Things We Lost in The Fire
16 4x16 - On Earth as In Heaven
Notas iniciais
Me dizendo para ir
Mas suas mãos me imploram para ficar
Seus lábios dizem que você ama
Seus olhos dizem que você odeia
Há verdades em suas mentiras
Dúvida em sua fé
O que você constrói, você põe a perder
Tudo o que eu tenho é o que você não levou
Então, eu não serei aquele
Aquele que deixará isso
Em pedaços
E você, você estará sozinho
Sozinho em todos os seus segredos
E arrependimentos
Não minta
Você me prometeu o céu
E me jogou uma pedra
Você me envolve em seus braços
E me congela até os ossos
Linkin Park
Hospital em Cheyenne, Wyoming.
Alastair tinha acabado com Dean. Sam correu com ele para o hospital, porque Castiel tinha desaparecido logo depois da morte de Alastair. Isso deixou Sam furioso com o anjo: a culpa era dele e de Uriel que Dean estava nessa situação.
Dean estava sendo mantido sedado e assim foi necessário entubá-lo. Foi internado para observação, com vários sangramentos internos e um hematoma serio na cabeça.
Alicia apareceu no corredor, evitando assim ter que lidar com a recepcionista, que distribuía crachás para os visitantes. Dean estava no quarto 304. Alicia sabia que Sam também estaria ali e vê-lo doeria demais, mas ela precisava curar Dean. Ela entrou no quarto. Sam estava sentado ao lado da cama. Ele tinha levantado a cabeça para ver quem entrava e ao ver que era Alicia, sua expressão ficou indecifrável.
–Eu vou curá-lo – falou Alicia, a voz sem emoção nenhuma. Pensou que ao ver Sam iria querer gritar e chorar, mas tudo o que sentia era um grande vazio. Ela não entendia porque ele tinha feito o que fez, não podia nem ao menos começar a entender. – mas teremos que sair daqui, se não vamos precisar dar explicações.
Sam concordou com a cabeça. Alicia tocou a cabeça de Dean. Em segundos, ele abriu os olhos e começou a tossir com força. Sam ficou desesperado, e no corredor podiam ouvir a equipe de enfermagem se agitando.
Quando percebeu, Sam estava parado do lado de fora do hospital, juntamente com Alicia.
–O que você fez? Ele vai ficar bem? – perguntou Sam desesperado. Alicia continuava com a mesma expressão vazia, o olhar distante. Ela nunca o olhava diretamente. E isso era muito, muito ruim. Tudo aquilo não devia estar acontecendo. Não devia ser assim entre eles.
–Ele só estava tossindo por causa do tubo. Dean vai ficar bem.
Houve um silêncio pesado.
–Bem, eu deveria ir. Tenho que fazer alguma coisa em algum lugar. – falou Alicia, começando a ficar sufocada por estar perto de Sam.
–Alicia, espera. Eu preciso falar com você. É sério.

Para o alivio de Sam, ela ficou, mesmo estando com os braços cruzados e a expressão no rosto desconfiada, mas ele não tinha pensado no que dizer. Não sabia nem por onde começar. Como explicar o quanto ele ficou perdido após a morte de Dean e que Ruby estava ali? E que justamente por ele não saber explicar, é que nunca tinha falado nada sobre isso?
–Alicia, eu sei que eu magoei você. Eu sei que eu agi errado, e eu menti, eu sei que eu estou errado e não tenho como mudar isso, mas... Eu sinto muito.
–Exatamente, Sam. Você não pode mais mudar o que você fez para mim. E não tem perdão. Você consegue se lembrar do que você me disse, que não importava mais nada, mas você faria de tudo para que desse certo entre nós? Quando foi que você esqueceu isso? – ela perguntou, não conseguindo evitar que seus olhos se enchessem de lagrimas. Ela engoliu o choro: não ia chorar na frente dele.
Por mais que Sam estivesse tentando não se irritar, não adiantou.
