Thinking Of You.
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Só tenho uma coisa pra falar: MAIS QUE MERDA!
–LEVANTA AGORA!
–Eu não quero-falava ainda meio grogue por causa do sono.
–Eu mandei arrumar suas coisas ontem não arrumou porque não quis, pois, agora vai ter que arrumar, você tem uma hora pra tudo estar dentro do carro ou deixamos você e suas coisas e damos seu lugar pro primeiro que passar na rua- Logo depois desse belo discurso da minha mãe, levantei.
Arrastei-me até o banheiro e me olhei no espelho, meu cabelo ruivo estava todo desengrenado, meu rosto transparecia meu cansaço, minhas olheiras estavam um pouco profundas, e meus olhos cinza pareciam estar mais escuros esta manhã.
Despi-me, entrei no box e liguei o chuveiro.
Minha mãe tinha razão, ela disse para eu arrumar minhas coisas ontem e eu juro que ia, mais o Lysandre e o Leigh, me convenceram fazer uma festa de despedida, só porque eu estava me mudando, mas sabe o que eu achei disso? Uma idiotice vou morar uma hora daqui e sabe o que é mais ridículo ainda? A casa nova é só 20 minutos da casa deles, essa história toda de despedida era só um desculpa esfarrapada pra me embebedarem.
Desliguei o chuveiro e me olhei novamente no espelho, parecia um pouco melhor, só que o mais importante era... Eu estava lindo, como sempre.
Podem me chamar de exibido, metido ou qualquer outra coisa, mas lindo eu sei que sou todas as garotas deixam isso claro quando me olham com desejo puro.
Sai do banheiro e encontrei duas malas encima da minha cama, abri meu guarda roupa e joguei tudo dentro de qualquer jeito.
Dei uma olhada no meu quarto, não havia mais nada ali a não ser minhas guitarras, um colchão no chão e o guarda roupa que agora estava vazio.
Durante a semana o pessoal da mudança veio e desmontou tudo e levou para a casa nova, só deixaram o necessário.
Peguei as malas e dei uma ultima olhada pelo meu quarto, a única coisa que denunciaria que é meu são as paredes pintadas de preto, respirei fundo e fechei a porta.
Desci as escadas e vi meus pais pegando as ultimas coisas que faltavam.
–Graças a Deus Castiel, vá por as malas no carro- Minha mãe autoritária disse.
–Bom dia pra vocês também- Disse sarcasticamente.
–Bom dia filho- Meu pai disse sorridente, seu sorriso é tão branco que me cega só de olhar.
Revirei os olhos e arrastei as malas para fora.
De longe vi uma sombra colocar as malas dentro do carro e fechar o porta malas. Aproximei-me e vi que era meu irmão mais velho, Miguel.
–Bom dia bebum- Disse brincando.
–Cala a boca e abre essa merda de novo- Disse mal humorado me referindo a o porta malas.
Ele abriu e eu joguei as malas dentro.
–Toma seu café da manhã, princesa- Disse me jogando uma sacola e dando um copo de café, que provavelmente tinha sido comprado na cafeteria da esquina- Tem remédio pra dor de cabeça ai dentro.
–Valeu- Apesar de ser chato como um irmão mais velho ele cuidava de mim e também reconhecia uma ressaca.
–Qualquer dia a mamãe te pega de jeito, você ainda é menor não pode ficar até tarde bebendo desse jeito.
–Eu tenho 17 anos já- resmunguei.
–Continua sendo menor, não sei o que o Leigh tem na cabeça levar duas crianças pra beberem, se acontecer algo ele se ferra só.
–Antes ele do que eu- dei com os ombros.
–Sem coração e daqui uns anos sem fígado também.
–Desculpa ai Sr.Dono da razão maior de idade-Caçoei dele.
–Eu tenho 19 e posso beber até cair, não vou levar alguém comigo se algo der errado, já respondo por mim mesmo- Revirei os olhos e bufei, já havia cansado dessa conversa.
–Cadê o Dragon?- Perguntei dando uma abocanhada na rosquinha recheada.
–Tá lá atrás, mamãe só está esperando o carro do pet shop chegar pra levar ele- Eu assenti.
Terminei o meu café e engoli o remédio, coloquei os fones e adormeci ao som de Winged Skull.
–------
Acordei com minha mãe batendo na janela do carro nos mandando sair, olhei para o lado e vi Miguel coçando os olhos, também acordando.
