Things We Lost

4 Capítulo 03 – Linha do ódio?


Notas iniciais
Não, não é miragem!! Hahaha perdoem a demora, a vida ainda muito corrida pra nós. Boa leitura!

Depois de levar um esbarrão de Kelly McBrennan, a única coisa que Dakota desejava era que Kyle fosse um pouco menos galinha. Aquela era a terceira ex-namorada dele que inventava uma desculpa para ser hostil com ela e só fazia três dias desde o começo dos boatos. Kyle havia prometido à ela que abafaria os comentários, porém todos concordam que ele não estava realmente se esforçando para isso, ele adorava ser o centro as atenções. Ela queria gritar no meio do corredor, falar para todos o quanto essa história era inútil e infundada, mas no fundo, Dakota sabia que seria uma perda do seu precioso tempo, eles nunca a escutariam. O único consolo dela naquele momento era o fato de estar caminhando para o último tempo daquela sexta-feira chuvosa, era aula de artes, a única aula em que podia ser ela mesma. Afinal, quando se tem tinta e uma tela em branco, quem precisa de palavras?

Dakota entrou e se sentou no seu lugar de sempre perto da janela. As gotas finas de chuva escorriam pelo vidro e ela sentiu uma vontade inquietante de abrir a trava para sentir o frio na pele. A Srta. Collins chegou e saudou a todos. A professora estava colorida demais naquela tarde, o namorado dela provavelmente estava na cidade e isso significava que os exercícios do dia seriam tão liberais quanto o mix estampas que usava.

— Senhores e senhoritas, hoje o nosso material é carvão e o tema é a critério de vocês, me surpreendam! – ela deu um dos seus sorrisos radiantes para logo acrescentar – Hoje abreviaremos nosso tempo um pouco, tenho um aviso ao final, então vocês têm 5 minutos a menos.

Dakota sempre imaginara como deveria soar a voz da Srta. Collins, pois sempre que ela falava o semblante das pessoas ao redor se suavizava, como se alguma tranquilidade fosse-lhes garantida ao toque daquele som. Ela estava feliz com a proposta, porém não sabia por onde começar, então, como sempre fazia quando tinha algum bloqueio, começou a rabiscar o papel do cavalete e deixou as mãos trabalharem automaticamente. Quando Dakota se deu conta estava encarando um par de olhos, todavia não eram olhos estranhos. A pitada de reconhecimento a fez franzir a testa. Aquilo era loucura, ela estava estressada e aqueles olhos não poderiam ganhar um rosto, não mesmo. Depois de arrancar o papel do bloco no cavalete e descartar, se concentrou em Bastet, sua gata, e a viu tomar forma sobre o papel até a professora tocar seu braço para avisar que o tempo havia acabado.

Depois de todos colocarem seus trabalhos na janela com ajuda de fita adesiva e voltarem aos devidos lugares, a Srta. Collins começou:

— Ótimo trabalho pessoal! – ela sorriu – Adorei todos.

Apesar de falar a mesma coisa sempre, ninguém duvidava da sinceridade dela. Independentemente dos traços mal feitos de alguns – Melissa ainda estava aperfeiçoando a sua técnica – e da falta de criatividade de outros – Jack desenhara os próprios sapatos – ela sempre adorava vê-los se empenhar naquilo.

— Hoje, tenho um novo projeto para vocês. – continuou – Muitas pinturas raras e belíssimas foram perdidas no decorrer da história, incêndios, guerras, roubos, muitas coisas colaboraram para que várias pinturas famosas fossem perdidas para sempre. Quero que vocês formem duplas e adotem uma dessas pinturas como tema de vocês, qualquer uma que achem merecida disso. Quero que façam uma reprodução física dela e contem um pouco sobre a sua história. A nota desse trabalho corresponderá a 50% da nota do trimestre. Vocês têm um mês para concluir. Divirtam-se!

