Things We Lost
3 Capítulo 02 – A visita
Notas iniciais
Sean dirigia em uma velocidade razoável e surpreendeu Kyle e Dakota ao parar em frente a uma lanchonete. Não era uma lanchonete qualquer, ali vendia os melhores hambúrgueres da cidade e o ambiente estava um pouco cheio aquele horário.
— Eu pensei que estivessem com fome – comentou um pouco sem graça. Na verdade, era Sean quem estava faminto.
— Acertou em cheio – Kyle sorriu olhando para o retrovisor. Eles ficaram esperando uma reação de Dakota.
— Está com fome filha? – perguntou Sean olhando para ela, que somente assentiu em resposta.
Na verdade, Dakota se sentia satisfeita ainda do almoço, mas não fazia o estilo dela recusar comida boa.
— Ok então, vamos.
Se eles tivessem ensaiado não teria saído tão perfeito, os 3 bateram as portas do carro em sincronia e começaram a caminhar em direção ao local. Assim que Sean entrou ouviu-se o pequeno sino acima da porta anunciando a chegada deles. Não demorou mais que 10 segundos para um atendente muito simpático vir até eles.
— Mesa para 3? – perguntou segurando seu bloquinho de anotações.
— Sim... – Sean estreitou os olhos para ler o nome no crachá. – Keegan, certo? – o atendente assentiu e acenou com a cabeça para que o seguissem.
Kyle foi o primeiro a se sentar, preferindo ficar de frente para Dakota e Sean. Ele se dava bem com o seu futuro padrasto, não tinha do que reclamar. Os dois sempre tinham assunto e até planejavam fazer alguns programas juntos quando fossem morar na mesma casa, já que o pai de Kyle não era muito presente. Essas propostas fizeram com que Sean ganhasse muitos pontos a seu favor.
— O que vão querer? — Keegan entregou um cardápio para cada.
Dakota negou com a cabeça quando o cardápio foi estendido a ela, não precisava ler, já sabia o que queria. Apontou para o maior lanche que tinha no cardápio e fez Kyle soltar uma risada pelo nariz. Ele não conseguia imaginá-la comendo aquilo, ela era tão pequena e aparentemente delicada.
— Vou querer o mesmo que a Dakota – disse, depois de olhar duas vezes o menu.
— Então serão 3 iguais – Sean sorriu para os garotos. Ele não ficaria de fora.
— Você também teve prova hoje? – Kyle perguntou para Dakota. Já que iam morar juntos, não custava nada tentar ser um pouco amigável. Ela fez que sim com a cabeça e ele sorriu. – O que achou?
— Estava mais fácil que a última — respondeu franzindo o cenho.
— Ela disse que estava mais fácil que a anterior – Sean traduziu. Estava feliz por ver os dois conversarem. No entanto seria um pouco mais fácil se Dakota ao menos tentasse usar a voz.
— Também achei. – Kyle se remexeu um pouco até tomar coragem para continuar. – Eu estou um pouco curioso, você não precisa responder se achar indelicado, mas como consegue entender todo mundo sem... Você sabe.
Dakota franziu o cenho. Ele havia falado tão rápido que foi difícil para ela captar alguma coisa. Se virou para o pai.
— Pode pedir para ele repetir? Foi muito rápido.
Sean riu. Aquela interação estava deixando Kyle nervoso.
— Ela perguntou se você pode repetir e falar mais devagar dessa vez. Até eu tive dificuldade em compreender o que você disse.
Ele repetiu e Dakota não pôde deixar de achar graça da pergunta.
— É mais fácil do que parece. Se conseguir enxergar os lábios da pessoa com quem estou conversando e ela não falar tão rápido como você fez ainda pouco, é possível saber.
Ela sorria enquanto o pai traduzia tudo. Kyle assentiu.
— Uau! Eu nunca conseguiria fazer isso – e o silêncio se apoderou da mesa até a comida chegar.
