Nada parecia fazer sentido há alguns meses. Nas ultimas semanas, as crises de ansiedade foram poucas, embora a memória e a concentração parecessem tão derrubáveis quanto uma casa de palitos de dente.

Como a insônia já era uma amiga íntima, nesse dia cheguei mais cedo à escola do que todos os outros da minha sala. Quando passava pelo corredor, Ângela apareceu, magra e alegre, como sempre. Pulou em meu pescoço e me abraçou.

— Precisamos conversar! — disse, com ar de empolgação.

Passei meus braços ao redor de sua cintura e a apertei. Disse que voltaria para vê-la mais tarde, no horário de intervalo.

Não me lembro direito quando eu e ela criamos um vinculo emocional. Me lembro de vê-la pelos corredores da escola, depois de conversar com ela, e de repente ela já sabia de todos os meus problemas. Algumas semelhanças entre nós podem ter influenciado.

Quando cheguei a minha sala, me sentei e fiquei desgostosa pelo ar monótono que nasce de tudo aquilo que se torna rotina. Uma espécie de enjoo psicológico me surgiu, e me senti como se não fosse mais parte daquilo. Daquela sala, daquele lugar em que eu me sentava e das pessoas que chegariam em poucos minutos.

Fiquei nesse estado por mais ou menos quinze minutos, sem me mover ou pensar em nada. As primeiras pessoas começaram a chegar, e quando me dei conta a primeira aula já tinha começado. Química cinética, eu acho. Ou será que era Química Orgânica? Ou talvez fosse Física. Não me lembro o que era, porque meu corpo estava presente, mas minha mente ficou desoladamente perdida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.