Things We Lost in The Fire

9 4x09 – The Rise of Alicia


Notas iniciais
Oi! Playlist: https://8tracks.com/ineedanotherhistory/things-we-lost-in-the-fire-part-1 Esse capítulo é sobre duas coisas: sobre o que Alicia significa no apocalipse, e sobre o que está acontecendo com Sam. Esse segundo é bem mais intenso do que é deixado explicito nesse capítulo. Leiam a letra de música, ouçam: https://www.youtube.com/watch?v=H9GgyXJmzko e pensem na Ruby. Talvez entendam o que eu quero dizer... Boa leitura!

Você tentou abusar da sorte, tenha cuidado com o que você deseja

Eu vou te levar para baixo e despir você da salvação

É uma cruzada para deixar você de joelhos

É o que você queria, sua última manipulação

Eu vou levar você para baixo comigo

Eu vou levar você para baixo comigo

Até você

Não poder dormir, não poder respirar

Você conheceu seu inimigo

Você não terá paz comigo

Quanto mais baixo você ir, menos você vai saber

Você está afundando para as profundezas agora

Você está perdendo o controle

Quanto mais baixo você vai

Você está afundando para as profundezas agora

Digital Daggers

Sam sabia a algum tempo que já não era mais ele mesmo. E ele não se importava com isso.

A vida toda, tinha sentido que não se encaixava. Tinha crescido aprendendo sobre vingança. Tinha sua vida destruída por demônios o tempo todo. O que ele queria agora era vingança contra demônios.

E era irônico pensar que a única pessoa que o apoiava nessa jornada era um demônio. Sam acreditava que Dean e Alicia vinham as coisas muito no preto e branco: ou era bom, ou era mal. Ele sabia que o mundo tinha vários tons de cinza, e Ruby era um demônio arrependido de tudo que tinha acontecido ali. Ela queria redenção.

Sam nunca tinha superado a culpa por Dean ter morrido para salvá-lo e queria sua vingança, matando Lilith. Nem Dean nem Alicia pareciam entender isso. Ele nem queria começar a pensar em Alicia. Ela odiava Ruby simplesmente porque estava com ciúmes. Bem, ela devia ter pensado que Sam não estaria disponível para ela toda vez que ela quisesse o resto da vida. Agora ela quem lidasse com isso. Nenhum dos dois pareciam perceber, como Sam percebia, o quão próximo eles estavam do fim do mundo e como isso poderia ser facilmente resolvido se ele matasse Lilith. Não estava mais forte, não tinha mais quase poder nenhum. E sabia que só havia um jeito de ter esse poder de novo, de ficar pronto para quando a hora de matar Lilith chegasse.

Enquanto dirigia o Impala rumo ao norte de Providence, onde tinha marcado de se encontrar com Ruby, Sam tinha todos esses pensamentos, rápidos e furiosos, sem uma sequencia muito logica. Tinha prometido parar com o sangue, mas agora ele precisava disso mais do que tudo. Era incontrolável. Era como se ele fosse morrer se não tomasse. Seria capaz de qualquer coisa. Não conseguia pensar em outra coisa a não ser encontrar com Ruby e tomar o sangue, para ele poder se sentir poderoso, no controle de tudo novamente. E mais próximo de matar Lilith e assim, conseguir impedir o Apocalipse, impedir que o mundo acabasse nas mãos de demônios cruéis e de anjos babacas.

Quando pensava em sua vida, Sam sentia que sempre foi jogado para lá e para cá pela vontade de outras pessoas e acontecimentos além da possibilidade de escolha dele. Menos quando ele tomava o sangue. Era errado, ele sabia, mas o sentimento de estar no controle, de poder tudo, de ser invencível e forte, era muito bom. O sangue tirava dele toda a dor que ele sentia, arrependimentos, tristeza, substituindo isso por uma confiança inigualável. Quando tomava, Sam podia fazer qualquer coisa. E era isso que ele precisava agora: mostrar para Alicia que ele também podia tomar decisões sobre sua vida. E que ele poderia ajudá-la. Estava furioso por ela ter recusado a ajuda dele.

Estava tão cansado de John, Dean e Alicia decidirem tudo por ele... O que Sam queria agora era vingança contra todos os demônios que tinham destruído a vida dele. Sabia qual era o caminho para manda-los de volta para o Inferno e assim salvar vidas inocentes, impedindo o fim do mundo.

