These Gray Eyes
19 Capítulo 19
Notas iniciais
POV Percy
Estávamos ali na frente do IML há um bom tempo. Thalia não soltou uma misera lágrima, o que estava me preocupando. Annabeth estava abraçada a ela, mas a mesma não demonstrava emoção alguma.
Quando chegamos na frente dos Grace, Thalia e a mãe estavam paradas do lado de fora acompanhadas de vários policiais e uma ambulância. Annie desceu do carro correndo e abraçou a amiga, ela estava mais abalada que a própria. Eu desci do carro juntamente com meu pai, que insistiu em vir. Falei com alguns policiais, mas nenhum deles quis me explicar o que havia acontecido, até eu encontrar Quíron.
– Mandamos os policiais pra casa assim que Thalia entrou em contato comigo avisando que o pai havia chegado, nesse meio tempo ela disse que ouviu os pais brigando feio no quarto, parece que Zeus surtou quando viu todas as suas roupas feitas de trapo. Quando os policiais chegaram, com sirenes e tudo mais Zeus enlouqueceu. Thalia disse que ele fez de tudo pra tirar a Sra. Grace do quarto, e assim que os policiais entraram pela porta da frente foram ouvidos tiros vindos do quarto do casal. Assim que arrombaram a porta, encontraram o corpo dele no chão junto com uma arma e todos os seus trapos.
– O filho da puta não queria mesmo ser preso, tem alguma coisa por trás disso, não deve ser por culpa que ele se matou. – Quíron concordou comigo.
– Tem razão criança, nós vamos investigar.
– Cadê Thalia? – Meu pai perguntou.
– Estava na frente da casa, agora provavelmente deve estar onde Annabeth estiver, nós já voltamos ok? – Quíron assentiu e eu e meu pai fomos em busca das meninas.
E agora estamos aqui, esperando a liberação do corpo pra ser velado.
– Thalia? – Eu sentei ao seu lado e seus olhos vidrados se viraram pra mim.
– Sim? – Sua voz era seca e cortante. Eu engoli em seco.
– O que você está sentindo? – Seus olhos voltaram a olhar para um ponto qualquer até que ela deixou escapar uma única lágrima, seus ombros se curvaram e ela respirou fundo.
– Livre. – Sua voz tremeu. – Eu me sinto livre, eu sei que isso é errado mas eu estou feliz com a morte do meu pai. – Encontrei os olhos de Annabeth e ela olhou pra mim em desespero.
– Hey, não é errado. Ele fez barbaridades com você, não deveria nem ser considerado um pai. – Ela encostou a cabeça no ombro de Annie e fungou. Meu pai se aproximou e agachou na sua frente.
– Hey criança, vai ficar tudo bem agora sim? – Ele estendeu os braços pra ela, que hesitou mas o abraçou apertado e finalmente chorou. Annie sorriu e se aproximou de mim.
– Poseidon, o “pai” pra toda obra. – Ele sorriu e apertou Thalia em seus braços.
– O que eu posso fazer crianças? Eu nasci pra isso! – Nós rimos enquanto Thalia desabafava em meio de lágrimas. – Você sabe que pode morar no meu sofá né? – Ele disse fazendo a gente rir.
– Obrigada por isso Poseidon, mas eu quero curtir minha filha agora. – Thalia levantou a cabeça e soluçou ao ver a mãe. Ela se levantou e a abraçou apertado, as duas choraram juntas finalmente.
A porta se abriu e o médico legista apareceu pra liberar o corpo.
Thalia e sua mãe não ficaram para o velório, apenas os parentes da parte dele ficaram lá.
Sinceramente? Eu acho que ele não merecia nem isso.
– Uma nova vida começa a partir de agora pentelhinha. – Baguncei seus cabelos pretos e ela me empurrou.
– Espero mesmo, e aquele amigo que você disse que ia me apresenta? – Eu ri.
– Nico, eu peço pra ele servir sua mesa. – Ela sorriu.
– Eu vou esperar.
– Mas se comporta que nem gente tá? Vai assustar o garoto. – Ela riu e me empurrou com o ombro.
– Annabeth, olha o seu cachorrinho. – Ela revirou os olhos cinza.
– Vocês dois juntos são muito chatos. Vamos Poseidon ninguém merece esses dois. – Meu pai riu.
– Hey, vamos passar no mercado Percy vai fazer uma comida japonesa pra gente hoje!
– Oi, como que é? – Eu perguntei. Annie olhava pra mim abismada.
– Você sabe fazer comida japonesa?
– Minha filha, se ele não for advogado, vocês não vão morrer de fome porque ele faz de tudo.
