Things We Lost in The Fire

1 4x01 - Everyday Life of Supernatural Creatures


Notas iniciais
E estou de volta!Queria planejar direitinho o que eu queria para a quarta temporada. Foi o que eu fiz nesses últimos dias. O rascunho do primeiro capítulo está pronto desde que terminei a terceira temporada, mas precisei reescrever várias vezes - inclusive, ele não foi escrito na ordem que está aqui, fui acrescentando as cenas aos poucos. O que dizer sobre essa temporada? Ela vai ser sombria. Ela vai ter mais coisas da série do que teve a 3ª, mas vai continuar com histórias totalmente diferentes também. Vai ter pouco romance, acho, que o foco aqui é outro.Vou continuar falando mais lá embaixo. Esse capítulo também é musical: www.youtube.com/watch?v=9SSUQxGjZZ4 Eu ouvi essa música a primeira vez enquanto eu escrevia a terceira temporada e eu soube que ela se encaixava perfeitamente aqui, na situação de todos os personagens apresentados nesse capítulo, mas especialmente na de Sam. Essa música é principalmente sobre ele, essa música é dele. E em menor grau é sobre o futuro de Alicia. Boa leitura!

Velas aumentam meu desejo

Porque eu estou tão longe

Não há mais sentido na minha vida

Não há mais razão para ficar

Congelando, sentindo

Respirando, suspirando

Eu vou voltar outra vez

Eu não o único que está tão longe

Quando eu sinto a picada da cobra nas minhas veias

Nunca eu quis estar aqui de novo

E eu não lembro porque eu vim

Godsmack

Quinze de maio de 2008. Lado de fora do Hospital em New Harmony, Indiana.

Sam estava sentado, observando a figura do edifício do hospital. Era madrugada e estava gelado. Sam se sentia paralisado por todos os acontecimentos recentes. Clichê falar, mas ele desejava que tudo não passasse de um pesadelo. Mas ele tinha acordado e tudo aquilo tinha realmente acontecido e agora ele precisava arrumar um jeito de continuar vivendo. Ele sentiu uma presença próxima.

–Você voltou para mim, Sam. – era a voz de Ruby. A morena se sentou no banco com ele – o que você quer?

–Não aqui. É perigoso. – falou Sam. Sem conversar muito mais, eles entraram no Impala e Sam dirigiu por duas horas, até parar em Mattoon, já no estado de Illinois. Sam alugou um quarto num motel caindo aos pedaços, logo na entrada da cidade.

Sam não estava agindo normalmente. Ele agia de forma elétrica e quase automática. Era assustador.

–Quero que você me ensine a matar Lilith – falou Sam, ele disse, a voz vazia de emoção.

–Sam... – começou ela, devagar – você sabe que isso não vai trazer Dean de volta.

–EU NÃO POSSO TRAZER DEAN DE VOLTA! – gritou Sam, empurrando uma das cadeiras, que caiu com um estrondo. – há dias eu tenho percorrido encruzilhadas e nenhum demônio aceita minha alma pela vida dele! Eu não pude salvá-lo, Ruby e não posso salvá-lo agora. Eu é quem deveria estar morto. Eu preciso matar Lilith.

–Sam, acalme-se. – Ruby se aproximou dele e para a surpresa de Sam, o abraçou. – eu vou te ensinar tudo o que eu sei. Mas você precisa ficar no controle, certo?

Sam primeiramente se sentiu seu corpo ficar tenso com a aproximação de Ruby. A demônio então começou a aproximar o rosto do dele e o beijou, um toque leve de lábios. Sam a empurra para longe.

–O que você pensa que está fazendo? – perguntou Sam, virando-se de costas para ela.

–Sam, está tudo bem.

Sam virou de novo para ela, para encará-la. Ele se sentia furioso, mas... Era essa fúria que ele tinha sentido desde a morte de Dean que fazia ele desejar isso também.