Não estava seguindo o caminho maligno que John tinha achado que ele seguiria. Era típico de John pensar o pior de Sam mesmo... Ele tinha bons e nobres motivos. Caçar coisas. Salvar pessoas. Não era esse o negocio da família?

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Sam avistou Ruby parada na frente de um pequeno hotel. Ele estacionou o Impala, aliviado de ela já estar ali. Desceu do carro.

–Rápido, não tenho muito tempo... Tenho que voltar antes que alguém perceba.

Ruby mostrou uma chave para ele.

–Mas eu peguei um quarto. Faz tanto tempo, Sam... – ela falou, a voz doce.

–Ruby...

–O que foi que aconteceu, aliais? Pensei que tinha prometido parar com isso.

–Estou fraco. Sou inútil. Os Selos estão sendo quebrados e o mundo está para acabar. Veja o que está acontecendo com Anna. Quero deter o Apocalipse e só há um jeito de ser útil para isso...

–Inútil para Alicia, você quer dizer? – entendeu a demônio.

–Alicia não importa.

–Você sabe que isso é mentira. Suba comigo para meu quarto.

–Eu não quero sexo, Ruby. Eu quero ter meus poderes de volta. Quero poder lutar contra demônios, voltar a treinar para matar Lilith. Quero mostrar para Allie que posso ajudá-la a parar o apocalipse.

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Ele ainda se sentia melhor ainda depois de tomar o sangue novamente. Poder era viciante. Ele mostraria a Dean e a Alicia que não tinha nada de errado em usar esses poderes. Mostraria que ele estava no controle, que ele era capaz de tomar as próprias decisões. Ele mostraria que podia matar Lilith e impedir o Apocalipse, e eles entenderiam que ele não era mais o Sammy.

E Alicia? Ela ficaria arrependida de todas as vezes que deixou ele de lado. Já estava mais do que na hora de ela provar mais um pouco do próprio veneno. Há meses ele estava tentando manter ela a distância, usá-la conforme a vontade dele, como ela sempre tinha feito. Acho que ela ficaria mais magoada, mas Alicia parecia ter aceitado quase que pacificamente esse novo Sam mais frio, distante e egoísta. E isso estava deixando Sam ainda mais com raiva. Era normal querer magoar demais alguém que você amava?

–-

Depois que todos foram embora, Alicia deitou a cabeça na mesa, esperando que o tampo gelado melhorasse a cefaleia que sentia. Parecia que pequenos duendes estavam martelando a testa dela. O que a Enéade estava pedindo para ela parecia ser quase impossível. Alicia não conseguia nem queria renunciar ao seu lado humano. Romper a tatuagem que a impedia de voar. Esquecer hábitos que ela mantinha por hábito, como dormir e comer, porque era seu lado humano quem pedia por isso. Renunciar a sua família, e pior, renunciar ao amor que sentia por Sam.

Falando nisso, ela bem que podia comer um bom café da manhã agora e depois ir dormir... Talvez ela pudesse encontrar Sam para eles poderem fazer as pazes. Ela ainda se lembrava onde ficava a cozinha na casa e foi para lá onde se arrastou. A reunião tinha começado aproximadamente no meio da manhã e agora eram quase quatro horas. Como era inverno e eles estavam bem ao norte, o sol já começava a se por. O céu estava feio e escuro, anunciando uma tempestade de neve.

Depois de comer, Alicia se sentiu extremamente cansada. Procuraria Sam depois, decidiu. Primeiro ia tirar uma soneca...

Sonhou com Sam, e frio, e sangue e morte. Muito sangue...

Acordou gritando. Alguém a sacudia.

–Alicia, acorde você está tendo um pesadelo...

Ela encarou Dean. Ao mesmo tempo que ela falou: “Sam está em perigo”, Dean dizia “Sam está desaparecido”.

–-

Dean e Alicia saíram buscar Sam no carro dela. Dean ficou surpreso de ver o carro dela ali, pois Alicia tinha deixado o veículo em Idaho. Então, ela explicou que ela tinha pedido para alguém buscar o carro para ela logo que saíram de lá.

Fazia menos de zero graus, o céu estava encoberto e a neve ameaçava a começar a cair. Alicia rapidamente reuniu um grupo de “pessoas” para ajuda-la com a busca. Era obvio que Sam tinha saído por vontade própria, pois tinha levado o Impala.

