Thinking Of You.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Uma musica do 30seconds To Mars tocava alta em meus fones, certas coisas me tiravam chão e me levavam para um mundinho só meu e a musica era uma dessas coisas.
Olhei para o céu, estava tão limpo, parecia até feliz por ser férias. Eu tenho uma paixão por paisagens naturais e o céu era a que eu mais gostava, amava-o ver ensolarado, ou todo alaranjado devido ao por do sol, estrelado então era magnifico, amava-o tanto que até ele nublado me fascinava, ver aquele tom acinzentado me fazia esquecer tudo, era como se ele tivesse vendo tudo o que se passava em minha cabeça.
Uma doce voz me tirou do meu devaneio.
—Oi Melissa- Olhei para o dono da voz e sorri ao reconhecê-lo
—Oi Nathaniel- O cumprimentei, e em resposta ganhei um sorriso meigo, esse era Nathaniel Villa Duarte, meu colega de escola e vizinho da direita, ele era um garoto e tanto, com incríveis cabelos e olhos dourados que faziam a maioria das meninas da escola caírem babando, mas ele era um pouco tímido em relação a isso, também era muito responsável e inteligente, ele tomava a frente na maior parte dos projetos escolares e ele era bom no que fazia e era uma pessoa boa em si, ele era muito gentil e carinhoso.
—Como sempre caminhando, acho que vou poder acompanhar você nessas férias já que não tenho todas as responsabilidades escolares.
—Que ótimo Nathaniel- respondi sorrindo, mas sua expressão não foi muito boa.
—Nathaniel?- Ele questionou, já havia me pedido para voltar a chama-lo de Nath como eu fazia quando menor, só que na escola todos o chamavam de Nathaniel e sempre que eu o chamava pelo apelido recebia ferozes olhares de garotas ciumentas, então me acostumei a chama-lo de Nathaniel.
—Não vale você também me chama de Melissa!- Respondi jogando contra ele.
—Me desculpa, acho que é por causa da escola, estou tão acostumado a chamar as pessoas pelo nome de verdade sem apelidos- encolheu os ombros.
—Pois é, eu também acabei por me acostumar em chama-lo de Nathaniel.
—Mas sabe que eu não gosto- Falou fazendo um bico muito fofo.
—Tudo bem Nath, pelo menos fora da escola vou chama-lo assim não quero arranjar encrenca com o seu fã clube na escola- Falei rindo.
—Então tudo bem Mel- Disse falando o meu nome arrastado e eu sorri sem graça.
—Você viu o corretor está manhã?- Perguntei tentando me desfazer daquela sensação de segundos atrás.
—A eu vi, parecia com um sorriso bem maior do que das ultimas manhãs, será que ele finalmente conseguiu? Será que tem alguém da nossa idade?
—Um alguém da nossa idade? Ou você quer dizer uma garota bem bonita da nossa idade?- Perguntei o provocando, um tom vermelho lhe atingiu as bochechas, adorava deixa-lo assim era tão fofo.
—E-eu não preciso da uma garota bonita, já tenho uma vizinha linda- Respondeu.
—Sim a Megan é muito linda, mas ela é minha irmã mais nova, cuidado- Disse o provocando, ele coçou a nuca envergonhado.
—Eu não estava sua irmã- Disse-me com os olhos cravados em mim- Em falar nisso como ela está? Faz muito tempo que não a vejo, tem sido tudo tão corrido- suspirou e começamos a andar- sinto que ela se esconde de mim as vezes.
Ri sem graça, era exatamente isso que acontecia.
Caminhamos por volta de uma hora em volta do parque colocando o assunto em dia, até decidirmos entrar e sentar na grama.
Soltei o Binho e o vi correndo atrás de uma borboleta.
—Cachorro bobo- falei enquanto um sorriso bobo serpenteava em meus lábios.
—Não gosto muito de cães-Comentou Nath.
—Por quê?- questionei.
—Digamos que eu não me dou bem com eles, sempre acontece algo ruim comigo quando eles estão por perto, experiências ruins- Dei risada do motivo dele.
—Pois eu os amo, principalmente o meu Binho.
—Binho? Desculpe, mas o nome é estranho- Disse rindo.
—É realmente é diferente, na verdade é Lobinho o nome dele, reza à lenda que quando eu era pequena vi filhotes de lobo do zoológico, meus pais disseram que eu chorei uma semana inteira querendo o lobinho que eu vi então meus pais decidiram me dar um cachorro, quando o ganhei só dizia “Lobinho! Lobinho!”- Falei imitando voz de criança- Nessa época eu já tinha a Megs E O Nico tinha acabado de nascer, quando ele estava maior, vivia tentando falar o nome do cachorro mais a única coisa que saia era “Binho!” então acabou pegando.