–Está tudo menos tudo bem! – ele falou. Ele e Ruby, aquilo era nojento e uma loucura.

–O que tem de errado? – perguntou Ruby, sua voz cheia de inocência. E Sam sentiu ainda mais raiva, porque sabia que ela que ela estava fingindo.

–O que tem de errado? Por onde eu começo?

–É por causa do corpo? Porque eu já te expliquei. Tem apenas eu aqui dentro, ninguém mais, e é bom dentro desse corpo, Sam. Macio e quente.

Ruby chegou perto dele novamente, aproximando o rosto do dele, como se fosse beijá-lo. Sam não se afastou.

–O que você está fazendo? – ele perguntou, mas não estava totalmente surpreso. Sabia que Ruby o queria há algum tempo. E ele, o que queria?

–É porque é errado e feio e nós não devíamos? – ela continuou e Sam acabou com o espaço entre eles, beijando Ruby. Ele se sentia estranho, mas logo ele conseguiu esquecer que era a Ruby, podendo finalmente se desligar dos seus pensamentos. Ela o empurrou na cama, ficando por cima dele e o beijou com ferocidade. Sam arrancou as roupas dela com violência.

–Sam? – falou Ruby, enquanto movia os quadris, por cima dele. Ela estava ofegando. Sam gemeu. Aquele não era o melhor momento para ficar falando, mas mesmo assim, ela continuou – para vencer Lilith, para desenvolver seus poderes, você precisa tomar uma coisa.

Sam soltou um som sem sentido. Ele realmente não estava conseguindo raciocinar com Ruby por cima dele fazendo o que ela estava fazendo.

–Sangue de demônio – falou Ruby. Rapidamente, ela estendeu a mão e retirou uma faca do bolso de sua calça, que era um amontoado misturado aos lençóis e outras peças de roupa. Ela fez um corte no braço, e colocou na boca de Sam. Sam tentou empurrá-la para longe, mas ela o segurou com uma força sobrehumana. Tudo isso durou menos de cinco minutos.

–Escute, Sam, eu sei que você não gosta, mas é o único jeito de matar Lilith e vingar Dean. O único jeito, entendeu?

Ele tentava não engolir, mas o liquido parecia estar se acumulando e logo ele foi obrigado a engolir para não engasgar. Tinha um gosto metálico e quente e Sam gostou da sensação. Odiou-se e teve nojo de si mesmo por isso, mas pensou em Dean no inferno e na fúria que sentia. Se era o único jeito, era esse o caminho que seguiria.

–-

Manhã seguinte.

Ruby já tinha ido embora há horas, mas por muito tempo Sam não conseguiu se mexer. Seu estomago se revirava, cada vez mais e quando ele finalmente foi no banheiro, vomitou uma substância escura com um cheiro horrível.

Queria prometer a si mesmo que jamais faria o que fez na noite anterior de novo... Ruby e o sangue. O nojo que sentia de si mesmo era intenso e ele não conseguia se reconhecer. O que estava fazendo? Deveria atender ao último desejo de Dean e procurar Alicia...

Não traria Dean de volta. Não acabaria com a culpa que ele sentia pela morte do irmão. Mas sim, a vingança – matar Lilith, custe o que custar, aliviaria a culpa. Ele se sentiria bem melhor, sabia disso. Se esse era o caminho para vingar a morte de Dean, que morreu por ele, Sam o seguiria. Sem limites. Sem desvios. Ele não se importava mais em pagar o preço. A vida de Dean tinha sido a pior perda de todas. Ele não tinha mais nada a perder agora. Só culpa.

Tudo o que Sam sentia era culpa.

–-

3 de junho de 2008, New Orleans, Louisiania. Fim da tarde.

