Things We Lost in The Fire
23 O amor é a rosa vermelha na tampa do seu caixão.
Notas iniciais
Enterre todos os segredos na minha pele
Desapareça com a inocência
E me deixe com meus pecados
Sam abriu os olhos, o quarto estava inundado com a claridade. A noite anterior voltou nas suas memórias em uma tempestade de sentimentos e sensações, informando que tinha sido real demais para ter sido mais um sonho. Mas onde estava Alicia?
Ele se sentou na cama, de repente alarmado. O quarto estava vazio, a porta do banheiro, aberta e o cômodo também estava vazio. Alicia não estava lá.
Olhou para o lado, onde ela tinha dormido, e havia um envelope no travesseiro dela. Seu coração batendo desagradavelmente, como se previsse que algo estava muito errado.
O ar ao meu redor ainda parece uma prisão
E amor é só uma camuflagem
Para o que parece ser raiva de novo
–Então – disse Sam – eu não sei o que pensar, Alicia. Eu quero dizer... Eu achei que estava tudo bem com a gente. Que estávamos felizes. Pensei que agora finalmente ia dar certo. Mas eu não consigo entender porque, sabe. Você foge de mim, duas vezes. E quando não foge, está mentindo. Eu sei que você me ama. Mas não entendo que tipo de amor é esse.
Alicia olhou para o Sam, o Sam dela, tão magoado por culpa dela. Por que inferno ela sempre fodia com tudo? Ela tinha destruído tudo.
–O tipo de amor de alguém emocionalmente ferrado. – ela respondeu. – o tipo de amor de alguém que é metade demônio. Um anticristo. Um monstro. Eu sou assim.
Então, se você me ama, deixe-me ir
E corra para longe antes que eu perceba
Meu coração está negro demais para se importar
–Eu sinto muito. As vezes eu também não me entendo. Eu não posso envolvê-lo nisso, Sam. É a minha vingança. Minha história. O motivo pelo qual eu nasci. Isso é tão particular que eu não posso dividi-lo com ninguém.
–Não me trate como se eu fosse qualquer um. Eu não sou qualquer um. – murmurou Sam incoerentemente. Ele já estava tão cansado das repetições daquilo. Felicidade e coração partido andavam lado a lado quando se tratava de Alicia. Era uma aposta louca e ele nunca sabia qual carta ele estava tirando do baralho. Nunca tinha certeza. Estar com Alicia era um pulo num abismo, caindo constantemente, com a sensação de estar flutuando as vezes. E as vezes eles flutuavam, e Sam se sentia tão bem, para depois Alicia empurrá-lo e lembrar que aquilo não era o céu e ele não estava voando, ele estava caindo sem parar. E o chão nunca chegava para terminar a dor.
Houve um silêncio tenso.
–Eu sinto muito, Sam. – Alicia finalmente falou. – eu estou indo caçar Asmodeus e você não pode vir comigo. E de qualquer maneira, você precisa salvar Dean.
Me entregue para dentro do meu destino
Se eu estou só, não posso odiar
Eu não mereço ter você
Anabel entregou o envelope para Alicia, que o pegou. Percebeu que sua mão estava tremendo, mas ela não conseguia entender sobre o que Anabel estava falando. Alicia abriu o envelope e no inicio as imagens também não faziam sentido. Era como seu cérebro visse, mas não registrasse o significado das imagens.
Quartos de motéis.
Sam.
E Ruby.
Juntos?
Assim que Alicia conseguiu entender, ela derrubou as fotos no chão congelado, sentindo a mão tremer. Foi como um raio tivesse caído na cabeça dela e a dor que ela sentiu rasgou seu peito. Ela passou o verão esperando por Sam e ele estava lá, fodendo aquela vadia do Inferno.
Achou que ele talvez tivesse dormido com uma garçonete ou outra coisa assim, mas era com Ruby. E ele ficava com aquela conversinha barata que Ruby era legal, Ruby tinha salvado minha vida, como ele se atrevia a olhar para Alicia depois disso?
–Alicia? Você está bem? – perguntou Anabel e do meio da sua confusão Alicia pode perceber que ela estava realmente preocupada.
–Eu não tenho a menor ideia se um dia eu vou ficar bem de novo – respondeu Alicia, com uma súbita vontade de vomitar. Tudo que Sam tinha falado nos últimos meses: eu amo você, Alicia, eu quero ficar com você... Por que ele se tinha dado ao trabalho?
Ele era um demônio. Talvez Sam realmente fosse destinado a ser o líder do Inferno, já que agora estava sendo tão cruel.
