Things We Lost in The Fire

18 4x18 - Winchester Curse


Notas iniciais
Oi, pessoal! Agora falta 3 capítulos para o fim da temporada. Na parte final do capítulo, tem um GIF do Sam. Cliquem nele com o botão direito e abram numa nova guia esse link aqui: https://www.youtube.com/watch?v=MYSVMgRr6pw. Essa música é OBRIGATÓRIA (ta bom, não é, mas vai ficar legal de ouvir) para ser ouvida no momento em questão, porque me inspirei nela para escrever esse trecho e ouvi a música mil vezes enquanto escrevia o capítulo. Tem tudo a ver com Sam e Allie. Espero que gostem!

Leve-me até a igreja,

Eu o adorarei como um cachorro

No santuário de suas mentiras

Te contarei meus pecados

Você pode afiar sua faca

Ofereça-me essa morte imortal

Bom Deus, deixe-me eu dar minha vida

Hozier

Santa Fe, New Mexico, 23 de abril de 2009.

Elizabeth Simons estava feliz, apesar da dor que estava sentindo. Mas as dores do parto, eram dores boas. Significavam que seu bebê estava chegado ao mundo. Ela empurrou mais uma vez.

As contrações pararam por um instante. Sentiu que alguém puxava o bebê para baixo. Aguardou o som do choro da criança com ansiedade. Tentava se levantar para ver. Não aguentava mais esperar. Viu o marido se agitando ao seu lado. Alguma coisa estava errada. Por que o bebê não chorava? Viu a testa de Richard, seu marido, se franzir. Ele não olhava para ela, olhava em direção a obstetra e o pediatra. Elizabeth não consegui vê-los. Por que não havia choro? O que estava acontecendo?

Viu a médica entregar o bebê ao pediatra, enrolado nos panos azuis do hospital. A expressão de ambos era assustada, mas ninguém dizia nada. Já tinham cortado o cordão umbilical e ele nem tinha sentido!

Richard falava, exigindo saber o que estava acontecendo. A equipe médica não dava respostas claras. Elizabeth não conseguia entender...

Richard, irritado com tudo que estava acontecendo, queria ver a filha. Esticou a mão e a afastou o pano do rosto dela. Seu neném teria morrido durante o parto? O que não queria falar para ele? Seria muito pior se não contassem logo!

Não pode conter o grito de horror.

A menininha não tinha um rosto.

–-

Três dias depois, extremo norte do Maine.

Era quase verão em todo o país, mas parecia que toda vez que Alicia pisava no Maine, estava gelado. Estava quase na fronteira com o Canadá. Ali a floresta de pinheiros era densa e ela abria caminho entre as arvores. Ele tinha sido claro que não ela não poderia voar até o esconderijo dele, por causa das proteções...

Suspirou aliviada ao avistar a clareira. Ali no meio, havia uma velha cabana, provavelmente usada, em outras épocas, por caçadores.

Mas era outro tipo de caçador que Alicia veio encontrar.

Ela atravessou a clareira correndo até a cabana, ansiosa por sair do vento. Estava tão cansada. Bateu na porta com a força.

Ash, o caçador há muito sumido, a recebeu com um sorriso.

–-

O interior da cabana estava com a lareira acesa. Alicia se sentou ao velho sofá. Podia sentir que se ficasse muito tempo parada, ia cair no sono. Desde que havia abandonado Sam e Dean há 20 dias, ela estava evitando dormir. Estava evitando parar.

Não totalmente por vontade própria. O mundo estava um caos. Os últimos selos estavam sendo quebrados.

–Tem café? – perguntou a Ash.

Uns minutos depois, Ash serviu uma caneca cheia de café. Alicia tomou um gole; estava batizado com rum.

–É uma receita de café caribenho – informou Ash. – você gosta?

–É, eu gosto. Só acho que nunca esperaria tomar café caribenho no extremo norte dos Estados Unidos. Então, por que me chamou aqui?