–Eu esqueci porque você esqueceu primeiro. – falou Sam, cuspindo as palavras. A intenção dele não era brigar com Alicia. Na verdade, ele queria abraça-la e mais uma vez, tentar começar de novo. Era isso que eles faziam, não era? Eles brigavam e começavam de novo. – porque tudo para você era mais importante que eu, do que nós. Você nunca estava lá, Alicia. Você também mentiu para mim...
–Sam, eu acho que mentir por omissão é um pouco diferente de trair. Eu não nego das coisas que eu escondi de você. Você deveria ter respeitado meu espaço, meu tempo. – Alicia esteve disposta a admitir que estava errada. Teve uma época, não há tanto tempo assim, que quando ela olhava para Sam, tudo que ela sentia era amor. Hoje, ela mal conseguia olhar para ele, de tanto nojo que sentia.
–Como você quer estar num relacionamento se você quer tanto espaço?
–Mas não era isso que nós devíamos querer? Estar juntos? Não era isso que eu tinha que querer? – Alicia não sabia direito o que estava pensando para dizer aquilo. Era algo dentro dela que se revoltava contra aquela imposição de almas gêmeas, de destino, de ela e Sam teriam que ficar juntos. Nossa, ela estava de saco cheio de tudo isso, de Sam, de brigar e fazer as pazes. Sabia que poderia doer muito agora, mas pelo menos terminaria. Ela não ia sofrer por Sam para sempre. Isso não existia.
Agora, se eles ficassem juntos, provavelmente a coisa ficaria pior. E ela nem o reconhecia mais o Sam.
–Como assim você tinha que querer, Alicia? O que você quer?
–O que eu não quero é estar com você. – ela disse, a voz dura quanto era sua expressão. Sabia que Sam não acreditava em nenhuma palavra do que ela estava dizendo. Alicia mal acreditava também. Mas faria aquilo por ela. Havia limites.
–Alicia. Você sabe que nós somos destinados a ficarmos juntos. Eu quero isso...
–Sam, você não quer isso. Eu preciso lembrar que você terminou comigo? Eu achei que não era sério quando você disse que nunca mais queria me ver. Eu achei que você só precisava de um tempo. Eu achei que de alguma forma, ainda era possível consertar tudo que está errado... Mas não há mais como. Eu não consigo ver futuro para nós.
–Você não devia ter me dando espaço. Eu precisava de você. Eu ainda preciso de você.
–Ah, Sam, me poupe. Eu sinto muito, mas eu estou emocionalmente cansada demais para aguentar essa conversa. Nós tivemos nossa chance. Nós dois erramos. Não dá para continuar. Eu não vou perdoar você, você não consegue me perdoar, eu não sei o que você quer de mim agora...
–Eu quero consertar as coisas. – ele falou, segurando Alicia pelo braço — Eu não quero ficar sem você. Você sabe tão bem quanto eu o que há entre nós. É mais forte do que nossa vontade...
Alicia o afastou como se o contato dos dedos dele na pele dela a queimasse. E queimava.
–Isso é absurdo. As pessoas ficam juntas porque querem, porque estão felizes juntas... Nós não somos felizes, Sam. Aliais, nós fazemos um ao outro profundamente infelizes.
–Allie, olhe para nossa vida... Como poderíamos ser felizes com todas as tragédias que acontecem conosco?
Alicia olhou para Sam e ele desejou demais saber o que ela realmente estava pensando. A tristeza nos olhos dela era profunda e ele se odiou por ser a causa disso.
–Eu não sei, Sammy. Mas acho que você vai precisar descobrir isso sozinho. Eu estou fora.
E ela sumiu no ar, deixando Sam parado. Por alguns minutos, ele não soube nem para onde ir. Parecia que havia uma nevoa em sua visão. Alicia tinha ido embora, era isso mesmo?
Esse era o fim, então? Ele podia aceitar que tinha mesmo acabado, ou deveria esperar o momento que ela voltasse e eles conseguissem acertar tudo?
Sam esperaria. Era claro que Alicia voltaria...
–
–Você ainda não disse o que quer de mim.
