Things Change
6 Expressões em Poesia
Notas iniciais
Quando chegava o começo de semana sempre tínhamos uma hora livre antes das aulas para ajeitar nossas coisas, colocar o uniforme e tomar o desejum, essa horinha era perfeita para colocar a minha vingança... quer dizer a aposta em ação. Deixei o Andrew de lado no nosso quarto e fui atrás de Christine nos dormitórios femininos, encontrei Evellyn no caminho e a perguntei onde ficava o quarto dela, era lá no fim do corredor para a minha alegria. Segui o caminho né, estava diante da porta. Bati um tanto forte na mesma, quando foi aberta eu vi uma deusa de toalha a minha frente e quando e ela gritou assustado quando viu e bateu a porta com muita força fazendo-me acordar para a vida real. Cara que corpaço que ela tem! E por que está tomando banho a essas horas da manhã?
— Pensei que fosse a Angel! — disse constrangida atrás da porta.
— Desculpa te decepcionar ou te constranger — eu disse
— Pode esperar um pouquinho para... você sabe, colocar uma roupa — oh baby poderia ficar assim né, facilitaria minha vida.
— Claro! Fique a vontade — lógico que minha vontade era outra mas não precisamos entrar em detalhes.
Eu esperava meio ansioso, sei que precisa ter paciência para conquistar sua confiança e tudo mais, mas poxa ela tinha que ser gostosa pra caramba?! Vou explodir desse jeito. Finalmente Christine saiu do quarto até mais arrumada do que o os outros dias, estava avermelhada enquanto eu bom, com as bochechas queimando, não tinha culpa disso.
— Você está bem? — perguntei para aliviar a situação.
— Sim. Só estou... bom... um pouco desconfortável com um monte de coisa — ela olhava para baixo e mexia as pernas, o nervosismo que nos mata.
— Por que saiu correndo sábado? — minha curiosidade estava a mil desde da festa, tem que ter um motivo para deixar um cara boa pinta como eu na cama sozinho.
— Eu não sei explicar muito bem, só tive... medo, simplesmente não conseguir. Sou meio tímida para essas coisas — era só o que me faltava!
— Está tudo bem, acontece — dei um sorriso de canto.
— Te decepcionei né? — Sim! Mas nunca vou admitir isso.
— Não, claro que não! — coloquei a mão em seu rosto avermelhado — Teremos outra chance.
— OUTRA?! — dei até um pulo para trás do susto.
— Calma! Respira! — disse meio desesperado para que não me batesse — Não precisamos ir tão rápido assim se não quiser!
— Jonathan, nós temos algo? — Ai Jesus!
— Bom, eu quero ter. Podemos começar ficando juntos nas horas livres, conversar e até sair juntos para algum lugar no fim de semana. O que acha? — falei com cara de cachorro sem dono, ela piscou várias vezes acho que nunca alguém a convidou para sair.
— Acho ótimo — sua expressão parecia feliz, isso é bom.
— Que bom! Podíamos tomar café agora?
— Claro! Vamos lá — eu peguei sua mão e fomos juntos até o refeitório. Sim eu estava de mãos dadas com a Christine e estou pouco me lixando para o que os outros vão dizer, principalmente aquelas meninas recalcadas que nos fuzilavam com olhares mas ela não estava nem ligando pra isso. Christine era tão fofa tímida, dava vontade de apertar. Nos encontramos com o Clube da Leitura sentados, eu e Christine somos os atrasados em tudo. Evellyn já veio com aquele olhar de ciúmes mais desconfiança para meu lado.
— O que foi Lynn? — perguntei mesmo sabendo do motivo.
— Vocês dois estão muito próximos, estão até de mãos dadas — ALERTA DE RECALQUE SENHORAS E SENHORES!
— Idaí? Eu e o Andy andamos de mãos dadas e ninguém fala nada — Andrew me olhou estranho.
— Nós não... — dei uma cotovelada em seu peito para que não me desmentisse — Aiiii! Por que fez isso?!
— Shiu! Fica quietinho — ele virou a cara.