–Bem, acho que eu consegui localizar o local da quebra do próximo selo. Você tem ideia de qual selo seja esse, Alicia?

–É o selo 64, Ash. Nós perdemos.

–Você realmente está com uma cara péssima.

–Os anjos nos abandonaram. Estão deixando os selos serem rompidos. Não quero imaginar por que. Estou lutando sozinha. Meus aliados estão morrendo. É realmente o apocalipse. Eu tenho corrido de um lado para o outro, tentando impedir... Por quê? Dizem que meu destino é reinar após o apocalipse. Talvez, como todos, eu devesse lavar as mãos.

–Você não faria isso.

–Por que não?

–Não seria você. Alicia, se você impedir esse selo... Eles não poderão continuar.

Alicia deu um sorriso triste, bebendo mais café. Ash foi pegar o notebook para mostrar a ela onde um dos últimos selos seria quebrado.

Os 66 Selos eram complicados. Normalmente, eram compostos de acontecimentos simultâneos em vários locais do planeta. Você teria mais chance de impedir a quebra se estivessem lutando em todos locais ao mesmo tempo, o que era muito difícil. Mas sempre havia um local em que tudo começava e esse era o ponto principal. Se lá fosse impedido que o ritual se completasse, o selo não se quebraria.

Nem anjos, nem caçadores, nem Alicia conseguiram salvar selo nenhum.

–Acredito que Lilith é a responsável por este. – contou Ash – é um selo sobre sacrifício de crianças ao nascimento. É a cara dela.

–Bebês morrendo no parto?

–Em massa. E de uma maneira horrível.

–Como?

–Em um dia, a futura mãe fez um ultrassom e seu bebê está normal. Mas a criança nasce... Sem um rosto.

Alicia quase derrubou a xicara, horrorizada.

–Onde, Ash?

–Começou em Santa Fe. Todos os bebês que nasceram nos últimos três dias. A mídia está enlouquecendo. E é um selo, há profecias sobre isso. “Haverá 10 dias de horror em que a vida não poderá chegar ao mundo”. Começou em Santa Fe – ele falou, abrindo outro arquivo, um mapa cheio de pontinhos – mas está se espalhando por várias cidades do mundo. Creio que em 10 dias, todos os locais do globo terão um nascimento assim. Começou em Santa Fe...

–Então se você parar a coisa lá, o Selo não será quebrado.

–E qual é o próximo selo, Ash? O penúltimo.

–É o da Morte. As pessoas vão parar de morrer. Dura 10 dias, e então, o último selo pode ser quebrado. Eu não tenho a mínima ideia de como isso vai acontecer. E o último selo... Eu não consigo descobrir. É um segredo muito bem guardado por poucos demônios.

–Estamos sempre mil passos atrás. Nunca iremos ganhar, Ash. É melhor começarmos a nos preparar para o apocalipse.

–-

Em algum lugar do New Mexico, 23 de abril de 2009.

O Impala estava parado em frente a um lago. Sam escovava os dentes, os ombros tensos, sua mente em outros lugares. Quase teve a oportunidade de matar Lilith, mas Dean o impediu. Alicia não atendia nenhuma ligação dele desde que tinha ido embora por causa daquela confusão a respeito de Lilith. Ele sentia a falta dela e a cada dia que passava, mais temia que tivesse realmente tudo acabado. E agora, mais do que nunca, ele precisava dela.

Porque Ruby estava desaparecida.

E o sangue de demônio estava acabando.

E a única coisa que Sam conseguia pensar era em sangue de demônio. Se sentia fraco e irritado. Dean o estava vigiando muito de perto e ele nunca entenderia.

Havia uma chance maior de Alicia entender. Afinal ela sabia o que era conviver com um monstro dentro de si. Ele diria a ela que iria parar com tudo isso se ela estivesse ao lado dele. Tinha perdido as contas de quantas mensagens deixou para o celular dela.