Keegan lhes serviu os sanduiches enormes acompanhados de refrigerantes em igual proporção, tudo estava altamente convidativo. Kyle olhou para Dakota e seu enorme lanche e dessa vez não conseguiu segurar o comentário.
— Não consigo te imaginar comendo isso – deu um sorriso debochado. – Aposto que não chega nem na metade.
Dakota observou o garoto a sua frente. Idiota, mal sabia o quanto ela era boa de garfo. A loira estendeu o braço sobre a mesa e Kyle não demorou muito para apertar sua mão selando o desafio. Aquilo seria muito divertido, pensou ele.
— Acho que você vai perder essa Kyle – Sean riu. Conhecia muito bem a filha.
Eles comeram em um ritmo moderado. E o olhar de Kyle ao ver Dakota terminar primeiro que ele era impagável. Qual era o problema com aquela garota?
— Eu avisei – Sean balançou a cabeça enquanto terminava de comer seu último pedaço do hambúrguer.
— Na próxima vez, deveríamos apostar dinheiro – zombou Dakota.
Sean ria enquanto traduzia e Kyle pareceu um pouco indignado, mas permaneceu quieto. Ninguém falou mais nada. Pediram a conta e andaram até o carro.
A nova casa tinha quartos mais do que suficientes para eles e um jardim lindo. Apesar de Kyle dizer que não se importava em dividir o quarto com Rolland, Mirella e Sean decidiram que seria melhor se todos tivessem o seu canto. Evitar brigas era o que eles mais queriam. Controlar 3 adolescentes não era a coisa mais fácil do mundo, ainda mais quando todos tinham gostos e hábitos diferentes.
Sean estacionou em frente a um sobrado. Era enorme, parecia até um exagero apenas 5 pessoas morando lá. Kyle viu o carro da mãe estacionado um pouco a frente e deduziu que Rolland estava com ela.
— Achei que nunca chegariam! – Mirella estava levemente corada por causa do dia abafado. Ainda não tinha caído uma gota de chuva e aquilo era quase improvável quando se tratava de Belfast.
— Nós paramos pra comer – Kyle deu um beijo na bochecha da mãe e Dakota achou fofo o afeto.
— Oi Dakota – Rolland sorriu ao vê-la. Ela acenou em resposta.
— Comeram e nem chamaram a gente? Estamos famintos – Mirella colocou a mão sobre a barriga enfatizando.
— Drama não combina com você. Sabe disso, não é? – Sean selou os lábios nos da noiva.
Kyle pigarreou, um pouco constrangido com a cena e disse:
— Os pombinhos vão ou não mostrar a casa pra nós?
Dakota não ficaria de fora dessa quase bronca. Cruzou os braços para os 2 adultos a sua frente e arqueou sua sobrancelha direita. Estava rindo por dentro da expressão de seu pai que parecia não saber onde enfiar a cara.
— Qual o problema Kyle? Eles se amam – Rolland não entendia a situação. – Quer dizer a mamãe disse que ama o Sean – estava pensativo. — Você também ama ela, não é? – ele encarava Sean com um ar de desconfiado.
Todos riram das palavras de Rolland. Ele era um ótimo garoto. Sean se abaixou até ficar do tamanho dele, passou a mão sobre os cabelos pretos do menino e respondeu:
— É claro que amo – com a resposta, Rolland respirou aliviado fazendo com que todos rissem novamente.
— Vamos – Sean pegou na mão de Dakota e a puxou para mostrar a sala enquanto os outros viam o restante.
Era enorme. Não dava nem pra imaginar o tanto de móveis que seria necessário para mobiliar tudo aquilo. Logo na entrada era possível ver uma escada que provavelmente daria para os quartos. A casa era toda no estilo irlandês, um tanto rústica e bem charmosa. Não demorou muito para que Kyle e Rolland começassem a discutir sobre com qual quarto ficariam, só não foram mais rápidos que a interrupção da briga por Mirella.