– Nossa, eu escolhi muito bem o namorado né? Fala sério, se não fosse tão chato você seria perfeito. – Annie veio me abraçar e eu olhei bobo pra ela.
– Ah eu sou chato?
– Não começa, nós estamos em publico você não vai falar besteira pra mim. – O povo riu e eu apertei ela nos meus braços.
– É filho, por favor. A Sra. Grace não está acostumada com esse espirito jovem de reprodução. – Vimos a mãe de Thalia ficar vermelha de vergonha.
– Pai, onde conseguiu dinheiro pra esbanjar assim fazendo comida japonesa...
– Você está ganhando mais filho! Temos que comemorar isso. – Eu olhei pra Annabeth e ela sorriu, piscando pra mim.
– Tem razão, vamos esquecer essa tristeza, bola pra frente que daqui em diante é só alegria! — Annie se soltou de mim e entrelaçou seu braço no de Thalia e as duas foram conversando a nossa frente.
– Muito obrigada pelo apoio de vocês. – Sra. Grace disse tímida pro meu pai, eu levantei uma sobrancelha vendo ele pigarrear e se aproximar mais dela.
– Thalia é uma menina incrível, nós não poderíamos agir de maneira diferente. – Eles sorriram um pro outro e eu só fiquei ali de zoio.
Vou te confessar, minha loira tem razão, depois de todo esse tormento eu nunca estive mais feliz.
...
Acordamos cedo na manhã seguinte. Era o dia da audição, finalmente Ares receberia sua pena.
Coloquei o mesmo terno de sempre e me postei ao lado de uma tremula Annabeth.
– Porque está assim?
– Eu to com medo.
– Não tem como ele se safar loira. – Ela deitou a cabeça no meu ombro, e eu encostei meu queixo na sua cabeça.
– Eu sei que é praticamente impossível, mas se ainda à uma chance, eu devo ficar preocupada. Você se envolveu demais nisso. – Eu sorri e acariciei sua mão.
– É apenas o começo, ainda temos aquela treta com o barrigudo ruivo. – Ela levantou a cabeça e me encarou duramente.
– Não vai chegar perto daquele cara Perseu, promete pra mim. – Eu a fitei intensamente.
– Tá. – Seus olhos escureceram, ela percebeu que eu não prometi, e sabia no intimo que eu iria sim atrás daquele cara, e que não iria adiantar debater sobre isso. Eu não ia mudar de ideia. Annie fechou os olhos e respirou fundo, voltando a deitar a cabeça sobre meu ombro. – Fica tranquila. – Ela riu sarcasticamente.
– Não tem como me tranquilizar agora. – Eu olhei no meu relógio e sorri.
– Nós temos uns 20 minutos ainda. Da tempo de uma rapidinha no banheiro. – Ela riu e apertou a minha perna.
– Larga de ser besta.
– É sério, pra você dá uma relaxada. – Ela riu mais e entrelaçou nossos dedos.
– Eu relaxo e você fica duro. Nada feito herói, quando chegarmos em casa nós gozamos juntos ok? – Eu apertei sua mão ouvindo ela rir.
– Que engraçado loira. Legal provocar o namorado né?
– Deuses, será que dá pra vocês dois aquietarem o rabo um instante? – Meu pai sussurrou.
– Qual é pai, vai ficar empatando agora? – Ele revirou os olhos.
– Filho, estamos no meio de um tribunal e vocês estão planejando uma transa.
– Você é que está precisando planejar uma, a mãe da Thalia tá viúva agora, eu vi vocês conversando lá. – Ele me olhou envergonhado.
– Larga de ser retardado, lógico que não. Ela acabou de perder o marido e também, eu nunca vou amar mais ninguém além da sua mãe. – Eu sorri ao ouvir aquilo.
– Ninguém falou em amor aqui Poseidon, é apenas necessidade. Seja o P.A. da Sra. Grace. – Olhamos confusos pra Annie.
– P.A.? – Perguntamos juntos. Ela revirou os olhos.
– Pinto Amigo. – Eu arregalei os olhos pra ela.
– Que isso? Você tinha um desses Annabeth? – Ela me encarou como quem duvidava que eu tivesse um cérebro.
– É Percy, eu tive vários, meu hímen se reconstituiu todas as vezes que eu transei com outros caras e depois você surgiu com seu pau mágico e ele sumiu pra sempre. – Eu deveria estar vermelho nessa hora, porque tava sentindo meu rosto queimar. Meu pai gargalhava ao nosso lado chamando a atenção pra gente.