Sabia que ela estava o ignorando de proposito.

Dean saiu do Impala, com um cara péssima.

–Dormiu bem? – perguntou Sam, ironicamente.

–O que você acha? Eu estou morrendo de fome. Vamos comer alguma coisa.

–Onde? Estamos a duas horas de qualquer coisa.

–Mas eu estou com fome agora.

–Provavelmente tem um sanduiche no banco de trás. – falou Sam. Lembrou que Alicia era sempre cuidadosa para nunca deixar o Impala sem comida.

–É de atum – falou Dean com uma cara de nojo, pegando um embrulho de papel amassado no banco de trás.

Um celular começou a tocar de dentro do carro. Dean abriu o porta-luvas e pegou um celular, modelo bem antigo. Era o celular que era de John.

–Alo? – falou Dean. Não era tão estranho receberem ligações no celular de John Winchester. Varias pessoas vez ou outra ainda ligavam pedindo ajuda.

–É John?

–Ele não pode atender agora. Em que posso ajuda-lo?

–Não, não. Eu realmente preciso falar com John. É Adam Milligan. Ele me conhece.

–Bom, sinto muito partir seu coração, mas ele morreu há dois anos. Quem é você?

Uma respiração pesada.

–Eu sou o filho dele.

–-

Santa Fe, New Mexico. Lanchonete.

Sam e Dean estavam sentados numa mesa. Sam está olhando em seu notebook.

–Dean, pelo que eu posso contar, Adam é real. Nasceu em 29 de setembro de 1990. Sua mãe é Kate Milligan e não há pai na certidão de nascimento. Se graduou no ensino médio com louvor e está na Universidade de New Mexico. Focado em biologia, pré-medicina.

Dean ignorou Sam. Ele encheu um copo que estava na mesa com água benta e substituiu os talheres por talheres de prata.

–Está tudo certo com o garoto – repetiu Sam.

–Ótimo, ele é realmente um ser humano no planeta Terra. Pena que tem um demônio dentro dele. Ou é um metamorfo. Qualquer coisa que seja, essa coisa vai sangrar. Usar nosso pai como isca? É o último erro da vida miserável dele.

–Dean... Ouça – falou Sam, segurando o diário de John. – em janeiro de 1990, ele escreveu que investigou um caso em Santa Fe. E nove meses depois, essa criança nasceu.

–Coincidência.

–Coincidência. As duas paginas seguintes do diário foram removidas. Não estou dizendo que acredito nisso, estou dizendo que é possível. Eu quero dizer, papai ficava fora por semanas as vezes, e ele não era exatamente um monge. Você sabe como é: um caçador chega a cidade, mata um monstro, salva a garota... As vezes a garota fica agradecida.

–Bem, agora estou pensando no papai fazendo sexo. Pare de falar.

A porta da lanchonete se abriu e um rapaz entrou. Sam levantou uma mão para ele.

–Você é Sam? – perguntou Adam.

–Sim. Esse é Dean.

Adam se sentou, um pouco tímido. A garçonete veio anotar os pedidos.

–Então... Como vocês conheciam meu pai?

–Nós trabalhávamos juntos. – respondeu Sam. Adam parecia confuso.

–Como ele morreu?

–No trabalho. – respondeu Sam.

–Ele era mecânico, não era? – perguntou Adam, estranhando ainda mais.

–Um carro caiu em cima dele – se manifestou Dean, grosso. – qual foi a última vez que você viu John?

–Eu nem sei direito. Já faz alguns anos.

–Por que você ligou para ele? – por baixo da mesa, Dean estava apontando uma arma para Adam.

–Eu não sabia para quem ligar. Ele é a única família que sobrou. Minha mãe está desaparecida.

–Eu sinto muito – falou Sam. – por quanto tempo?

–É realmente trágico – cortou Dean — mas se você é o filho de John, como nós nunca ouvimos de você?

