdido na fofoca e isso não é legal — Alexy que assistia tudo como os outros, sem entender nada, reclamou.
—A ha! Você é o Alexy! — Jackson apontou animado para Alexy, desde que chegou ao hospital estava tentando saber quem era o Armin e quem era o Alexy.
—Droga Ale! A gente ia conseguir uma grana — Armin reclamou bufando, passando uma nota de vinte para o Jackson.
—Foi mal, é que eu não resisto uma fofoca — lamentou- Agora me contém!
—Eu até te contaria, mas você sabe que eu cobro, e eu acho que você não pode mais pagar- Lysandre sorriu malicioso para Alexy, somente para provocar o novo namorado do amigo, Kentin.
—Não pode mesmo! Pare de falar asneiras Lysandre, a não ser que queira ir pra uti — rosnou Kentin passando os braços pela cintura se Alexy.
—Calma pitbull, só fiz um comentário — O Albino sentou se ao lado de Castiel, cruzando os braços e fechando os olhos.
—Quem está chamando de pitbull aqui? — Kentin tentou se levantar, mas o namorado grudou no seu corpo o fazendo ficar no lugar.
—Vocês estão muito irritadinhos, tenho que pedir pro jovem enfermeiro dar um calmante para vocês?- Castiel pela primeira vez olhou para o homem que estava ali ao lado do Senhor Helts.
—Não senhor — Lysandre e Kentin responderam emburrados.
O homem sorriu e o Ruivo percebeu que sem dúvidas era parente de Melissa, os cabelos negros, olhos azuis claros brilhantes, sorriso travesso e ao lado do pai de Melissa os faziam parecer quase gêmeos, mas sem dúvidas o desconhecido era mais novo, talvez uns 25 anos? O que se fez perguntar a idade dos pais da garota.
—Quem é você? — o homem percebeu o olhar gélido do menor o analisando e disparou.
—Você não vai querer saber — o pai de Melissa balançou a cabeça bufando.
—Com certeza não — Megan sorriu minimamente, levantando a cabeça do colo da mãe.
Todos começaram a olhar sorrindo um para o outro e por fim olhando para Castiel que parecia bem calmo.
—Se ferrou cara — Lysandre disse de olhos fechados.
—Agora eu quero saber- o homem cruzou os braços mirando o ruivo- quem é você?
—Castiel Burn — respondeu contra gosto, porque todo mundo tinha que o interroga-lo?
—Conhece minha sobrinha da onde?- Tio, óbvio.
—Sou vizinho- Gabriel girou os olhos, sua sobrinha e a mania de ser uma boa vizinha.
—E que tipo de relacionamento tem com Melissa?
Castiel coçou a nuca, ele e a garota estavam a um passo de nomear aquilo que tinham, ele gostava dela e não queria a dividir com mais ninguém, nem desejava ficar com mais ninguém além da sua pequena.
Todos olhavam com expectativa para o ruivo, até Will que tinha o pequeno Nico adormecido sobre seu colo.
—Eu gosto dela e ela gosta de mim- Castiel respondeu sobre pressão.
—E quem te garante que ela gosta de você ou vai querer algo com você?- perguntou desafiador.
Castiel pensou naquilo, ele sentia que era recíproco o sentimento, mas sobre ela querer ele, ela meio que tinha dito a noite passada, lembrou-se.
—Acredite Gabriel, ela gosta- Rafael suspirou, só queria que a filha ficasse bem e fosse feliz, se ela achava que a felicidade dela estava com o garoto ruivo, ok, tudo bem, ele só queria a filha com eles novamente.
Gabriel Di Ângelo Helts bufou, ele já foi moleque e sabia que a sobrinha chamava muita atenção, não deixaria nenhum moleque se aproveitar da sua sobrinha.
—Ei, eu acho melhor a gente acordar o Nico- Percy disse mirando Will e o menor que abraçava a cintura do maior durante o sono e descansava a cabeça no peito, só viu o menor dormindo tão tranquilamente uma vez, que foi no colo da irmã, então ele estava confuso.
—Verdade, ele parece magro, porém pesa bastante — Rafael brincou, assim que chegou e viu o filho ali dormindo em paz, decidiu deixar, pois pelo menos estava descansando finalmente e ele acordado é preocupante.
—Já disse que não tem problemas Senhor Helts, ele teve uma crise nervosa, a melhor coisa pra ele é dormir — Solace suspirou e passou a mão pelos cabelos negros e sedosos do menor- Realmente está tudo bem, não necessitam de mim em outro lugar a não ser aqui no momento, sem falar que ele parece um anjinho dormindo.
—Só dormindo mesmo- Megan brincou.
—Ah eu sei, encontrei ele perdido, quando ele descobriu quem eu era, pensei que ia me atacar, me acusou de querer algo com a Miranda — Will riu divertido, adorava a amiga, se ela fosse um garoto certamente namoraria com ela ou ele(?).
Os mais próximos que conheciam o loiro, riram achando graça, mas Percy só franziu o cenho, porque Nico estava tão relaxado no colo do outro, porque? Ele ficava sempre tão tenso consigo que era amigo de anos.
Castiel olhou de relance para Will, tentava ao máximo não fazer, olha-lo fazia o lembrar de coisas que não queria.
—Pode ficar calminho aí, esse é Will Solace, estagiário do hospital, filho do Doutor gato Apolo- Lysandre nem precisava estar de olho aberto pra saber que Castiel ficou incomodado com o comentário, mas errou, o incomodo com o loiro ele não fazia ideia.
—Eu não preciso que você me apresente ele, eu o conheço bem infelizmente- Burn se irritou e levantou.
Sem esperar a reação de ninguém foi em direção a uma máquina de café no final do corredor.
A primeira reação foi do Loiro, que se moveu pra ir atrás do outro esquecendo totalmente do moreno deitado em si, fazendo o pequeno se mexer sonolento.
A atenção foi toda para Nico que foi se mexendo aos poucos, se espreguiçando e acordando.
Di Angelo estava com o corpo um pouco dolorido pela posição que dormiu, mas por incrível que pareça, ele havia dormido bem, o corpo que ele abraçava era quente e com um cheiro diferente, era limpo e fresco, Nico gostou daquilo, apertou um pouco mais os braços e afundou o nariz sentindo mais daquilo, soltando um ronronar de satisfação.
O moreno gostou imediatamente do carinho que fizeram em sua cabeça, dedos com unhas curtas arrastavam no seu coro cabeludo, puxando os fios sem machucar, era quase melhor que o cafune da sua irmã mais velha, talvez fosse melhor.