Alicia parou para se olhar no espelho da sala de espera. Ela estava pálida e magra demais, com grandes olheiras sobre os olhos. Um mês de luta e fuga. Mas agora ela, com sorte, teria a resposta em suas mãos. Resposta que ela tinha conseguido com Missouri, a vidente de Lawrence, Kansas. Ela pegou o desenho que estava no bolso de sua calça. O símbolo era um circulo, com várias cordas entrelaçadas dentro dele, formando uma enorme quantidade de nós. Missouri tinha feito toda a pesquisa. Alicia não aguentaria uma vida sendo uma fonte de atração para criaturas sobrenaturais. Aquele símbolo tiraria a funcionalidade de suas asas, mas a esconderia. Ela poderia ter uma vida.

–Vamos? – a porta de madeira no fundo da sala se abriu. Alicia tinha vindo até ele porque disseram que era o melhor tatuador para símbolos que existia e aquele era um símbolo complicado. Ela não conseguia entender muito bem porque Thoth mesmo não tinha dado aquele símbolo a ela, mas talvez ele pensasse que ela queria estar na posse plena de todos seus poderes. As tatuagens que ela tinha agora: feitas com aquela tinta especial, entre letras e desenhos, prendendo o poder dentro dela não tinha resolvido todos os problemas dela.

Ela entrou. Seus braços, costas e boa parte das pernas eram cobertos pelas tatuagens de Thoth. Ela tinha concluído que o melhor era tatuar aquele símbolo em seu quadril. O tatuador olhou o desenho que Alicia entregou para ele sem nenhuma surpresa. Ele estava acostumado a todo o tipo de coisa esquisita, mas não pode deixar de notar que a morena parecia gostar muito de tatuagens do tipo. As que ela já tinham era bem diferentes de qualquer coisa que ele já tivesse visto, mas ele não fazia perguntas.

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Manhã seguinte.

A campainha tocando institivamente foi o que fez Jon, o tatuador, levantar na manhã seguinte. Era uma moça loira, parecendo muito jovem.

–Ainda não estamos abertos – ele resmungou, mal humorado. Nunca tinha sido uma pessoa matinal.

–Não estou aqui para isso – respondeu a moça com firmeza. Ela mostrou uma foto. Era a morena tatuada do dia anterior – você já viu essa pessoa?

–Sim. Esteve aqui ontem – respondeu – pagou em dinheiro. Disse se chamar Rebeca, mas duvido que seja o verdadeiro nome dela.

–Ela não deixou nenhuma informação, nada?

Jon franziu o rosto, tentando se lembrar.

–Acho que ela mencionou uma rua... Acho que ela poderia estar hospedada próximo a Rua Bourbon. Não é longe daqui.

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Jo saiu de lá desanimada. Fazia um mês que tentava se encontrar com Sam ou Alicia. Sam parecia ter desaparecido sem notícias, mas havia falação sobre Alicia por onde ela passava, seja entre caçadores ou entre monstros. Todo mundo estava falando em Alicia. Pena que ela não estava falando com ninguém. O segundo problema é que havia um milhão de hotéis próximos a Rua Bourbon, que também era enorme e agitada e dominada por turistas.

Assim que entrou na rua, Jo mal podia acreditar em seus olhos. Logo ali, saindo de uma cafetaria, estava Alicia, com um copo de café na mão e um brownie na outra.

Alicia estava aliviada. O símbolo tinha funcionado e aquela noite tinha sido uma boa noite de sono. Ela sorriu para si mesma. Estava tudo dando certo. Ou melhor, quase tudo, mas ela tinha prometido a si mesmo que não pensaria no que estava errado.

–Alicia! Alicia!

Alicia virou a cabeça para o lado, com medo do que iria encontrar. Para seu alivio, era ninguém menos que Jo.

–Jo! – ela sorriu feliz.

–Alicia, eu estou te procurando há um mês. – falou a loira.

–Eu sinto muito – respondeu Alicia. – eu estava fugindo. É uma longa história.

–Alicia, eu preciso de sua ajuda – falou Jo, claramente desesperada – eu preciso de sua ajuda para descer ao Inferno e trazer Dean de volta.

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18 de setembro de 2008, Sioux Falls, South Dakota, aproximadamente meia noite.

