Thinking Of You.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Chegamos a frente da minha casa, olhei para o Nathaniel um pouco sem graça.
—Bom, tchau Nath- Falei logo em seguida dando um beijo em seu rosto.
—T-Tchau Mel- Gaguejou em resposta.
Virei-me e entrei em casa deixando para trás um Nathaniel super corado, nunca cansaria de vê-lo assim tão vermelho.
Coloquei o lobinho em sua casinha, e desci para casa, precisava de um banho urgente, estava toda suja de barro, grama e suor.
Logo quando entrei dei de cara com quatro pares de olhos me fuzilando.
—Onde estava Melissa?-Meu irmão mais novo me interrogava.
Aquela situação era hilária, meu irmão mais novo e mais três crianças com carrancas no rosto e braços cruzados, me olhando esperando minha resposta, não pude evitar de sorrir com aquilo.
—Ei tia Mei, onde estava?- Era a vez de o pequeno Murilo me questionar.
—Ela estava caminhando- Megs entrou na sala me salvando daquele interrogatório.
Para o Nico isso foi o suficiente, mais as crianças ainda não estavam felizes com a resposta de Megan.
Corri para o sofá e pulei entre as crianças, causando um pequeno alvoroço.
—O meus pequenos que carinhas são essas hein? A Tia foi levar o Binho para passear- Me justifiquei.
—Mas eu queria ir junto- Murmurou Julia.
—É um pouco difícil levar todos vocês e o Binho junto.
Os três bufaram em reprovação, olhei para Megs e ela revirou os olhos.
—Vão ficar com essas carinhas? Então só tem um jeito de fazer vocês sorrirem... Cosquinha!
Então comecei fazer uma série de cocegas nas crianças, que gargalhavam e se contorciam.
—Ei já chega Melissa você está imunda! Está toda suada e... Suja de terra?- Megan tirava folhar que provavelmente tinham ficado presas em meu cabelo durante o tombo que o Lobinho havia me dado.
—Estava rolando na terra Nee-chan? Pensei que iria caminhar- Questionou Nico, erguendo uma sobrancelha.
—Não estava rolando! Eu estava com o Nath sentada na grama então o Binho veio e...-Minha voz começou a falhar quando eu percebi o que tinha dito.
Olhei para a Megan e para o Nico que tinham o rosto um tanto assustador de se ver.
Tem duas coisas que o Nathaniel disse, que são verdades absolutas.
Primeira, aquilo que o Nathaniel havia dito sobre o Nico “Não ir com a cara dele” pois é... Esse “Não ir com a cara dele” era bem pior algo parecido como ódio? Bem provável que seja isso, Nico sempre foi ciumento e possessivo quando se trata de mim, mas isso se triplica quando tem haver com o Nathaniel, agora o motivo não me pergunte sempre foi assim desde quando conheceu o loiro aos seus cinco anos.
Segunda, “sinto que ela se esconde de mim as vezes”, isso era verdade também, mas ao contrário de Nico a Megan tem o que digamos... Uma quedinha pelo o Nath, na verdade não é uma quedinha, mas sim um tombo, digamos um tombo do monte Everest, desde a primeira vez que o viu ficou encantada, vivia cantarolando sobre ter encontrado o seu príncipe encantado.
Antigamente o Nath vinha muito aqui em casa, mas coitado, imagine você em um lugar onde um te olha como se tivesse o plano de morte mais cruel feito especialmente para você e a outra que se escondia quando você aparecia.
Os dois continuavam com aquela cara bem esquisita até engraçada, mas eu não seria louca de rir deles.
—Na-Nath? Quer dizer o N-Nathaniel?- Megan gaguejava mais que o pobre Nathaniel.
—Aquele engomadinho filhinho de papai?- Nico permanecia com a cara de quem tinha comido e não gostou.
Respirei fundo, aquilo tudo era ridículo, ele era meu amigo de infância, colega de sala e sempre que eu dizia ou fazia algo que tinha o Nath no meio era essa cena ridícula.
—Sim o Nathaniel, e ele não é nenhum engomadinho filhinho de papai, ele nunca te ofendeu então mais respeito.
—Caminhar... Levar o cachorro pra passear... Demorou porque estava com aquele engomadinho!- Nico já tinha levantado do sofá e me olhava irado.
—Ouça bem, pois só vou dizer uma vez, não quero você ofendendo o Nath de nenhuma maneira entendeu Nico?- Eu amava muito meu irmão, mais aquilo estava passando dos limites.
—Na-Nath?- Megan que parecia uma linda estátua resolveu se pronunciar.