Curioso o menor abriu os olhos devagar, dando de cara com um tecido branco, se espreguiçou um pouco e dirigiu o olhar para cima, tentando ver quem era a pessoa.
O pequeno Helts saltou gritando, caindo estabanado no chão.
—Ei, você está bem? — Will levantou indo na direção do menor que começou a se arrastar pra longe.
—Porque porra eu estava dormindo no seu colo?- berrou o menor corado, sentia todo o seu corpo queimando, o cheiro do loiro estava em si, ainda sentia o toque em sua cabeça, Deus! Ele tinha ronronado como um gatinho, queria abrir um buraco direto para o tártaro.
—Nico, sem palavrões — O garoto olhou para o lado vendo o tio olhando uma revista de casas.
—E sem gritos querido — A mãe completou.
Nico olhou em volta vendo todos ali, família e amigos.
Ouviu passos apressados e um Ruivo apareceu do corredor com um copo fumegante na mão.
—Aconteceu algo?- perguntou olhando para os pais da sua garota.
—Não, só o Nico escandaloso acordou- Meg respondeu- Vai ficar limpando o chão aí?- a irmã olhou para o menor no chão.
—Cala boca, baka — Nico levantou do chão irritado, porque tinha que ter dormido tão abraçado ao filho do médico? Como tinha acabado em situação tão comprometedora, só piorou a situação quando viu Percy o olhando.
—Nico, não xingue sua irmã — o tio falou monótono ainda lendo a revista.
O garoto demorou a perceber o que estava acontecendo ali e porque estava ali, mas quando se deu conta seus olhos se encheram de lágrimas.
—Ei Nico — viu Jackson se aproximar dele com aquela expressão de tristeza como se entendesse o que ele estava passando.
—O que aconteceu? Cadê a Mei-Nee-san?- Perguntou angustiado.
—Ela está na cirurgia ainda- Solace respondeu parando ao lado do Jackson.
—Faz muito tempo?- Questionou.
—Desde a hora que você dormiu — O Louro respondeu olhando no relógio de pulso- mais o menos 1:15.
—E não tem noticias nenhuma?- O peito de Nico se comprimia de dor, queria a irmã.
—Não, temos que esperar ela sair- Percy se adiantou, era estranho Nico estar dando atenção a outro além dele sempre gostou do modo que o menor corria atrás dele e achava um máximo tudo o que fazia, se sentia um irmão mais velho.
—Você consegue ir lá descobrir como tá as coisas não consegue? — Nico deu um passo em direção a Will- você pode ir em qualquer lugar aqui dentro! Pode ir lá da uma olhadinha na Mei-Nee-san!
—Meu acesso é restrito, não posso ir à qualquer lugar- Solace coçou a nuca, o menor tinha a mesma determinação da irmã mais velha e isso o já fazia especial para o maior.
—Nico, temos que esperar- Rafael suspirou, gostaria muito de saber se estava indo tudo bem com sua primogênita.
—Mas...- Os olhos azuis do menor brilharam com as lágrimas.
Will olhou para o menor e seu coração se apertou, era só um garoto preocupado com a irmã, ele já tinha visto isso muitas vezes, sabia que para ser um futuro médico precisava saber como lidar com a situação, mas o pequeno se parecia tanto com a sua amiga.
—Ok- O Loiro sorriu bagunçando os cabelos embaraçados do menor.
—Sério? — Nico o olhou sorrindo.
—Só não chore — Will limpou uma lágrima solitária no rosto corado do moreno.
—Não estou chorando- Di Ângelo fez um bico infantil, mas sem afastar o toque, ele não entendia porque deixava ser tocado tão facilmente pelo loiro.
Solace sorriu sumindo pelo corredor.
—Ei Nico — Percy chamou atenção do menor, se sentindo esquecido- Vamos sentar.
Castiel respirou fundo, estava quase esquecendo a história de ignorar o ex amigo e implorar junto a o Nico.
—Sinto que está escondendo coisas de mim querido — Lysandre sentia a inquietação fora comum do amigo.
—Não vou alimentar sua rede de fofoca- Resmungou Castiel.
—Sabe que eu vou descobrir por nem ou por mal não é?- olhou de soslaio.
—Dane-se- o Ruivo respondeu fazendo o outro rir.
O Burn olhou em volta, os mais velhos estavam em silêncio, Katherine e Rafael abraçados e Gabriel lendo, Megan e Nathaniel conversavam em tom baixo, Ambre fingia dormir do lado do irmão, Castiel sentiu vontade de rir quando a viu abrir um dos olhos e olhar para o corredor discretamente, na outra fileira de bancos tinha Armin jogando algo, Kentin com a cabeça no colo do namorado Alexy que acariciava as madeixas do outro, o Ruivo sentiu ainda mais falta da sua pequena acariciando as suas, Percy tentava conversar com o Helts mais novo, porém esse só tinha atenção para o corredor e por fim encontrou os olhos acinzentados de Annabeth, eles trocaram um longo olhar como se conversassem.
Muitas coisas passavam pela cabeça de Castiel, ele não era burro e sabia ligar os pontos, ninguém disse diretamente o que acontecia com a garota, mas ele tinha suspeitas e Annabeth sabia o que ele pensava e afirmou para o garoto.
Depois de 20 minutos agonizantes para Nico, Solace apareceu andando tranquilamente no final do corredor, com a mesma expressão serena e aparência cansada.
O pequeno Di Ângelo correu até o Loiro sedento por notícias.
—E aí? — parou ofegante na frente Solace.
—Não corra nos corredores Helts — Will pediu.
—Não me enrole, desembucha!
—A não sei se falo- Will colocou os braços atrás da cabeça e começou a andar — Você estava bem mais educado antes.
O moreno mirou estático o maior que se afastava desfilando suavemente, isso durou cinco segundos até a raiva correr quente em suas veias.
—Seu loiro oxigenado! Pode me responder! Volta aqui agora! — Nico exigiu.
Will parou na hora e olhou pra trás por cima do ombro, ele parecia muito com a irmã, afirmou pela décima vez naquele dia, mas naquele instante nem tanto, Melissa não se deixava consumir pela raiva e a irritação, não tão facilmente ao menos, entretanto, isto, só deixava o garoto menor de cabelos negros, olhos azuis intensos e bochechas coradas mais fofo na visão do maior.
Solace caminhou até o mais novo com sua expressão mais séria.