— Escutem aqui. Quem vai escolher primeiro é a Dakota, só pra vocês largarem de ser mal-educados – bateu o pé irritada. – Venha cá querida, faça sua escolha.
Dakota percebeu que um dos quartos estava com a porta fechada logo no fim do corredor, então provavelmente aquele seria o de seu pai, andou mais um pouco até chegar em um com o tamanho moderado. Tinha uma pequena sacada, um guarda-roupa embutido com uma porta que dava a um pequeno closet, também tinha um banheiro. Era aquele, não tinha mais o que ver. Foi atrás de Mirella e apontou para o quarto.
— Aquele? – Dakota assentiu. – Ótimo. Agora vocês podem escolher – fuzilou seus dois filhos com o olhar.
— O que achou filha? – Sean passou a mão carinhosamente pelas costas dela.
— Muito bonito. Talvez um pouco exagerado, mas muito bom — ela ainda não estava pronta para falar.
— Que bom que gostou— o homem sorriu satisfeito. Não via a hora de poderem finalmente mudar para o ambiente novo.
— A mamãe iria amar a vista do meu quarto.
Ela gostava de lembrar da mãe. Elas tinham praticamente os mesmos gostos e a aparência muito similar. Foi um golpe enorme perder Jane, mas em momentos de saudades, Dakota sempre recordava de uma conversa que havia tido com o pai. Sean certa vez disse a ela “Sua mãe não era uma mulher de arrependimentos. Ela viveu exatamente como queria viver e no final das contas isso é tudo que importa” e ele estava certo.
Sean caminhou até a sacada do quarto que a filha escolhera e fechou os olhos ao sentir as primeiras gotas da chuva cair. Jane com certeza amaria aquela vista.
— É incrível – admitiu com um sorriso maior que a Terra. Ele não poderia estar mais feliz.
No fim, Kyle e Rolland acabaram escolhendo seus respectivos quartos sem se matarem, o que deixou Mirella satisfeita. Enquanto andavam ainda explorando os cômodos, o celular de Kyle e de Dakota tocaram quase no mesmo instante. Claro que ela só percebeu isso porque sentiu algo vibrar em seu bolso. Kyle pegou o celular e riu ao ler ao mensagem do amigo Ryan:
“Não se pode nem cumprimentar as pessoas que já vira assunto? Caso venham te questionar, você deu um beijo na boca da filha do seu padrasto na frente de todos, foi quase uma cena de relacionamento assumido. É o papo que tá rolando cara, não sei o que essas pessoas tem na cabeça pra inventar tanta mentira. E eu não poderia deixar de te lembrar que a filha do Sean é muito mais gata de perto. Falou Ky.”
Kyle guardou o celular e olhou discretamente para Dakota, ela parecia chocada com as palavras a sua frente.
“DAKOTA CAITLIN O’CALLAGHAN QUE HISTÓRIA É ESSA DE QUE VOCÊ DEU O MAIOR BEIJO NO REAGAN NA FRENTE DE TODO MUNDO???”
Era Kiara, a melhor amiga de Dakota. Ela queria praguejar alto, mas conteve o impulso assim que percebeu que Kyle a observava. Virou de costas para esconder o aparelho e respondeu a amiga.
“Primeiro, eu não beijei ele. Kyle me beijou e FOI NO ROSTO, nada demais. Não precisa ficar histérica.”
Alguns minutos depois o celular vibrou novamente.
“Não é isso que estão falando por aí”
“Acha que eu mentiria pra você sobre isso Kia? Sério?”
“Ok, ok, mas agora que você tá famosa não vai esquecer de mim!!”
Dakota suspirou, seu maior pesadelo tinha acabado de começar. Kyle ainda estava atento a ela e ela sabia, mas não estava nem um pouco animada em ter que enfrenta-lo a respeito disso. Se dependesse da loira, ele nem saberia de nada, mas para a infelicidade dela, Kyle tinha muitos informantes.