Jo sentia o chão duro e gelado abaixo das suas costas. Fechou os olhos e inspirou fundo, suas mãos tremiam e seu coração pulsava em enorme intensidade, a adrenalina correndo no seu sangue, resposta de luta ou fuga. O cheiro de cera de vela preenchia todo o ambiente, mas o calor produzido por todas aquelas velas não eram o suficiente para aquecê-la. Tinha prometido a Alicia que não desceria sozinha naquela noite, mas não sabia o que fazer com o tempo vazio. As horas passavam e a dor aumentava. Precisava encontrar Dean.

Dessa vez – cada vez era diferente – foi como mergulhar em águas profundas e geladas. Assim que abriu os olhos, estava em algo que parecia uma velha construção de pedra em ruínas. O ar estava úmido, mas os gritos, dessa vez mais próximos do que nunca e o forte cheiro de enxofre mostravam que ela estava de volta ao inferno. A moça percorreu os caminhos do labirinto andando apressada. Daquela vez, não havia almas em seu caminho. Dentro do inferno, as almas iam desde completamente humanas (aquelas que ainda não foram corrompidas) até criaturas completamente deformadas, nem humanas nem animalescas, cheia de feridas ou em carne viva. Na terra, era apenas fumaça preta. Queria gritar por Dean, mas depois de inúmeras tentativas, sabia que sua tentativa de encontra-lo era inútil. O Inferno era enorme e embora quase sempre ela pousasse num lugar diferente, nunca chegou nem perto dele. Depois, não sabia se conseguiria levar a alma dele de volta. Baphomet a fez apenas para ver o Inferno e contar sobre ele, mas não para alterá-lo.

Estava escuro, mas de repente Jo viu uma luz muito brilhante ao longe. Os sons se alteraram, e ela sabia que tinha alguma coisa estava acontecendo. Tudo começou a tremer e quando ela abriu os olhos novamente, estava no apartamento em Sioux Falls, que vivia com Alicia desde que a encontrara em New Orleans. Gritando, amargurada por mais uma tentativa falha, ela abriu a garrafa de vodka mais próxima.

Ainda faria outras tentativas naquela mesma noite.

–-

Ainda em Sioux Falls, aproximadamente o mesmo horário.

O bar estava lotado, como sempre. Mas aquele, como Alicia tinha descoberto, não era um bar frequentado por humanos. Ultimamente, ela andava aprendendo um monte sobre a Vida Cotidiana das Criaturas Sobrenaturais.

Lobisomens, vampiros, metamorfos e bruxos eram a base. Eram os mais similares com os seres humanos e se misturavam bem, embora odiassem os humanos. Vampiros estavam em extinção nos EUA há alguns anos, mas graças aos trabalhos de alguns estavam aumentando em quantidade progressivamente. Bruxos tinham suas próprias divisões entre si e não se misturavam. Aliais, era ofensivo para um feiticeiro ou para um mago ser chamado de apenas bruxos.

Anjos e demônios também não se misturavam. Eles eram de fato a Elite e Alicia rapidamente aprendeu que esses estavam muito ocupados com os próprios planos de guerra e alguma coisa maior. Fora que, eles tinham os próprios lugares para estar, Céu e Inferno, respectivamente. Quando vinham à Terra, era para um bom motivo.

Havia os deuses caídos, os antigos deuses, que eram todos loucos e só sabiam lembrar do tempo que tinham seguidores. Havia muitos que vieram de terras distantes para se estabelecer nos EUA. As vezes piravam completamente, saiam matando e acabavam trombando com algum caçador.

Tinha os Outros, que eram criaturas como elfos, duendes, fadas, bichos-papões e outras criaturas de lendas e histórias, que sempre existiram por ai... Eram raros nos Estados Unidos, explicou Shane a Alicia. Alicia já tinha topado com alguns por ai, quando esteve pelo mundo. Shane achava que Alicia devia conquistar a simpatia de alguns desses grupos (que ele dizia que, embora colocados juntos, eram muito diferentes), porque ninguém ligava para eles.