Tentaram rastrear o celular dele, mas o aparelho estava desligado. A mochila de Sam tinha ficado na casa, o que indicava que ele planejava voltar.

Enquanto Alicia mandou um grupo de pessoas, liderado por Shane, para procurar por Sam na cidade, ela e Dean ficaram com o caminho mais obvio: a estrada e a floresta em volta. Quando Sam ficava muito nervoso, ele gostava de caminhar pelo mato para se sentir melhor.

Alicia dirigiu até a entrada da floresta. No caminho, passaram por um motel, mas estava fechado. Alicia então parou o carro no ponto em que a estrada se bifurcava, parte continuando para fora da cidade e a outra parte se transformado numa trilha que adentrava a floresta de pinheiros.

Ela e Dean desceram do carro, olhando as plantas congeladas na frente. Era difícil de acreditar que Sam estaria por ai. Dean se agachou para olhar o chão.

–O Impala esteve por aqui. – afirmou ele, com a voz séria de caçador. – eu reconheceria essa marca de rodas em qualquer lugar.

Os dois caminharam pela floresta, o chão congelado escorregando sob os pés deles. Estava um silêncio absoluto e o ar estava frio e úmido. O que Sam tinha vindo fazer nessa floresta sozinho? E o que poderia ter acontecido para ele desaparecer dessa maneira?

Dean e Alicia estavam ambos desesperados e aterrorizados. Continuaram avançando na mata, sentindo o frio entrar no corpo deles.

–Dean – falou Alicia, apontado para algo no chão. Era enxofre. Andando mais um pouco, conseguiram encontrar mais enxofre, galhos quebrados e o chão indicado que tinha sido pisoteado – um grande grupo de demônios esteve por aqui. E era demônios de baixo grau. Altos demônios não deixam tanto enxofre espalhado. E nem andam em grupos tão grandes.

Dez minutos de caminhada depois, eles encontraram o Impala, com a porta ainda aberta. Felizmente, o chão congelado e semi coberto de neve deixou marcas de pegadas, que pelo tamanho só poderiam ser de Sam. Eram confusas e alternavam caminhada e corrida, em alguns momentos andavam em círculos. E pior, havia algo vermelho e congelado pelo chão, algo que só poderia ser sangue... Muito sangue.

–Então – falou Dean, enquanto ele e Alicia paravam naquele cenário de horrores, só podendo imaginar o que tinha acontecido com Sam – Sam cruzou com um grupo de demônios e lutou contra eles.

–Como, se perdemos a faca de Ruby para Alastair? – mas essa pergunta não precisava de resposta. Sam devia ter usado seus poderes, mas isso ainda não explicava tanto sangue. – e onde estão os corpos então?

A resposta de Dean foi continuar andando. Se Sam não tivesse corrido para o meio das arvores, o caminho era único. As pegadas eram confusas e iam e voltavam, mas só indicavam um caminho. Foram mais minutos de caminhada tensa, e o cenário foi ficando cada vez pior. Havia marcas de sangue (de Sam? De demônios?) e sinais de luta, galhos quebrados, folhas caídas e o chão todo bagunçado.

Então eles encontraram.

Sam caído no meio do caminho. Suas roupas estavam completamente sujas de sangue.

Rapidamente, Dean e Alicia se ajoelharam na neve, em torno do desacordado Sam, procurando por ferimentos.

–Esse sangue não é dele. – suspirou Alicia, aliviada – pelo menos, ele não está ferido.

–Então, o que é isso?

Dean levantou a mão de Sam, indicando uma mordida, uma marca de dentes pontiagudos, que não sangrava, mas deixava a pele cinzenta-amarelada em volta.

Alicia pegou a mão de Sam, olhando para aquela ferida e se perguntando onde tinha visto uma mordida daquelas antes. Não ali. Fazia algum tempo... Foi transportada para anos atrás, para um outro clima, o ar seco de um deserto e o cheiro de areia...

Então, ela de repente, se lembrou exatamente do que era aquilo. Se por um lado seu cérebro gritava que aquilo era impossível, não ali, não nos Estados Unidos, não com Sam, aquela marca era única.

Com a mão tremula, ela usou a neve congelada para limpar o sangue do rosto de Sam. Podia ouvir Dean falando com ela, mas Alicia se sentia em transe. Como temia, a pele de Sam estava úmida, mesmo com o frio. A coloração era difícil de determinar, mas parecia muito amarelada para estar normal.