Abri a porta e sai lentamente para irritar minha mãe, colocando uma perna de cada vez para o lado de fora.
–Anda Castiel, até parece que não quer conhecer a casa nova!- meu pai falava empolgado, segurando a minha mãe pela cintura.
–A única coisa que eu quero é descobrir onde é meu quarto- resmunguei saindo do quarto.
A frente da casa era bonita, e também igual às duas casas do lado, provavelmente foram feitas juntas e tem o interior igual.
Na frente da casa do lado havia uma garota, ri interiormente em relação ao tamanho dela, tão pequena, usava um short e uma regata, e tinha os cabelos negros presos em um rabo de cavalo.
Abri um sorriso minúsculo no rosto, ela era muito bonita de costas, curvas belas.
Depois de um tempo percebi algo a mais ali, também havia um cachorro grande o qual ela segurava a corrente e um garoto loiro, todo engomadinho.
–Castiel! Vamos vou mostrar a casa, depois você conhece os vizinhos- Minha mãe me chamava animada já dentro de casa.
Dei um suspiro e entrei.
Havia uma garagem grande com espaço para uns três carros e claro uma moto também, logo menos a minha vai estar ocupando essa vaga.
Mais adiante havia alguns degraus dando acesso a uma varanda e do lado uma escada para descer a algum lugar.
–Vou mostrar aqui encima logo, para não ter que subir depois- Minha mãe estava tão empolgada que eu tive que sorrir.
A varanda era grande, mas não havia nada ali, ainda, provavelmente minha mãe já tinha mil e uma ideias.
–A quero fazer tantas coisas aqui colocar ganchos para a rede, mesas..-Ela continuou falando sem parar e eu continuei não dando ouvidos.
–Mais isso não é meio ruim? Parece que eles podem invadir nossa privacidade e nós a deles- Miguel é quem falava me virei e percebi do que eles estavam falando.
Da nossa varanda poderíamos ver a varanda do vizinho, que é igual, sem dificuldade nenhuma.
–Isso não é problema, essa semana eu conversei com a vizinha, ela disse que vai passar o número do homem que põe a lona, ai nós podemos fechar.
–Já fez amizade com os vizinhos mãe?-Miguel brincou.
–A eu estava saindo outro dia e acabei encontrando a vizinha do lado, ela é muito simpática, tem um marido, duas filhas, um filho e um cachorro- Falou rapidamente.
–Duas filhas?- Perguntei malicioso.
–Sim, duas meninas mais novas que você- disse nem ligando para as minhas provocações.
–Castiel, filho, eu sei que você é homem e mulher é muito importante, mais se acalme, não pode ver um rabo de saia que você vai atrás!- Meu pai dizia calmo.
–Relaxa pai, uma hora ele encontra o amor da vida dele e se aquieta- Miguel disse.
–Se isso ao menos existisse- dei com ombros e continuei andando, no final da varanda tinha uma porta.
–Isso o que?- Minha mãe perguntou.
Eu parei por um instante, com a mão na maçaneta da porta.
–O amor- respondi abrindo a porta.
Havia um espaço que claramente era uma lavanderia, do outro lado um espaço para o que minha mãe quisesse inventar e no final, tinha um portão pequeno, eu entrei, ali havia um espaço enorme, metade coberto e metade aberto, dali eu conseguia ver por cima das outras casas, e até muito mais longe, gostei desse lugar.
–O Dragon vai ficar aqui- respondi ouvindo os passos e um falatório atrás de mim.
–Eu também pensei em deixa-lo aqui, a vizinha disse que eles também deixam o cachorro deles nessa área- Minha mãe disse apontando para o lado.
Outro espaço aberto para a casa dos vizinhos, ótimo.
–Espero que esses vizinhos sejam realmente boas pessoas se não podemos ser mortos enquanto dormimos- Soltei o veneno, saindo daquele local.
–Eles moram aqui há anos, é mais seguro que eles tenham medo da gente- respondeu meu pai.
–Que seja- disse revirando os olhos- Cadê o Dragon?
–Mandei para o pet shop para darem um banho nele, daqui uns 30 minutos ele está de volta.
–Coitados- ri imaginando o que meu pequeno cão deveria estar fazendo com eles.
Já estávamos de volta à garagem.
–Agora vamos conhecer a casa- minha mãe batia palmas.