–Porque nós não nos conhecíamos. Não até há alguns anos. Minha mãe não falava sobre ele. Eu sabia algumas coisas. Minha mãe é enfermeira, e meu pai chegou no pronto socorro, bem machucado. Algum acidente de caça. E eu sabia se nome, John Winchester. Eu o conheci quando eu tinha 12 anos. Durante meses eu implorei para ela, o tempo todo. Até que ela finalmente ligou para ele. Ele dirigiu a noite toda para me ver. E desde então, tem sido assim. Ele liga de vez em quando, vinha me ver algumas vezes. Há uns três anos não sei nada dele.

Nesse momento, Adam bebeu um gole da água benta e nada aconteceu. A garçonete trouxe os pedidos e assim que Adam tocou nos talheres de prata, nada aconteceu também.

Parecia que ele era humano, mas isso não fez Dean baixar a arma.

–Ele me ensinou a jogar pôquer e me comprou a primeira cerveja quando eu tinha 15 anos. E ele me ensinou a dirigir, ele tinha esse lindo Impala...

–Isso é uma merda. Vamos lá, você está mentindo – interrompeu Dean, perdendo a paciência.

–Não, eu não estou! Quem é você para me chamar de mentiroso?

–Nós somos os filhos de John Winchester. – respondeu Dean, irado. – nós somos.

–Eu tenho irmãos? – falou Adam, parecendo animado com a ideia.

–Não, você não tem irmãos. Olhe, cara, eu não sei se você é um caçador ou o que tipo de jogo você está jogando aqui...

–Eu posso provar! – falou Adam, pegando a carteira no bolso.

Ele tinha uma foto junto com John Winchester em um jogo de baseball.

–-

Alicia achou que estivesse alucinando quando viu o Impala parado em frente a lanchonete.

Ela tinha passado o dia investigando os nascimentos e o que tinha descoberto que uma enfermeira chamada Kate Milligan tinha desaparecido logo antes do primeiro nascimento. Ela podia estar envolvida de alguma maneira e agora Alicia procurava por Adam, o filho de Kate.

Não era difícil imaginar que Sam e Dean estavam na cidade pelo mesmo motivo que o dela e cedo ou tarde eles se encontrariam. Mas, antes de entrar na lanchonete, Alicia considerou seriamente ir embora. Ela ainda não estava pronta para ver Sam. Vinha apagando as mensagens que ele deixava diariamente para ela.

Inspirou fundo. Parar apocalipse era um bem maior. Eles trabalhavam bem juntos. Ela podia lidar com isso.

Não ficou surpresa quando percebeu que Adam Milligan estava sentado com eles.

Sam sorriu para ela, parecia surpreso em vê-la enquanto ela atravessava a lanchonete em direção a mesa deles, mas ela não sorriu de volta.

–Allie está aqui – Sam falou para Dean.

–Allie? – repetiu Dean, confuso, no instante que Alicia chegava até a mesa deles.

–Oi – ela falou.

–Allie! Por que está aqui? – falou Dean e Alicia reparou que ele estava agindo muito esquisito.

Dean não estava muito feliz em ver Alicia ali; a última coisa que ele precisava agora era de mais drama familiar. Não era o momento para isso.

–Acredito que pelo mesmo motivo que vocês.

Dean e Sam olharam para ela, confusos. Como ela sabia sobre Adam?

–O selo. – ela falou simplesmente.

–Selo? – repetiu Sam.

–Qual é o problema de vocês? Um dos últimos selos começou a ser rompido aqui há três dias. Vocês não sabiam disso?

–Não. – falou Sam. – estamos aqui por outro motivo.

–Com certeza não é uma coincidência! – falou Dean, ainda convencido que Adam era um demônio ou algo do tipo – fomos atraídos para essa cidade.

Falando em Adam, ele olhava fixamente para Alicia.