—Olha — encarou o menor- Não me insulte deste modo, meu cabelo é lindo e natural- completou.
—Não ligo pro seu cabelo brilhante- Nico resmungou envergonhado com o olhar divertido do maior em si.
—Ah sim, meu cabelo é muito brilhante- Will balançou a cabeça mexendo nos cachos.
—Eu não estou te elogiando! — Nico corou ainda mais.
—Tá, tá — Solace deu com os ombros sorrindo — Mas obrigada do mesmo jeito.
—Já disse que não foi um elogio — Di Ângelo cruzou os braços virando o rosto.
—Até melhorou meu dia- provocou.
—Não tem porque, não te elogiei- Nico olhou e viu que o maior se afastava- Pra onde está indo?
—Estou indo dar notícias sobre Miranda — respondeu por cima do ombro.
Nico por um instante havia esquecido a irmã, era a primeira vez que acontecia, correu para alcançar o Loiro, olhou para os cabelos louros cacheados e brilhantes do maior, droga de cabelo bonito.
Corou com o próprio pensamento, perdido neles não viu que o filho do médico havia parado e bateu um o rosto nas costas do maior.
Murmurou um xingamento e se afastou.
—Miranda está bem, a cirurgia é delicada e demorada, mas está ocorrendo muito bem até agora- um suspirou coletivo foi ouvido.
Os ombros do Castiel relaxaram por um instante, não significa que ela estava bem, sã e salva, sem estar sujeita e nenhum perigo de uma operação complicada, mas era algo, ela estava bem naquele momento.
O Burn nunca foi um homem muito religioso, mas mentiria se não estivesse rezando pra tudo dar certo.
Nico olhou agradecido para Will, não diria nada, seu orgulho não permitia, não daria mais moral ainda pro Loiro, porem Will sorriu sabendo o quão agradecido o pequeno estava a ele, fazendo o menor bufar e se sentar ao lado de Percy em silencio.
Os mais educados agradeceram ao filho do médico.
O aparelho de Will apitou e ele olhou preocupado para a chamada em seu bip.
—Precisam de mim- suspirou cansado, estava exausto.
—Desculpe Will, estava no seu horário de descanso?- Katherine perguntou, nem ao menos havia se importado de perguntar se ele tinha algo pra fazer, sentiu-se culpada.
—Não, não estava nem no meu horário de trabalho mesmo, estava fazendo um turno extra, mas agora aconteceu uma emergência, melhor eu ir, volto quando conseguir, Miranda saindo da cirurgia já estou escalado para ajudar – Solace falava alegre, não podia deixar seu cansaço, sua preocupação com a amiga, sua preocupação com a paciente que iria ver agora ou sua dor no coração de ver como Castiel o olhava indiferente aparecer.
—Você deve estar cansado- Rafael se preocupou com o menor.
—Não, estou bem, descansei durante madrugada e agora enquanto o Nico dormia- Mentiu, não havia dormido nada, ficou fazendo tudo que deu, até ao pronto socorro foi, ajudou na área de biomedicina com exames de sangue, urina, fezes e tudo mais, só pra não ficar pensando nos problemas, não descansava a mais de 24 horas.
—Tem certeza que esta bem?- A mais velha perguntou e Will se reconfortou com a preocupação, não se lembrava da mãe, então gostava de guardar essas pequenas coisas como se fosse sua mãe.
—Estou ótimo- Sorriu amável- Até logo.
Will olhou para Nico que mexia nos dedos e por fim para Castiel, que o olhava, ele preferia que o Ruivo não estivesse o olhando, ser ignorado era melhor do que receber aquele olhar, engoliu o choro repentino e saiu rápido dali.
Muitos ignoraram ou não viram os olhos embaçados do prodígio da medicina, mas alguns olhos pegaram mais o que deviam, Ambre franziu o cenho, igualmente com Annabeth, Lysandre se limitou a olhar para o amigo que tinha sua mascara fria de indiferença.
Nico ficou ainda mais confuso, qual era a relação entre Castiel e Will? Não era a primeira vez que o Loiro ficava assim na frente do Ruivo, o que havia acontecido? Porque queria tanto saber? Passou a mãos pelos cabelos e levou a cabeça ao joelho, estava se concentrando em coisas que não eram prioridade no momento.
—Nico, esta tudo bem? A sua irmã vai ficar bem- Percy tentou dizer algo, era tão difícil saber o que se passava na cabeça do menor, queria ser útil.
O menor só ignorou o amado, não queria pensar em nada além de sua irmã, e ficou ali por ao menos uns trinta minutos até que Jackson tocou fraternalmente em suas costas o assustando, repeliu o toque imediatamente.
—Tá tudo ok- Nico se levantou como se tivesse tomado um choque e foi ao banheiro, precisava se acalmar, era muitas coisas que haviam na sua cabeça naquele momento.
Porque Percy tinha que ser tão presente e tão preocupado com ele? Será que aquele cabeça de alga lerdo não percebia que Nico não gostava dele? Não entendia que essas atitudes só faziam o coração do menor acelerar e doer por saber que nunca o teria como nada além de amigo?
Chegou ao banheiro, entrou em uma cabine fechando a tampa da privada e sentou puxando as pernas contra o peito.
Porque o namoradinho da irmã e o filho do médico estavam naquele clima tão pesado? O que tinha acontecido? Será que Castiel tinha ameaçado o outro por ciúmes? Mas o Loiro não parece o tipo de pessoa que ficaria mal com uma ameaça ridícula de ciúmes.
E sua irmã, de novo naquela situação, a agonia de espera de outra cirurgia, quantas ela teria que fazer pra ficar bem? Porque sua irmã que era tão forte tinha que ter um corpo tão frágil? Ela era tão boa, com ele, com sua família, tinha tantos amigos que a amavam e infelizmente garotos também, ela tinha tudo para brilhar, ser a melhor dançarina, ser a melhor no que ela gostasse de fazer, mas porque tudo isso tinha acontecer com ela?
Nico suspirou, já tinha passado da fase de culpar Deus pelos problemas da sua irmã, não podia culpar ninguém, nem seus pais, nem o médico, muito menos a si mesmo, e a sua irmã já sofria demais pra levar a culpa de ser doente, o menor só queria poder culpar alguém, jogar toda aquela raiva que sentia em alguém, ele só queria sua irmã bem e feliz, isso era pedir demais?
O pequeno Helts ouviu um soluço e passou as mãos para limpar as lagrimas no rosto, mas não havia lagrimas e o soluço não era seu, havia mais pessoas amarguradas naquele banheiro.