Espíritos e derivados não contavam porque eram humanos mortos.

E havia aqueles desprezados: mestiços de todos os tipos. Naturalmente, um mestiço de humano e lobisomem provavelmente nasceria lobisomem, mas havia casos que alguma coisa dava errado. Isso não era o comum. O comum era ter nephilins e anticristos. Era a principal arma de Alicia, disse Shane. Porque eles são desprezados por anjos e demônios, e nunca vão se sentir que encaixam entre os humanos. Esperam há anos por uma rebelião e é Alicia quem deveria ser a líder.

Todas as noites, Shane apresentava as informações importantes para Alicia e a levava para bares como aquele. Depois de todo aquele tempo morando em Sioux Falls com Jo, Alicia não precisava mais se preocupar em encontrar alguém que a ouvisse. Eles vinham de monte.

Naquela noite, ela estava reunida com dois irmãos, Anabel e Andrew. Loiros, de pele muito branca e olhos azuis, eram gêmeos nephilins, algo mais raro ainda. Junto a eles, havia ainda um lobisomem e um grupo muito grande de metamorfos, que fingia não prestar a atenção a conversa, mas Alicia sabia que estavam ouvindo. Anabel só a atacava com perguntas.

Andrew quase a idolatrava.

Alicia gostava de ser os centros das atenções em todo o lugar que ia. No inicio, tinha ficado assustada, mesmo porque não podia ir a lugar nenhum sem ser seguida. Agora, graças a Missouri, ela conseguia uns momentos só para ela. Se acostumando a nova vida, o estresse tinha baixado e ela conseguia quase se divertir.

–O que você tem a dizer sobre o que Asmodeus tem feito com humanos? – perguntou Anabel, mal humorada.

–Ana – cortou Andrew – combinamos em não falar sobre ele. É grosseiro.

–Espere – falou Alicia – o que Asmodeus tem feito com humanos?

–Ela não sabe – gargalhou Anabel – And, eu estou indo.

Anabel saiu pelo meio da multidão, sem olhar para trás. Andrew sorriu para Alicia, timidamente, murmurou desculpas e saiu correndo atrás da irmã. Alicia suspirou, sentando-se num dos banquinhos do balcão. Pelo que ela sabia, Anabel poderia ser mentira, mas ela teria que investigar isso. Ela olhou no relógio. Ainda era uma da madrugada e ela teria muita coisa pela frente.

–Não deu certo? – perguntou Shane, ressurgindo da multidão.

–Não, seja lá o que estamos fazendo. Anabel me odeia.

–Eles são filhos de certo anjo muito poderoso.

–Que anjo, Shane?

–Sem fofocas por aqui, Alicia. Eles são muito poderosos. Seriam útil a você.

–Andrew já é nosso, mas Anabel...

–Você precisa descobrir um jeito de agradá-la.

–Eu não consigo! – respondeu Alicia num acesso de fúria, descontando sua frustação em Shane, que não tinha nada a ver com isso.

–Você sabe qual é nosso objetivo, Alicia. Precisamos de aliados para formar um exercito quando for a hora...

–Shane, venha aqui. – Alicia o arrastou para os fundos do bar. Ela abriu uma porta – era um deposito cheio de caixas vazias e o empurrou para dentro. – Você fala de quando chegar a hora, da luta, da guerra, mas não entendo...

–Como você não entende, Alicia? É a hora do juízo final. Do apocalipse. Eu ouvi... Que os anjos estão fazendo mais do que quebrar selos agora. Eu ouvi que muitos anjos estão de volta a Terra em busca de seu líder na batalha. E os demônios estão fazendo o mesmo.

–Pensei que você não fizesse fofoca.

Shane fez um gesto de desprezo com a mão, como se empurrasse o comentário de Alicia para longe.