Castiel e Alicia estavam sentados, lado a lado, num banco de um parque. Crianças corriam por todo o lado, animadas com a chegada da primavera. Castiel tinha se encontrado com Alicia há quase uma hora, mas ela ainda não tinha dito uma palavra. Pacientemente, Castiel esperou. Mesmo que não entendesse as emoções humanas, podia ver o quanto Alicia estava perturbada. Mas, quando ela falou, sua voz estava tranquila, sem sombra de emoções. Castiel perguntou-se, não pela primeira vez, como humanos faziam aquilo. Como podiam mudar tão rapidamente. Ou fingir.
–Eu acredito que você saiba que minha mãe era um anjo. O nome dela era Rebekah.
Castiel encarou Alicia, sem entender direito.
–O que eu quero, Castiel, é saber mais sobre a minha mãe.
–Você sabe que sua mãe era um anjo que caiu, pelo que ela fez. Não tenho autorização para tocar nessa história.
–Eu não estou pedindo, Castiel. Eu salvei a sua vida. O que eu quero em troca é informação. Você está na Terra e é assim que funciona as coisas na Terra.
Castiel ficou confuso. Fazia sentido o que Alicia falava – e normalmente, nada das coisas na Terra faziam sentido. Mas assim como várias histórias sobre anjos que não seguiram as ordens, elas eram proibidas de serem contadas. Castiel não conheceu a mãe de Alicia. Ele era um dos guerreiros, e a missão de Rebekah era outra.
–Vou leva-la ao lugar em que você nasceu – falou Castiel, tocando a testa de Alicia.
Quando a morena abriu os olhos, estava parada em uma velha fazenda, em St. Louis, Mississipi. O local onde o destino dela se entrelaçou com os do Winchester para sempre.
O local era abandonado e tudo hoje estava coberto por mata.
–Você pode sentir alguma coisa? – falou o anjo. Alicia primeiro pensou que ele estivesse louco, a única coisa que sentia era um vento gelado, mas depois diversas sensações vieram a ela.
–Uma luta ocorreu aqui – ela falou.
–Você nasceu aqui e Rebekah morreu aqui.
Os dois caminharam em silêncio. Alicia sentia uma forte emoção – nunca em sua vida tinha se sentido tão próxima da mãe. O motivo que ela queria saber mais sobre a anja agora foi justamente por causa de Sam: foi Rebekah que colocou Alicia nas mãos de Jonh Winchester, porque ela acreditava que ao lado de Sam, Alicia estaria protegida.
–Você tem conhecimento de almas gêmeas, Castiel?
–Não. Não sou quem cuido disso. A maioria dos anjos não tem acesso a esse tipo de informação.
–Quem cuida disso, Castiel? Que tipo de anjo era a Rebekah para ter acesso a esse tipo de informação?
–Por que quer saber disso agora, Alicia?
–Porque eu quero achar a quem culpar por ter feito minha vida um inferno ao lado de Sam Winchester – e Castiel finalmente viu a emoção contida por Alicia se revelando. Sua voz estava cheia de dor e desespero. Ele desejou que pudesse curar machucados na alma.
–O Céu só se importa com certas linhagens. São as linhagens que os Cupidos juntam, por exemplo, no caso de certas linhagens que precisam se formar para receptáculos nascerem, profetas ou destinos serem cumpridos... As almas gêmeas são um mistério. Dizem as lendas que são almas que surgem juntos.
–Mas como Rebekah sabia que Sam seria a minha alma gêmea?
–Talvez... Porque ela fosse algum tipo especial de anjo.
Alicia sabia que Castiel não estava falando tudo que sabia, mas sabia que se pressionasse o anjo falaria mais.
–Honestamente, Alicia, eu não sei com certeza. O que eu sei é que dizem que quando tudo aconteceu, Rebekah estava em uma missão especial aqui na Terra.
Alicia então soube exatamente o que precisava pedir a Castiel.
–Você precisa me ajudar a voltar no tempo. Para 1983. Para quando tudo isso aconteceu. Eu preciso saber, Castiel. Eu preciso saber.
–-
27 de dezembro de 1983. St. Louis, Missouri.
