These Gray Eyes
26 Capítulo 26
Notas iniciais
POV Annie
– Quando os bens serão transferidos pros nossos nomes? – Hermes não se sentia nada confortável quando eu o incluía nesse “nós” mas eu me sentia mais do que satisfeita ao poder dizer isso. Hermes era tão amado pelo meu pai quanto por mim afinal.
– Assim que possível criança. Nós já vamos entrar com a papelada... – Eu bufei ao ouvir isso. Eu odeio tudo isso tanto. Papelada, papelada. Sinceridade, não tenho paciência pra isso.
– Quiron, Quiron. – Eu o interrompi enquanto ele ainda tagalerava sobre as tais papeladas. – Não posso deixar Percy cuidar disso? Ele entende disso muito melhor do que eu! Eu não tenho saco pra tudo isso. – Ele me encarou com um sorrisinho no rosto.
– É tão bom ver o quanto vocês confiam um no outro. Você entrega toda a sua vida na mão dele assim como ele na sua. Isso é raro hoje em dia criança. – Os olhos sábios de Quiron me queimavam, ou era o meu rubor. Não sei dizer. – Mas, sim claro. Posso conversar com ele sobre isso. Qual é a pressa de vocês? – Eu dei de ombros e olhei pra hermes.
– Hmm eu queria que o quanto antes a casa na praia de Hermes fosse liberada, ele tá precisando de férias. Passar longos anos ao lado da minha ... de Atena. Ninguém merece. – Ele sorriu e fez um gesto de negação com a cabeça.
– Não precisa menina...
– E das ações... Eu estou no segundo ano, quero estar a par de tudo o que acontece na empresa.- Quíron assentiu e fez algumas anotações.
– E o dinheiro, é uma bela grana criança... – Eu assenti.
– Sim, sim. A pensão que eu recebia? Eu vou continuar recebendo?
– Creio que não. – Assenti novamente.
– Sendo assim, eu vou precisar de dinheiro para pagar as contas da casa. Então isso é de estrema urgência. – Ele voltou a anotar coisas.
– Então apenas as propriedades, automóveis e todos os outros bens materiais de seu pai que não precisam ser mexidos com tanta urgência?
– Isso.
– Ok então, eu volto a ligar pra Percy pra discutir sobre isso. – Eu sorri e me levantei, eles se levantaram também e Hermes e eu cumprimentamos Quíron antes de sair dali.
– Aiai Hermes, está tudo se encaixando. – Eu me recostei sobre ele e ele sorriu passando o braço pelos meus ombros.
– Até que enfim menina, não podia mais suportar ver você sofrer. – Eu sorri.
– Mas agora são novos tempos. Vamos olhar pra frente, temos um futuro lindo na ponta dos dedos.
– Então vamos agarra-lo com força. – Eu assenti suspirando, e voltamos pra casa nessa nuvem momentânea de paz e felicidade.
...
POV Percy
– Cuidado isso é frágil! – Eu disse enquanto os caras da mudança carregavam uma caixa cheia de porta retratos. Eu enxuguei a testa na camiseta que estava no meu ombro e suspirei. Tava longe de acabar.
– Vamo cara, aquele seu computador você vai fazer o que? Vai da? Vende? Ele ta velhinho. – Grover disse ajudando a trazer a cama, eu peguei de um lado e carregamos até o caminhão.
– Não sei não, eu tenho que pegar uns arquivos, trabalhos, livros dentro dele e depois não sei o que fazer, vo leva pra la também depois a Annie ve. – Entramos dentro da casa de novo e tinha plástico e caixa pra todo canto. Grover bufou e sentou em uma das caixas.
– Cara, você vai ter que me recompensar por isso. – Eu ri e enxuguei a testa de novo.
– Ei, que tal a gente sair hoje? A Annie disse que queria conhecer meus amigos, vamos sair, toma um chope quem sabe? – Ele riu e deu de ombros.
– Por mim fechou, eles já superaram o fato de você ter ficado com as namoradas? Você já disse isso pra Annabeth? – Eu ri.
– Ah sei lá cara, sinceridade acho que eles não ficaram de cu doce não. Mas era estranho sai com eles todos namorando e eu lá sozinho, agora eu também tenho alguém. – Ele riu e assentiu. – E sim, eu já contei pra Annie.
– Ah que bom, ninguém quer um barraco no meio do bar. – Eu ri e peguei o celular pra ligar pros caras.
...
POV Annie
Cheguei em casa e Hermes foi direto pra cozinha preparar o almoço, não deu muito tempo e Poseidon chegou varado de fome.
– Hey Annie. – Ele me deu um beijo na testa e eu sorri pra ele.
– Hey, Hermes esta fazendo o almoço.
– E Percy?
– Está la na mudança. – Ele assentiu.
– Já to indo lá.