–Eu me sinto tão burra. Eu não sei como não percebi isso antes – falou Alicia, descontroladamente. Podia sentir lagrimas congelando em seu rosto. – acho que esteve na minha frente o tempo todo, não foi?
Meu sorriso foi tomado há muito tempo
Se eu posso mudar, eu espero que eu nunca saiba
–Toda vez que esses fenômenos voltam, é porque ele me localizou. E dai eu preciso fugir e me esconder, por que por um tempo estarei protegida. Mas dessa vez, ele de fato me encontrou... Tanto que fui sequestrada. Então, que droga, Sam. Eu não fujo de você. Eu fujo porque eu temo por nossas vidas. Droga, Sammy, eu amo você.
Eu ainda aperto as suas cartas em meus lábios
E eu as mantenho em partes
De mim que aproveitaram cada beijo
A resposta de Sam foi finalmente beijá-la, primeiro devagar, querendo calá-la, e para ter mais sucesso, aumento a intensidade. Não ouviria mais. Não mataria Alicia. Eles iam salvá-la, nem que ele precisasse morrer tentando. Ela se deitou em cima dele, e ele rapidamente tirou a camiseta de alguma banda ruim que era tipo a favorita dela. Felizmente, ele já estava sem roupa. Por baixo da camiseta, Alicia usava um sutiã preto rendado que destacava os grandes seios, deixando Sam ainda mais cheio de desejo. Eles se beijaram apaixonadamente, Sam passando a mão por todo o corpo de Alicia, os beijos acompanhados de suspiros e gemidos de ambos. Ela começou a beijar o pescoço dele. Sam se sentou, deixando Alicia sentada em seu colo, beijando o pescoço dela. Ela sentia o corpo queimar conforme Sam beijava seu colo e seus seios e suas mãos apertavam todo o corpo dela.
Eu não posso encarar a vida sem sua luz
Mas tudo isso foi tirado
Quando você se recusou a lutar
Ruby chegou perto dele novamente, aproximando o rosto do dele, como se fosse beijá-lo. Sam não se afastou.
–O que você está fazendo? – ele perguntou, mas não estava totalmente surpreso. Sabia que Ruby o queria há algum tempo. E ele, o que queria?
–É porque é errado e feio e nós não devíamos? – ela continuou e Sam acabou com o espaço entre eles, beijando Ruby. Ele se sentia estranho, mas logo ele conseguiu esquecer que era a Ruby, podendo finalmente se desligar dos seus pensamentos. Ela o empurrou na cama, ficando por cima dele e o beijou com ferocidade. Sam arrancou as roupas dela com violência.
–Sam? – falou Ruby, enquanto movia os quadris, por cima dele. Ela estava ofegando. Sam gemeu. Aquele não era o melhor momento para ficar falando, mas mesmo assim, ela continuou – para vencer Lilith, para desenvolver seus poderes, você precisa tomar uma coisa.
Sam soltou um som sem sentido. Ele realmente não estava conseguindo raciocinar com Ruby por cima dele fazendo o que ela estava fazendo.
–Sangue de demônio – falou Ruby. Rapidamente, ela estendeu a mão e retirou uma faca do bolso de sua calça, que era um amontoado misturado aos lençóis e outras peças de roupa. Ela fez um corte no braço, e colocou na boca de Sam. Sam tentou empurrá-la para longe, mas ela o segurou com uma força sobrehumana. Tudo isso durou menos de cinco minutos.
–Escute, Sam, eu sei que você não gosta, mas é o único jeito de matar Lilith e vingar Dean. O único jeito, entendeu?
Ele tentava não engolir, mas o liquido parecia estar se acumulando e logo ele foi obrigado a engolir para não engasgar. Tinha um gosto metálico e quente e Sam gostou da sensação. Odiou-se e teve nojo de si mesmo por isso, mas pensou em Dean no inferno e na fúria que sentia. Se era o único jeito, era esse o caminho que seguiria.
Então guarde seu fôlego, eu não irei escutar
Eu acho que eu fui muito claro
Você não poderia odiar o suficiente para amar
Isso era para ser o suficiente?
Se importa? Você não sabe o que é família. Você nunca se importou, não é mesmo? Tudo o que você faz é ficar por perto quando é do seu próprio interesse, mas o que mais adora fazer é cuidar da própria vida sem ligar para o que nós pensamos ou sentimos. Por que você não vai cuidar da sua vida agora? Por que você não desaparece para sempre da minha vida?
Sam chegou mais perto dela, segurando ela pelos braços.
–Sam! – gritou Bobby, se aproximando, mas Sam o ignorou. O rosto de Alicia estava vermelho e seus olhos completamente inchados. Ela ainda estava chorando.
