Things We Lost in The Fire
5 4x05 - It's a Great Pumpkin
Notas iniciais
Você não pode tocar com cordas partidas
Você não pode sentir nada
Que seu coração não queira sentir
Eu não posso te dizer algo que não é verdade
Oh, a verdade machuca
A mentira é ainda pior
Como eu posso dar mais?
Quando eu te amo um pouco menos que antes
James Morrison
28 de outubro de 2008. Sioux Falls. Apartamento de Alicia. 23 horas.
Alicia estava em reunião com Shane, Andrew, Anabel e uns vinte aliados. Todos encolhidos em sua pequena sala de apartamento. O motivo: foram encontrados os demônios chamados As Bruxas de Salém. O objetivo ali era decidir quem faria o necessário para se livrar delas. Nos últimos meses, esse grupo de demônios tinha causado certo incomodo, especialmente para Alicia. Era pessoal. Alicia tentava convencer seu grupo de aliados que ela poderia dar conta deles sozinha. É claro que ela não planejava caça-los sozinha: chamaria Sam e Dean.
A reunião foi interrompida por forte batidas na porta. Quando ela atendeu, era Dean, completamente atordoado. Ele espiou por cima do outro dela, para todas aquelas pessoas ali dentro e ficou ainda mais confuso.
–Onde está Sam? – perguntou Dean.
Alicia saiu do apartamento e fechou a porta atrás dela, para terem um pouco de privacidade.
–Como assim Sam? Ele não está com você? – Alicia já arregalou os olhos, preocupada.
–Não. Ele me disse que viria passar a noite aqui com você. Eu não tinha motivos para não acreditar...
–Mas mesmo assim veio checar se ele estava aqui? – agora Alicia estava ficando confusa.
–Não. Eu preciso te contar uma coisa. Essas pessoas estão indo embora?
–Se eu dizer para elas irem, elas irão. Eu tenho um caso para nós, por falar nisso.
Alicia abriu a porta atrás dela. Todos olharam para ela, com expectativa.
–Ok, pessoal. Eu tenho uma emergência familiar aqui. Acho que já deixei claro que esse caso das Bruxas de Salém é meu. Vocês podem ir. Boa noite.
–-
Quando todos se foram, Dean se sentou na mesa da cozinha. Havia uma caixa de pizza com uma pizza de pepperoni pela metade. Dean pegou um pedaço. Ele estava agitado.
–O que aconteceu, Dean?
Dean inspirou profundamente.
–Quem era aquelas pessoas, Alicia?
Alicia deu um sorriso com o canto da boca.
–Meu exercito. Ou parte dele. Nós estamos crescendo.
–Um exército para uma guerra contra demônios?
–Algo assim. Contra o Apocalipse. O que aconteceu, Dean? Você parece que foi atingido por uma abóbora voadora.
–Abóbora?
–É quase Halloween. Há abóboras em todos os lugares. Uma delas com asas poderia ter te atingido. Já vimos coisas mais estranhas.
–Não foi uma abóbora com asas, mas foi uma coisa com asas... Um anjo. Castiel. Ele me enviou ao passado.
–Ao passado?
–Sim. Para 1973.
Dean contou a Alicia como ele tinha encontrado John e Mary lá e descobriu que seus avós maternos, Samuel e Deanna, eram caçadores e Mary foi criada como caçadora. Ela inclusive que mal podia esperar para se casar com John, para abandonar a vida das caçadas, pois John era um doce e “tudo aquilo que um caçador não era”. Dean contou que tentou matar Azazel com a Colt lá e evitar também que Mary saísse da cama em 1983, mas no fim Castiel revelou que ele não poderia ter alterado o passado. Azazel acabou por possuir Samuel, o avô de Dean e impedindo que os planos de Dean de matar Azazel ou pelo menos impedir que Mary morra em 1983 deram errado.
–Pelo que eu entendi de Azazel, ele estava juntando casais para poder criar sua própria raça de crianças especiais.
–Espere, assim como Asmodeus fazia? E nós pensamos que ele desprezava Asmodeus por isso... Mas isso significa que assim como eu, Sam...
–Também nasceu por causa de um demônio, só que indiretamente. – falou Dean, desolado e com lagrimas nos olhos. – Azazel matou os meus avôs. E matou meu pai, e em seguida fez um pacto com minha mãe: traria meu pai de volta se pudesse visitar o filho dela em 1983 e que ninguém sairia machucado se ela não interrompesse.