Isso era um problema. Dakota estava se controlando para não entrar em desespero. Artes era a única aula que Kiara não fazia com ela e Liam e Jack, os únicos amigos de Dakota naquela sala, já anunciavam para a professora que eram uma dupla. Antes dos dois perceberem o erro, Shawn começou a caminhar em sua direção com um sorriso. Aquilo era estranho porque ele parecia determinado e Shawn nunca tinha se dignado antes a ao menos olhar amigável para Dakota, e ela não era a única prestando atenção.

— Ei, Dakota, o que acha de ser o meu par? – perguntou quando chegou mais perto.

Ela não precisava dizer o quanto aquela pergunta era bizarra, as expressões das pessoas ao redor já faziam isso por ela. Dakota não tinha muito tempo para considerar já que boa parte da classe os encarava, porém nos poucos segundos que teve chegou à conclusão de que nada daquilo tinha a ver com ela, era culpa de Kyle. Era sempre culpa dele. Ela queria que houvesse um dia em que não sentisse vontade de esganá-lo, não, melhor, queria que houvesse um dia em que ela pudesse realmente esganá-lo sem sofrer por isso. Não era novidade que Shawn e Kyle não se davam muito bem, então era óbvio que ele estava fazendo isso para irritar o outro, não para ser gentil com ela. Dakota também chegou a uma segunda conclusão: não se pode dispensar o vice capitão do time de rugby na frente da turma inteira. E foi por isso que ela assentiu.

— Ótimo. – ele sorriu mais e ela tentou sorrir também.

Dakota o observou rasgar um pedaço de papel do cavalete ao lado e pegar um dos carvões polidos que eles usaram na atividade. Ele disse alguma coisa, porém estava virado demais para que ela pudesse enxergar. Quando terminou se virou para ela e lhe entregou.

— A gente pode marcar de começar na semana que vem. Me manda uma mensagem depois pra eu saber que é você. – dito isso ele deu uma piscadela e saiu andando, pegou a mochila e se retirou da sala sob o olhar de Dakota.

Ela desviou os olhos para o papel, havia um número de telefone ali. Dakota estava muito absorta para perceber que Liam dizia alguma coisa até ele puxar o papel da sua mão.

— Eu disse que é inacreditável, Dakota. – Liam repetiu quando ela virou de testa franzida para ele. – Você não vai mesmo fazer isso, vai?

— É só um trabalho.— Dakota revirou os olhos.

— Mas esse cara é um idiota! – argumentou Liam.

—E eu tinha alguma escolha? Vocês me abandonaram.

Liam virou para Jack procurando auxílio na tradução, ele não era tão bom quanto os outros nessa coisa de língua dos sinais.

— Ela perguntou se tinha alguma escolha e nos acusou de abandono – reproduziu Jack. – Agora vamos deixar claro que várias garotas matariam só para serem abandonadas nos braços daquele cara, e alguns garotos também. – ele sorriu malicioso.

Dakota não pôde deixar de rir daquele absurdo, que não era tão absurdo assim. Shawn era mesmo um gato, mas ela não estava em seus braços coisa nenhuma. Liam bufou.

— Desculpa! Nós não deveríamos ter deixado isso acontecer. – ele parecia envergonhado.

— Pare com isso! Eu sou uma menina crescida não preciso de supervisão o tempo todo. – Dakota gesticulou com um sorriso afável. – Agora eu preciso ir, meu pai deve estar me esperando.

Dakota pegou a mochila depois de se despedir e saiu corredor a fora. Enquanto passava pelos corredores em direção ao armário ela teve certeza de que tinha inflamado as fofocas, não podia ouvir os comentários, mas ninguém podia lhe negar os olhares. Assim que fechou o armário avistou Kiara, ela andava tão ansiosa que Dakota teve de se segurar para não sair correndo. Aquilo só poderia significar uma coisa: fofocas no ensino médio não são tão velozes quanto a luz, mas chegam perto.

— Que história é essa com o Shawn? – Kiara sempre usava BSL quando não queria ser ouvida, o que era raro, já que sempre desejava que suas posições sobre o mundo ficassem bem claras para o maior número de pessoas possíveis.

— Não começa— Dakota reclamou.

— O quê? Eu só quero saber o que aconteceu.

— Shawn me convidou para fazer dupla com ele no trabalho da Srta. Collins, só isso. – a carranca estava estampada em cada detalhe do rosto da loira.