—Nath, o apelido do Nathaniel, meu Deus o que acontece com vocês dois? Daqui a pouco o Nome Nathaniel vai ter que ser proibido nesta casa, porque toda vez que é pronunciado ambos agem como idiotas!- eu já tinha perdido a linha a esta altura.
—Deveria mesmo, deveria até mesmo ser proibido ver ele!- Lancei um olhar para o Nico e o vi engolir seco.
—Ele nunca fez nada para você, e para o seu desgosto eu vou encontra-lo todos os dias destas férias, nós vamos caminhar todas as manhãs, e isso não é um pedido- Olhe para ambos vendo se alguém iria me contradizer.
—Desde que não demore tanto- Nico deu com os ombros, eu me sentia muito mal por brigar com ele e sabia que ele também se sinta assim, mas às vezes eu tenho que mostrar que não faço tudo que ele quer e quando quer, esse é o lado ruim de mimar um irmão.
—Durante a semana em que as crianças estiverem aqui não demorarei, mas nos dias adiantes, não sei- Respondi não era meu irmão mas novo que me iria por limites.
—Po-porque está tão suja Melissa?- Pobre Megan eu sabia o quando ela gostava do Nathaniel e sabia que devia ter doido o que eu tinha dito sobre o encontra-lo todos os dias, me senti péssima.
—Eu estava caminhando com o Nath, e depois decidimos sentar na grama enquanto o Lobinho corria, e nós ficamos conversando e... — Lembrei-me do meu quase beijo com o Nathaniel, senti meu rosto esquentar só com aquela lembrança.
—E o que Melissa?!-Pude sentir o desespero na voz da minha irmã.
—E então o Lobinho veio e pulo sobre nós, nos fazendo cair e nos sujar, fim, nada demais Megs, não sei por que pilham tanto.
Eu vi seu rosto relaxar e soltar sua respiração que provavelmente estava presa há alguns segundos.
—Bom se já acabou o interrogatório vou para o meu banho.
Virei e sai em direção ao meu quarto, peguei minha toalha e uma troca de roupa e fui para o banheiro.
Liguei o chuveiro e entrei debaixo da água morna, deixei que escorresse pelo meu corpo enquanto os acontecimentos daquela manhã fluíam em minha mente. Irmãos, primos, cachorro, parque, grama, verde, brisa, sol, dourado, olhos dourados para ser mais especifica, cabelos dourados para ficar mais perfeito, o seu cheiro e a sua boca que parecia me convidar á experimenta-la.
Mas no que eu estava pensando? Balancei a cabeça jogando para longe aqueles pensamentos, ter algo com Nathaniel? Onde eu estava com a cabeça? Já era uma briga por eu caminhar com ele imagina se ficássemos? Meu irmão o odiando e a pobre Megan? Iria ficar de coração partido, e eu nem gosto tanto dele como ela, claro me sinto fisicamente atraída por ele não tem como negar e ele é uma ótima pessoa e bonito, mas o Nathaniel era um garoto para namorar, e eu e namorar não combinava, não no momento.
Não que eu fosse uma garota que gosta de ficar com todos, o que era bem o contrario, mas fazia quatro meses que eu havia terminado um relacionamento de oito meses com o Viktor Queiroz, ele teve que se mudar para longe, para o outro lado do mundo melhor dizendo, eu gostava muito dele, eu o amava como amigo não como namorado, talvez porque não tive tempo suficiente para isso, mas ele era importante, e por agora não quero me envolver com mais ninguém.
Batidas na porta me tiraram do meu devaneio.
—Que é?- Digamos que eu fiquei um pouco mal humorada depois de tudo isso.
—Mel, vai logo, preciso que você faça o almoço- Megan dizia um pouco cautelosa do outro lado da porta- Mel...
—Que?
—Me desculpa- Disse finalmente.
—Me desculpa também Megs, sei que você gosta do Nath, mas relaxe eu e ele somos amigos e só- Me senti aliviada por dizer isto a ela, tinha decidido, não queria nada com o loiro, não valia a pena estragar uma amizade com ele e partir o coração da minha irmã sendo que eu não ia levar pra frente.
—Tudo bem, se fosse para ver alguém com o Nathaniel eu preferiria que fosse você.
—Ok- suspirei.
—Vai logo, já estou com fome- escutei passos e a porta do meu quarto sendo fechada.
A Megan era tão madura, ás vezes bem mais que eu, mas uma coisa era certa um relacionamento com Nathaniel não iria fazer bem para ninguém.
Sai do banheiro, me arrumei e fui fazer o almoço.