–Não sei o porquê de estar tão empolgada, vocês dois mal vão ficar em casa- Disse descendo a escada.
Minha mãe virou e me olhou, vi seus olhos brotarem uma lágrima a qual ela reprimiu, ela ia falar algo mais meu pai pegou em sua mão, e logo ela desistiu.
Quando minha mãe conheceu meu pai ela tinha 20 anos e cursava a faculdade de design de interiores, e meu pai tinha 24 ele queria ser piloto de avião.
Eles se casaram logo depois, e ela ficou grávida de Miguel, e quase dois anos mais tarde de mim.
Ela terminou a faculdade e cresceu muito em seu trabalho assim como o meu pai, só que ele ficava muito tempo fora de casa, por conta de seu emprego de aviador no aeroporto.
Por volta dos 30 anos minha mãe decidiu que queria acompanhar meu pai, e estudou para ser aeromoça, ou seja, agora ambos passam pouco tempo em casa.
Entramos em casa, minha mãe mostrou a sala, cozinha, sala de estar, banheiro e uma outra porta que viraria sala de jogos ou algo assim, no fim de um corredor tinha uma escada, descendo havia um corredor comprido com três portas de cada lado e uma no fim do corredor.
–Essas duas primeiras portas, são nossas, uma é o nosso quarto e a outra vai ser um escritório, a desse lado à primeira é o quarto do Miguel a segunda é para as pinturas dele, e a terceira e para algum convidado- Minha mãe apontava as portas enquanto falava- essa ao lado do nosso escritório é onde você pode fazer seu estúdio- minha mãe dizia olhando para mim- e a ultima no fim do corredor é o seu quarto, todos os cômodos tem banheiro.
–Gostei dessa casa- Miguel dizia enquanto entrava no seu quarto animado, ele é tão infantil.
Andei até o final e abri a porta que seria o estúdio, era bem grande, eu poderia fazer muita coisa legal aqui, Lysandre tem que vim ver isso.
Fechei a porta e abri a que seria meu quarto, era igualmente grande aos outros cômodos, tanto que chega a ser desnecessário.
O guarda roupa era embutido na parede, à cama já estava montada e arrumada, juntamente com o computador, alguns puffs negros estavam no chão junto com algumas caixas escrito: “bagunças Castiel” deveriam ser meus pôsteres. No canto havia uma porta, entrei e vi que era o banheiro, pia, vaso sanitário, box, nada demais.
Sai do quarto e fui buscar minhas malas e guitarras no carro.
Percebi que estava sendo observado.
Cinco garotas, uma de cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, com olhos castanhos claro, maquiagem extravagante assim como os brincos e as roupas dela, a outra parecia ser chinesa, cabelos pretos lisos, olhos escuros e claro excesso de maquiagem na cara, mais essas duas pareciam ser duas cópias mal feitas da loira gostosa do lado, olhos verdes brilhantes, com muita maquiagem, muitos acessórios e pouca roupa, se fosse em uma balada levaria ela pra cama sem pensar.
As outras duas não pareciam fazer parte desse cenário de patricinha e suas seguidoras, uma com cabelos castanhos com um corte um pouco diferente que dava a impressão que ela mesma cortou, havia tranças no seu cabelo, seus olhos eram um pouco estranhos para mim não conseguia definir suas cores, parecia que para cada lado que ela olhava as cores mudava, ela era bonita apesar de tudo, a outra era loira, branca de olhos claros, com uma trança de lado e um elástico em sua cabeça, sua beleza era diferente uma coisa mais exótica digamos assim.
Dei um sorriso malicioso e pisquei pra elas, ouvi alguns gritinhos das patricinhas e suspiros das outras duas, logo depois uma bronca que a loira gostosa dava nas garotas.
Balancei a cabeça, quando fui entrar em casa, mas um carro parou na frente de casa.
Era o carro do pet shop, o homem e seu parceiro estavam um pouco machucados, provavelmente obra do meu bom cachorro.
Observei eles tremerem e tentarem tirar Dragon da parte de trás do carro, mas o meu cachorro estava brincando com eles, não queria sair.
Respirei fundo e assoviei, Dragon pulou para fora do carro fazendo um dos homens caírem no chão e o outro correr, ele veio até mim e ficou pulando.
–Dragon senta- falei e ele imediatamente sentou, os homens olharam estupefatos para mim e logo foram embora.