—Só isso? Só isso? Você tá louca? — ela parecia revoltada – Quantos gatos você planeja conquistar até o fim do ano?

— Eu não estou a fim de brigar com você, em tão vou fingir que não vi isso.

Antes que Dakota saísse furiosa pelo corredor, Kiara a segurou.

— Tudo bem, você está estressada, entendi – falou ela em um só folego, se controlando para não falar tão rápido quanto gostaria.

— Estou cansada de toda essa atenção. – Dakota suspirou.

—Eu sei, gata, eu sei. Agora relaxa, vamos sair daqui.

Kiara pôs o braço nos ombros da outra, que era um pouco mais baixa que ela, e a acompanhou até a saída onde se despediu com a promessa de ir até a casa de Dakota no sábado à tarde.

Sean parecia entediado quando a filha enfim chegou ao carro, eles trocaram sorrisos e começaram sua jornada até em casa. Durante o caminho Dakota começou a refletir sobre o dia, havia sido um fiasco, porém no meio desses pensamentos ela percebeu uma coisa, uma coisa a respeito de Shawn. Ela começou a procurar nas memórias algum encontro antecedente em que tinham trocado alguma palavra, mas não achou nada, o que significava que estava certa. Shawn foi, em todo o seu tempo sem a audição, uma das poucas pessoas que ao ter o primeiro contato com ela não gesticulou exageradamente a boca, nem gritou, ou fez gestos exorbitantes, ele só a tratou como qualquer outra pessoa, como uma igual. Dakota gostou disso. É claro que os motivos dele não tinham nada a ver com ela, entretanto de alguma forma aquela coisa simples lhe redeu alguma simpatia por parte dela. Quando enfim pararam na garagem do prédio, Dakota notou as compras no banco traseiro.

— O que são essas coisas? – perguntou.

— Ingredientes para o jantar. – Sean sorriu.

Dakota arqueou a sobrancelha. Sean nunca cozinhava. Assim que viu a expressão dela, acrescentou:

— Mirella e os meninos vêm jantar aqui esta noite.

Dakota fez uma careta.

— Você sabe que Bastet não gosta de estranhos.

— Vai mesmo usar a desculpa da gata? Achei que tinha gostado deles. – Sean tentou se mexer dentro do carro para olhá-la melhor, funcionou um pouco.

— Mas é verdade! – ela fez uma pausa e continuou -- Eu gosto da Mirella, ela é incrível, e o Rolland é uma gracinha, o Kyle... bem... ele é mesmo um pouco irritante, mas posso conviver com isso. Eu só não gosto da ideia de todos eles invadindo meu espaço pessoal.

Sean suspirou.

— Vamos todos morar juntos Dakota, eles vão fazer parte do seu espaço pessoal. Além disso, Mirella já esteve em nossa casa várias vezes.

— Três vezes, ela esteve em nosso apartamento três vez. Eu não conto os dias em que ela saiu de fininho pela manhã nos finais de semana.

— Você sabia? – seu pai parecia surpreso.

— Que o senhor estava tendo um caso com a mesma mulher há mais de um ano? Eu tenho surdez, não demência, papai!

Sean sorriu, um daqueles sorrisos fáceis e lindos que só pertenciam a sua garotinha.

— Vamos subir. Me ajude a levar tudo e esteja pronta para o jantar.

Dakota bufou. Não havia nada a se fazer a respeito disso, seu pai estava certo. Depois de subirem ela se dirigiu até o quarto e encontrou Bastet jogada em uma cadeira, quando notou a sua presença, a gata não veio ao seu encontro, não rolou, nem pareceu minimamente animada, ela só levantou a cabeça e encarou. Dakota sabia que gatos não eram muito afetuosos, ou só não davam a mínima na maior parte do tempo, mas ela amava aquela coisinha branca e tentava respeitar o espaço dela, por isso passou para o banheiro sem muita cortesia. Depois de um banho quente e de um bom tempo tentando achar uma roupa, Dakota seguiu o cheiro vindo da cozinha usando shorts e uma blusa quentinha.