Levantou e saiu da cabine pretendendo lavar o rosto.
Entretanto seu corpo parou estático ao ver quem chorava, parecia outra pessoa da qual viu minutos antes, rosto vermelho, cansado, exausto, lagrimas misturada com a água que foi jogada no rosto, cabelos mais bagunçados e desengrenhados, cabeça pouco baixa para pia, corpo tremendo pelo choro e soluços escapando pela boca.
Nico ficou sem agir, será que conseguia sair de fininho? Negou, não era certo, então só continuou ali, esperando ser percebido, não sabia como chegar e consolar alguém, fora ele que sempre fora consolado e mimado.
Então o outro garoto levantou o olhar para ver sua trágica situação se assustou ao ver o menor o mirando com seus olhos azuis intensos, fantasminha belo.
Suspirou, era obvio que alguém o veria naquela situação, mas não tem como ser rocha com um sorriso o tempo todo.
—Will...- começou Nico, mas parou, o que diria?
O loiro o olhou e viu a agonia do menor.
Solace respirou fundo e começou a lavar o rosto de novo parando de chorar e tremer, tinha que se recompor, não tinha tempo pra isso, quando levantou viu o menor ao seu lado o olhando com receio.
—Está tudo bem, só sou dramático demais- Mas o olhar do menor não mudou, ficou mais penoso- É serio Nico, eu... — Ele não aguentava mais falar que estava tudo bem, seus olhos encheram de lagrimas- Eu... -Queria não chorar, mas o menor não ajudava, não ia embora, não parava de o olhar daquele modo.
Nico viu o maior a ponto de entrar aos prantos de novo e fez o que sempre faziam com ele, o abraçou, com muito receio, sem saber como fazer ao certo, passou seus braços pela cintura do maior e apoiou sua cabeça no ombro do outro, sentia seu rosto queimar de vergonha, mas era seu agradecimento por fazer tanto por sua irmã.
Solace não resistiu, nunca resistia a um abraço, principalmente daquele garoto, naquele momento, então apertou o menor contra si e escondeu o rosto no pescoço do menor chorando copiosamente.
Dentro do abraço do maior Di Angelo se sentiu bem, não era ele o consolado, ele também podia ajudar alguém, era boa essa sensação, mas se sentia angustiando pelo outro que chorava tão sofridamente, não ligava por esta molhando seu pescoço e sua camisa, nem por estar tendo um contato tão intenso, não era o tipo de pessoa que apreciava algum contato, mas não era de tão incomodo no geral, ele se sentia bem?
O Helts mais novo mal percebeu que chorava também, nem quando sua mão apertou a camisa do outro.
Ambos choraram, Will chorava pelas mentiras, pelo cansaço e por uma garotinha na qual havia se apegado e havia falecido a minutos atrás de um parada cardíaca. Nico chorava obviamente por sua irmã e um amor não correspondido.
Solace ouviu vozes e pegou Nico pela mão o puxando para a cabine mais próxima, fazendo gesto para que ficasse em silencio, e o menor ficou, pois estava encarando os olhos azuis belos do Loiro, ficavam ainda mais claros molhados com lagrimas.
—Não tem o porque ficar atrás dele- Nico ouviu a voz de Armin resmungando.
—Não podemos deixa o Nico fofo por ai sozinho- Alexy retrucou, que amigo ele seria se não cuidasse do irmãozinho melhor amiga enquanto ela não podia? Se perguntou- Nico! Está aqui?
Will empurrou o Nico discretamente para cima da privada que estava com a tampa fechada, o menor subiu.
—Para de escândalo no banheiro Ale- Armin pediu emburrado.
Nico fungou e passou a barra da camisa no rosto.
Will que observava aquilo ficou corado por ter sido pego desprevenido, não que era a primeira vez que via a barriga de um garoto, nem era um tanquinho de babar, mas era o irmão mais novo fofo da sua amiga que estava ali.
—Acho que tem alguém chorando aqui, Nico é você?- Alexy perguntou de frente pra porta.
Wil e Nico se olharam assustados, não estavam fazendo nada de errado, só não queriam ser vistos chorando, é pedir demais?
—Nico?- Alexy insistiu.
—Não é o Nico- Will respondeu, sua voz estava bem rouca pelo choro anterior.
—Ah! Me desculpe- Alexy disse rápido puxando o irmão para fora do banheiro.
Will riu baixinho, aquela família e amigos da Miranda eram engraçados pra ele.
—Alexy é pirado- Nico resmungou coçando os olhos.
—Isso que é bom- Will encosto na porta, gostava de pessoas divertidas.
—Ele tem namorado- Di Angelo respondeu vendo o outro falar animado do ex colorido.
—Eu sei e não é por ser gay que eu estou interessado em qualquer ser que tenha um falo no meio das pernas- Will respondeu sem se incomodar, muitas pessoas achavam isso, já havia se acostumado.
Nico poderia se desculpa pela falta de educação, ele sabia muito bem o que o Loiro quis dizer e não sabia o porque tinha dito aquilo, mas um sorriso imenso abriu no seu rosto, surpreendendo o maior.
Aquele sorriso brilhante apagou a grosseria que ele tinha dito anteriormente, apagou tudo da cabeça do maior, não sabia porque do Helts estar rindo, mas Will não se incomodava nem um pouco, poderia ficar ali olhando, porem teve que perguntar.
—O que foi?
—Você fala que nem a Mei- Nee-San- Riu baixo fazendo o maior sorri sem perceber- Quem fica falando “falo”?
—Eu falo “Falo” oras- Solace respondeu e riu do trocadilho junto ao Nico.
Ambos ficaram rindo, e os pesos foram deixando os seus corpos, aos poucos se acalmaram encarando um ao outro sorrindo.
—Ela vai ficar bem Nico- Will disse por fim e Nico o olhou- Você sabe que ela vai, ela vai ficar bem por todos vocês, porque ela é mais forte que isso.
—Ela é bem forte né?- Nico fechou os olhos lembrando da irmã.
—Muito Nico-chan- Nico abriu os olhos mirando um Will risonho e fechou a cara, Solace percebendo o perigo saiu da cabine correndo.
—Só a Nee-san pode me chamar assim- O menor declarou.
—Porque Nico-chan?- O Loiro provocou.
—Porque eu disse- Di Angelo correu até a pia e ligou.
—Não se atreva- O maior olhou de olhos arregalados para o menor- Nico-chan não...