Nath deu um sorriso sonhador, provavelmente imaginando a cena.
—Nossa! Você os adora né?- questionou e eu não entendi- seus irmãos, vocês são bem próximos.
—Você diz como se não tivesse irmã, esqueceu-se da Ambre?- Perguntei e ele fez uma cara como se quisesse ter esquecido, bem, era a Ambre sua irmã, era um assunto complicado para nós.
—Apesar de eu ser 3 segundos mais velhos, não sei ser a sensação de ser irmão mais velho.
—A esse é seu motivo? Problemas acabados, estou até segunda de babá de três adoráveis crianças.
—Sério? Que legal eu acho, mas não sei se tenho jeito para crianças.
—A como não? Você é garoto super fofo, carinhoso, engraçado e lindo não tem como não te adorarem e conhecendo meus priminhos sei que vão!- Respondi, mas depois repensei no que havia dito, acho que o elogiei demais, pois senti minhas bochechas esquentarem junto com as dele.
—E-eu a-acho que talvez eu p-passe por lá então- Respondeu gaguejando o que o deixava mais fofo ainda.
—Tudo bem, pode ir lá quando quiser.
—Claro!- Respondeu mais depois parecia pensar melhor- bom só tem um problema.
—Um problema?
—Sim.
—Qual?
—O Nico- respondeu, quase não consegui segurar o riso.
—O Nico?- Fiz cara de indignada- Mas me diga Nath como um garotinho de apenas 13 anos pode ser um problema?- Falei tentando controlar ao máximo a ironia na minha voz, o que não funcionou.
Ele se mexeu desconfortável ao meu lado, provavelmente procurando as palavras certas.
—Qual é Mel? Sabe que o Nico nunca foi com a minha cara, desde que me mudei pra cá há oito anos ele me olha como se eu fosse um dos zumbis que ele tem que eliminar.
Dessa vez minha gargalhada foi extremamente alta, os pássaros ali próximos voaram de susto e medo de mim.
—Ele é só um pouco ciumento, desde pequeno sempre foi muito apegado a mim, bom, vai dizer que você não sente ciúmes da Ambre?
—Você conhece a minha irmã muito bem ela sempre foi muito adulta...
—Adulta?- Perguntei com deboche.
—Ok, atirada seria melhor, toda semana tá com um namorado diferente, se eu fosse sentir ciúmes dela estava perdido.
Dessa vez ele gargalhou comigo.
Uma brisa suave passou por nós, deixei me levar por ela, fechei os olhos e joguei minha cabeça para trás era tão calmante, com o canto de olho pude ver Nathaniel me observar, depois de um tempo a brisa simplesmente se foi assim como chegou.
—Que delicia- disse depois daquele tempo de silencio.
Voltei a olhar para Nathaniel, que me olhava intensamente, ele começou a se aproximar devagar, outro arrepio passou pelo meu corpo, sua mão se levantou e foi em direção aos meus cabelos.
—Uma folha presa no seu cabelo- Disse mostrando-me a folha.
Então ele se deu conta de quão próximos estávamos, conseguíamos sentir a respiração um do outro, mas diferente das outras vezes que rolou um clima entre nós, não nos separamos, não ficamos corados, não falamos, nem desviamos o olhar, ao contrario, seus olhos estavam brilhando, e de pouco a pouco íamos nos aproximando, meus olhos iam se alternando entre seus olhos e sua boca que nunca me pareceu tão chamativa quanto agora, nunca tinha pensado em Nathaniel desse jeito, nunca achei possível, só que agora estávamos lá ambos a um milímetro de nos beijar, quando sinto uma pancada.
—Ai!- Dissemos ao mesmo tempo.
Passo a mão em minha cabeça tentando imaginar que raios havia me acertado, não demorei muito a descobrir, quando abri meus olhos vi um borrão na minha frente, minha visão começou a se focalizar e pude perceber que o borrão que havia nos atingido não era nada mais nada menos que o meu amado cão, Lobinho.
Ele estava no meio entre mim e Nathaniel, só que estava encarando o loiro, o desafiando a fazer algo, Nath fez uma careta engraçada e se levantou, limpando a poeira invisível em sua roupa.
—Bom eu disse que algo ruim sempre acontecia comigo quando eles estão por perto- Falou, logo depois estendeu sua mão para mim- Vem, vamos para casa.
Peguei a sua mão e me levantei, prendi o Lobinho e o olhei atenta, não sabia se agradecia ou ficava chateada, não é todo dia que eu quase beijo um garoto lindo como o Nathaniel, mas talvez tenha sido melhor assim, bem melhor.
E assim voltamos caminhando para casa, sem dizer nada, cada um em seu mundinho pensando em que diabos tinha QUASE acontecido.
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