O resto do dia foi alegre e agitado, eu e os meus irmãos agíamos como se nada tivesse acontecido, brincamos a tarde toda com as crianças até cairmos exaustos no sofá.
Acordei sentindo alguém me dar um beijo na testa.
—Boa noite querida- a doce voz da minha mãe ecoou pelos meus ouvidos me fazendo sorrir.
—Okaeri oka-san- Respondi, tentei me mexer no sofá mais não consegui devido o peso que tinha sobre o meu corpo, eram três lindas crianças e um mais velho que estavam encima de mim.
Minha mãe tirou o celular da bolsa e tirou uma foto, devo ter saído com uma careta, ainda não entendo o porquê de a minha mãe e amigos, quererem tirar foto de tudo.
—Ora, ora, ora eu saio de casa por algumas horas e quando eu volto vejo que meus filhos se multiplicaram!-A voz estrondosa do meu pai se espalhou pela sala, consegui me desfazer de todos aqueles que estavam encima de mim, com cuidado para não acorda-los, mas o Nico acordou.
Levantei e fui em direção ao meu pai dando-lhe um abraço e um beijo.
—É o que parece- respondi.
—O que aconteceu? Porque estão aqui?-Minha mãe questionava.
—A tia deu folga para a babá deles e em consequência nos viramos babas- respondeu Nico se levantando do sofá, cumprimentando nossos pais- Okaeri otou-san, oka-san.
A risada escandalosa do meu pai preencheu o ambiente fazendo as crianças adormecidas se mexerem um pouco no sofá desconfortáveis com o barulho.
—Nós temos um filho praticamente asiático- Exclama dando mais risadas batendo nas costas do pobre Nico quase o desmontando.
—Na verdade é outro, se lembra da Melissa? Talvez ela fosse até pior que o Nico- Disse minha mãe rindo junto com meu pai, mas sua risada era mais leve e digamos que fofa, coisa que a minha não era.
—Verdade, metade do vocabulário dela era japonês, os professores viviam brigando por ela escrever ou falar em japonês, sem falar nos costumes, tivemos que comer comida japonesa por sei lá quanto tempo... -Meu pai dizia fazendo uma careta com a lembrança, acho que ele pegou trauma de comida japonesa.
—E os sapatos? Todos tinham que tirar os sapatos na entrada! Lembra-se do aniversário da Megan? Todos tiveram que tirar o sapato a casa ficou um fedo que só- minha mãe riu se lembrando enquanto eu ficava mais emburrada- e aquela vez que...
—Chega!- Eu interrompi a mais velha, tentando acabar com aquele momento de nostalgia dos dois- Já passou.
—Ainda bem- Disse Megan suspirando na porta- Bom o jantar está pronto, acordem as crianças.
—Oba! O que temos para o jantar?-Perguntou meu pai se virando para mim.
—Não sei- dei com os ombros- Não preparei nada ainda.
—Então...-Meu pai começou dizendo.
—Fui eu!- A voz de Megan o interrompeu, os olhos de todos os presentes e acordados na sala se arregalaram.
Bem, a Megan é incrivelmente linda, maravilhosa e dotada de uma inteligência admirável, e é capaz de fazer muitas coisas com muita facilidade, mas cozinhar definitivamente não é algo que ela sabia fazer a não ser que explodir e queimar coisas seja cozinhar.
Meu pai fez uma careta para mim e me olhou em alerta, virou-se de vagar e lançou o seu sorriso mais convincente para a minha irmã.
—Então... Filha! Minha princesa, estava comentando com a sua mãe o quanto estou com vontade de comer... PIZZA! Não é querida?- Meu pai olhou para minha mãe pedindo ajuda em silencio, minha mãe assentiu com a cabeça repetidamente, afirmando o que meu pai havia acabado de dizer.
—Hm... Que pena não?! Pois bem deixe para a próxima, vai ligar para a pizzaria pai.
—Pode deixa!- Respondeu meu pai correndo para a cozinha e minha mãe o seguindo dando sugestões de pizza.
Megan virou para mim e Nico dando uma piscadela cumplice, na hora entendi o plano dela.
Como havia dito Megan é dotada de uma inteligência admirável, e nem ela se safava dos efeitos colaterais de sua comida, mas às vezes ela usava esse seu “defeito” ao seu favor como agora.
O resto da noite foi uma lambuza de pizza, eu acabei comendo algo separado, mas ainda pude experimentar uma fatia da pizza.
Minha Tia veio buscar as crianças um tempo depois, no final da noite me rendi aos pedidos de Nico e fizemos maratona de um anime que ambos gostávamos.
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