Antes de terminar de falar água foi jogada no rosto de Will, que parou estático, seu olhar se tornou ameaçadoramente engraçado e Nico colocou a mão na boca pra segurar o riso.
—Você jogou agua em mim e está rindo?- Will questionou apertando os olhos, Nico balançou a cabeça negando, mas o riso escapou de sua boca- Corra Di Angelo Helts, Corra!
Nico correu rindo, a cara do Loiro de abismo foi hilária, ouvia os passos apressados atrás de si e riu ainda mais ao passar ao lado de dois cartazes, um dizendo silencio no hospital e outro não corra.
Will ria, se pegassem justo ele correndo pelos corredores, perderia muitos privilégios que tinha ali, mas ele não queria se preocupar, só queria alcançar aquele garotos de olhos azuis intensos e... Não sabia o que faria, mas faria o pagar, por o que também? O fazer sorrir?
Di Angelo alcançou o final do corredor que era a entrada da sala de espera, assim que entrou parou imediatamente, Will que vinha correndo atrás virou rápido e não conseguiu parar a tempo caindo encima de Nico, ambos gemeram sentando no chão.
—Porque parou de repente?- Will reclamou alisando a cabeça dolorida.
—Ali- Nico apontou para o homem que não conseguia entender o que acontecia, na verdade, ninguém ali.
—Pensei que já tinha passado da idade e correr nos corredores Will- Apolo olhou para o filho que o mirou assustado, faz tempo que ele não pega o filho fazendo algo de errado, isso renderia uma bronca, sorriu por dentro, daria uma bronca no Will Santo Certinho Solace.
—Você está aqui!- Nico exclamou dizendo o óbvio- Se você está aqui, minha irmã já saiu da cirurgia!
Castiel bufou ansioso, assim que o médico chegou ele vibrou, mas antes dele abrir a boca ouviram a correria e as risadas até os dois rolarem ali atrapalhando o doutor, ele não ligava pra brincadeira dos menores, só queria saber da sua garota, sua pequena.
Apolo olhou em volta, para as pessoas que aguardavam a noticia ansiosas, seus olhos acabaram parando num Ruivo que o olhava friamente e ele ficou estático.
Will olhando o pai, seguiu seu olhar, parando também em Castiel, quando aquela onda de culpa iria parar? Sempre que olhava para o ex amigo sinta uma dor no peito.
Apolo respirou fundo desviando o olhar, havia esquecido momentaneamente que seus erros do passado agora o seguiam com sua paciente mais querida.
—V-vim dizer que ela está bem, acabou de ser colocada no quarto, ainda está descansando, e ficara por no máximo duas horas assim, quando acordar faremos alguns exames, mas é quase certeza que está bem- começou um falatório, algumas vivas, sorrisos, suspiros longos.
—O que eu disse?- Will tocou o ombro do Nico que virou pra ele sorrindo.
—Ela é incrível!- levantou as mãos num hi5 com Solace.
—Sim- Will bagunçou os cabelos do Nico e foi até o pai- Parabéns, sucesso- deu o punho para o pai bater como sempre faziam após uma cirurgia de sucesso, o mais velho suspirou, o filho tinha aquele brilho nos olhos que ele não via desde o problema com um Ruivo no dia anterior, talvez devesse isso ao pequeno dos Helts.
—Sucesso- bateu o punho contra o do filho de leve, aproveitando a distração dos demais para falar com o menor- Tenho que te dar uma advertência por correr nos corredores Will? Sabe que tem muita gente aqui dentro que só espera um deslize seu para te tirar daqui, tem que tomar cuidado, fico feliz em te ver se divertindo como uma criança normal, não um gênio de 16 anos, mas aqui dentro você tem que ser esse pequeno incrível gênio da medicina.
Will assentiu entendendo o que o pai quis dizer perfeitamente, se deixou levar e fez coisas das quais não deveria, tinha uma responsabilidade naquele hospital, ele quis assumir, era seu sonho, então saberia reprimir sua infantilidade nas horas de profissionalismo.
—Bia acabou de falecer- suspirou abaixando a cabeça.
Apolo engoliu em seco, Bia tinha apenas 7 anos, tão pequena e frágil.
—Eu vou lá então- O Doutor teria algumas coisas que fazer, virou-se para os pais da garota- Podem ir vê-la, melhor se dividirem, peço que não façam barulho e a deixem descansar, volto logo, Will organizará as visitas.
Apolo se foi deixando Will sob comando, ficou envergonhado pela cena que viram dele anteriormente e pediu que seu rosto não tivesse tão inchado de choro, sorriu amigavelmente.
—Vamos primeiro a família e mais duas pessoas e depois vão os outros tudo bem?
Acabou indo os pais, irmãos e tio, junto com Castiel e Alexy.
Nico olhou para Solace para ver sua reação com a escolha de Castiel para ir com eles, mas não houve nenhuma, o Loiro sequer olhou para o Ruivo.
O pequeno Di Angelo esqueceu-se de todos os outros problemas ou questionamentos em sua mente assim que viu sua irmã, era disso que ele precisava para tirar a imagem dela vomitando sangue mais cedo.
Sua querida irmã dormia, calma, alheia ao resto do mundo, sua pele pálida contrastando com os cabelos negros espalhados pelo travesseiro, pela primeira vez não gostou das mechas vermelho sangue misturadas ao negro, o fazia lembrar se de coisas das quais gostaria de esquecer.
Aproximou se dela tocando sua mão sempre fria com carinho e cuidado pelos fios e agulha que estavam nela e a beijou, deixando seu rosto descansar sobre a pela da irmã.
Megan se juntou ao lado do irmão mais novo abraçando o de lado e com a mão livre acariciando o rosto da irmã, sentia falta, apenas poucas horas sem a ver sorrir e já sentia falta.
Os pais de mãos dadas chegaram ao lado da filha sorrindo amavelmente, era bom vê-la bem, porque eles sabiam que ela ficaria bem, se alguém podia fica bem depois de tudo o que ela venceu em 16 anos de vida, era ela, porque ela sabia que todos se partiriam sem ela.
Castiel e Alexy ficaram afastados vendo aquela cena bonita entre família, talvez se a primogênita estivesse acordada e sorrindo, e claro, se o ambiente fosse outro, seria a típica imagem de família perfeita, mas eles eram tão perfeitos que conseguiam transmitir isso de dentro de um quarto de hospital.
Alguns minutos se passaram até os três mais velhos se afastarem, menos Nico que segurava sua irmã como se ele se afastasse algo terrível aconteceria.