Ela afastou os lábios dele. As gengivas estavam cinzas e os dentes, pontiagudos. Dean xingou. Tremendo mais ainda, o coração acelerado, Alicia buscou a prova final: afastando uma das pálpebras, pode ver os olhos, que normalmente verdes, adquirirem um tom mel amarelado, a pupila em formato de uma ampulheta horizontal.

Rapidamente, como num movimento automático, ainda sem conseguir responder as muitas perguntas de Dean, Alicia tirou uma faca do bolso do casaco, afastando sua manga, onde fez um corte. Precisava ser muito rápida agora. Sua mente forçava a lembrar o símbolo exato.

Alicia mergulhou o dedo em seu próprio sangue, enquanto com a outra mão levantava a camisa de Sam, expondo o tórax dele, uma visão assustadora, não parecendo nada com o de sempre: estava emagrecido, retraído e a pele era amarelada, quase como um pergaminho seco. A lembrança não era clara, mas aquele tipo de símbolo não era algo que se esquecia. Fez os traços, em sangue, uma figura bizarra e retorcida, cheia de traços curtos objetivos.

Dean não sabia o que estava acontecendo com Sam, nunca tinha visto algo daquele tipo, mas Alicia parecia saber o que estava fazendo, apesar de estar tremendo. Ele esperava que fosse pelo frio e não pelo medo. A figura de sangue que ela tinha desenhado no toráx totalmente alterado de Sam incomodava os olhos.

Alicia finalmente prestou atenção nele. O corte da sua pele já se fechava.

–O que está acontecendo?

–Temos que levar Sam daqui agora. É uma emergência. Não temos mais muito tempo – ela fechou os olhos e num impulso, levantou o corpo de Sam no ar.

A neve começou a cair.

Eles colocaram Sam no banco de trás do carro de Alicia. Ela abriu o porta malas do carro, encontrando seu próprio equipamento de caçada. Quando tinha voltado a caçar com Sam e Dean, ela tinha deixado todas essas coisas num deposito, pegando de volta quando voltou a caçar sozinha. Alicia possuía um equipamento mais variado do que Sam e Dean, pois tinha diversos objetos de caçadas ao redor do mundo. Ela só rezava para ela ainda ter o que precisava, porque se não, Sam era um homem morto. Alicia só pediu para Dean não fazer perguntas e obedece-la.

Ela conseguiu encontrar uma pequena caixa de papelão com AUSTRALIA escrita nela. Ao abrir, junto com um monte de fotografias e outros objetos, encontrou o que precisava: um vidrinho com um liquido transparente e seu diário de caçadas quando estava na Austrália. Alicia entregou o vidrinho para Dean.

–Pingue isso na boca de Sam. Umas 10 gotas. Eu já estou indo.

Dean obedeceu. Alicia abriu o caderno, folheando as páginas cheias de suas próprias palavras, procurando pelo ritual.

As paginas estavam lá, as palavras que ela devia dizer, os símbolos que ela precisava desenhar em Sam. Ela pegou uma caneta preta. Só podia agora esperar que funcionasse. Que houvesse tempo o suficiente. Que ela lembrasse como fazer o ritual direito.

Com a caneta, ela escreveu outros símbolos, copiados do caderno, enquanto pronunciava palavras numa língua estranha. Sam começou a se debater cada vez mais intensamente, obrigando Dean a segura-lo. Seus movimentos eram como espasmos cada vez mais violentos.

Por fim, Sam foi voltando ao normal. Primeiro a pele foi ficando menos seca e amarelada, seus movimentos se tranquilizaram e por fim cessaram; sua respiração deixou de ser difícil e ruidosa para um ritmo tranquilo de quem estava profundamente adormecido. Alicia levantou as pálpebras dele – os olhos estavam de volta a coloração verde.

–Acho melhor voltar para casa agora. – ela disse simplesmente. Sabia que Dean tinha muitas perguntas, e ela as responderia. – Sam vai ficar bem. Você vai levar o Impala?

–-

Eles colocaram Sam na cama de Alicia. A única coisa que podiam fazer agora era esperar ele acordar.

–Então – falou Dean, enquanto acendia a lareira – o que foi que aconteceu?