Ele olhou para as garotas que ainda me olhavam e latiu, as três patricinhas entraram correndo e gritando em casa as outras duas olharam para elas como se perguntassem “Porque eu ando com essas garotas?”, e entram balançando a cabeça.
Levei Dragon até a nova casinha dele.
–Fique aqui um pouco, vou deixar minhas coisas lá embaixo e volto para a gente dar uma volta.
Desci deixei minhas coisas.
–Mãe onde está a coleira do Dragon, ele chegou e eu vou leva-lo para passear- Gritei no corredor, afinal não sabia onde ela estava.
–Não sei!- ouvi um grito vindo do quarto do Miguel, andei até lá.
Ela estava ajudando ele a colocar um quadro de todos nós na parede.
–Como não?- questionei.
–Não sei, oras!- Respondeu- Mas na rua de cima tem um parque, vai lá tomar um pouquinho de ar, quem sabe seu mau humor passa.
–Quem sabe só não aumenta?- respondi e sai andando.
Peguei o Dragon e andei um pouco, não foi difícil achar o parque era na rua da frente praticamente.
Como minha mãe disse que não sabia onde estava à coleira era obvio que eu não sabia e muito menos ia ficar procurando, mas controlar Dragon não era difícil, pelo menos foi o que eu achava até agora.
Quando entramos no parque ele correu e pulou um pouco, mas sempre perto de mim, de repente não sei o que deu no cão que ele saiu correndo, e ainda tem mais, pulou encima de uma criança que estava sentada na grama.
Me aproximei, ouvi uma risada divertida, e ela vinha da garota, que não era criança coisa nenhuma, era pequena e magra, mas ainda sim não era uma criança.
–Chega Binho! Chega!- Ela dizia enquanto tentava empurrar o Dragon de cima dela, porque ele estava o chamando de “Binho”? Será que ela tinha batido a cabeça muito forte?
–Só o que me faltava a pancada foi tão grande que ela não tá falando nada com nada- falei secamente.
Dragon ao ouvir minha voz, saiu de cima da garota e sentou ao meu lado. Ela se sentou na grama e parecia estar tentando abrir os olhos.
–Ei garota você tá bem?- Perguntei irritado com a garota que ainda estava sentada na grama pensando em outras coisas menos em mim, com certeza ela tinha batido a cabeça forte- Pronto só falta ter ficado tapada.
Ela levantou rudemente da grama, e se virou para mim com os olhos ardendo em chamas, quando ela me olhou vi a chama diminuir um pouco.
Definitivamente ela não era uma criança, apesar do tamanho, ela era incrivelmente linda, ela usava um short e uma regata que desenhavam seu corpo perfeito, seus cabelos negros presos no rabo de cavalo, sua franja estava um pouco bagunçada, sua pele alva brilhava com a luz do sol, e seus olhos? Grandes olhos azuis. Perfeita.
Ok, isso é estranho geralmente as garotas que ficam bobas ao me ver e não o contrário, se recomponha Castiel!
–Ei vai me responder se tá bem ou não garota?- Disse depois de acordar do choque a o vê-la.
Vi ela trincar os dentes.
–O que te importa se estou bem ou não?- Respondeu mal criada, limpando a sujeira da sua roupa.
O que havia com essa garota? Ela não era tão doce quanto sua aparecia!
Geralmente as garotas se amoleciam em me ver, não importa o quão rude eu as trata-se elas sorriam e davam encima de mim, com certeza o Dragon acertou ela em cheio! Com esse rosto, esse corpo tão delicado, mas era tão bruta! Que raios!
Vi que ela me olhava de baixo, eu era com certeza muito mais alto que ela, sua cabeça batia no meu peito.
–Foi porque o meu cachorro pulo encima de você, baixinha- eu disse, por um momento pensei que ela ia pular encima de mim, mas parece ter percebido algo.
Ela olhou para o Dragon e sua expressão suavizou, vi a sombra de um sorriso passar por seus lábios.
–A tá, estou bem, pensei que havia sido o meu cachorro que tivesse pulando encima de mim- Ela disse me deixando confuso.
Ela levou os dedos até a boca e assoviou olhando para longe, não consegui desviar meu olhar dela e do seu corpo pequeno que me causava desejo.
De longe vi um vulto castanho e loiro se aproximar, ele chegou perto dela e ficou passando por suas pernas e sentou ao seu lado, só tenho uma coisa a dizer sobre isso... Que inveja.