Gabriel mirou a sobrinha, lembrava-se de como ela o infernizava para brincar de cavalinho o tempo todo, foi sendo escravo da sobrinha que começou a gostar de criança e se aproximar da família.
Apesar da semelhança gritante o Helts era apenas meio irmão de Rafael, após a morte pós parto da mãe do irmão o pai ficou 10 anos se ninguém, até que encontrou sua mãe, se apaixonaram, casaram e depois de 5 anos tiveram ele, foi muito próximo do irmão no começo da infância, quando completou 5 anos o irmão saiu de casa, se casou cedo, o pai não aceitou muito bem e isso acabou afastando os dois, porem quando ele próprio entrou na adolescência se metendo em encrenca, foi o irmão que o ajudou e trouxe um pouco de juízo para sua cabeça, ele amava o irmão, não importava se fosse apenas meio irmão, ele era sua família e amava seus sobrinhos e sua cunhada.
Alexy se aproximou sussurrando no ouvido da garota pra ela acordar e bilhar porque tinha fofocas pra contar e um bofe de arraso a esperava, o moreno de olhos azuis pensou que não veria a amiga de novo naquela situação, mas estava tudo perfeito demais pra ser verdade, ele não queria ser pessimista, mas era assim que acontecia nas histórias da vida, como uma montanha russa, se a vida estava boa demais, perfeita demais, se prepare para a decida.
Castiel foi o ultimo a se aproximar, primeiro ficou somente a olhando, guardando para si cada pequeno detalhe, não gostaria de esquecer-se nunca de nenhum traço de sua pequena, gostaria de umedecer os lábios secos e rachados da garota com os seus, mas a mascara de ar e aquela gente toda o atrapalhava, o que restou foi tocar sua mão fria e beija-la, logo então tocar a parte livre da mascara em seu rosto, deixando um beijo castro duradouro em sua testa.
Depois de todos verem a garota ficaram de voltar no dia seguinte, teria que ficar no máximo mais uma semana para recuperação da cirurgia se tudo ficasse bem.
Ficaram apenas os pais da garota, junto aos filhos e Castiel que se recusou a ir, ficaria até que as enfermeiras chegassem e o expulsassem por causa do horário de visita.
O ruivo pediu para Lysandre ir buscar umas roupas suas em sua casa porque ficaria na casa do Albino por um tempo, Lysandre foi com uma promessa do Burn de que explicaria tudo mais tarde.
—_______________
Melissa acordou aos poucos, se sentindo cansada, exausta na verdade, não sentia muito bem o corpo, demorou longos segundos pra perceber que a sensação era por conta dos anestésicos, sentia uma agulha em sua mão direita e outra na esquerda, a máscara de ar pressionando seu rosto, boca seca e rachada, e uma ardência de leve na barriga um pouco abaixo das costelas do lado esquerdo, ótimo outra cicatriz pra coleção.
Ouvia vozes no fundo de sua mente se tornando mais altas, moveu se um pouco, mas se arrependeu quando ondas de dor se espalhavam por seu corpo a quase fazendo gemer, ela sinceramente não gostaria de saber como era sem os anestésicos.
Tentou abrir os olhos, logo os fechando, maldita luz que arde os olhos, tentou mais duas vezes antes de conseguir abri-lo por inteiro.
Aquele mesmo teto branco foi ignorando enquanto a garota tentava virar a cabeça para as vozes.
Se perguntou se tinha mesmo aberto os olhos, ou ainda estava dormindo, a cena era demais para si.
Castiel e o seu pai estavam sentados frente a frente, com um tabuleiro de xadrez entre ambos, sua mãe estava sentada no braço da poltrona ao lado do marido, descansando o braço sob seu ombro, Nico entre ambos de frente para ela com o rosto bem perto do tabuleiro, como se fosse o ajudar entender, e Megan em pé ao lado de Castiel.
—Vai logo pai- Nico resmungou.
—Espera, você não entende que xadrez é um jogo demorado? Tem que se pensar bastante!- Rafael retrucou coçando a testa.
—Balela! Admite que pai, você não é páreo para o Castiel no xadrez- Megan riu recebendo um olhar mal humorado do pai.
—Não é verdade- bufou.
—É, não é verdade- Mãe sorriu para os filhos passando a mão pelos os cabelos do marido irritado.
—Verdade, ele não só te ganha no xadrez, te ganha na dama, no poker e no truco- A garota de cabelos curtos gargalhou e o irmão a seguiu.
Castiel abriu um sorriso discreto, não era a intenção dele humilhar o pai da sua garota, mas ele o desafiou.
—Você também está rindo? — Rafael virou para ver a tempo de sua mulher cobrir a boca com a mão e negar- Tá legal desisto, não da pra jogar sério com vocês e essa aura ruim encima de mim, sem falar nas risadinhas- se desmanchou na poltrona.
—E quem não riria?- A voz rouca e falha de Melissa se fez presente e todos a olharam.
Veriam o sorriso dela caso a mascará não atrapalhassem.
Castiel foi o primeiro a chegar até ela, tocando sua mão tão suavemente que mal sentia, fechou sua mão na dele, tentando aperta-la, porem a pressão foi pouca.
O sorriso dele foi genuíno, abriu-se carinhoso e seguiu até os olhos, um frio se fez na sua barriga e seu coração acelerou.
Sentiu uma mão morna na sua mão direita e virou o rosto devagar olhando seu irmão, estava tão preocupada com ele, por o menor tê-la visto daquela maneira mais cedo, foi a única coisa que pensou até ser apagada.
—Tire a mascará- pediu e viu a mãe se aproximar com aquele olhar morno e materno- Obrigada- sentiu a leve mudança de ar, mas era capaz de respirar por si mesma.
—Como está tchutchuquinha?- O pai lhe sorriu ao pé da cama.
—Não me chame assim- odiava que ele a chamasse assim, puxou o ar- não depois de perder de lavada para o Castiel.
—Você não sabe de nada e só pra me defender- cobriu parte da boca e apontou para Castiel- Ele rouba.
A mão de Castiel apertou a sua bem de leve e ela o olhou, ele sorria e balançava a cabeça negativamente.
—Seria melhor admitir a derrota, dói menos- Soltou o Ruivo fazendo todos rirem, menos o pai que revirou os olhos fingindo irritação.
—Está bem?- Megan ao lado do Castiel perguntou tocando sua perna.