–Mas Mary interrompeu – disse Alicia horrorizada. – o que Azazel estava fazendo?
–Pingando sangue de demônio na boca de Sam.
Alicia ficou sem palavras por uns momentos. Ela não sabia porque tinha ficado tão horrorizada: ela era metade demônio e metade anjo, pelo amor de Deus, ela era esquisita até mesmo se comparada a criaturas sobrenaturais. Mas Sam ter sangue de demônio no corpo era chocante demais.
–É – falou Dean, entendendo o que Alicia sentia – então o bom anjo Castiel me trouxe de volta e disse que eu precisava ver uma coisa. Antes, pedi para que ele me deixasse aqui. Se eu vou ver alguma coisa, queria acreditar que Sam realmente estivesse aqui com você...
–Dean, se Sam não está aqui, onde ele está?
–É isso que eu quero mostrar a você, Dean – disse uma voz e Alicia deu um grito. Castiel tinha acabado de aparecer ali. Ela se encolheu. Sentia medo de estar na presença de um anjo. Castiel sequer olhava para ela.
–Castiel, Alicia. Alicia, Castiel. – falou Dean e Castiel continuou ignorando Alicia – para um anjo, sua educação é péssima.
–Ela é uma abominação – respondeu Castiel, indiferente, ainda sem olhar para Alicia. – ela deveria ser morta, mas não é essa minha missão.
–Bem, se tem anjos tentando me matar agora, talvez seja bom entrar na fila.
–O que eu quis dizer é que esta não é uma prioridade agora. Você é indiferente ao cenário atual. Outros como você acreditam em um monte de mentiras, mas eu posso dizer que com certeza, no Apocalipse, só existem dois lados: o nosso e o Inferno. Não há espaço para mais, não importa quantos boatos, lendas e profecias estejam espalhadas.
–Você acredita no que você quiser, anjo, eu acredito no que eu quero. – respondeu Alicia. Onde Sam estava? Ela não estava com paciência para lidar com anjos arrogantes agora. Tinha sido alertada que ela sempre seria considerada uma abominação, afinal, Azazel a chamava assim também. Não importava. Ela temia por Sam. Por que ele tinha mentido para Dean?
–Só vou a qualquer lugar se Alicia for junto. – falou Dean, firme.
–Já disse para você me tratar com mais respeito – falou Castiel – seu irmão está indo para um caminho perigoso. Nós não sabemos aonde vai dar. Pare ele ou nós iremos parar. — Castiel entregou um cartão para Dean. – ele está nesse lugar.
–Eu conheço esse endereço – falou Alicia – isso é um prédio abandonado. Uma vez eu busquei Sam numa lanchonete lá perto. Não faz muito tempo, foi na noite que você invocou o Castiel a primeira vez...
Castiel tinha desaparecido. Dean tinha uma expressão preocupada e desconfiada.
O que Sam estava fazendo?
–-
Dean e Alicia foram no carro de Alicia até o endereço que Castiel tinha dado a eles. Era um prédio abandonado, mas a porta da frente estava com a tranca quebrada. Eles entraram sem problemas, atravessando o saguão principal. O saguão estava todo escuro, exceto por uma luz que vinha de um corredor. Dean e Alicia seguiram a luz, chegando até o saguão dos elevadores. A luz vinha de um salão, que com as portas abertas, expunha o que acontecia lá dentro: Sam, aquela demônio, Ruby, e um homem amarrado a uma cadeira.
Demorou tempo para Dean e Alicia entenderem o que estava acontecendo. Sam estava exorcizando o demônio, usando seus poderes. Quando a fumaça negra do demônio saiu de dentro do homem, Sam correu para verificar se ele ainda estava vivo. Nesse momento, Dean entrou.
–Alguma coisa que você quer nos contar, Sam?
Sam fez rapidamente aquela expressão de cachorro sem dono. Ruby cruzou os braços, arrogante e enfurecida.
–Dean, Allie, esperem. Deixe eu...
–Você vai dizer, “deixe eu me explicar”? Você vai explicar isso?
–É bom ver vocês de novo – sorriu Ruby. Alicia levantou uma mão e prendeu Ruby contra a parede.