No meio do desejum os grupo conversou sobre como a festa foi legal e queriam uma segunda rodada, Christine não falava absolutamente nadica de nada, só faltava ela não ter gostado da festa por causa da nossa "quase noite de amor". Como vou conseguir alguma coisa dessa menina se ela nem se expressa com os outros? Queria saber o que passa naquela cabecinha linda para ter alguma ideia de como agradá-la e deixá-a bem mais a vontade com a minha pessoa aqui. Isso vai ser um saco! Andrew me mostrou seu perfil no facebook, não tinha muitas informações e publicações, estamos diante de alguém que tem vida social mas vi um tópico de livros de romance. Que ótimo! Agora mais do que nunca vou ter que ler o livro do teatro para ter algum assunto, ou poderia pedir para ela me ajudar a estudar sobre o livro, já seria um bom começo.
Após as aulas era a hora do grupo se reunir, ainda tínhamos um tempo para apresentar então puxei Christine até meu quarto já que só veria Andrew mesmo na reunião. Ela estranhou mas continuou comigo, inventei que precisava de ajuda nos estudos, não seria ruim já que os trabalhos são todos sobre livros e mais livros. Nos sentamos sobre a minha cama, o quarto era ajeitado tá porque o Andrew era muito organizado, um artista precisa de um espaço limpo.
— Sobre no que precisa de ajuda Johnny? — ela perguntou.
— Então Chris, sabe o livro do teatro?
— Orgulho e Preconceito?
— Isso! É que não estou entendendo nada, por favor me explique — fiz cara de idiota com uma voz mansinha e carinhosa.
— Mas ele é até simples mesmo tendo sido escrito no século XIX, só de ler dá para entender o conteúdo — aff sem graça, eu não quero ler!
— Ok! Vou ler mesmo! — disse meio bravo, estragou meus esquemas.
— Era só isso? — não dá mais, vou direto ao assunto.
— Não, era só um disfarce para ficar sozinho com você — fiquei bem ao seu lado.
— Ah claro! Nossa que burrice a minha não ter percebido. Hehe! — concordo sweetheart.
— Não esquenta com isso não, só vamos aproveitar um pouquinho antes da reunião chata — quando ia beijá-la se afastou, poxa que garota difícil!
— O Andrew pode chegar a qualquer momento Jonathan — ahhhh que medrosa, nem sabe que tranquei a porta.
— Querida estamos sozinhos aqui, ninguém vai nos incomodar.
— Mas... — roubei-lhe um selinho.
— Só um beijo então, por favor! — ela concordou, a puxei para perto e beijei docemente aqueles lábios com sabor de morango, ela sorriu entre o beijo.
— Você é louco! — oh baby, não sabe o quanto.
— As loucuras que tronam a vida muita mais divertida se lembra? — e novamente ela sorriu tímida com as mãos no rosto, não pude deixar de rir daquela fofura em pessoa.
— Por que está fazendo isso? — porque eu apostei sweetheart.
— Não sei, eu gosto de estar com você.
— Eu achei que não gostasse de mim — na verdade ela só me dava medo mesmo, mas não gostar é uma frase muito forte para meu vocabulário com as moças.
— Eu que pensei que não gostasse de mim, sempre me destratava e olhava feio!
— É, tem razão — ela virou a cara triste, não quero que chore docinho de coco.
— Mas isso já é águas passadas tá, vamos tentar de novo!
— Tudo bem — fiquei em pé a sua frente — O que está fazendo?
— Me apresentado. Olá! Meu nome é Jonathan Grey — estendi a mão para cumprimentá-la.
— Eu sou Christine Larke, como vai? — ela cumprimentou.
— Muito bem Senhorita Larke, e com você?
— Estou muito bem Senhor Grey, muito obrigada — nós dois soltamos uma gargalhada, modo formal não era a minha praia muito menos a dela — Chega! Não sou dessas.
— Até pareço civilizado falando assim!