O que ele ouviu foi Alicia saindo do quarto sem dizer mais nada. Ele a seguiu pelos corredores. A casa, de fato, era uma mansão, de quatro andares. O quarto de Alicia estava localizado no último andar, composto exclusivamente por suítes. Ela atravessou os corredores, chegando até um último quarto, no qual bateu na porta com força. Precisava de explicações e precisava agora.

Shane abriu a porta.

–Alicia. Você voltou. O que aconteceu? Fiquei nervoso com sua mensagem.

–Você pode me explicar o que um bicho papão australiano está fazendo em Rhode Island?

–Espera, isso foi um bicho papão? Eles não agem dessa maneira – falou Dean confuso.

–Isso era uma das coisas que dei para você ler – explicou Shane, empurrando eles para dentro do quarto. O notebook dele estava aberto em cima da escrivaninha. Ele abriu um arquivo, uma imagem de um mapa mundi cheia de pontinhos vermelhos. – há aumento da atividade sobrenatural em todo mundo. Novas criaturas. Velhas criaturas aparecendo novamente. Esse mapa refere-se aos bichos papões australianos, como você os chama.

–Isso é por causa do apocalipse?

–Não, Alicia – falou Shane, um tanto surpreso por ela não saber a causa – isso é sobre sua ascensão. Quanto mais forte você fica, mais poderoso o sobrenatural também fica.

Alicia se virou e saiu andando, de volta para seu quarto.

–Allie, eu sinto muito – falou Dean – não é culpa sua.

–Mas é minha culpa, Dean. Diretamente ou indiretamente, é minha culpa – ela falou, com voz de choro. – mais pessoas estão morrendo por minha causa.

–E eu sei que você está fazendo de tudo para salvá-las. Você não tem culpa que essas coisas acontecem com você.

–Ai Dean. Isso é um caso perdido. Acho que vou ter que aprender a viver com a culpa. – ela falou, num tom de voz que deixava claro que ela não queria falar sobre o assunto agora.

–Então... Vai me contar o que foi que aconteceu com Sam? E o que é um bicho papão australiano?

–Eu não sei explicar como ele foi parar no meio da floresta coberto de sangue... Enfim, de fato, na Austrália esse ser é chamado de bicho papão, mas é um espirito, ou como se fosse uma doença... Ele morde as pessoas e a transforma em um ser como ele.

–Então há um monstro solto na floresta?

–Dizem as lendas que quando ele morde alguém, e a pessoa não se transforma, a criatura morre. Aliais, os transformados só começam a morder quando estão prestes a morrer...

–Então Sam estava se transformando em um deles.

–É, e eu impedi. Com o ritual.

–O que são aqueles símbolos?

–São chamados Guardiões. Hmm, sabe os símbolos que usamos contra Wendigos? São derivados desses Guardiões. É algo muito antigo e ainda muito usado em outras partes do mundo. Nunca achei que precisaríamos aqui, mas devido as atuais circunstâncias... Talvez seja melhor eu ensinar a vocês. Alguns são bem específicos, precisam ser feitos com sangue. Falando em sangue, Dean, acho que vou colocar Sam embaixo do chuveiro.

Sam ainda estava coberto de sangue, e apesar da lareira, ainda estava gelado do frio lá fora. Ele estava se mexendo, como se estivesse prestes a acordar.

–Vou procurar algo para ele comer. Prefiro não participar de um banho com vocês dois – falou Dean, fazendo piada, e Alicia sorriu.

–-

Alicia ligou o chuveiro, depois ajudou Sam a sair da cama – ele estava acordando, mas ainda muito atordoado.

–Alicia? O que está acontecendo? – Sam perguntou, acordando de vez depois que ela ligou a água.

Ela abriu o casaco dele, jogando a peça estragada para fora do box. Em seguida começou a desabotoar a camisa dele.

–O que você está fazendo?

–Isso não é nada sexual. Nós apenas achamos você na floresta coberto de sangue, você pode explicar isso?

Sam sentia o corpo todo doer, embora a sensação da água quente caindo sobre ele desse algum alívio. Ele tentou se lembrar. Lembrou-se de encontrar com Ruby, dele beber o sangue, dela dizer que havia um grupo de demônios procurando por Anna na floresta próxima e ele poderia exorciza-los para treinar. Eles foram para a floresta, e depois ele se lembrava de sangue e luta, mas era muito confuso.