–Bem, eu não estou tão feliz assim, Ruby. – ela respondeu, irritada. Sam pensou ter visto os olhos de Alicia, normalmente verdes, ficarem amarelos, mas rapidamente retornarem a cor normal.
–Alicia, não! – Sam correu para afastar Alicia de Ruby, e ao ser distraída por Sam, Alicia deixou Ruby cair no chão com um estrondo. Sam continuou segurando Alicia, enquanto dizia para Ruby – o homem está ferido. Vá.
–Onde ela pensa que vai? – falou Dean, a faca de matar demônios já a postos na mão para atacar Ruby.
–Ao pronto-socorro. Ela encosta no homem e os dois desaparecem. Alicia, que continuava lutando para que Sam a soltasse, finalmente o empurra para longe.
–Mas que merda é essa? – ela perguntou.
–Vamos embora, Alicia. – disse Dean simplesmente. Ele saiu do salão. Alicia lança um último olhar de desprezo a Sam e segue Dean.
–Alicia! Dean! – chamou Sam, correndo atrás deles. Nenhum dos dois sequer parou para olha-lo.
Mas eles se encontraram no carro.
–O que vocês estão fazendo? – perguntou Sam.
–Indo embora. – respondeu Alicia, furiosa. – você não precisa de nós. Você e a Ruby podem ir caçar demônios.
–Allie, vamos lá. Dean! – ele colocou a mão no ombro do irmão, para impedir que Dean entrasse no carro. Dean se virou e socou o rosto de Sam, duas vezes.
–Está se sentindo melhor? – perguntou Sam sem demostrar nenhuma reação. Dean deu outro soco em Sam e o empurra no chão.
–Eu acho que não – falou Sam, se sentando. Seu lábio tinha se cortado e estava sangrando, mas Sam ainda estava impassível.
Assim como Alicia.
–Você tem noção do quanto longe de normal você foi agora? – perguntou Dean.
–Eu estou apenas exorcizando demônios!
–Com sua mente! – gritou Dean. Felizmente a rua era escura e deserta. – o que mais você está fazendo?
–Eu posso mandá-los de volta para o Inferno e salvar a vitima da possessão. Apenas funciona com demônios e é só isso que eu estou fazendo.
Sam tinha se levantado, então Dean simplesmente o puxou pela camisa, aproximando seu rosto do de Sam.
–O que mais você pode fazer? – ele cuspiu as palavras.
–Eu disse a você. – respondeu Sam, num tom firme.
–E nós temos toda a razão do mundo para acreditar nisso. – falou Alicia.
–Ah, é, Alicia? Pois eu muito bem vi quem está usando poderes demoníacos a torto e a direito... E é você, por acaso. Quem é você para dizer alguma coisa? – gritou Sam.
–Eu sou não humana! – ela gritou de volta – eu nem tive a chance. São coisas completamente diferentes, eu tenho controle sobre minhas ações. Você só está sendo manipulado pela aquela vadia do Inferno!
–Eu estou salvando as pessoas! Eu queria ter contado, mas eu sabia que vocês reagiriam exatamente dessa maneira.
–É isso que você diz a si mesmo para poder dormir a noite? – perguntou Alicia com desprezo. – espere e verá. Porque isso você vai cada vez mais para baixo, e Deus sabe onde isso vai parar.
–Do que Inferno você está falando, Alicia?
–Do que todo mundo diz sobre você. Que você é o próximo líder do Inferno. Eu costumava rir disso.
Sam optou por ignora-la.
–Dean, eu não vou deixar isso ir longe demais.
–Já foi longe demais, Sam. Eu iria querer caçar você! E os caçadores também.
Sam não parecia mais furioso e na defensiva. Seus olhos estavam se enchendo de lagrimas.
–Você tinha morrido. Eu estava aqui. E o que eu estou fazendo... Funciona.
–Eu disse para você procurar Alicia. Eu disse para vocês cuidarem um do outro. E se isso que você está fazendo é tão maravilhoso, por que escondeu de nós? Por que um anjo me disse para impedir você?
Sam parecia ficar sem palavras. Dean aproveitou o silencio para entrar no carro resmungando “Alicia, vamos”. Enquanto Alicia entrava, Sam entrou no banco traseiro.