–Espere, eu já vi você em algum lugar... Vi hoje mais cedo no hospital. Estava fazendo perguntas sobre o desaparecimento da minha mãe. – ele falou.

–É, uma das coisas que eu estou investigando é o desaparecimento da sua mãe. – falou Alicia.

–Quem inferno são vocês? – perguntou Adam.

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Casa dos Milligan, algum tempo mais tarde.

–Então, você, Adam, é o filho perdido de John Winchester. – falou Alicia. Por essa ela nunca teria esperado.

–E a mãe de Adam desapareceu antes dos bebês começarem a nascer – continuou Sam – e esses bebês são um dos selos do apocalipse. Isso com certeza não é coincidência. Os demônios nos queriam aqui nessa cidade.

–Provavelmente – falou Alicia – porque sabem que ganharam e querem que vocês assistam a vitória de camarote.

–Cara, vocês são loucos – falou Adam – vocês acham que minha mãe desapareceu por causa do apocalipse? Vocês estão realmente falando em apocalipse? Eu liguei procurando pelo pai e eu acabei com um monte de psicopatas. Meu pai era um mecânico, não um caçador.

Eles tiveram que contar tudo para Adam, ou pelo menos a maior parte. Não tinha como continuarem fingindo. Ser filho de John Winchester era sempre um risco de vida. Adam tinha sido envolvido e agora precisaria se proteger.

–Basicamente... Vocês estão me dizendo que cada filme de monstro, que cada pesadelo que eu já tive... São reais?

–E nos o caçamos. Assim como nosso pai.

Adam fez uma pausa. Ele estava meio pálido, meio esverdeado, como se fosse capaz de vomitar a qualquer minuto.

–OK – ele disse por fim – vocês são família, então eu acho que eu devo simplesmente acreditar em vocês.

Dean resmungou alguma coisa que não deu para entender.

–Então, o que fazemos agora? – perguntou Adam.

Dean e Sam olharam para Alicia: ela quem estava investigando o selo, ela deveria saber alguma coisa.

–Não quero desanimar vocês – ela disse – mas sinceramente, acho que Ash está enganado. Os números de bebês sem rosto começou a diminuir agora em Santa Fé, temos até bebês nascendo normais. Só que estão cada vez mais casos aparecendo em outros locais. Eu acho que é um selo perdido. E a não ser que Ash consiga prever onde vai começar o próximo, o que ele não consegue... É o fim.

Sam ficou chocado com o quanto sem esperança Alicia estava. Não parecia com ela. Havia algo nela... De quem estava parando de lutar. Ele se sentou ao lado dela no sofá em que ela estava.

–Allie, nós não podemos desistir. Nós ainda podemos salvar três selos. Existe alguma coisa que podemos fazer.

–Vamos tentar encontrar a mãe de Adam. – falou Dean, tentando tomar uma direção – pode ser a melhor pista que temos. Adam, fique aqui e tome cuidado.

–Eu estou indo junto! É a minha mãe. E se esse é o negocio da família, eu quero ajudar.

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Eles começaram a vasculhar em torno da casa, procurando sinais de qualquer coisa que seja. Eles tinham se dividido: Sam ficou com a área externa, Dean com a parte de baixo e Alicia ficou com o segundo andar.

Adam a seguiu para cima. Ela começou pelo quarto de Kate, abrindo o guarda-roupa da desaparecida e procurando.

–Você notou se sua mãe estava agindo estranho alguns dias antes de desaparecer?

–Eu não a vi antes de desaparecer. Eu passo a maior parte do tempo em Albuquerque por causa da faculdade. Da última vez que eu a vi, ela estava normal.

Alicia se abaixou para procurar embaixo da cama. O cheiro estava fraco, mas estava lá: enxofre. Ela tocou o chão, e depois olhou para a própria mão: misturado a poeira, estava o metal amarelo. Isso provava que eram demônios, mas também isso não era uma novidade nenhuma.