–O que interessa é que você representa algo novo, inesperado, uma nova liderança, a chance da mudança, entendeu? Você precisa convencer as pessoas que vai mudar esse mundo controlado por anjos e contestado por demônios.

–O que eu realmente quero, Shane, é usar meus poderes para retirar o Dean do inferno.

Shane suspirou.

–Alicia, você é a pessoa destinada a invadir o inferno e fazê-lo seu. Poderá retirar ou colocar quantas almas quiser de lá. Mas agora, você precisa encontrar apoio, entendeu?

Shane saiu, deixando Alicia sozinha. Sim, ela entendia. Era poderosa, mas não o suficiente para ir ao Inferno e vencer todos os demônios sozinha. Jo estava muito bem tentando encontrar Dean. Ela precisaria de ajuda. Se ao menos Sam falasse com ela, talvez eles pudessem salvar Dean...

Mas o plano de Shane também era muito bom. Sim, ele estava certo. Ela precisaria mostrar que era a mudança e que acabaria com todos aqueles demônios.

E anjos também, por que não? Se ela podia...

18 de setembro de 2008. Sioux Falls, South Dakota, sete horas da manhã.

Alicia destrancou o apartamento com cuidado, para não acordar Jo. Entrou pelo hall, indo direto para a pequena sala, que estava um caos. Jo estava dormindo, caída no sofá. No meio da sala, havia restos de velas pretas e vermelhas, o chão estava manchado com giz, um monte de desenhos de símbolos. Garrafas vazias de vodka e whisky estavam por todo o lugar. Em cima de uma poltrona, estava um fichário branco e pelo menos três pastas coloridas. Aquele era o projeto secreto de Jo. Como a loira nunca tinha falado para Alicia do que se tratava, ela tinha achado melhor não perguntar.

Alicia retirou os scarpins nude, ficando descalça, tudo para não acordar Jo. Era muito triste ver a decadência dela, mas Alicia já não sabia o que fazer. A garota estava dando o máximo de si e se acabando para encontrar Dean no Inferno, sem sucesso.

Não que Alicia não quisesse Dean de volta. Mas como vencer a morte? A morte para Alicia era algo que não tinha mais o que fazer. Mas Jo não pensava assim e também Sam acreditava que houvesse um jeito.

–Alicia? – chamou Jo, enquanto essa passava na ponta dos pés até seu quarto. Alicia deu meia-volta até a sala.

–Bom dia. – falou Alicia.

Jo olhou de cima a baixo para Alicia, de mini saia preta de couro, de cintura alta, com o top preto curto expondo uma parte do abdômen.

–Você chegou agora? – Jo levou a mão na cabeça. A claridade doía depois de todo álcool.

–Sim – respondeu Alicia, colocando seus sapatos no chão e entrando no meio da bagunça de garrafas e velas, se sentando ao lado de Jo no sofá de tecido xadrez.

–Como foi a noite?

–Consegui um monte de aliados – falou Alicia, num tom distante, tentando ser otimista. Não era tão simples assim. – e mais um monte de inimigos também. Ouvi um boato sobre Asmodeus, mas acho que era só um boato... Ninguém nunca me disse que seria tão difícil conquistar um exército. Mas desde... Desde o que aconteceu há quatro meses, tudo tem estado muito quieto.

Ela não conseguia dizer “a morte de Dean” em voz alta.

–Não tive nenhum sucesso – falou Jo, triste e derrotada.

Alicia pegou uma garrafa de vodka com metade do liquido no chão e bebeu um gole.

–Alicia, você está bebendo as sete da manhã? – perguntou Jo.

–Eu não posso ficar mais bêbada – respondeu ela tristemente e após uma pausa e mais alguns goles, falou – Jo, você está se acabando. Não é hora de pelo menos dar uma pausa nisso? Você tem ido ao Inferno todas as noites, isso não é perigoso?

–Não! – falou Jo, firme – eu não vou desistir de encontrar Dean, custe o que custar.

Alicia encarou Jo.