–Então, você está vindo com a gente? – perguntou Alicia, ligando o carro e começando a dirigir – pensei que estava salvando vidas junto com a Ruby.
Sam suspirou.
–Sabe o que eu acho, Alicia? Acho que você está com ciúmes porque eu preferi passar meu tempo com a Ruby não com você.
Sam se arrependeu no instante que terminou a frase. Alicia freou bruscamente.
–Saia do meu carro – ela falou, a voz fria como gelo – saia agora da porra do meu carro! – ela terminou gritando.
–Alicia, calma... Sam, que bosta, por que você tinha que abrir a boca? – Dean tentou interferir, irritado. Alicia estava parada no meio da rua, que felizmente estava vazia.
–Não – respondeu Sam, tão frio quanto ela. – Vai se foder, Alicia. Você mentiu quantas vezes? Quantas vezes você não contou para mim o que acontecia na sua vida, e agora eu tenho que ficar me reportando para você?
–Saia. Do. Meu. Carro. – repetiu Alicia, ainda mais furiosa.
–Sam, pare. Parem os dois! – falou Dean, e ele se sentiu como nos velhos tempos, quando separava brigas de John e Sam. – Alicia, vamos. Isso não vai levar a lugar nenhum. Sam, eu ainda não terminei com você.
Alicia ligou o carro e acelerou. Ela estava tremendo e sentia que podia matar Sam. Como ele podia ser um idiota tão grande? Ainda mais depois do que tinha acontecido no Colorado. Eles não tinham se visto mais depois daquela noite, mas ele não podia aparecer assim no quarto dela, depois agir como um imbecil completo...
OK, talvez ele estivesse agindo um pouco como ela própria agia e foi esse pensamento que acalmou Alicia. Ela levou Sam e Dean até o Impala. Iriam até Delaware, onde estavam as Bruxas de Salém, em carros separados. Seria mais seguro.
–-
30 de outubro de 2008, Wilmington, Delaware. Sete horas da manhã.
Sam entrou no restaurante ao lado do motel em que eles estavam hospedados. Dean estava acordando quando ele saiu. Ele avistou Alicia numa mesa, tomando café e torradas com ovos.
–Bom dia – falou ele, sem saber direito como agir. Estava ainda chateado com toda a briga que Dean e Alicia tinham feito, mas a verdade era que Sam não tinha esperado que eles agissem diferentes. Estava um pouco arrependido do jeito que tinha falado com Alicia.
Ele devia contar a ela tudo sobre Ruby; sabia que se um dia quisesse salvar o relacionamento deles, devia contar, mas não conseguia formar as palavras. Como dizer a sua quase namorada que ele estava envolvido sexualmente com um demônio?
–Bom dia – ela respondeu sem olhar para ele, e atirou uma pasta marrom na direção dele. – aqui está o nosso caso.
Sam abriu a pasta, que continha reportagens sobre sinais demoníacos no último mês em Delaware e arredores, além de relatos sobre essas sete estranhos mulheres rondando a cidade. E reportagens indicando quatro assassinatos de jovens mulheres nos últimos dias, sempre a noite, sempre encontradas no maior cemitério da cidade.
–E aqui – Alicia entregou o jornal local para ele – foi o assassinato de ontem à noite. E hoje terá mais um.
–O que você acha?
–Que são as malditas das Bruxas de Salém e elas estão fazendo um ritual de Halloween.
A garçonete apareceu para fazer o pedido de Sam. Assim que ela saiu, houve um silencio estranho.
–Alicia, eu sinto muito sobre ontem a noite.
Alicia o olhou intensamente, tanto que Sam se sentiu incomodado. Cruzou os braços.
–Não, você não sente muito – ela falou, no mesmo tom de voz gelado – você está querendo me fazer provar do meu próprio veneno. OK, vai em frente. Eu não ligo. Afinal, sou eu quem não sente o que deveria sentir.
–O que você quer dizer com isso?
–Você sabe o que eu quero dizer – e Sam sabia mesmo. Aquela coisa que ele sempre acusou ela e agora ela admitia: talvez Alicia não o amasse como ele gostaria que ela o amasse.
Sam nunca falaria para ela sobre Ruby.