–Se você está falando que tá bem então tá, mas achei que tinha quebrado uma meia dúzia de ossos você é tão pequena e magrela- Falei vendo que ela ficava irritada com esse tipo de comentário.
Não sei por que mais sentia um prazer em provoca-la suas expressões de raiva eram as melhores, olhei-a de cima parecia tão pequena e frágil.
–Não se preocupe fosforo gigante eu estou ótima, vamos Lobinho- Ela abaixou e prendeu o cão dela em uma corrente e saiu andando.
Espera! Essa baixinha me chamou de que?!
–Você me chamou de que?- Perguntei indignado.
–Tá surdo? Pois se está eu não ligo, não vou ficar repetindo a mesma coisa várias vezes- Ela disse por cima do ombro e continuou andando, tirando o folego de todo o garoto ou homem que passava por ela.
Não sabia se ficava admirando ela ou ia lá lhe dar umas boas palmadas, mais que garota mais abusada!
O Pior que sua voz era tão doce que era difícil entender que ela estava me insultando.
Com certeza essa menina tem um problema sério na cabeça.
Sentei um pouco na grama e senti a brisa agitando meus cabelos.
Deixei o Dragon correr livre assustando as pessoas e correndo atrás dos pássaros.
Olhei para o céu, ele estava incrivelmente azul, com pouquíssimas nuvens, seu azul era tão bonito que quase podia se comparar ao azul dos olhos daquela garota, dei um meio sorriso.
Mas logo meu pensamento foi cortado devido o toque do meu celular.
–Que é?- atendi rudemente.
–A ressaca está tão ruim assim?- a voz sempre calma de Lysandre dizia.
–Vai dizer o que você quer ou vai ficar enrolando?- Perguntei irritado.
–Só quero saber como está sendo a mudança o Sr.Mal humor.
–Já está tudo arrumado, eu estou no parque Floresta Negra com o Dragon.
–Sei onde é, mas e a casa? É maneira?
–Sim, minha mãe até separou um dos quartos para nós fazermos um estúdio.
–Sério? Que legal!
–Sim, você tem que vim ver.
–Sim, mas eu só sei o bairro.
–É na rua de trás do parque.
–Na rua de trás do parque? Já sei onde você mora!- Ele disse e depois começou a rir muito.
–Lysandre? Do que você está rindo?- questionei irritado com o meu amigo estranho.
–Você já A conheceu?- Perguntou seriamente, sem citar nomes, mas a primeira pessoa que passou pela minha mente foi à baixinha invocada.
–D-de quem você está falando?- me senti um imbecil, porque raios eu gaguejei?
–Castiel Gaguejando? Acho que já encontrou a Mei-chan- disse rindo um pouco.
–Mei-chan? Mais que merda é essa?
–Esquece, uma hora ou outra você descobre, tenho que ir Leigh está vomitando o banheiro inteiro, tchau.
–Mas... Droga o filha da puta desligou na minha cara, o que ele quis dizer com tudo isso?
Balancei a cabeça tentando esquecer, esse era o Lysandre, o enigmático Lysandre, nunca falando diretamente e sempre me deixando confuso.
Chamei o Dragon e fui pra casa.
Ai vai uma dica, nunca use uma jaqueta de couro debaixo de um sol de mais de 30º graus.
Fui até meu quarto, peguei uma toalha e uma muda de roupa e entrei no chuveiro.
...
Depois do almoço decidi assistir um pouco de TV e a minha família também para variar, depois de muito discutir e trocar de canal, acabamos assistindo um filme que passava na TV, “Uma noite no museu”.
Com certeza a pior coisa do mundo era assistir filme com a minha família, pareciam um bando de hienas, riam com tudo, mais a pior parte sem duvida foi quando o Cowboy disse: “Ocê é só um gigante pernudo do capeta... Como é que ocê vai saber dos fatos da vida?”.
Pronto minha mãe riu até engasgar me chamando de gigante pernudo, só porque eu era o mais alto de casa, sim eu era mais alto que meus pais e meu irmão mais velho e só tenho 17 anos, ter 1,77 não é muita coisa, eu acho.
Desisti, levantei e fui procurar algo pra comer, mas os armários estavam vazios.
–Mãe, estou com fome- resmunguei.
–Ótimo duas ruas a baixo tem um mercadinho, pega dinheiro e trás algumas coisas, eu fiz uma listinha tá ai encima.