Alicia e Castiel combinaram suas forças e assim Alicia conseguiu voltar sem muito desgaste para ambos. Alicia sabia por John que sua mãe tinha desaparecido no dia 27, e ele a encontrou no terceiro dia de janeiro, no dia em que Alicia nasceu.
Ela tinha pousado bem na fazenda em que Rebekah foi encontrado. Diferente da região abandonada em que ela e Castiel tinham estado, naquele momento a fazenda estava coberta de plantas e flores, mesmo que fosse o fim de dezembro, em pleno inverno.
Foi a primeira coisa estranha que Alicia notou. Ela seguiu o único caminho por entre o jardim, em direção a única construção visível, uma casa de tijolos. Fumaça saia pela sacada e um cheiro de bolo dominava o ar.
Assim que chegou até lá, Alicia se sentiu impedida de continuar. Havia armadilhas do diabo e símbolos enoquianos contra anjos em volta de toda a casa. Ela se escondeu entre as arvores.
Alicia parou, percebendo que não tinha um plano. Não sabia o que encontraria dentro da casa, e mesmo que encontrasse com sua mãe, o que diria? Por favor, não morra? Por favor, conte a verdade a John e peça para ele me proteger de Asmodeus? Fuja de John Winchester e me impeça de conhecer Sam, por que eu não posso viver com a dor?
Aquilo tudo tinha sido uma péssima ideia, concluiu Alicia. Ela não sabia o que estava fazendo lá.
Então a porta se abriu e Alicia quase infartou, porque tirando a barriga de gravidez, a mulher que saiu de lá era exatamente como ela. Alicia sentiu muitas coisas: estava ali, em frente a sua mãe, uma pessoa que nunca tinha pensado muito até recentemente. Alguém que nunca conheceu. Que ela sempre considerou humana por ter morrido.
Como era possível? Anjos não tinham forma humana. Aquilo devia ser um receptáculo, e estava ai uma das coisas que Alicia nunca tinha pensado: que Rebekah ocupava um corpo de uma mulher. Quem era essa mulher?
–Eu sei que você está ai. – falou Rebekah e a voz dela era doce, melodiosa. – eu vim para cá esperar por você. Você é a minha filha, afinal de contas. Não precisa ter medo.
Não era medo que Alicia sentia. Era uma forte e moção, que fazia todo seu corpo tremer. Nunca em seus sonhos mais loucos podia ter adivinhado esse momento.
Quando se encontraram, Rebekah a abraçou com força e Alicia começou a chorar. Fazia anos que não chorava assim, como uma criança, soluçando no colo da mãe.
Ela tocou o rosto da filha, sorrindo, tão emocionada quanto.
–Eu acho que, se você está aqui agora, é porque tudo deu certo.
–Não... – falou Alicia, com a voz falhada – tudo deu muito errado. Eu nem posso explicar em como as coisas deram errado...
–Eu não podia esperar que você fugisse de Asmodeus para sempre. Ele é um demônio muito poderoso. – respondeu Rebekah, os olhos fixos nas tatuagens de Alicia. – eu fiz o que pude.
De repente, a mente racional de Alicia voltou a funcionar e mil perguntas vieram. Desde que descobriu quem era seu pai, um demônio, Alicia queria perguntar o que Rebekah estava pensando ao se envolver com ele. Ela era um anjo! Isso não podia ser normal.
–Eu sei que você tem muitas perguntas e eu estou aqui, agora, justamente para respondê-las. Você precisa entender que nada é por acaso. Sempre foi o destino.
Alicia abriu a boca para dizer exatamente o que ela pensava sobre a porcaria do destino, mas Rebekah a impediu.
–Eu tenho que manda-la de volta. É muito perigoso, você aqui agora, porque há muitos anjos atrás de mim, que não aceitam isso. Eu vou morrer nas mãos deles. Essa é a verdade. Foram meus irmãos que vão me matar, sem saber que eu cumpria ordens, achando que eu era uma traidora. Asmodeus provavelmente vai assumir o crime. Eu o conheço muito bem. Eu o amo, afinal.
–Você o ama? Você tem ideia do que essa... Brincadeira... Irresponsabilidade... Causou para mim? Causou para o mundo? Eu não deveria existir!