–Eu sinto falta dele – a moça continuou – todos os dias. Eu não posso suportar a ideia que ele está morto. Tem que haver uma maneira.

–Talvez não seja essa – falou Alicia, preocupada.

–É a única que eu tenho – Jo fez outra longa pausa e depois perguntou timidamente – você teve alguma notícia de Sam?

–Não – respondeu Alicia, seca.

–Você não está triste por ele ter terminado com você?

–Jo – falou Alicia com confiança e tranquilidade – Sam logo vai voltar para mim. Ele pode querer manter a distância que quiser, pode ficar bravo e acho que até está no direito dele, mas no final... Ele vai voltar para mim. Porque é assim que tem que ser. Ele não pode fugir disso, porque é o destino. E se ele estivesse morto ou ferido, eu saberia.

Alicia se levantou.

–Prometi ao Bobby que almoçaria com ele. E que eu faria o almoço. Você vem?

Jo concordou com a cabeça. Mas antes, precisava de um banho para se livrar do cheiro de fogo, álcool e enxofre. Ela foi até a poltrona e pegou o fichário branco e as pastas. Fazia alguns meses que ela investigava, mas ainda não tinha tido sorte ainda. Será que um dia o encontraria? Eram muitos documentos, mas nenhum definitivo ou que realmente a ajudasse.

–-

Assim que chegaram na casa de Bobby, Alicia e Jo encontraram ele muito irritado. Há algumas horas, ele tinha recebido a ligação “de um maldito demônio ou qualquer uma desses idiotas que não tem nada para fazer fingindo ser Dean”. Tanto Alicia quanto Jo ficaram muito chateadas com isso, a dolorosa perda ainda pesado nelas. Jo tinha estado com Dean por apenas alguns meses, mas era essas lembranças a quem se apegava. Alicia sentia falta dele demais, também. Mas os três ali – Jo, Alicia e Bobby lidavam melhor com o luto do que Sam, mas mesmo assim sofriam com a ideia de Dean passando a eternidade no Inferno. Assim como Jo lutava para encontra-lo lá, Alicia também queria usar seus poderes para salva-lo. Embora criticasse Jo, ela mesmo já tinha feito o mesmo que a loira – literalmente descido ao Inferno e procurado Dean por lá. Embora Alicia pudesse fazer isso, não era tão fácil para ela quanto estava sendo para Jo e ela não conseguia permanecer tempo o suficiente lá. Ela voltava involuntariamente. Fora o perigo que corria – como filha de Asmodeus, ela era muito mais facilmente reconhecida no Inferno no que Jo seria.

–Você tem alguma noticia de Sam? – perguntou Alicia, tranquilamente. Jo queria ver se Alicia estava realmente bem ou estava apenas fingindo, mas ela realmente estava serena. Jo percebeu que Alicia realmente acreditava que Sam voltaria para ela.

–Não – respondeu Bobby, preocupado – ninguém ouve dele há meses. E os celulares dele não estão funcionando.

Alicia suspirou.

–Queria que eu pudesse sentir onde ele está. Já fiz isso antes, uma vez, mas foi intuitivo. Agora que eu controlo esses poderes, eu não sei qual deles usar para achar Sam. É uma droga – ela falou, frustrada.

–Mas você está praticando, Allie – falou Jo – uma hora você acerta. Da última vez, você conseguiu vê-lo, não conseguiu?

–É – respondeu Alicia. – mas era uma imagem real? Ou uma lembrança?

–Você disse que ele estava diferente. – falou Jo – você está se sentindo confusa agora, mas quando aconteceu você teve certeza que era uma imagem real. Eu lembro.

Alicia fechou os olhos, pensando em Sam. Tudo o que ela precisava era de alguma imagem viesse a ela e ela pudesse localizar o local que ele estava. Tentou se concentrar nele – seu cheiro, de flanela e sabão, o toque dele na pele dela, seu sorriso carinhoso, o som de sua voz. Todos os pedaços que faziam dele Sam e de repente, ela podia visualizar um quarto de motel, um em que ela nunca tinha estado. Mas então seu querido Sam de suas memorias foram substituídos pela última vez que ela viu Sam, gritando e com ódio em seus olhos.