Alicia ficou surpresa como Sam ainda poderia acreditar em suas mentiras. Ela o amava e isso era tão obvio só pela maneira que ela olhava para ele. Ela tinha chorado até dormir na noite anterior, justamente porque Sam preferiu passar seu tempo com Ruby do que com ela. Só ficava feliz que estava usando maquiagem o suficiente para esconder seus olhos inchados. Sam estava certo, ela estava com ciúmes e Alicia o odiava por saber disso e usar isso contra ela. Mas ela era orgulhosa demais e jamais admitiria a fraqueza.
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Eles encontraram saquinhos de bruxas nas cenas do crime. Dentro do saquinho, havia uma moeda de prata, algo que parecia osso carbonizado e uma flor seca, que Sam descobriu ser uma erva extinta há 200 anos. Alicia reconheceu a moeda como uma verdadeira moeda celta, com idade de 600 anos. Aquilo tudo só confirmava a participação daquelas bruxas antigas, que agora eram demônios. Elas estiveram quietas durante meses e agora resolveram reaparecer, matando pessoas poucos dias do Halloween. Alguma coisa grande estava acontecendo. As vitimas eram todas moças consideradas exemplos, e diferente das investigações comuns, em que sempre se descobria facilmente algum podre das vitimas, dessa vez não estava sendo assim. Na noite de 30 de outubro, mais uma vitima foi assassinada, e para a frustação dos Winchester e de Alicia, eles não conseguiram fazer nada para impedir aqueles demônios. Não conseguiam localiza-los e não sabiam o que pretendiam.
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31 de outubro. Manhã. Quarto de motel.
Eles tinham trabalhado a noite toda e ainda não tinham parado. Tinham comprado café da manhã e comiam no quarto, enquanto Sam vasculhava a internet em busca de alguma informação.
–As vítimas estão limpas – dizia Dean – não há motivos para esses demônios estarem matando elas, a não ser porque são umas vadias demoníacas filhas da puta.
–Ou – falou Sam – é um feitiço. Veja o que eu achei: sete sacrifícios de sangue durante sete dias, o último logo antes da meia noite no último dia da colheita. No calendário celta.
–O último dia da colheita celta? – falou Alicia. Ela e Sam estavam com uma relação estreitamente profissional – é 31 de outubro. Halloween.
–Exatamente.
–E para que são os sacrifícios de sangue? – perguntou Dean, engolindo bacon com pão.
–Para invocar Samhain. – respondeu Sam, lendo.
–Samhain, o demônio do Halloween. – Alicia estava impressionada com a ousadia das bruxas. – vocês sabem o que dizem. 31 de outubro é a noite em que o véu entre os vivos e os mortos está mais fino, e é essa a noite de Samhain. Ele é o demônio que faria essa travessia pelo véu, trazendo os mortos de volta a vida.
–Ele foi exorcizado há séculos. Esse ritual só pode ser realizado a cada 600 anos.
–E como se não bastasse o apocalipse, também temos isso. – suspirou Alicia; ela então percebeu uma coisa que a assustou – vocês acham que isso tem alguma coisa a ver com o apocalipse? Samhain poderia ser um selo ou então ser trazido de volta para romper um selo?
–Não importa a motivação, temos que impedir isso. – falou Sam, pegando um livro sobre a mesa. Ele abre uma página marcada – Uma vez que Samhain é invocado, ele gosta de companhia. Ele pode levantar os mortos.
–Fantasmas ou zumbis? – perguntou Dean, e não dava para perceber direito se ele estava brincando ou falando sério. – ambos?
–O que diz aqui é que começamos com fantasmas, zumbis e ghouls*, e depois continua avançando, e no fim da noite teremos todas as criaturas horríveis que enfrentamos em um só lugar.
–Bem – observou Alicia – é como um Halloween de verdade.
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Eles descobriram que Tracy Davis, uma estudante, estava de uma forma ou outra ligada a todas as vitimas. Tinham forte indícios que Tracy era a bruxa que estava trabalhando para os sete demônios que eram as Bruxas de Salém, que através de Tracy, pretendiam invocar Samhain.