— Ainda não acredito que você está cozinhando. – ela se pôs encima do balcão – Sabe ... você não precisa mais impressionar ela, vocês já estão noivos, vão até comprar uma casa juntos!

Sean se virou para ela com um sorriso divertido.

— Eu não fico me metendo na sua vida amorosa, querida, então espero que não se meta na minha. – assim que terminou, ele voltou ao fogão.

— Mas tecnicamente não é só a sua vida amorosa que está em jogo. Ela vai ser minha futura mamãe, então acho que isso tem tudo a ver comigo – argumentou.

Ele parou o que estava fazendo e se virou para ela novamente.

— Então é isso? Isso – ele a apontou com a mão – tem a ver com a sua mãe.

— Às vezes você é tão bobinho, pai – suspirou Dakota.– Mamãe iria gostar de saber que você seguiu em frente e sério estou bem. Na verdade, isso tem mais a ver com você. – ela já estava na frente dele quando continuou – Você fica tão radiante quando fala da sua preciosa Mirella. Me dê um tempo. Passei dias demais sendo a única garota da sua vida.

Ele a abraçou e eles ficaram assim até o cheiro de queimado os trazer de volta. Pelo visto, naquela noite não teriam nada de spaghetti, eles pediriam uma pizza.

Enquanto os Reagan não chegavam, Dakota voltou para o seu quarto e ficou pensando no que fazer para a hora passar mais rápido. Abriu a gaveta da cômoda e tirou um de seus lápis de desenho favorito, foi até a janela e olhou o céu por uns 2 minutos, depois voltou para a escrivaninha, sentou e pegou uma folha de sulfite para resolver o que a estava incomodando tanto desde a aula de artes. Recomeçou e terminou o rosto dos olhos que jamais poderiam pegar forma na escola, ali em seu canto particular, ninguém jamais acharia o desenho.

Ela não ficou muito surpresa ao descobrir que sim, aquele era Kyle, um Kyle de sorriso zombeteiro e covinha insistente. Não conseguia entender o porquê de desenhá-lo, mas sabia que isso tinha a ver com a raiva que estava sentindo dele. Normalmente ela se expressava através dos desenhos e aquilo definitivamente a fazia se sentir melhor.

Dakota guardou o desenho na gaveta e se endireitou na cadeira, pronta para iniciar um novo esboço, porém foi surpreendida por uma mão em seu ombro. Ela deu um pulo. Olhou para cima e então seu desenho estava materializado bem atrás dela e com um sorriso de canto encantador. Dakota se sentiu uma idiota, como pôde tentar desenhar aquela perfeição? Espera, ela tinha mesmo pensado isso?

— Desculpa se te assustei –Kyle franziu o cenho e Dakota sorriu, fazendo-o relaxar – seu pai pediu pra vir te chamar. Estamos escolhendo o sabor das pizzas.

Dakota assentiu e levantou ainda sem jeito. Será que ele tinha visto o desenho? Kyle não se moveu e ficou encarando a gaveta. É, ele viu e ficou muito curioso. Não perderia a oportunidade de deixá-la sem graça.

— Belo desenho, eu adoraria ver mais. – estava sendo sincero. Ela desenhava muito bem. Kyle entretanto ainda estava intrigado com o porquê dela desenhá-lo – Você fez porque me acha bonito ou o quê? – mordeu o lábio inferior, fazendo-a revirar os olhos.

Ela pegou o celular e começou a digitar as seguintes palavras: "Eu sempre desenho para me aliviar do estresse e adivinha? Você foi escolhido como o meu maior motivo de estresse nos últimos dias."

Kyle pegou o celular e leu, rindo logo em seguida.

— É uma pena que não seja por outra coisa – piscou para a loira que reprovou as palavras balançando a cabeça. Ela saiu pisando duro para fora do quarto e Kyle foi atrás.

Mirella estava abraçada com Sean, e Rolland mexia em seu iPad um pouco animado demais. Devia estar jogando algum de seus jogos preferidos. Sean notou a aproximação da filha com aquela cara de poucos amigos e a questionou com o olhar.