Ela abriu os olhos, que de repente tinham ficado úmidos de lagrimas. Alicia sabia que ele estava em parte certo sobre ela – ela tinha sido péssima com ele, todas as vezes. Alicia tinha consciência que agia errado, mas sempre esperou que ele a perdoasse, todas as vezes. Quando Sam voltasse para ela – e ele ia voltar – ela agiria diferente. O problema que não sabia como agir diferente – menos impulsa, um tanto quanto serena. Sentia que há alguns meses estava ficando mais calma, mas será que seria o suficiente para não sentir medo? Quando as coisas ficavam difíceis, ela sentia como se o peso de tudo estivesse desmoronando e Alicia não conseguia lidar, então fugia. Era tão simples – fugir e voltar a pensar quando tudo estivesse longe. Era melhor.

Alicia preparou o almoço, ainda pensando em Sam e em todas as vezes que tinha agido errado com ele. Sabia que ele a perdoaria. Sabia que ela deveria encontra-lo, porque não era certo deixa-lo sozinho após a morte de Dean, mas...

Era Sam quem tinha ido embora dessa vez e Alicia não tinha gostado nada da sensação.

Ninguém tocou mais nesse assunto enquanto comiam. Bobby simplesmente contava sobre casos recentes e sobre as novidades que os caçadores que passavam por ali falavam. Estavam na sala, tomando umas cervejas pós almoço. Bobby estava tentando convencer Alicia e Jo a pegarem um caso, qualquer caso.

Jo dizia que estava ocupada tentando trazer Dean de volta. Alicia dizia que não era mais uma caçadora.

De repente, alguém começou a bater na porta, com força e com intensidade. Bobby foi atende-la, resmungando contra pessoas desesperadas e impacientes que socavam a porta. Ele abriu a porta e os três encaram à pessoa a porta, primeiramente surpresos e em seguida furiosos.

Era Dean Winchester ou melhor, alguma coisa que se parecia muito com Dean.

Notas finais
Capítulo baseado em 4x01 Lazarus Rising e 4x09 I Know What You Did Last SummerVai lá:Primeiro, eu queria saber se vocês tem expectativas para meus rumos de história, e se tiverem, quais são. Segundo, uma coisa que eu sempre me perguntei é como a Ruby convenceu o Sam a tomar sangue de demônio. Você não pode chegar numa pessoa e falar: olha, você tem que tomar sangue de demônio, quer?, não, existem métodos para convencer a isso, e Ruby pegou o Sam de jeito, entenderam? Terceiro, e Alicia? Allie está 100% segura que Sam vai voltar para ela logo... Posso garantir que vai rolar decepção. E quarto: Notem, de novo, que Jo está fazendo alguma coisa desde o fim da terceira temporada, e ainda está fazendo, essa coisa que ela está fazendo foi desencadeada no 3x15 The Good and the Evil e estou avisando aqui para vocês não acharem que eu tirei coisas do nada kk todas as dicas estão ai.Quinto: quando eu volto? Eu espero voltar semana que vem, de verdade! Mas já adianto que talvez os capítulos demorem mais, porque quero fazer capítulos maiores e mais detalhados. Isso demora para escrever, porque normalmente depois da primeira vez, tem que ser descrito.Peço em nome de qualquer coisa que vocês considerem sagrada para deixarem comentários que eu fico mais animada para escrever o próximo. OBS: que zoeira foi aquela em 10x05 - Fan Fiction? Comecei morrendo de vergonha alheia, depois comecei a rir loucamente e no fim fiquei muito emocionada. OBS2: Tirei inspiração desse titulo de seriados como Orphan Black e Fringe, que sempre tem titulos de episódios legais.