–Então, como você conheceu os Winchester? – perguntou Adam. Ele estava parado na porta do quarto, observando Alicia trabalhar.

–John me criou. Minha mãe morreu quando eu nasci.

Adam ficou surpreso.

–Achei que você também era filha dele.

–Não de sangue – respondeu Alicia – mas John é meu pai também.

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Havia enxofre pela casa toda, logo percebeu Dean. Ele odiava cada segundo daquela história. Sempre imaginou ou preferiu pensar que Mary tinha sido o único amor de John Winchester, mas Adam estava ali para provar que aquilo não era verdade. Será que havia outro Winchester por ai? E quantas mais coisas sobre John Winchester que Dean não sabia?

Como Alicia, Dean cada vez menos tinha esperança numa resolução para o Apocalipse. Era o fim. O que ele estava fazendo agora era porque tinha que fazer, não porque ele queria fazer mais alguma coisa.

Tinha horas que era melhor desistir: de salvar o mundo...

E principalmente, de salvar Sam.

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Nos momentos de tensão, era quando Sam mais sentia falta do sangue de demônio. O sangue o tornava um caçador melhor.

Ele detestava ver o quanto Alicia e Dean estavam se entregando. Ele lutaria até o fim. O Inferno tinha mudado Dean demais e era por isso que Dean não podia parar o Apocalipse, só Sam podia fazê-lo. E Alicia... Infelizmente, desistir e fugir da situação eram tipicamente o que ela fazia. Não dava para esperar outra coisa.

Ele era ainda o único que tinha coragem de continuar lutando, de arriscar tudo, incluindo a própria vida para matar Lilith e assim parar o Apocalipse. Era o bem maior e ele não se importava das perdas que tivesse no caminho. Embora ainda doesse perder a confiança de Dean... E o amor de Alicia.

Mas Sam estaria dispostos a perdoa-los quando fosse a hora. Quando eles vissem que ele tinha conseguido. Custe o que custar, Sam não desistiria de parar o Apocalipse. Os demônios o tinham manipulado a vida toda e agora era hora de mostrar a todos que ele também podia escolher.

–Ouvi dizer que estão procurando por mim. – falou uma voz. Sam se virou. Parado no meio do jardim havia uma mulher de meia-idade, que ainda preservava sua beleza. – então, eu estou aqui.

Os olhos da mulher ficaram completamente negros.

–Infelizmente, Kate já era. Ela resistiu demais a mim e agora só tem eu aqui.

–Quem é você? – perguntou Sam, ao mesmo tempo que esticava a mão para fazer o exorcismo. Sentiu uma forte dor de cabeça e percebeu que não conseguia.

–Oops. – riu o demônio – parece que você não consegue. Falta alguma coisa, não é?

Sam foi jogado contra a parede da casa, provocando um forte estrondo. O demônio esperou pacientemente, enquanto Alicia, Dean e Adam saiam correndo para o jardim.

Alicia saiu em disparada em direção a Sam, querendo verificar se ele estava bem, sem se importar com mais nada.

–Mãe! – gritou Adam, aliviado.

–Adam, cuidado, não é a sua mãe! – falou Dean. Mas Adam já tinha percebido quando o jogou para longe.

–Quando eu fiquei sabendo que John Winchester tinha um filho vivendo em paz, eu não pude resistir em transformar a vida dele em um Inferno. – contou o demônio – Lilith aprovou é, claro. E precisávamos quebrar mais um selo, e pensamos: por que não juntar o útil ao agradável? Então eu tomei o corpo da Kate aqui. Ela lutou. Mas eu sou mais forte. Eu sou velha, muito velha. Sou a mais fiel de Lilith e eu a ajudo. Lilith já está longe, trabalhando para que esse selo se complete. Eu fiquei esperando vocês. Lilith tem um recado: vocês perderem. Logo será Inferno na Terra.