A mentira veio fácil. De forma alguma ele diria que tinha perdido o controle e ido se encontrar com Ruby. A culpa que sentia era um gosto amargo na boca dele. Ainda mais com Alicia parada ali na frente dele, no chuveiro, preocupada e cuidando dele. Por que ele sentia essa necessidade tão forte de magoa-la? Alicia nunca o tinha magoado propositalmente. Mas ela também o excluía da vida dele o tempo todo.

–Depois que nós... Conversamos, fui dar uma volta... Passei pela cidade, fiquei um tempo, mas depois resolvi ver os arredores. Acabei encontrando um grupo de demônios e seguindo eles até a floresta. Depois disso, não lembro mais de nada. O que aconteceu comigo?

Sam tinha acabado de perceber a mordida em sua mão.

–Você foi atacado por um monstro... Diferente dos que os normalmente tem por aqui. As coisas estão mudando... Por minha causa, aparentemente.

Ela jogou a camisa para fora.

Alicia pegou a mão machucada de Sam, tocando com delicadeza as bordas da ferida. Para a surpresa de ambos, a pele foi se fechando e o machucado desapareceu.

Sam sorriu para ela e Alicia quase derreteu. Como ela amava aquele sorriso.

–O que foi? – Sam perguntou. Havia alguma coisa muito triste em Alicia.

–Você quase morreu. Eu não... Eu não quero perder você. Mas... Você parece ok. Dean está trazendo alguma coisa para você comer. Vou no seu quarto pegar alguma roupa limpa para você.

Havia alguma urgência dela em sair dali. A verdade que ela não achava que conseguiria ficar ali naquele chuveiro com Sam por muito mais tempo. A água caindo no corpo dele, sem camisa, ainda vestindo as calças que agora estavam cada vez mais molhadas... Era irresistível demais.

Sam queria poder entender o que se passava em seu coração. Em momentos como aquele, era impossível não amar Alicia. Era bom estar ali com ela, era bom ter ela como parte da sua vida. Sam queria poder esquecer tudo de ruim que já tinha acontecido entre eles, mas como, se ele continuava a cometer os mesmos erros? Como, se Alicia não aceitava as decisões que ele tomava? Ultimamente ele sentia que havia essa parte dele, cheia de ódio e desejo de vingança, mas também desejo de acabar com todo o sofrimento do mundo, de acabar com o apocalipse. Diziam que era Alicia quem tinha esse poder, mas Alicia nem ao menos pensava em procurar Lilith para matá-la. Se Lilith morresse, não teria mais como ela quebrar os selos...

Percebeu que então, era sobre isso que Alicia estava falando. Era esse ódio que o levaria para o lado ruim. Naquele momento, Sam se arrependeu amargamente por todas suas escolhas erradas. Se arrependeu de ter ido se encontrar com Ruby e quebrado a promessa de parar de tomar o sangue. O desejo tinha sido incontrolável. Mas ele não queria se tornar um monstro. Refez a promessa: dessa vez, não ia ceder mais a Ruby. Ficaria longe dela e não aceitaria nenhum tipo de ajuda. Deveria haver um jeito melhor de acabar com o apocalipse.

Se tivesse Alicia ao seu lado, tudo ficaria mais fácil.

Ele não conseguia se lembrar, mas sabia que alguma coisa horrível tinha acontecido naquele floresta. Ele tinha feito alguma coisa realmente ruim. Ele nunca quis ser uma aberração, que é encontrada coberta de sangue numa floresta, sem memórias do que tinha acontecido. Ele tinha quase morrido.

–Allie – Sam a impediu de sair do boxe, segurando o braço dela e falou alguma coisa que desejava dizer a muito tempo – você acha que eu e você, nós podemos começar de novo? Deixar tudo para trás?

–Eu gostaria que pudéssemos. – ela falou, se sentindo muito triste – mas acho que não.

Sam a puxou para mais perto, para baixo da água caindo, pressionando o corpo dela contra o dele. Assim ela não conseguia pensar, só sentir Sam tão próximo a ela e o sentimento que queria ficar junto a ele para sempre. Nunca mais sair do lado dele só para não perder a sensação incrível que era os dois juntos. Estavam tão próximos que ela podia ver cada detalhe do rosto dele, sentir o coração dele batendo na palma dela que se apoiava sobre o peito dele. Ali era um mundo que só existiam os dois e mais nada,

–E se nós tentássemos não cometer os mesmos erros de novo? E se eu prometesse parar com tudo?