— Como você manda esse garoto entrar no meu quarto sem a minha permissão, pai?

Sean abriu a boca para responder, mas achou que era melhor aquela conversa ser em sinais.

— Achei que fossem amigos — defendeu-se.

— Amigos? — Dakota riu internamente.

— Ele só quis ser legal. Agora, por que você não tenta fazer o mesmo? — Sean encerrou a conversa, então Dakota se recompôs e sorriu para Mirella. Indo sentar-se ao lado de Rolland.

Kyle ficou encarando Dakota durante muito tempo com um sorriso pervertido no rosto, deixando-a ainda mais constrangida por causa daquele maldito desenho. Eles acabaram escolhendo 3 sabores de pizza e não demorou mais de 40 minutos para o interfone tocar anunciando a chegada da comida.

Todos, exceto Dakota, comeram animadamente enquanto falavam sobre assuntos diversos, e mais uma vez ela ficou em silêncio o tempo todo. A única diferença era que dessa vez ela não estava afim de prestar atenção em nenhuma conversa. Só percebeu que estavam falando com ela quando Rolland tocou de leve em seu ombro. Ele sorriu em resposta quando ela franziu o cenho.

— Eu perguntei se você acha que o casamento deve ser algo mais reservado – Mirella falou um pouco sem jeito. Por ela nem teria uma festa, só algum tipo de cerimônia, mas Sean queria muito que pelo menos chamassem os amigos mais próximos em um espaço bem aconchegante. Passariam um fim de semana em algum castelo ou algo do tipo.

— Bom — Dakota foi pega de surpresa com a pergunta e acabou se lembrando dos planos de seu pai — eu acho que a minha opinião não vale muita coisa nesse assunto — mordeu o lábio inferior e continuou –mas gostei da ideia do meu pai, sobre o fim de semana no castelo.

— Dakota acha a ideia do castelo muito boa. — Sean sorriu vitorioso e Mirella soltou um gemido de frustração.

— Também acho essa ideia ótima. — Kyle arqueou a sobrancelha direita para Dakota e ela bufou internamente. Aonde ele queria chegar com aquilo?

— Eu estou com os mais novos – Rolland se pronunciou, fazendo todos rirem.

— Está decidido então? – Sean se virou para a noiva e ela estava um pouco mais conformada com a decisão.

— Decidido. – Mirella sorriu e deu um gole em seu vinho.

Para a infelicidade de Dakota, Kyle resolveu puxar assunto com ela.

— Então, você desenha há muito tempo?

— A Dakota? – Sean interveio – Ela ama desenhar. Principalmente os extremos. Existem dois motivos para os desenhos dela: ama ou odeia.

— Eu estou na linha do ódio pelo visto.– Kyle fingiu uma tosse e olhou de relance para Dakota.

— Não deveria ficar tão surpreso — gesticulou a loira.

Kyle ficou irritado por não entender. Se ele quisesse mesmo conversar com Dakota, teria que aprender BSL porque ela jamais usaria sua voz com ele, e todo mundo sabia que Kyle não tinha tempo para isso. Seria muito mais fácil se pedisse o número do telefone dela, coisa queo bviamente não faria. Eram as garotas que corriam atrás dele. Desde quando Reagan tinha que pedir o número de alguém? Ele riu de seus pensamentos, quanta bobagem.

O celular de Dakota estava no quarto e ela achou que seria falta de educação sair da mesa para ficar grudada no mundo das mensagens, porém não tinha muitas escolhas. Se Kyle resolvesse perguntar mais alguma coisa, ela teria um ataque de histeria. Então levantou sem olhar para o lado e caminhou até o quarto, pegou o celular, verificou as mensagens e respondeu-as rapidamente. Quando estava pronta para sair dali, encontrou Kyle encostado no batente da porta.

— Por que está tão incomodada por eu ter visto o desenho?

A loira balançou a cabeça e suspirou pesadamente.

— Não está incomodada então? – Kyle insistiu e depois estendeu seu celular para ela responder. Dakota não demorou a digitar.