—Só estou com sede- disse parte da verdade, não ia falar que doía quando ela falava, nem como doía só de virar o pescoço.
—Aqui meu bem- Sua mãe a ajudou segurando sua cabeça, a sensação da água tocando seus lábios, boca e garganta seca era sempre única, mas a dor ainda estava lá.
—Temos que chamar o Will- Nico disse apertando o botão para chamar e a enfermeira.
—É vamos chamar Will, o novo amiguinho do Nico- Megan provocou.
—Ele não é meu amiguinho- Nico robusteceu.
—Não, só estavam correndo nos corredores- O pai cutucou também.
—Preciso falar pra sua irmã que você dormiu no colo dele?- Katherine brincou.
Nico ficou roxo, Castiel teria se divertido da reação do menor se o motivo não fosse o ex-amigo Solace.
—A é? Não sabia que estava tão amiguinho assim do Will, ele é um gato- Melissa piscou para Nico que cobriu o rosto com as mãos.
Castiel apertou a mão da garota sem machucar.
—Não fique assim gigante pernudo, você é mais- E mandou um beijo para Castiel e virou os olhos.
Di Ângelo quase deixou escapar sua opinião, que era, “Isso não é verdade, Will é mais bonito”, porem conseguiu guarda lá a tempo de ver o próprio Loiro de cabelos brilhantes entrar junto ao pai e uma enfermeira.
Quando viram Will entrando, os pais e a as irmãs riram do menor que fingia olhar para a parede com o maior interesse do mundo.
Rafael não era idiota, nem era iludido, sabia muito bem da sexualidade do filho, era seu filho, sabia muito mais do que o menor falava, não ficou chateado ou coisa do tipo, não era um cara machista, nem homofóbico, sempre soube, não que o garoto fosse afeminado, ou assumido escandalosamente e abertamente como Alexy, ele só era um garoto que tinha muitas palavras japonesas no vocabulário, adorava jogar eletrônicos e gostava de garotos, até então um especifico.
O Pai apenas esperava que um dia o filho decidisse conversar com ele e a mãe, quando o menor estivesse preparado para falar, nada mudaria, era seu filho e o amava assim como Megan e Melissa, mas não ligaria que elas decidissem virar freiras e ele padre, porem querer não é poder.
Levaram Melissa para uma bateria de exames, ela contou ao Doutor diferente dos pais, que sentia dores quando se movia, o clima estava estranho e Melissa se ressentia por isso, não gostaria de ficar assim com o amigo Loiro e seu tão querido médico, graças a ele estava viva hoje.
Após uma hora de exames e exames, estavam levando a Helts para o quarto em uma cadeira de rodas.
—Porque vocês me detestam tanto? Sabe que eu odeio andar nisso- Melissa jogou a cabeça para o lado.
—Porque adoramos te torturar e sermos maus com você- O Doutor brincou.
—Não fique assim minha linda, fica linda até na cadeira de rodas, sem maquiagem e com essa roupa horrível- Will tentou ajudar, mas não melhorando nada.
—Vocês estão me deixando de mal humor- Melissa fez um bico de irritação fingido.
Will olhou aquilo e gargalhou enquanto entrava no elevador com a amiga e o pai.
—Seu irmão consegue te imitar perfeitamente- declarou- Só que ele se irrita de verdade.
Melissa levantou o rosto para o amigo e deu um sorrisinho a lá Alexy, cheio de malicia, Will a olhou e parou de rir sentindo o sangue circular com velocidade em seu rosto.
—Pare de me olhar assim- reclamou e viu que o pai o olhava com um sorrisinho também- Parem os dois! Conheci o garoto hoje.
—Na verdade, você o conheceu melhor hoje- Melissa corrigiu achando graça do amigo sem jeito.
—E é seu irmão! — Exclamou saindo do elevador.
—Correto- concordou sem desmanchar o sorriso.
—E tem 13 anos- respondeu resignado.
—E daí? — O Pai disse ao lado recebendo apoio da menor.
—Não é nada do que vocês estão pensando, e ele não é....- ficou sem completar a frase- Vocês sabem.
—Eu não sei, você sabe Apolo? — Melissa virou com falsa seriedade para o Doutor que balançou a cabeça em negação.
—Não compreendi- completou.
—Não se façam de bobos, ele não é gay, é isso- retrucou- Mas não que isso importe, porque não estou interessado nele- Recebeu um olhar de Melissa- Não que eu esteja esnobando, ele é muito legal, e corajoso, e é bem bonito, fica uma gracinha quando está irritado, mas não estou interessado nele.
—Não imagina, depois dessa declaração quem poderia imaginar algo do tipo? — A Helts pôs a mão sobre o coração rindo.
Will ficou vermelho de novo abrindo a porta do quarto.
—Quer saber, não gosto mais de vocês dois, vocês são chatos e irritantes, vou procurar alguém que me escute e me entenda- Assim que deu as costas ao pai e a amiga deu de cara com os olhos azuis curiosos sobre si e corou ainda mais, se é que fosse possível.
Baixou a cabeça enquanto escutava Melissa e o Pai rirem de si.
—Vocês são muito malvados- murmurou para os dois, enquanto colocava Melissa sob a cama.
—Os exames rápidos deram tudo ok, com ela, veremos os de sangue daqui umas horas, se estiver tudo bem, daqui uns quatro dias ela sai, mas terá que ficar de repouso absoluto durante duas semanas, voltando só pra tirar os pontos- Apolo adiantou para os pais.
—Ótimo, final das férias no hospital e de repouso, tudo que eu precisava- bufou Melissa cruzando os braços, mas assim que sentiu uma fisgada na barriga desfez o gesto num muxoxo.
—Vai com calma Miranda, quer abrir os ponto e ficar mais tempo aqui? Não que eu ligue, adoraria que ficasse aqui comigo- Cobriu a com um lençol.
—Não me detesta mais? — Perguntou divertida e recebeu um olhar brilhante do amigo de aparência cansada.
—Como se eu pudesse- Fez um carinho em seu rosto.
—Então quer dizer que ela está bem pra sempre? — Nico falou alto, mostrando sua presença.
—É a mesma coisa de antes, podemos evitar se Melissa se cuidar direitinho e fazer exames regularmente- O Solace mais velho olhou para a garota- Com fé em Deus vai dar tudo certo- acariciou os cabelos da menor e sorriu, recebendo aquele sorriso adorável de volta- Vamos lá? — Chamou os pais, agora era hora de conversar sério, a coisa era muito mais profunda.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Assim que saíram, Solace terminou de colocar os eletrodos e a injeção na mão da amiga, olhar para ela era uma bomba de coragem e esperança, sempre foi assim, desde que a conheceu.