– Uhum. Vo faze uma marmita pra ele e pro Grover que deve ta lá também, você leva pra eles sim? – Ele sorriu sentando no balcão.
– Claro que sim. – Eu sentei na sua frente e senti Hermes envergonhado com a gente ali.
– Não querem que eu monte a mesa de jantar? – Poseidon bufou.
– Não é preciso, você se recusa a comer com a gente então nós vamos comer aqui com você. – Eu ri das bochechas vermelhas dele. Senti meu celular vibrar no meu bolso e olhei pra tela sorrindo “Percy o moreno sexy”.
– Me diga que você não foi preso! – Ouvi sua risada rouca e me arrepiei involuntariamente. Abaixei os braços da mesa envergonhada ao ver que eles encaravam meus pelinhos loiros sorrindo.
– Não dessa vez loira. Quem sabe mais anoite em? – Eu ri e mordi os lábios.
– Acho que não em, ainda estamos em alerta vermelho. – Ele gemeu em desgosto me fazendo rir.
– Mas em, vamos sair hoje.
– Jura? E vamos aonde?
– Você disse que queria conhecer meus amigos, bom, vamos conhece-los. E não tem problema eu levar Grover até ai pra ele tomar banho antes de irmos né? – Eu ri.
– Percy, essa é sua casa agora. – Ele riu.
– É difícil me acostumar com a ideia. Quando acaba aqui, eu to ai. – Eu ri.
– Ok herói, to mandando uma marmita pra vocês dois pelo seu pai.
– Graças a deus! Então até mais tarde. Um beijo.
– Outro. – Desliguei o celular sorridente e vi que já tinha um prato de comida na minha frente. – Parece que você vai ter um tempo hoje sozinho, porque não chama a Sra. Grace pra vir conhecer a casa? – Poseidon se engasgou com a comida e tossiu feito louco. Hermes encheu um copo de suco pra ele que tomou tudo em um gole só, voltando a respirar.
– Mas o que? O que vocês tem na cabeça? Eu não tenho nada com a Margareth que coisa. – Eu sorri e balancei as sobrancelhas pra ele.
– Mas isso pode mudar hoje papi. – Ele sorriu por te-lo chamado daquele jeito e eu abaixei a cabeça com vergonha. – Falando sério, pode chamar ela pra vir até aqui, a casa é sua também e você fica muito sozinho. – Ele deu de ombros.
– Eu gosto de estar sozinho. – Eu soltei uma risada fraca e remexi na comida do prato.
– Eu também pensava assim, até ter alguém com quem compartilhar a cama. Pense um pouco no assunto, o máximo que você vai ouvir dela é um não. – Ele ficou em silencio fitando o nada por um tempo e depois voltou a comer.
...
– Cheguei!! Para de balançar a perna coisinha impaciente. – Thalia deu um gritinho e agarrou meu pescoço. Eu arregalei os olhos assustada e dei uns tapinhas na suas costas.
– Ah meu deus Annie! Foi incrível, inimaginável, Nico é um amor... – Ela se derreteu e eu fiquei ali encarando-a enquanto ela se debruçava na mesa do bar.
– Me desculpe, acho que confundi a mesa, eu estou procurando minha melhor amiga, você viu ela por ai? – Ela riu e deu um soquinho no meu ombro.
– Falando sério, ele é mais do que eu poderia imaginar. – Ela cruzou as mãos e apoiou no rosto suspirando e batendo os cílios. Eu gargalhei olhando pra sua cara.
– Por favor, me diga que eu não fico assim quando falo do Percy. – Ela me mostrou o dedo do meio.
– Não, vocês são mais sujos. Sua cara é de tremenda safadeza. – Eu ri e mordi os lábios. – Viu! É essa ai mesmo! – Eu ri novamente.
– Mas me diga, onde vocês foram? – Ela voltou a sua pose de garota apaixonada e eu me encostei na cadeira e chamei o garçom com o dedo pedindo um chope pra mim, já que ela já estava tomando um.
– Aiai, ele me levou ao teatro. – Eu franzi as sobrancelhas.
– Nunca soube que você gostava de teatro. – Ela riu.
– O teatro estava vazio, nós pulamos o muro e ele arrombou a porta. – Meu queixo quase caiu da cara.
– Vocês são loucos?? – Ela riu e fechou os olhos apoiando a cabeça nas mãos.
– Completamente! Foi incrível, azeda. O eco dos nossos passos sobre o palco ou o momento em que dançamos sem música alguma, apenas rodopiando sobre uma fresta de luz da lua que entrava pelo vitral no teto. – Eu olhava pra ela fascinada enquanto ela me descrevia a cena de um crime tão charmoso. – Enquanto eu rodopiava, ele me puxou delicadamente pela mão e eu me enrolei em seus braços ofegante e apoiei as mãos no seu peito. Então, ele me roubou um beijo. E aquele era o único som naquele enorme teatro além das batidas dos nossos corações acelerados. – Ela deu um último suspiro e continuou de olhos fechados enquanto um sorriso brincava nos seus lábios.
