"Ei Domi... Espere." Ele pediu no momento em que eu cheguei a maçaneta. "Não foi bem isso que eu queria dizer."

Qualquer pessoa normal nesse momento se derreteria e gravaria, como estou fazendo agora, milhões de coisas tipo uma declaração de amor, mas não sou qualquer pessoa normal. Dizer qualquer coisa fofa faz parte da minha lista de coisas que eu nunca direi. Foi por isso que eu só fiquei mais e mais irritada.

"Claro que não." Ironizei, virando-me de volta para ele e cruzando os braços.

"É só que Victoire..." Ele começou tentando explicar isso, mas eu não iria ficar escutando mais e mais merdas.

"Victoire! É sempre Victoire! Até quando você vai continuar cego pela vadia da minha irmã que lhe traiu?"

"Só estou dizendo que me exaltei por causa dela e peço perdão... E EU NÃO ESTOU CEGO POR ELA!" Ted gritou e eu podia ver a frustação em seu rosto, mas logo ele se retraiu.

"Claro que não." Ironizei novamente. "Agora, se me dá licença vou voltar com a minha infantilidade para a minha comunal para não gastar mais a sua pequena paciência."

"Não, Domi..."

"Não o quê? Eu já entendi que eu não sou bem vinda aqui... Ah, não se preocupe, vou pedir para sair das suas aulas também."

"É... Quem sabe você acabe se tornando das trevas como mais que a metade da sua casa em um passado não muito distante já foi... Mas é sua escolha. Tanto faz para mim." Ele deu de ombros e virou-se para a mesa onde anteriormente eu havia deixado um embrulho para ele. "O que é isso?"

"Uma bomba de bosta."

"Ah, que ótimo!" Ok, eu havia sentido a ironia dele e não gostado nem um pouco.

"É algo que eu comprei para você há algum tempo atrás... Eu ia te dar no natal, mas acabei perdendo. Encontrei quando estava arrumando as malas para vir para cá."

"Você comprou algo para mim? Achei que a unica coisa que compartilhávamos era uma raiva mútua."

"Isso não significa nada e além do mais continua existindo apenas raiva."

"Sério, Dominique? Parece que você está escondendo sentimentos... Mas por que eu me importaria? Só existe raiva!"

"Não estou escondendo nada! Quer que eu prove?"

"E como provaria isso?" Ele disse desafiador.

"Assim."

E no momento seguinte eu me aproximei dele e o beijei com toda a vontade e com todo ódio que podia. Meu rosto estava o mais vermelho que podia e estampava todo aquele estresse que Ted havia me causado. E para minha surpresa, Ted retribuira, mas logo ele se afastou e me olhou confuso. Eu estava tão confusa quanto ele, mas não deixaria isso estampado.

"O quê diabos você acabou de fazer, Dominique? Me diga que foi apenas imaginação!"

"O que acha que eu fiz? Te beijei para te provar que eu não sinto absolutamente nada a seu respeito, exceto ódio."

"Isso é provar que não sente nada? Se sim, me avise antes de aprontar uma dessas."

"E por que eu avisaria?" Encarei-o. "Além do mais... Pelo visto você queria, não?"

"Por que você praticamente me odeia, Dominique! Não é certo beijar alguém que você odeia. É contra as leis do universo." Ele me olhou, analisando meu olhar cuidadosamente. "Q-queria? É claro que não. Você apenas me deixou confuso me pegando desse jeito tão repentino."

"E quem liga para as leis do universo?" Dei de ombros e ignorei a resposta do garoto.

"As leis do universo são praticamente a Bíblia do mundo" Ele levantou os braços. "

"Não sou religiosa, nesse caso." Eu sorri e me virei. "Adeus, Ted."

"Noite, Dominique."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.