Com um grito de congelar o sangue, o demônio liberou o corpo de Kate, que caiu no chão. Adam correu para sua mãe, tentando acorda-la, chorando sobre o corpo sem vida.

Dean ficou paralisado observando a cena: parecia que a maldição dos Winchester tinha atacado mais uma vez.

–-

Sam abriu os olhos, estava num quarto escuro. Alicia estava parada ali do lado dele.

–O que aconteceu?

Alicia resumiu o que tinha acontecido. Santa Fe estava livre da maldição, mas ela já tinha se espalhado por várias cidades no mundo e assim permaneceria pelos próximos dias, até que o selo estivesse quebrado.

Dean tinha saído com Adam para resolver as coisas sobre o funeral de Kate. O Winchester mais velho parecia estar se conformando com o novo membro da família e agora estava cuidando dele como sempre tinha cuidado da sua família. Alicia curou Sam da batida da cabeça, mas em seguida ele caiu em um sono profundo e ela ficou preocupada.

Enquanto ele dormia, ela chorou muito. Apesar de toda magoa, ela ainda o amava. Mas quando o tocou para curá-lo, sentiu que o que havia de errado com ele era tão ruim que não tinha como consertar. Havia um mal grudado em Sam, alguma coisa perigosa e negra, ela podia sentir correndo pelo sangue dele. O que tinha sido feito de Sam e mais importante, o que tinham feito com Sam? Como podia ter chegado aquele ponto?

Alicia queria poder salvá-lo, mas não podia.

–Você estava chorando – percebeu Sam. – Allie, eu... Eu sinto muito por estar fazendo você sofrer dessa maneira. Eu sei que eu estou errado. Eu queria poder consertar as coisas. Você está certa de não querer falar comigo. Mas não vou mentir... Eu ainda espero que você me perdoe.

–Eu não quero perdoar você, Sam. Eu estou cansada... E sabe de uma coisa, Sam? Eu vou ficar bem. Mas você? Eu posso sentir agora. Você está além da salvação...

–O que quer dizer com isso?

–O que eu senti agora quando eu curei você... É muito ruim. Eu não sei o que você fez consigo mesmo... Ou o que fizeram com você... Mas sua alma, sua alma está perdida. Eu honestamente não sei o que será de você agora. E eu sinto tanto perde-lo assim, porque eu acreditei, que comigo e com Dean ao seu lado, isso nunca aconteceria.

–Eu não estou me tornando maligno, Alicia. – falou Sam, firme. Ele suspirou. Sabia que havia alguma coisa errada com ele.

–Tchau, Sam. Eu estou indo. Por favor, evite me procurar. Vai ser o Apocalipse agora e eu suponho que em algum momento todos nós vamos morrer... E sabe-se lá o que vem depois... Provavelmente meu destino é o Inferno.

–Allie, espere. – falou Sam e para a surpresa de ambos, ele estava a beira de lagrimas – eu sei das coisas erradas que eu fiz. Eu sei dos pecados que eu cometi.

Ela deu um sorriso triste.

–Eu suponho que nos veremos no inferno, então.

–Allie, não. Eu preciso que você acredite em mim. Eu preciso que você me ajude. Eu prometo melhorar. Eu sei que perdi o controle. Eu sei do que eu fiz de errado. Mas está além de mim. Mas eu não posso continuar sem você. Eu estou com medo, Alicia. Eu estou com medo. Eu quero continuar lutando, mas eu confesso que eu tenho medo do preço que vou pagar. Vamos lutar juntos, por favor.

–O que você fez, Sam? – perguntou Alicia – o que foi que você fez?

–Eu fiz o que precisei para ficar forte o suficiente para matar Lilith. Eu estaria disposto a qualquer coisa, mas eu sei que eu me envenenei. Eu sei que não sou mais o mesmo. Eu quero ser salvo.

–O que você fez, Sam? – repetiu Alicia. – você fez um pacto? Ou o que?

Sam se preparou para confessar seu maior pecado.