Kyle cutucou Dakota com um pouco de receio, afinal, como entenderia caso ela respondesse? Respirou fundo duas vezes até que ela virou para encará-lo.
— Não sei se já foram te atormentar sobre eu ter te cumprimentado, mas caso estejam te azucrinando, eu sinto muito por isso. Parece que gostam de me colocar em situações imaginárias – disse bem devagar, lembrando do que ela tinha dito a ele na lanchonete sobre ler os lábios.
Dakota não conseguiu decifrar o rosto de Kyle, na verdade era meio indecifrável, ele só se mostrava para quem realmente tinha confiança. Ela pegou o celular e começou a digitar algumas palavras. Estendeu o celular e esperou que ele lesse.
“Não me leve a mal Kyle, é que não sou acostumada a ser o centro das atenções, então se você puder desmentir isso, eu ficaria muito agradecida.”
Kyle abriu a boca pra falar, porém fechou logo em seguida. Ela queria que ele desmentisse? Que garota na face da Terra não gostaria de ser alvo de fofoca sobre estar com ele? Todas queriam estar com Reagan. Ela conseguiu lhe ferir o ego. Ele estava surpreso demais e demorou um pouco para pensar no que responder.
— Claro. Vou resolver essa situação. Me desculpe mesmo Dakota – disse sem vontade. E antes que ele sumisse dali, Dakota digitou mais uma mensagem.
“Muito obrigada e tira essa careta do rosto. Sem ofensas, você não faz o meu tipo, mas te acho uma boa pessoa, de verdade.”
— Não me sinto ofendido – ele deu um sorriso de lado encantador – só acho intrigante quando uma garota linda faz pouco caso de mim – piscou e foi ao encontro de sua mãe.
Dakota balançou a cabeça e esperou que sua leitura dos lábios de Kyle estivesse errada. Ele não a chamou de linda, foi só um exemplo de quando ele fica intrigado, certo? Não poderia ter dito aquilo. Ela tentou se enganar, mas sabia que ele tinha sim a chamado de linda e com essa conclusão, não conseguiu segurar um sorriso que nasceu em seus lábios. Kyle queria deixa-la embaraçada, porém ele não sabia que era preciso mais do que chamá-la de linda. Dura na queda, Dakota jamais se deixaria levar por um simples elogio.
— Alguém tem uma objeção a casa? Se tiver, a hora é agora – Sean disse assim que todos se reuniram no hall de entrada.
— Eu achei que acharia alguma coisa – admitiu Rolland com um sorriso – mas gostei demais. Não vejo a hora de nos mudarmos! – sua empolgação fez Mirella rir.
— Provavelmente só vamos conseguir nos mudar em janeiro – Sean explicou. – Tem algumas coisas para resolvermos ainda e também tem as papeladas do casamento antes disso. Pra adiantarmos.
— Tudo bem. Agora a gente já pode ir, mãe? Tenho um treino em menos de uma hora – Kyle passou as mãos no cabelo enquanto falava.
— Claro – Mirella respondeu. Se despediu de Dakota e do noivo e os filhos repetiram seu gesto logo após.
Eles seguiram para os seus respectivos carros e tomaram caminhos diferentes. Enquanto no carro de Sean o silêncio permanecia, no de Mirella, Rolland não parava de falar sobre o seu dia na escola e de quais coisas da casa mais tinha gostado. A mãe até que tentava acompanhar as palavras dele, mas o trânsito estava complicado demais para ela dar toda a atenção desejada naquele momento. E Kyle tinha colocado seus fones de ouvido, tentando se livrar do mundo a sua volta. Ele só tirou os fones quando viu sua mãe estacionar em frente à escola.
— Que horas devo vir te pegar, filho? – ela perguntou mexendo no celular.