– Bate aqui filha, você é foda. – Meu pai trocou um soquinho com Annie e eu ainda encarava ela envergonhado.
– Desculpa, eu fiquei com ciúmes. – Ela riu e me abraçou.
– Percy do céu, se eu fosse ter ciúmes do seu passado... imagina só. – Eu sorri.
– Não precisa ter ciúmes, eu nunca amei ninguém antes de você.
– Eu também não.
– Nem transei com amiga nenhuma, eram só transas casuais mas eu nem sabia o nome delas.
– E eu nunca transei com ninguém além de você. – Mesmo já sabendo disso, eu dei aquela inflada no peito de orgulho sabe? Ela riu por causa disso. – Larga de ser ridículo.
– O que? É muito bom ouvir isso. – Ela bufou.
– Deuses como você é machista.
– Não mesmo, mas é bom saber que eu fui o único cara que você amou e o seu primeiro na cama. – Ela olhou pra mim sorrindo e meu pai coçou a garganta do nosso lado.
– Isso ficou bem gay filho. – Annie gargalhou e eu revirei os olhos.
– É, eu fui o primeiro a comer minha namorada. Bem gay mesmo.
– Chega desse assunto né? – Eu assenti e beijei sua cabeça.
– Olha pelo lado bom, pelo menos você relaxou. – Ela riu.
– Verdade cabeça de alga. – Ouvimos a porta bater e Annie ficou dura feito rocha nos meus braços.
Acabou o momento de relaxamento.
O advogado de defesa entrou todo pomposo, Atena atrás dele o que me deixou puto da vida. O júri se pôs no seu lugar e todos se levantaram com a entrada do juiz. Alguns policiais entraram carregando Ares algemado e aquilo alimentou meu animo.
Acabou pra você seu filho da puta.
– Dando inicio a sessão 249 contra o réu Ares La Rue, acusado de abusar da enteada, Annabeth Chase, de estupro das dançarinas de um clube de poli dance, Tártaro, e de portar material pedófilo em seus arquivos pessoais. – O juiz bateu seu martelinho e todos nós sentamos.
Quíron, como promotor, começou com suas acusações, todas as provas foram mostradas ao júri e ele chamou Annie para depor. Ela se levantou e apertou minha mão, eu assenti pra ela e lhe dei um sorriso confiante.
Com toda sua beleza, ela foi na frente de todos e disse sua história. Contou toda sua vida, detalhes que até eu não sabia, e esses me enlouqueciam de vontade de matar aquele homem asqueroso.
Quando ela acabou, tinha tirado várias lágrimas de pessoas do júri assim como de Thalia, que ainda não conseguia acreditar que a melhor amiga sofrera tanto quanto ela. Eu me levantei e fui busca-la. Ela sorriu ao me ver por perto e segurou minha mão, a sua estava gelada e suada mas ela não tremia, isso era uma vantagem.
– Você foi muito bem, loira. – Beijei sua têmpora e ela sorriu pra mim. Quíron sorriu pra ela aprovando seu depoimento e voltamos a sentar.
– Bom, o advogado de defesa tem a palavra. – O cara pomposo pediu para que Ares fosse depor. E aos olhares de todos e principalmente o do advogado, que era frio e calculista, Ares jurou dizer apenas a verdade e nada mais do que a verdade.
E ele disse apenas duas palavras.
– Eu confirmo. – Ofegos foram ouvidos por toda parte e Ares se afastou do microfone e voltou pro seu lugar, lentamente. Ele me encarava com um sorriso nos lábios e eu me segurei pra não levantar e quebrara a cara dele.
– Filho da puta. Terá a pena reduzida por se entregar. – Annie afagou minha mão, me acalmando.
O juiz o decretou culpado, mas teria sua pena reduzida por ter dito a verdade. Ares passaria 12 anos preso por todos os crimes cometidos. Quase metade do tempo que merecia ficar.
Atena foi até ele no final do julgamento, mas ele a ignorou e voltou calmamente para a prisão.
Eu adorei aquela cena.
– Foi uma surpresa ele não querer defesa. – Quíron disse assim que saímos daquele lugar.
– É um lazarento. Ele sabia que ficaria menos tempo se entregando. Merecia muito mais, mas 12 anos será tempo o suficiente pra acabarem com ele ai dentro. – Annie suspirou ao meu lado.
– Só vamos pra casa, pode ser? Eu estou cansada disso tudo.
– Sinto querida, mas nós temos mais coisas para resolver. – Encaramos Quíron que nos olhava determinado. – Entramos em contato com o advogado do seu pai. Nós conseguimos o testamento.
...
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