Só uma coisa para dizer sobre a minha mãe: APROVEITADORA.
Ela sabia que eu uma hora ia ficar com fome e que iria atrás de algo pra comprar então ela já preparou a listinha dela, para me fazer se passar por burro de carga.
–Ótimo, vou deixar todos os ovos quebrarem!
–Não se atreva.
Dei mais uma olhada pela cozinha e vi um pacote fechado.
–O que é isso?- perguntei apontando.
–É uma torta de ricota com frutas vermelhas, é para os vizinhos, quando você voltar, você e o Miguel vão levar.
–Tá de brincadeira, quem hoje em dia leva torta para os vizinhos? No máximo deveria ser ao contrário!- esbravejei.
–Mas a vizinha é um amor e me deu ótimas dicas, eu até levaria só que ela disse que viajaria hoje de manhã, então vocês que vão levar.
–Por mim- Miguel deu com os ombros.
–Tanto faz- respondi, pegando o dinheiro e saindo de casa.
Andei duas ruas a baixo e achei o tal mercadinho, que lugar estranho, tem tudo tão pertinho aqui?
Entrei no mercado e peguei um carrinho, comecei a pegar as coisas que minha mãe tinha colocado na lista entre algumas besteiras para comer.
Passei um corredor e vi uma garota tentando alcançar algo, e continuei andando.
Mas sabe aquela sensação que você conhece a pessoa?
Voltei e dei mais uma olhada, não conseguir evitar sorrir com aquilo, a garota que estava pulando era à menina pequena que o Dragon derrubou mais cedo.
Ela pulava tentando alcançar desesperadamente um pacote do Pringles, uma gargalhada escapou pelos meus lábios.
A única coisa que eu fui capaz de fazer foi me esconder, o porquê eu fiz isso? Não sei?
Eu estava agindo estranho hoje, talvez fosse a ressaca ou o remédio que o Miguel me deu.
Observei-a por uma prateleira e á vi olhando para os lados, ela observou a uma senhora que estava em duvida de algo e logo voltou a pular.
Juro que eu estava decido em ajuda-la mais um loiro irritante apareceu e começou a conversa com ela.
A cena dos dois juntos que lembrou da garota e o loira que eu vi mais cedo, acho que era eles, olhando-a de costas agora posso perceber que é a mesma com o mesmo garoto engomadinho só que sem o tal do Binho ou era lobinho? Que seja!
No fim fui pra casa um pouco irritado e com um monte de sacolas.
–Comprou tudo o que eu pedi?- Minha mãe fuçava as sacolas vendo se estava tudo.
–Hm- foi o que eu respondi.
Peguei uma coca e pacote de salgadinho, devorei tudo de uma vez só.
–Filho, vai lá levar a torta lá- minha mãe pedia manhosa.
–Não quero.
–Por favor, Castiel- ela implorava.
–Tá, mas eu só vou jogar isso lá e venho embora.
–Tá, vou chamar seu irmão- ela saiu pulando gritando o nome do Miguel.
Peguei a torta e esperei o meu irmão no portão.
–Pensei que você não ia topar- Meu irmão dizia.
–A mãe ia ficar pedindo até eu aceitar- falei.
–Ia mesmo.
Chegamos-nos na frente da casa e eu toquei a campainha, cinco minutos depois ninguém veio, exagero de minha parte foi um minuto.
–Vamos embora, não tem ninguém- virei e tentei sair mas o Miguel me segurou.
–Espera vou tocar mais uma vez se ninguém vim a gente come a torta- eu assenti rezando pra ninguém aparecer e ele tocou.
Ouvi alguns passos vindo à direção do portão e o mesmo foi aberto, por uma baixinha dizendo algo.
–Nossa Nath! Que rápido pensei q...- A voz dela falhou quando percebeu que não era o tal de “Nath” no portão.
A expressão dela de espanto era maravilhosa aos meus olhos, sorri com isso.
Me incomodei um pouco com o olhar malicioso do meu irmão dançando sobre o pequeno e não tão magro corpo dela.
Ela analisou Miguel por um momento mas logo seus olhos voltaram para mim, não sabia decifrar o que se passava na cabeça dela.
–Olha, olha se a baixinha invocada não é minha nova vizinha- Ao dizer isso a garota se recompôs no mesmo instante, vi um brilho em seus olhos.
Ela ficava tão linda irritada.
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