Sam veio a descobrir que ela estava suspensa da escola, por ter sido violenta com um professor, Don Harding, que ensinava artes na escola. Ele conta que Tracy o atacou porque ele falou que os desenhos que ela fazia nas aulas eram perturbadores e inapropriados, desenhos de assassinatos em massas e símbolos estranhos. Também conta que Tracy era uma estudante emancipada da família. Ninguém conseguiu localizar Tracy, então eles voltaram ao motel. Já era quase meia noite agora e eles passaram o dia todo investigando sem chegar a lugar nenhum.
Sam abriu a porta e rapidamente sacou a arma, se colocando numa posição defensiva.
–Quem é você?
–Sam, esse é o Castiel! Espere! – interrompeu Dean, tirando a arma da mão de Sam, que ainda parecia confuso.
–O anjo. – murmurou Alicia, parada a porta, sem intenção de entrar no quarto e ficar no mesmo ambiente que Castiel.
Então eles notaram um outro homem, alto e negro, parado no quarto também.
–Esse eu não conheço – falou Dean.
Sam sorria para Castiel.
–Olá, Sam. – falou o anjo.
–É uma honra – falou Sam, atrapalhado – eu não fazia ideia... Eu ouvi muito sobre você.
Sam tentou apertar a mão de Castiel, mas o anjo parecia não entender direito o que ele pretendia com a mão estendida, e Sam desistiu.
–E você é Sam Winchester, o garoto com o sangue de demônio. – falou Castiel, sério, para Sam — estou feliz que você tenha encerrado suas atividades extracurriculares.
–Vamos rápido com isso – falou o outro homem, mal-humorado.
–Quem é seu amigo? – perguntou Dean para Castiel.
Castiel, sem responder a perguntar, disse com urgência:
–Dean, esse é a Invocação de Samhain. Vocês impediram? As Bruxas de Salém, ela foi localizada e morta?
–Sim. Não. – respondeu Dean – sabemos quem é, mas não a matamos.
Castiel tirou um saquinho de feitiço do bolso.
–A bruxa sabe quem vocês são também. Isso estava dentro da parede do quarto de vocês, se nós não tivéssemos tirado, vocês estariam mortos agora.
–Por que você se importa com Samhain? – perguntou Alicia, ainda parada na porta. Ela não queria dividir o mesmo ambiente com dois anjos. Ela tinha quase certeza que o homem mal humorado no canto era um anjo também.
–Porque é um dos 66 selos finais. – respondeu Castiel. – Lucifer não pode voltar. O rompimento desses selos finais devem ser evitados a qualquer custo.
–Então por que vocês anjos não dizem para nós onde a bruxa e os demônios estão e ai podemos lidar com isso? – perguntou Alicia.
–Nós não somos oniscientes – falou Castiel – é por isso que Uriel está aqui. Ele é um especialista. Vocês precisam deixar essa cidade imediatamente. Uriel irá destruí-la.
–Mas que merda? Vocês não podem destruir a porcaria da capital do Delaware. – Alicia disse sem pensar. – tem milhares de pessoas inocentes aqui! Vocês vão simplesmente matar todas?
–Não é a primeira cidade que eu vou purificar. – falou Uriel – a bruxa e aqueles malditos Demônios de Salém precisam ser destruídos.
–Anjos deveriam ter misericórdia! – disse Sam, indignado.
–Quem disse? – respondeu Uriel – nós temos ordens.
–Castiel – interrompeu Dean – nós podemos fazer isso. Vamos achar a bruxa e os demônios e parar a invocação.
Uriel abriu a boca para protestar, mas Castiel fez um gesto para ele ficar quieto.
–Sugiro vocês irem rápido. – falou Castiel. — Eu posso sentir que Samhain está ressurgindo. Talvez seja melhor vocês encontrarem um jeito de exorciza-lo, ou teremos que destruir a cidade.
–-
Uma tempestade se aproximava. Se eles não soubessem, não estranhariam. Mas sabia que todos aqueles raios no céu era presságios demoníacos.
Todos eles entraram no Impala, mas não sabiam muito bem para onde ir.
–Certo. – falou Alicia – suponhamos que Samhain está ressurgindo agora. Afinal, já é meia noite. O próximo passo dele seria invocar os mortos, segundo a lenda que Sam leu. Para onde vocês iriam para invocar as forças das trevas?
–Para um cemitério – respondeu Dean.
Tinha que ser isso. Eles só tinham uma chance. Se demorassem muito, ou falhassem, Uriel e Castiel destruíram a cidade.