— Não precisa vir – Kyle mordeu o lábio inferior. Sua mãe arqueou a sobrancelha esperando uma explicação. – O meu pai disse que vem me pegar hoje. Quer conversar sobre alguma coisa, eu não sei bem o quê.
— Como assim o papai quer conversar? – Rolland colocou a cabeça entre os bancos dianteiros para olhar seu irmão.
— O seu pai vem te buscar? – Mirella segurou uma risada e depois assentiu ainda achando a situação engraçada. – Caso ele não apareça, pode me chamar, tudo bem?
— Vou sair ás sete horas hoje – respondeu já esperando o esquecimento do pai.
— Tenho uma reunião até esse horário, então eu te ligo assim que sair pra ver se ainda está aqui. Pode ser?
— Claro mãe – ele sorriu e depositou um beijo na bochecha dela. – Tchau parceiro – fez um toque com as mãos ao se despedir do Rolland.
Kyle ficou olhando a sua mãe ir embora e só então caminhou até o portão. O guarda abriu assim que o reconheceu e acenou em cumprimento, ele retribuiu e foi para o vestiário. Se trocou lentamente, pois ainda faltava um tempo para o começo do treino. Assim que terminou manteve o ritmo despreocupado até chegar ao campo. Todos viraram imediatamente quando o viram chegar e os amigos mais próximos, Ryan e Donovan, se juntaram a ele, que se adiantou:
— Eu preciso desmentir o papo do beijo antes que a Dakota arranque a minha cabeça fora – os amigos riram ao ouvir a voz de frustração dele.
— Como ela pode se importar se não pode ouvir o que os outros dizem? – Donovan pronunciou e logo foi atingido por um soco no ombro. – Qual é Ryan! – resmungou com uma carranca no rosto.
— Isso lá é jeito de falar, cara? Qual é o seu problema? – Ryan não acreditava na falta de papas na língua do loiro.
— Deixe de ser criança Donovan – Kyle franziu o cenho. — O Ryan está certo, a Dakota sabe muito bem o que dizem ao redor dela e um pouco mais de respeito seria muito bom.
— Você está defendendo ela? Que bicho te mordeu, Kyle? – Ryan deu um sorriso malicioso pensando em coisas inapropriadas. – Pelo visto o boato do beijo é verdadeiro.
— Claro que é mentira, seu idiota! Acabei de falar que preciso desmentir – Kyle estava se irritando com aquela conversa. – Que tal você calar a boca e mostrar que melhorou seus passes? – disse cortando o assunto.
— Você vai se surpreender, perdedor – Donovan provocou e eles riram indo até o centro do campo para jogar.
Então como sempre acontecia, Kyle era o melhor nas jogadas e sempre aperfeiçoava seus passes. Não tinha como deixar de admitir a persistência de Donovan e seu progresso em um tão curto espaço de tempo, mas naquele time só existia duas estrelas: Kyle Reagan e Shawn O’Connell, esse, o cara que mais odiava Kyle na face da Terra e apesar de ser sempre chato com Reagan, ele não tinha nada contra Shawn, não naquela época.
Quando foi sete horas em ponto, Mirella ligou para o filho:
— Falei com o seu pai, ele disse que não se lembra de ter combinando alguma coisa com você. Já estou a caminho.
— É claro que não se lembra – Kyle suspirou jogando o celular de qualquer jeito dentro da mochila.
O relacionamento dele com o pai era muito complicado. Ficava difícil tentar uma aproximação quando só um dos dois levava a sério.
— Até amanhã, Ky – Ryan deu um tapa de leve nas costas do amigo, que só balançou a cabeça assentindo.
Mirella chegou e eles foram em silêncio pra casa. Ela sabia o quanto o filho ficava chateado por causa do pai tão ausente, entretanto não fazia ideia de como ajudá-lo.