– Uau. – Foi a única coisa que eu encontrei pra dizer naquele momento. Ela riu e assentiu, como se soubesse do que eu estava falando.
– Eu quero ter, pelo menos, três filhos com ele. – Eu gargalhei da sua afirmação nada normal depois de um primeiro encontro e ela me acompanhou.
– Você não existe Thalia.
– Ele também não. Ah meu pai eu preciso transar com ele. A todo o momento eu fiquei pensando como nossos gemidos ecoariam por aquele palco. – Eu me inclinei sobre a mesa.
– Onde é mesmo esse teatro? – Ela abriu os olhos em fenda e eu pisquei pra ela.
– Nem pense nisso sua quenga azeda, eu vou transar lá primeiro! – Eu ri da sua loucura.
– Tudo bem, eu posso esperar. – O garçom finalmente chegou com o meu chope e eu tomei um belo gole, matando a sede que eu estava da cevada. Lambi o lábio superior tirando a espuma e uma coisa me veio a mente. – Hmm! Mudando totalmente de assunto! Percy vai encontrar uns amigos hoje, provável que Nico vai, vá também. – Ela fechou os olhos em fenda de novo.
– Porque ele não me chamou pra ir? Será que ele não quer aparecer comigo assim, me apresentar aos amigos?? – Eu dei de ombros. Ela arregalou os olhos e se encostou na cadeira mordendo a pele do dedo até sangrar.
– Não surta ta legal, espera que eu vou tirar uma dúvida. – Peguei meu celular e apertei o 1 da discagem rápida.
– Oi minha loira. – Sorri involuntariamente.
– Oi meu moreno. – Ele riu e Thalia puxou uma pele do dedo que rasgou uma boa parte me dando calafrios, eu puxei sua mão da boca e olhei furiosa pra ela. – Deixa eu te perguntar, você chamou o Nico pra sair com a gente hoje?
– Não, eu pensei que ele ia sair com a Thalia por isso nem liguei pra ele. – Eu sorri e pedi pra ela se acalmar.
– Ah, pois chame. Estou com ela aqui e ela ta toda mordida porque ele não ligo pra ela pra sair com a gente. – Ele riu.
– Fala pra ela se acalmar, Nico não é de fugir das coisas. Mas tudo bem, eu ligo pra ele sim.
– Uhum... E como tá ai? Já ta indo pra casa?
– Estamos quase lá, deixamos algumas coisas pra cá, e como a casa é alugada tivemos que pintar algumas paredes pra devolver pro proprietário que vai repassar pra sua mãe. – Fiz uma careta ao ouvir a palavra “mãe”. – Não falta muito. Ah!! Eu to levando um pouco de comida que tinha na geladeira pra casa, ia estragar tudo aqui. – Eu ri.
– Tudo bem, e não esquece de pegar a taça dos seus pais. – Mesmo sem ver eu tinha certeza que ele estava sorrindo.
– Sim, claro. Bom, eu vou desligar, Grover já tá enchendo meu saco porque eu não termino de pintar o rodapé. – Eu ri.
– Ok, mas liga pro Nico antes tá?
– Ta bom. Um beijo... Não, melhor. Uma lambida, loira. – Eu ri.
– Uma lambida, moreno. – Ele riu e desligou. Eu olhei pra Thalia e ela me encarava com uma cara de espanto.
– Como eu disse, vocês são sujos. – Eu gargalhei. – Mas agora me conta, como ficou as coisas do testamento?
– Bom, meu pai colocou tudo no meu nome, Atena não tem direito a nada e moraria no olho da rua se não fosse por mim. – Thalia franziu o cenho.
– Como assi... – Ouvimos um toque de celular e ela dar um pulo, abrindo a bolsa correndo e procurando o bendito. Eu ri do seu desespero.
Quando ela olhou pra tela e seu rosto todo se iluminou, eu já sabia quem era.
– O-oi... Tudo ótimo... Eu também, foi inesquecível... Uhum, uhum... Sim... Não, não, não, não, não... Claro, claro... Ta bom, as 19:30... Ok... Beijos... – Ela ficou em silencio com o celular ainda na orelha, o que me fez sorrir lembrando das minhas conversas com Percy. Ela deu um sorriso e finalmente desligou.
– E então??? – Seus olhos azuis brilhavam.
– Ele me chamou pra sair com vocês, me apresentar aos amigos!! Ele disse que precisava de um pretexto pra me ligar, e Percy o salvou de novo. – Eu ri.
– Viu, não tinha porque se preocupar. – Ela assentiu.
– Tá, mas agora é sério, que merda é essa de não deixar a bruxa ir pro olho da rua?
E eu contei tudo a ela.
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