–-
–Eu pensei que os anjos seriam diferentes – Sam falou, enquanto Dean dirigia. Era difícil, porque a rua estava lotada de pessoas fantasiadas e crianças pedindo doces. Eles estavam ferrados. – eu pensei que eles seriam justos.
–Eu tentei te dizer – respondeu Dean – bem, eles são justos, e esse é o problema. Não há nada mais perigoso que um babaca que pensa que ele está em uma missão sagrada.
–Quero dizer, esse é Deus? E o Céu? Isso é para o que eu estive rezando?
–Olha, cara, eu sei que você gosta de toda essa coisa de Deus, você sabe, Jesus numa tortilha e coisas do tipo. Mas só porque há algumas maçãs podres, não quer dizer que a caixa toda esteja podre. Pelo que sabemos, Deus odeia esses idiotas. O que eu estou dizendo é para você não desistir dessas coisas.
–Detesto interromper a conversa transcendental, mas nós precisamos de um plano. – cortou Alicia – Samhain é um demônio muito poderoso. Eu suponho que vocês devam deixar isso comigo então.
–Alicia, não vamos te deixar sozinha – respondeu Sam – é perigoso. Eu posso ajudar. Com mais coisas do que as armas tradicionais.
–Não, Sam, você não vai usar seus poderes psíquicos. – Dean estava firme nesse ponto. – a faca de Ruby é o suficiente. E Alicia pode ajudar. Nós somos os caçadores, certo? Então agiremos como caçadores.
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Um grupo de adolescentes está dando uma festa na capela abandonada do cemitério. Alicia os tranca dentro. Pelo menos estariam mais seguros lá. Ela encontra Dean atrás da capela.
–Onde está Sam? – ele pergunta.
–Achei que ele tinha ido com você.
Os dois trocam um olhar preocupado. Sam obviamente tinha dado um perdido neles com o objetivo de enfrentar Samhain sozinho.
Eles começaram a correr pelo cemitério, procurando por Sam. Em determinado ponto foram cercados.
Reconheceram: as Bruxas de Salém. Os olhos das mulheres possuídas estavam completamente negros e elas riram conforme cercaram Dean e Alicia. Sam tinha levado a faca de matar demônios, então Alicia fez um movimento com a mão para empurra-las usando seus poderes, mas enquanto ela se livrava de umas três, as outras pegaram Dean, que também lutava, embora estivesse em clara desvantagem.
–Foi para isso que Baphomet trouxe vocês de volta? – gritou Alicia. Os sete demônios eram poderosos e eles estavam em minoria. Seria uma boa distrai-las. – para invocar Samhain?
–Samhain criou as bruxas – respondeu uma delas, o rosto próximo demais de Alicia – ele é nosso pai, nosso rei. Queríamos ver o império dele na Terra há séculos e vocês não irão impedir.
Ela jogou Alicia longe. Dean estava sangrando.
Não era uma luta fácil. Alicia fechou os olhos, inspirando fundo. Por trás das suas pálpebras fechadas, uma intensa luz branca.
Ela abriu os olhos. A luz branca vinha dela. Dean estava caído ao lado dela, abismado. Um a um, os corpos possuídos caíram ao chão. Não houve fumaça negra.
Os demônios estavam aparentemente mortos, por culpa de Alicia. E ela nem sabia como tinha feito.
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Sam sabia que o que estava fazendo era errado e que Dean e Alicia não ficariam felizes. Mas era a melhor chance deles de enfrentar um demônio poderoso sem que o apocalipse viesse a publico e milhares de inocentes morressem (os anjos podiam não saber, mas se uma cidade toda sumisse, chamaria a atenção) ou deixassem a guerra piorar com a entrada de um demônio muito poderoso que traria todo o tipo de criatura para a jogada.
Ele finalmente viu Samhain entrar dentro de um grande mausoléu. Sam primeiramente atacou Samhain com a faca; Samhain esticou as mãos para afastar Sam com seus poderes, mas não funcionou – e Sam ficou satisfeito que sua imunidade a poderes de demônios também funcionava com este. Tinha descoberto por acaso, se tornando mais forte com o sangue de demônio e era muito útil.
Sam esticou a mão para exorcizar Samhain com sua mente.
Dean e Alicia chegaram a tempo de ver o exorcismo.
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