–Sim, você deveria. Eu fui escolhida, Alicia. Havia profecias e elas precisavam ser realizadas. Você já o conheceu?
–Quem?
–Gabriel, claro. Fico surpresa dele não ter se mostrado para você ainda. – Rebekah parecia aborrecida – quem a mandou aqui?
–Eu mesma, com ajuda de outro anjo, que diz não saber de nada.
–Então os anjos já voltaram a Terra? O fim já começou... E você é tão jovem. Achei que você teria mais tempo...
–Você pode me explicar o que está acontecendo?
–Você conhece a historia... Miguel e Lúcifer lutaram, Lúcifer foi preso... O que você não sabe é que o arcanjo Gabriel ficou profundamente infeliz com a briga entre seus irmãos. Então ele fugiu do Céu... E ficou desaparecido, até que me procurou e me pediu ajuda. Eu aceitei, porque eu e Gabriel tínhamos sido muito próximos antes dele fugir... Ele disse que eu teria que descer a Terra, para não me preocupar com outros anjos por um tempo, que ele daria um jeito...
“Então eu vim. Gabriel me deu esse corpo, ele disse para mim que era a minha forma humana. Durante muito tempo eu esperei aqui, vivendo entre os humanos... No inicio, eu não os entendia... Mas com o tempo, fui compreendendo os sentimentos, e eu também comecei a sentir. Eu esperei, durante muito, muito tempo, que Gabriel me dissesse o que eu deveria fazer. Mas eu cansei de esperar, sozinha... Foi assim que eu conheci e me envolvi com seu pai. Eu sabia o que ele era. Eu acreditei no melhor dele”.
Alicia estava furiosa. Rebekah tinha parado de falar e parecia esperar que Alicia dissesse alguma coisa.
Sempre tinha imaginado que Asmodeus tinha feito mal a Rebekah. Mas saber que sua mãe tinha amado seu pai, aquilo sim era mil vezes pior. Toda sua história de vida ficava terrível. Ela era um erro, feito por uma anja boba que veio a Terra e esqueceu que tinha um dever.
Mas não era Rebekah que era culpada de sua existência então. Era esse anjo, Gabriel, que tinha causado aquilo. E pelo que Alicia conhecia de anjos, duvidava que tinha sido por um acaso ou erro de Gabriel. Não, o plano desse anjo era justamente fazer com que Alicia nascesse.
Lembrou do que Castiel tinha falado, sobre determinadas linhagens tinham sido criadas por cupidos. Parecia obvio para ela que Rebekah tinha sido vitima de um cupido.
–Você sabe, não é? Que se apaixonou por meu pai porque esse anjo Gabriel quis assim. Ele deve ter usado um Cupido.
–Você não acha que eu não sei que fui traída por Gabriel? – disse Rebekah com um sorriso triste – eu era um dos anjos que guardavam o amor no Céu. Quando o Cupido me atacou, eu sabia que seria inevitável... Só desejei que Gabriel tivesse sido sincero comigo desde o principio. Você deve voltar ao futuro e procura-lo. Ele queria que você viesse e salvasse o mundo do Apocalipse. E Alicia, minha bebê... Eu cometi muitos erros. Mas o feitiço do Cupido é um dos feitiços mais poderosos que existem e eu não tinha como resistir. Achei que Asmodeus também estivesse sobre o efeito dele, nisso eu errei... Ele só estava esperando pela oportunidade e Gabriel a criou. Quando eu senti que eu estava grávida, percebi que você tinha uma alma gêmea. Eu temia muito por você, porque desde meu envolvimento com Asmodeus, o Céu estava me perseguindo. E eu me arrependi profundamente do meu envolvimento com ele. Mas eu amava você e queria sua segurança. Sua alma gêmea tinha acabado de nascer quando eu descobri que estava grávida. Sei que você ficou em segurança com os Winchester.
Alicia não podia acreditar no que estava ouvindo. Aquilo tudo era... Absurdo. Ela passou muito tempo imaginando como é que um anjo e um demônio tinham se envolvido, mas agora Rebekah – sua mãe – parecia tão fraca , passiva, aceitando tudo que acontecia a ela tranquilamente. Essa passividade fazia Alicia querer gritar.