A alguns quilômetros deles, Dakota e Sean assistiam a um seriado de humor na televisão. Uma coisa que ambos gostavam muito de fazer juntos. Para que a loira compreendesse tudo, legenda na TV era regra na casa dos O’Callaghan. Ficaram sentados por ali até as 23h, nunca conseguiam assistir só um episódio. Eram viciados.
Dakota foi se deitar era meia noite e acordou às 7h no dia seguinte com alguma coisa vibrando embaixo dela. Seu despertador. Revirou os olhos inconformada, parecia que tinha acabado de se deitar. Fez sua higiene matinal e encontrou o pai na cozinha, como em todos os outros dias.
— Só eu que em sinto destruída? – perguntou fazendo alongamento antes de sentar.
— Sim – Sean riu. – Você precisa fazer mais exercícios físicos, esse sedentarismo vai acabar com você.
— Eu não sei como consegue acordar cedo pra correr, sério pai. Você definitivamente é um herói – Sean deu outra risada e eles comeram.
O caminho até a escola foi calmo apesar da chuva e do trânsito. Sean parou uma esquina antes porque não tinha vaga próximo e Dakota resmungou por ter esquecido seu guarda-chuva. E a chuva já começava a engrossar.
— Boa aula filha. Talvez eu demore um pouco pra te buscar hoje, pode ficar estudando na biblioteca enquanto isso?
— Claro pai – beijou a bochecha dele e respirou fundo antes de descer.
Dakota pisou para fora do carro e colocou o capuz do casaco, já se preparando para as gotas geladas que cairiam sobre ela, mas isso nunca realmente aconteceu. Antes da primeira gota cair, um guarda-chuva cor-de-rosa apareceu logo acima de sua cabeça. Ela já sabia quem era: Kiara. Virou-se para olhar a amiga.
— Você esqueceu o guarda-chuva?
— Não, eu gosto de tomar chuva às oito da manhã – Dakota ironizou fazendo com que a amiga risse.
— De nada, gata – Kiara colocou o braço livre sobre o ombro de Dakota e elas caminharam lado a lado até a escola. Assim que entraram no pátio, Kiara guardou o seu guarda-chuva e todos pararam para olhar Dakota. Era a tal garota do Kyle que tinha acabado de chegar.
— Eu disse que você tinha ficado famosa – Kiara segurou a risada.
Elas andaram mais um pouco e logo avistaram a rodinha dos populares. É claro que Kyle estava lá e ele sorriu ao ver o olhar mortal de Dakota, que caminhou até ele irritada.
— Você fica bem melhor sorrindo – Kyle comentou e depois deu um beijo na bochecha dela. – Relaxa, ainda hoje eu resolvo isso. Não precisa me odiar. Eu tenho culpa tanto quanto você nisso.
Ela suspirou e assentiu, ele estava certo. Não tinha feito nada. As pessoas que falavam demais.
— Sabe... Ficar dando beijinhos nela não ajuda a abafar os boatos – Kiara brincou.
Dakota enrubesceu dos dedos do pé até o último fio de cabelo.
— E você é? – perguntou Kyle.
— Kiara, a melhor amiga – ela estendeu a mão para ele que prontamente apertou.
Antes que ele pudesse responder o próprio nome, Donovan apareceu.
— Kyle, me apresenta a sua nova namorada – o sorriso malicioso fez com que Kyle sentisse vontade de socá-lo.
— Cala a boca – disse entre os dentes.
Dakota não havia visto o comentário de Donovan, mas pela cara de Kyle não poderia ser coisa boa. Ela se retirou dali seguida por Kiara que só sabia rir daquilo tudo. Se só por eles se falarem surgiu esse estardalhaço todo, como seria quando viesse à tona que eles morariam na mesma casa? Dakota estava ferrada, tinha acabado de virar o assunto mais comentado da escola e não fazia ideia de como sair disso, se é que um dia realmente aconteceria de sair.
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