"Kyle, eu não estou incomodada coisa nenhuma. Só não estou me sentindo muito bem em relação a tudo o que está acontecendo na escola, tá legal? E não me leve a mal, não somos amigos para eu ficar me abrindo com você, se é isso que espera que eu faça, pode desistir. Já basta o Shawn."

— Tudo bem, já entendi. Mas eu estou ou não na sua linha do ódio? – insistiu mais uma vez. Dakota revirou os olhos antes de digitar.

"Você nunca saberá."

Kyle bufou ao ler a mensagem. Como era possível que aquela garota resistisse aos encantos dele?

— Espera, – arregalou os olhos – você disse Shawn, ShawnO'Connell? – ele sentiu uma pontada de raiva surgir dentro do peito. Dakota assentiu e ele balançou a cabeça incrédulo.

— O que ele fez pra você? – parecia preocupado. E lá estava Dakota digitando de novo.

"Nada demais até agora. Resolveu me chamar para ser o par dele na aula de artes e me passou o número do telefone dele."

— Ele o que? – Kyle falou um pouco mais alto do que esperava e recompondo-se, voltou a falar – O que esse babaca acha que está fazendo? – conversava mais consigo mesmo do que com a loira.

Enquanto Kyle ficava em seu conflito interno, Dakota abriu a gaveta, pegou o desenho e assinou. Logo depois estendeu para o garoto à sua frente. Kyle observou o desenho mais de perto e sorriu ao ver que estava tão perfeito. Só não entendeu o porquê dela dar a ele. Ela percebeu a cara de confusão dele e escreveu mais uma mensagem.

"Pode ficar pra você, já que gostou tanto. Eu ia jogar fora mesmo."

Kyle leu a mensagem e sorriu.

— Obrigado, vou guardar com certeza – disse com sinceridade. Colocou o desenho no bolso e saiu porta a fora.

Os Reagan demoraram mais uma hora para ir embora e dessa vez, Dakota ficou conversando com eles, ainda por BSL, mas Sean não se incomodou em ficar traduzindo o que ela dizia.Quando os três saíram do apartamento, Dakota ajudou o pai com a louça e a bagunça, depois colocou um pijama e deitou na cama se sentindo mais cansada que o normal.Ficou pensando em como a sua vida tinha dado um giro de 360 graus em menos de uma semana. Kyle definitivamente tinha feito com que ela fosse enxergada na escola e ela ainda não sabia se estava pronta para ser tão exposta assim.Ela levantou da cama quando percebeu que o sono demoraria a chegar e foi até sua escrivaninha ver o celular. Ficou surpresa ao ver um bilhete embaixo dele, tinha um número de telefone seguido de uma mensagem: "Caso O'Connell te perturbe muito, pode me falar.”. Dakota sorriu e pensou muito se deveria mesmo anotar o número de Kyle. Aliás, quando ele tinha entrado lá e deixado o bilhete? Ela anotou o telefone e resolveu mandar uma mensagem, o que foi bem inconsequente de sua parte.

"E se você me perturbar muito? Quem eu devo chamar? Como ousa entrar no meu quarto assim?"

Dakota voltou a deitar e levou o celular consigo. Não demorou muito para que Kyle respondesse. Do outro lado da linha, o garoto não conseguia parar de sorrir, irritá-la tinha virado o seu hobby preferido.

"Eu não perturbo ninguém, boneca. É só dizer que não quer mais falar comigo, não corro atrás de nada. Quem mandou você deixar a porta aberta?"

"Você é insuportável, meu Deus!"

"Você ainda não viu nada. Boa noite, linda.”

"Tchau Kyle."

Dakota revirou os olhos antes de fechá-los e tentar dormir mais uma vez.

Kyle ainda não tinha conseguido parar de sorrir. Qual era o problema daquela garota? O que ela estava fazendo com ele? E por que saber que ela se aproximou de Shawn o tinha deixado tão irritado? Ele estava ficando louco e sua loucura tinha nome e sobrenome: Dakota Caitlin O'Callaghan.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado!! Comentem seus lindos, não sejam fantasminhas. Façam as autoras felizes ♥ Beeijos da tia Maniper!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.