Conseguir um avanço no meu relacionamento, o problema é que Christine tem medo do que os outros pensam dela e isso a fecha muito até para os amigos, preciso quebrar essa corrente que a prende ou nunca conseguirei nada. Preciso fazê-la sentir-se a vontade e diverti-la, preciso aniquilar esse casulo, preciso fazê-la se expressar o que tem preso dentro daquele coração e nada melhor do que começar com aqueles que já conhecia. Seguimos para a reunião do Clube da Leitura, Evellyn deu a abertura e falou sobre o tema: poesia. Quase cair da cadeira pois havia me esquecido completamente do tema mas era perfeito pois saberia exatamente o que Christine estava sentindo, e me ferrei totalmente por não ter escrito nada. O primeiro a se apresentar foi o Matthew, falou sobre como os desafios podem nos fortalecer espiritualmente e fisicamente. Opinião: bom. A segunda foi a Angel, ela falou sobre relacionamentos entre irmãos, momentos bons e maus. Opinião: meio a meio, eu e Miranda podíamos ter feito melhor. Terceira veio Evellyn falando sobre mulher rejeitada, parece aquelas cantoras de sertanejo que canta só sobre como os homens não prestam, o que não é verdade elas que não sabe escolher porque só somos atraídos por quem somos e é por isso que não gosto dela. Em quarto veio o meu amado amigo Andrew, o dele foi o que eu gostei para caramba.
"Teste-se
Desenvolva-se
E o mundo conquistará!
O horizonte exige trabalho
Sangue, suor e lágrimas
E isso o evoluirá
O poder pode estar em suas mãos
Não haverá ninguém capaz de te deter!
Oh sim! A ti louvará!"
Apesar de eu ter gostado pra caramba isso foi uma bela de uma indireta pra mim, pois toda hora ele diz que sou um preguiçoso que devo estudar e trabalhar para ganhar o futuro melhor. Não que esteja errado mas poxa deixa eu aproveitar um pouco minha juventude Johnson. Quinta e última porque eu não vou apresentar nada mesmo veio a Christine, apresentou o seguinte:
"Posso estar certa ou errada
Mas quem disse que seria fácil?
Posso ser até estranha
Mas tenho uma sensibilidade do tamanho do mundo
Com você ao meu lado
Posso enfrentar os medos que dominam meu ser
Com você ao meu lado
Posso voar em qualquer direção e ser livre pra ser quem eu quiser
Posso demonstrar do que gosto, o que quero ser
Porque só você me amou de um jeito tão puro e sincero"
Ai meu Deus! Não por favor! Sou novo demais pra isso, não quero casar!
Calma, pode não ser sobre mim, espero que não. Minha cara de cachorrinho assutado estava bem explícita diante de todos, disfarcei falando que o poema dela era muito bonito e que tocou meu coraçãozinho. Não queria que ela se apaixonasse, que pesadelo se apaixonar por mim, tem alguém melhor não? Logo quando Evellyn encerrou a reunião agradecendo a todos pelos poemas menos a mim que não apresentei nada, puxei Christine discretamente para um lugar reservado, precisava tirar essa aguinia do meu peito ou iria explodir por completo.
— Precisamos conversar! — disse bem direto, quase um desespero.
— O que foi? — perguntou com uma carinha de anjinho, não consigo falar grosso assim mano!
— Seu poema... — hesitei, não queria que ela chorasse, muito menos que me batesse.
— Foi o Andrew que fez, eu não sou boa para escrever daquele jeito — fiquei surpreso.
— Foi o Andy? — ela confirmou com a cabeça — Meu Deus me desculpa!
— Pelo o quê?
— Por pensar coisas, eu me assustei um pouco não é minha hora ainda — ela me olhou confusa.
— Jonathan, está passando mal? — estou explodindo!
— Um pouco talvez — ela ficou me abanando com a mão — Obrigado.
— Vá tomar um banho e dormir, acho que o efeito da festa está começando a fluir em você.
— Tem razão. A gente se vê amanhã então?
— Claro! Boa noite Johnny e qualquer coisa vá a enfermaria.
— Pode deixar. Boa noite Chris — respirei fundo e segui caminho ao meu quarto, mano que micão passei agora ela deve está morrendo de rir do palhaço aqui.