Bem, ela não gritaria com a mulher que estava grávida dela.
O que ela conseguiu dizer, depois de alguns momentos de pura descrença, foi:
–Sam Winchester quebrou meu coração.
Rebekah ficou claramente chocada.
–Isso não é possível.
–É, é possível. Porque você está cometendo um monte de erros, fazendo as coisas as cegas...
Rebekah fez uma negativa com a cabeça.
–Não é assim que funciona com almas gêmeas, Alicia. Eu sei nas coisas que eu errei, mas cuidar das almas gêmeas foi meu trabalho por milênios. Eu sei o que estou fazendo e sei que é o melhor para você. Não é sempre que é fácil. As vezes, o caminho é longo e complicado... Mas eu sei, que, no fim, você e Sam vão se entender. Quero dizer, não é como se ele não te amasse, não é?
Alicia não respondeu. Sam dizia que a amava. Mas que tipo de amor era aquele?
–Nem sempre o amor é fácil. Aprendi isso vivendo entre humanos. Mas cuidando das minhas almas gêmeas, enquanto eu ainda estava no Céu, eu via... O destino nem sempre é doce. Mas é o Destino, e se é difícil, é porque você e Sam estão errando. Eu escolhi o melhor para vocês dois, vocês dois que estão escolhendo errado.
Alicia queria vomitar. Todos os anjos são babacas, até mesmo a minha própria mãe. Ela não tinha voltado ali para isso. Ela tinha voltado ali para... Esclarecer do porque sua mãe tinha colocado ela para viver com Sam Winchester, pessoa a quem Alicia agora culpava de tudo que deu errado na sua vida nos últimos tempos. Veja bem, se não fosse Sam, ela nunca teria voltado para os Estados Unidos e não teria sido pega por Asmodeus, ela continuaria sem criar laços com ninguém. Se não fosse Sam, se eles não tivessem tentando ficar juntos, agora ela não estaria querendo morrer de tanta dor. Doía o corpo todo.
E ela ainda tinha de ouvir que ela e Sam deviam estar vivendo uma vida de casal de comédia romântica, sendo que estavam protagonizando uma novela mexicana ruim, bem ruim, tão ruim que o nome da outra era Ruby, não podia ser mais brega.
Alicia queria atirar em alguma coisa, de preferencia na Ruby. Não ligava que ela não morresse, podia continuar atirando até não sobrar mais nada...
–
Alicia tinha voltado a 2009. Provavelmente se transportou sozinha para lá, sem querer passar mais um segundo. Não, ela não gostava de reuniões em família. Abriu caminho por entre o mato, não pensando direito nem para onde estava indo, mal olhando pelo caminho que seguia.
Bem, agora ela tinha respostas, mas isso não ajudou em nada.
Deu um grito quando trombou com alguém.
–Alicia! Não esperávamos que voltasse tão rápido!
Era Anna.
–É, nem eu – falou Alicia, indicando que não entraria em detalhes – onde está Castiel?
–Ele pediu para eu ficar aqui esperando por você. Foi chamado pelo Céu.
Alguma coisa no jeito que Anna disse preocupou Alicia.
–Castiel está tendo problemas no Céu?
Anna engoliu em seco.
–Bem, ele está ajudando você e os Winchester. Estão dizendo que ele está humano demais. Isso já é desobediência.
–Eu espero que ele fique bem – falou Alicia, sinceramente – para um anjo, ele não é tão ruim.
–Não, ele não é. Onde você vai agora?
–Eu ainda não sei. Ainda estou pensando em tudo.
Alicia pareceu que ia continuar falando, produzindo um som e depois se calando.
–Fale. – pediu Anna. Alicia relutou por um pouco.
–Acho que sou mais parecida com a minha mãe do que eu gostaria.
–Por quê?
–Nós duas fizemos péssimas escolhas no amor. E culpamos o Destino por isso. A minha sorte é... Que eu ainda tenho tempo para mudar isso. Antes que eu morra. Antes que isso me mate.
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