—Você parece cansado- Ela sussurrou para o Loiro, para que os irmãos nem Castiel escutassem, Will era barra pesada que nem ela.
—Um pouco só- Admitiu.
—Dormiu alguma coisa essa noite?
—Nadinha- Colocou a mão dentro da roupa de hospital dela perto de seus seios para por alguns dos eletrodos.
Melissa viu Castiel arregalar os olhos e fechar os punhos e Nico se remexer na cadeira visivelmente desconfortável, já Megan nem ligava, ria em silencio dos garotos.
—Vamos deixar a pegação para mais tarde- Melissa piscou para Will que abriu um sorriso travesso.
—Apareço assim que sua mãe dormir para te dar um jeito- Deu um beijo no rosto da amiga, era uma promessa que ele voltaria a noite e dormiria com ela.
Assim que ele saiu Nico levantou esbravejando.
—Mentiroso! Filho da mãe mentiroso, irei arrancar aquilo que ele tem no meio das pernas, ele que me aguarde, vou falar para papai proibi-lo de entrar aqui- Andava de um lado para o outro no quarto.
—Meg leva o otouto pra tomar um suquinho de maracujá- Melissa pediu, precisava conversar uns assuntos delicados com o Ruivo.
—Você proteja a honra da minha irmã- Nico apontou para o Ruivo que se mantinha imparcial- Sei muito bem que não gosta daquele menino, agora tem minha permissão pra chutar a bunda dele.
E assim Nico se foi seguido por Megan, deixando a irmã mais velha mirar o Ruivo com curiosidade.
—O que fez pra deixar claro para Nico seu desentendimento com Will? Não me diga que brigaram? — Questionou preocupada.
Castiel finalmente levantou da poltrona e foi até ela, quanto mais ele a olhava mais sua máscara ia embora, sentou na cama e tocou seu rosto.
—Eu estava tão preocupado- Abriu o coração- Me senti um inútil por ficar parado e não te ajudar de manhã.
Aproximou o rosto ao dela, tocando as testas.
—Não tinha o porquê ficar, só pessoas que estão preparadas para isso sabem agir na hora, sem levar um choque nem nada- comentou sentindo aquele cheiro típico de Castiel, couro, perfume e feromônios a flor da pele.
—Eu não gosto de me sentir inútil, gostaria de poder te ajudar, e me deixa irritado por saber que não posso fazer nada, é ruim ficar com as mãos abanando.
—Não se preocupe com isso, estou bem agora- Esticou o rosto contra o do maior, precisava toca-lo, beija-lo, senti-lo.
Castiel por mais que visse claramente que ela estava cansada e frágil, precisava daquele toque tanto quanto ela, nunca havia passado tão nervoso quanto aquele dia, tirando a segunda que ela sumiu e depois viu o quarto dela daquele jeito.
Seus lábios se tocaram, com calma e suavidade, com carinho e um sentimento forte, que crescia em ambos, um sentimento que surgiu tão rápido e enlaçou o coração de ambos.
O Ruivo umedeceu os lábios da garota com sua língua, e aos poucos a beijava devagar, aproveitando e degustando cada milímetro da boca da menor, um calor se espalhava da ponta dos seus dedos que tocavam o rosto de sua garota, subindo seus braços e indo diretamente ao seu coração.
Se separou poucos centímetros, deixando a menor respirar, não podia roubar o folego dela como gostaria, poderia ser doloroso para ela, ele se contentava com aquele beijo doce e inocente, era demais para o coração acelerado dele.
—Me conte tudo- sussurrou contra os lábios dela.
Melissa respirou fundo entendendo o pedido, já era hora, ele merecia saber.
Então a Helts contou, contou que nasceu prematura, a primeira gravidez de sua mãe acabou sendo complicada, nasceu fraca e com sua primeira doença, arritmia cardíaca crônica, da qual ela tem até os dias atuais, com o passar dos anos a arritmia ficou mais leve e controlada, mas então surgiu o primeiro tumor com 5 anos, na cabeça, como sempre ia ao médico, foi achado em um dos exames de rotina, como foi achado entes de se desenvolver conseguiu tirar o quanto antes, o segundo tumor foi no intestino, com 9 anos, descobriram quando ela ficou com apendicite, aos 11 a arritmia voltou e ela tentou por anos conciliar com o balé, mas o exercício físico era pesado demais para o coração, mas ainda sim ela levou durante alguns anos, até se tornar impossível continuar, aos 13 teve uma reação alérgica ao talco novo importado de sua sapatilha e teve síndrome de Stevens Johnson( Uma doença horrorosa que aparece bolhar de queimadura e sua pele cai) e o ultimo problema dela foi perder um rim por falha renal no ano anterior.
Castiel olhou assombrado, “Puta merda!” exclamou em sua cabeça, quando ela disse que era fraca e propensa a doenças não imaginou tanta bosta.
Melissa esperou ele se desculpar e sair por aquela porta e não voltar por ela ser um problema grande demais para aguentar, mas ele só ficou ali a olhando, sem expressar ou falar nada.
—Caramba- sussurrou o Ruivo depois de longos minutos- Caralho- disse a olhando- Como conseguiu? Como conseguiu sobreviver a tudo isso e ainda estar aqui? Como consegue? Como consegue sorrir e agir como se sua vida fosse perfeita? — Tocou-lhe o rosto com admiração.
—Porque eu tenho pessoas por quem lutar, tenho motivos pra continuar, se eles não desistirem de mim eu também não vou, enquanto eu conseguir eu vou lutar- Pressionou o rosto contra as mãos dele.
—Eu também não desistirei de você- ele se aproximou- Porque eu gosto de você pra caralho esposa.
Melissa abriu um sorriso enorme, ela também gostava dele, estava apaixonada, bem diferente de como foi com o Viktor, era uma paixão que consumia sua alma e seu coração, que o fazia querer mais e mais, saber mais, vê-lo mais, toca-lo mais, quere-lo por inteiro.
Castiel a beijou mais uma vez, apaixonadamente, mostrando no roçar de lábios, no toque de suas línguas e no calor do beijo o quanto gostava dela, talvez bem mais que gostar, mas ele ainda não conseguia verbalizar, achava tudo o que estava acontecendo rápido demais, porem parecia uma eternidade, uma eternidade que por ele, viveria para sempre.
Fale com o autor