–Eu tomei... Eu andei tomando... Sangue de demônio.

Pronto. Ele tinha falado em voz alta seu segredo mais sujo.

A expressão de Alicia foi para nojo e desprezo e quando viu ela estava chorando novamente.

–Eu mal posso olhar para você agora, Sam. Como você pode ser tão estupido? – ela gritou – como pode ser tão burro, seu idiota? Em que merda você estava pensando?

–Alicia, foi um erro no momento de fraqueza e depois eu não consegui parar. Eu estou te contando porque eu confio em você e porque eu preciso de ajuda. Você é a única pessoa em quem eu confiaria para nisso. Eu sei que tem algo errado. Eu estou perdendo controle.

Alicia não sabia nem ao menos definir o que estava sentindo.

–Não me deixe, Alicia, eu estou implorando. Eu preciso de você.

–É só você parar.

–Eu parei, mas...

–ENTÃO SEJA FORTE – ela gritou – ENTÃO RESISTA. Esse é o preço que você paga por ser um imbecil. Continue resistindo. Quem sabe assim não seja tarde demais – ela soluçou – mas eu sei que é. Eu posso sentir. Você mudou. Você está envenenado. Sua alma está diferente...

Ela chorava tanto que mal podia falar e Sam também estava chorando muito.

–Eu sinto muito, Allie. Eu sei que eu sou fraco e que cometi muitos erros, mas por favor...

–O que você espera que eu faça, Sam?

–Fique. Ou não fique. O que você quiser. Mas por favor, me ajude.

Ele estava tão patético, chorando como uma criança desesperada. Mas de alguma maneira, ele ter contado isso para ela, fez ela se sentir melhor. Sam se levantou da cama e abraçou com força.

–Eu nunca precisei tanto quanto eu preciso de você agora. Por favor. Você é a única que pode me ajudar. Eu parei e prometo que vou continuar sem.

Alicia o afastou.

–Já chega, Sam. Sem jogos emocionais. Eu vou ver o que posso fazer. Não me procure. Fique longe de demônios. Eu vou ajudar você, para você parar de dizer que eu te abandonei em todos os momentos que você precisou na vida. Mas não pense que por isso você vai me ter de volta. Porque você não vai. Eu cansei. Eu não quero mais sofrer. E isso tudo, só mostra o quanto você vai me fazer sofrer... Porque eu sei que você é um caso perdido. Eu sei que ninguém pode te ajudar porque você não quer ajuda, você quer se afundar. E eu não quero ir junto.

–Allie...

–O que?

–Por favor, não conte ao Dean.

Alicia olhou para Sam com a descrença estampada no rosto.

–Está vendo do que eu estou falando? Você está perdido Sam. E eu não acredito mais que há salvação para você.

Ela saiu do quarto sem olhar para trás, deixando Sam arrasado para trás.

Mas Sam sabia que Alicia não estava errada. Ele precisava deixar ela ir.

Notas finais
comentários sobre o capítulo: 1. Cena do parto porque eu passo 7 dias por semana falando de grávidas e bebês. socorro! 2. gente que horror um bebê sem rosto. Não sei de onde eu tiro essas ideias (na verdade sei, pq essa semana estava estudando várias sindromes geneticas, já podem imaginar as fotos que eu andei vendo). 3. vcs sabiam que independente de quanto horrorizado esteja o médico ele é proibido de manifestar reação apropriada (tipo dar um berro porque o bebê nasceu sem rosto) para não assustar as pessoas? tem que fingir que ta tudo de boas. chamamos de fazer cara de paisagem. o que acharam? como podem ver é baseado um pouco em 4x19 - Jump the Shark, mas nesse caso Adam é realmente Adam ta acabando o ash apareceu A Allie continua muito triste O Sam sabe que tem algo errado e pediu ajuda mas vai dar merda aguardem o próximo capítulo E COMENTEM por favor.