–Tudo – falou ele, respirando ruidosamente – em minha vida foi destruído desde aquele momento que você entrou no meu apartamento. Eu não quero vê-la nunca mais, entendeu?
Eu só desejo que você não fosse meu amigo
Assim eu poderia te machucar no final
Eu nunca clamei ser um santo
Meu amor foi condenado há muito tempo
Se ainda me ama, nunca me deixe saber
–Allie – disse Sam, tentando dizer alguma coisa, qualquer coisa, para tentar melhorar as coisas – eu sinto muito por tudo que aconteceu com você... Eu nunca imaginaria que...
Uma rajada de vento frio passou por ele no instante que Alicia levantou a mão. Sam flutuou no ar e foi jogado contra a parede. Ele gritou. Alicia se levantou da cadeira, tremendo. Sam viu que os olhos dela tinham mudado de cor para amarelo.
–Me de um motivo para eu não te matar agora mesmo.
–ALICIA! – gritou Dean.
–Um motivo. Para eu não te matar. E quem sabe eu poupe sua vida. Ao meu ver, você é tão ruim quanto ela. Tão ruim quanto o diabo. Sua teimosia, seu orgulho, sua burrice condenou a todos nós...
Então ela despencou no chão e Sam caiu junto, escorregando pela parede.
Alicia se levantou.
–Você tem é sorte que aquela vadiazinha tentou me matar e eu estou fraca. Se não, você estaria morto.
Então se quebre nas minhas pedras
E cuspa sua empatia na minha alma
Você nunca precisou de nenhuma ajuda
Você me vendeu para se salvar
Sam fechou os olhos. A igreja estava vazia e gelada. Deus tinha abandonado o recinto, mas isso não impedia ele de se ajoelhar e implorar por perdão para si mesmo. Ele nunca se perdoaria por todo mal que causou a todos aquele a quem ele amava, a todas as pessoas inocentes que agora morreriam por causa dele, por causa das más escolhas dele.
Passos de salto alto ecoaram no chão de pedra da Igreja. Sem ao menos olhar, Sam sabia quem era. O perfume dela era inconfundível. Ele passou tantos e tantos meses odiando-a, por motivos que agora Sam nem ao menos conseguia se lembrar. Sam amava Alicia e sempre amou.
Ultimamente ela nem ao menos queria falar com ele.
–Você acha que rezar vai resolver alguma coisa? – ela perguntou, com uma voz triste. Isso surpreendeu Sam, porque estava acostumado com a fúria dela.
–Eu não sei mais o que fazer.
–Não há mais o que fazer. Agora nós esperamos pelo fim.
–Você não tem Fé nenhuma, não é?
–Não. Eu só estou aqui por um motivo. Eu quero dizer para você... Que custe o que custar... Nem que eu morra tentando... Eu vou acabar com essa coisa que existe entre nós dois. Eu não posso continuar assim.
Eu não vou escutar sua vergonha
Você fugiu, você ainda é o mesmo
Anjos mentem para manter o controle
–Você poderia ter me deixado morrer. – falou Sam lentamente. Era a primeira vez que ele estava totalmente consciente em muito tempo. Graças a ela. – mas seria muito fácil para mim, não seria?
–Não foi por isso que eu te salvei. – ela estava congelada, parada próxima à porta. Não esperava que fosse questionada de suas decisões tão depressa. Não tinha decidido o que faria ainda.
–Você me salvou. – repetiu Sam, ficando de pé. – por quê?
Alicia não olhou para ele. Seus olhos se fixaram num canto do quarto.
–Como eu não salvaria? – ela falou, mordendo os lábios. – se você morresse, como eu viveria?
–Depois de tudo que eu fiz – falou Sam, a culpa ainda pesando em seus ombros – você ainda está aqui.
–Eu sempre vou estar aqui. – respondeu Alicia, finalmente olhando para eles. – como você pode pensar que eu não estaria?
Meu amor foi condenado há muito tempo atrás
Se ainda me ama, nunca me deixe saber
Se ainda me ama, nunca me deixa saber
Você não precisa ficar aqui – sussurrou Sam, pressionando o corpo contra o dela – eu não quero que você veja isso.
–Eu não vou sair, Sammy. – respondeu Alicia. – não importa o que aconteça. Eu estou com você até o final.
Ele a beijou com carinho e com tristeza. Por que tinha que terminar dessa maneira?
THANK YOU FOR THE VENOM
Junho-2015
“Então me dê todo seu veneno, e me dê todas suas pílulas, e me dê todos os corações sem esperança e me faça doente. Você está correndo atrás de algo que nunca vai matar, se é isso que você quer, então atire a vontade.”
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