–Eu poderia prometer o mesmo. O problema, Sam, é que eu não posso ficar com você. Aparentemente, isso me faz humana demais e isso é um problema.

Sam a beijou, com força e apaixonadamente, suas mãos a puxando para ainda mais perto dele. Ele desceu os lábios para o pescoço dela.

–O que estava dizendo? – sussurrou contra a pele dela, provocando arrepios.

–Esquece. – ela respondeu, voltando a beijá-lo. As mãos dele avançaram depressa, subindo a blusa dela e a retirando, seguida pelo sutiã. Sam desceu os beijos do pescoço até os seios dela. Enquanto isso, as mãos de Alicia procuraram o zíper da calça jeans de Sam, abrindo-o. Rapidamente, se livraram do resto das roupas. Sam voltou a beijá-la.

–Você ainda precisa de um banho – ela falou, ofegante. Sam colocou o sabonete na mão dela. Delicadamente, ela começou a ensaboa-lo.

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Alicia voltou do quarto de Sam, carregando a mochila dele. Quando tinham saído do chuveiro, tinham encontrado Dean esperando com o jantar e um comentário engraçadinho de como ele estava certo de não entrar nessa de banho com os dois. Dean tinha ficado explicando a Sam sobre bichos papões australianos enquanto comiam.

–Qual é o próximo passo agora? – perguntou Dean a Alicia assim que ela voltou – Anna está segura, aparentemente. Nós partimos?

–Estamos esperando ver se a Enéade trás o mapa que dei a Castiel de volta. Se eles ajudarem a traduzi-lo como prometeram, podemos ir logo até essa sala de profecias e resolver isso logo. – falou Alicia. – estou começando a ficar nervosa. Não gosto dos rumos que as coisas estão tomando.

–O que você quer dizer? – perguntou Dean. Sam estava no banheiro, trocando a toalha por roupas.

–Não quero ser um monstro, Dean. Não quero nada disso que está acontecendo.

Dean a olhou por alguns segundos.

–Você e Sam estão juntos de novo? Oficialmente, eu quero dizer?

–É, eu acho que sim. Mas não tenho realmente mais esperança que isso vai dar certo. Eu estou fazendo isso porque é o que eu quero, é o que ele quer, porque seremos felizes por alguns segundos antes de tudo dar errado de novo.

–Eu poderia te dizer para não pensar desse jeito, mas eu entendo porque você pensa desse jeito. Vocês dois merecem felicidade, sabe?

–Você também, Dean.

Sam saiu do banheiro. Ninguém falou nada por algum tempo. A única coisa que eles poderiam fazer agora é esperar.

Notas finais
Escrevi a primeira parte do capítulo pensando: SAMMY, NÃO! Pois é, o sangue de demônio deixou ele louco - e o que foi narrado aqui já está acontecendo faz tempo, mas em geral, é Alicia que descreve as mudanças que ela percebe em Sam... Agora tivemos a narração de Sam, para ver o que está acontecendo com ele. E ele não percebe que isso não é normal? Não. Infelizmente ele está cego pra vida, justamente por causa do sangue... Agora, o que acontece com Sam na sequencia, é em parte para mostrar algumas consequências dessa guerra e do apocalipse que está para vir, mas o motivo que levou Sam até o meio da floresta e o desenrolar dos acontecimentos exatos, será revelado apenas na quinta temporada, pelo próprio Sam. Sim, ele vai lembrar do que aconteceu exatamente. Agora a mente dele bloqueou a sequencia de acontecimentos porque a consciência dele não pode lidar com essas memórias... Como ocorre em um trauma mesmo. Isso será melhor explicado quando o Sam contar o que aconteceu, na quinta temporada. Esse capítulo foi bastante baseado num livro maravilhoso chamado A Maldição de Alaizabel Cray. É um dos meus livros favoritos e eu recomendo. A partir de agora, Sam e Allie vão se entender, porque o querido está arrependido. Depois de ter ficado com raiva e rebelde, ele finalmente aceitou a preocupação de Dean e Allie com ele. MAS, vocês acham que ele conta ou não pra Alicia sobre Ruby? Então. Quando a verdade for revelada, as coisas vão ficar bem balançadas. beijinhos.