Fiquei é super aliviado pelo poema ter sido escrito pelo Andrew mas ao mesmo tempo triste por não saber o que se passa na cabeça de Christine, vai levar um tempo para descobrir mesmo do que ela gosta. Ai gente essa aposta está sendo um pesadelo, nunca vi minha pessoa ser tão cagona e desengonçada na vida, Miranda ia me zuar pelo resto da vida se me visse desse jeito no Internato. Quando entrei no quarto vi Andrew fazendo alguma coisa com um crânio de esqueleto do laboratório nas mãos, movimentos esquisitos parece estava com um espírito no corpo. Não pude deixar de rir daquele cena.
— Respeite minha atuação Johnny Grey! — disse meu amigo fingindo indignação.
— O que está fazendo? — perguntei entre risos.
— Ser ou não ser, eis a questão meu amigo Quartzo — fiz cara feia, odiava que me chamavam pelo primeiro nome e Andrew sabia muito bem disso.
— Se me chamar assim de novo vou te colocar numa privada! — ele riu, idiota!
— Só faço isso pra te irritar Johnny — e conseguiu meu amigo Shakespeare.
— Te pergunto novamente: o que está fazendo?
— Apenas aprimorando minhas atuações.
— Dançando igual a uma bailarina desengonçada?
— Não é dançando Johnny, são expressões corporais. Nas séries eles agem e falam como os personagens, suas caras são de acordo com o roteiro e é isso que estava fazendo antes de me interromper.
— Pode voltar a sua dancinha aí, vou ficar ouvindo música mesmo — deitei-me na cama e ele realmente voltou a dar a louca com o crânio do esqueleto.
Eu não conseguia ficar quieto na minha então resolvi tomar um banho bem quente, peguei uma toalha e segui para o banheiro. No momento em que a água caía sobre meu corpo lembrei-me do momento mais cedo em que Christine apareceu na minha frente de toalha, de repente minhas bochechas estavam quentes acho que era por causa da água quente. Mano por que ela tinha que ser tão bonita e ter um corpão? Até que essa aposta não vai ser tão ruim tirando o fato dela está dificultando tudo na minha vida. Outra coisa veio a mente: E depois? O que aconteceria conosco depois da aposta? Eu realmente não havia pensado nesse detalhe quando concordei com Jones, só pensava mesmo no jogo e depois só em restaurar minha reputação que foi frustada na noite da festa. Teria sim sido muito mais fácil se tivesse acontecido no dia da festa, podíamos ser colegas ou desconhecidos como no primeiro dia não me importava. Podia ter sido tão fácil...
Fiquei bastante tempo no chuveiro, minha pele já estava enrugada. Desliguei e me sequei, olhei no espelho e fiquei encarando meu rosto. Pensei: eu não uma pessoa má, só sou rebelde certo? Parece que a minha vida vai virar de cabeça para baixo se eu continuar com essa aposta, como se fosse algo ruim. É algo ruim? Acho que não é ruim, é até prazeroso se quer saber, passar uma noite com ela não iria destruir minha vida. Destruiria? Definitivamente não, claro que não algum dia ia ter de fazer isso mesmo. Esses pensamentos estão acabando comigo, parece o Andrew filosofando sobre a vida meu Deus! É incrível a capacidade dele de argumentar e tornar sua opinião errada e um lixo aos olhos dos outros. Até o professor de filosofia perde na batalha contra o Andrew, tanto é que ele nem olha mais na nossa cara já que estou junto com Andrew a todo momento, tão engraçado! Nós dois todas as aulas ficamos zuando ele, a careca dele até explode de tanta raiva, levei o meu amigo ao caminho errado. VOLTANDO! Quanto a aposta ninguém precisa saber dela nem mesmo a Christine, só rola e depois fica pra depois mesmo. Ela é tão fofa, tão tímida, eu não vou despedaçar seu coração não sou um monstro, só vamos curtir um pouco como adolescentes que somos. Ou podemos ir mais além.
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