There's no Fairytale
1 Paper Crown
Notas iniciais
Link da música no capítulo :https://www.youtube.com/watch?v=mzmjdntlRJk
Quinn deu um longa tragada em seu cigarro.
Ali, do lado daquelas garotas despretensiosas, se via cercada em uma tranquilidade inesperada.
Se soubesse que fugir de seus problemas e sentimentos poderia ser tão relaxante, teria mudado muito tempo antes. Porque afinal, ela não tinha ninguém e nem precisava de todos aqueles bajuladores do Mckinley High
“Quinn?”Quinn então é trazida de volta á realidade. Por aquela voz. Insegura e tremula, mas ainda sim intensa.
Mesmo depois de tantas coisas entre elas, tantas disputas, brigas, pazes feitas, ainda sim, olhar para Rachel Berry causava um misto de sensações incompreendidas para Quinn. E quando Quinn não compreendia algumas coisa, ela a afastava.
“você está perdendo o seu tempo, Rachel” Disse ao levantar os seu olhos e mirar os castanhos intensos da garota a sua frente. Queria, muito, que ela não desistisse dessa estranha interação com esse afastamento inicial.
Quinn não entendia se realmente queria a paz de fugir dos seus problemas naquele momento, ou se estava disposta a ouvir as palavras da judia.
Mas Rachel não parecia querer dar espaço para que Quinn se decidisse.
“Nós já fomos amigas uma vez, certo? Talvez quando você cortou seu cabelo ano passado, achando que resolveria seus problemas, eu deveria ter digo algo. Ou quando desapareceu este verão e namorou um skatista de 40 anos, eu dever...
“Eu não vou voltar para o glee club” Praticamente cuspiu as palavras amargamente, interrompendo o possível monologo que Rachel estabeleceria. Como se ardesse em sua língua cada memoria que apenas aquele nome parecia lhe recordar. E antes de tudo, querendo ver os desdobramentos que Rachel teria que fazer com suas negativas.
“Nós precisamos de você, ok? Você viu os pianos roxos pela escola? Estamos recrutando gente.”Diz afobada, como se seu grande entusiasmo fosse magicamente contagiar Quinn. E Rachel, por um segundo, viu um brilho de divertimento nos olhos da loira.”Faremos um tributo ao Go-Go’s.Quem não adora Go-Go’s?”
Quinn a olha como se esperasse mais. Como se, com somente algumas palavras vindas de Rachel Berry, ela pudesse enfim aceitar voltar para o Glee.
“Eu prefiro os Bangles” disse uma das skanks. Quinn não conseguiu impedir que um sorriso maldoso brotasse de seus lábios. Se Rachel Berry não daria os argumentos que queria, tudo bem se divertir com as desculpas que ela estava dando para que ela voltasse, não é?
Mas afinal, o que Quinn esperava ouvir da pequena judia?
Sem graça pela fala da Skank, Rachel prossegue murmurando um pequeno ok” Precisamos do seu vibrato e do seu glamour de Belinda Carlisle..”
“Dou 10 dólares para bater nela por você”Interrompeu mais uma vez umas das skanks.
Mas Quinn não deu a devida atenção a ameaça, caso contrário demonstraria o descontentamento que teria com a fala. Em seu intimo, mesmo que negasse a todos, a Fabray nunca deixaria que encostassem em Rachel. De todo modo, estava concentrada demais encarando os olhos chocolates de Rachel Berry, tentando decifrar o que aqueles olhos intensos realmente queriam, para prestar atenção em qualquer outra coisa.
“Sinto muito que você esteja triste Quinn” Diz a fitando com uma intensidade que nunca antes tinha visto nos olhos da judia” Pode não acreditar, já que não éramos tão amigas, mas me deixa triste não vê-la no coral.
Rachel Berry ficava triste por não vê-la no coral.
Rachel se importava.
Era difícil de acreditar. Por isso, Quinn focou em seu cigarro por alguns segundos. Se perguntando se realmente havia verdade nas palavras da morena.
Ali na sua frente, não estavam Puck, o pai de sua filha, ou Finn, seu primeiro amor ou até mesmo Santana e Brittany, suas melhores amigas. Não eram seus pais também, que estendiam a mão a uma, mais uma vez, Quinn quebrada. Não era nenhum deles. Era apenas ela e sua insistência.
“Nós vivemos tantas coisas!” Insistiu Rachel”Somos uma família, e este ano temos a chance de fazer dar certo.”
Ah
Era como seu uma ferida antiga e dolorida fosse aberta em seu peito ao assimilar a ultima frase. Fazer dar certo.
Quinn se recordava claramente de todas as verdades que dirigiu a Rachel quando estavam bolando músicas originais para as regionais.
Ela não conseguia se sentir nada menos do que hipócrita naquele momento.
“Gostaríamos muito que você voltasse ao Glee club, quando achar que é a hora certa. Ok?”
Quinn não respondeu, porque todo o seu coração era uma grande bagunça naquele momento.
Ela só conseguia se focar no fato de que seus cigarro estava chegando ao fim, sem ter realmente o aproveitado; em como tudo que Rachel Berry dizia, toda a sua segurança e tentativas de faze-la compreender que ela não estava sozinha; só a faziam com que ela a admirasse um pouco mais. Que a visão de uma Rachel decidida a ajudar alguém com quem ela se importava, era uma visão linda.
E esse alguém dessa vez era Quinn.
Antes de girar seus calcanhares e sair com todo o ar dramático que Rachel Berry sempre teve, a Fabray se viu mais uma vez desafiada por aquele pequeno ser irritante.”Enquanto você não volta Quinn, pelo menos pense á respeito da música que eu cantarei mais tarde no glee. Você não precisa realmente participar, mas eu ficaria muito feliz se existisse alguma chance de você escultar minhas palavras de algum jeito. Quando eu penso em você, essa música sempre me vem á cabeça, de verdade. Eu não acho que exista uma pessoa tão forte quanto você, e eu admiro isso. Eu espero que ela te ajude de alguma forma.
Então Rachel saiu, levando consigo todo o resquício de paz que Quinn tinha encontrado naquelas ferias de verão. Levando também todas as suas certezas e anseios.
E o pior foi que Quinn tinha gostado do modo que se sentiu ao constatar isso.
...
Quinn estava em seu oitavo cigarro desde que Rachel Berry aparecerá embaixo das arquibancadas do Mckinley e a confrontara.
Tentava a todo custo imaginar razões para que não desse ouvidos ao convite da Berry e aparecesse no Glee club para ouvir sua música.
Mas, inevitavelmente, não conseguia encontrar nenhuma.
Sentada nas arquibancadas do campo de futebol, Quinn se permitiu fechar os olhos por um instante. Apenas sentindo a brisa suave do vento acariciar seu rosto e refrescar sua alma.
Se perguntou se valia pena se sujeitar àquela expectativa do que a música de Rachel se tratava, e o porque a morena se recordava de Quinn, ao ouvi-la.
Então teve um vislumbre de Rachel, e sentiu aquelas estranhas sensações que sempre a tomavam se tratando da judia.
Quinn arrumou as poucas coisas que estavam consigo, e rumou á sala do Glee. Esperando que não estivesse atrasada.
...
Rachel não acreditava realmente que Quinn apareceria, mas ainda tinha esperanças.
Quando procurou a loira, sabia que não estava fazendo aquilo puramente por ser a co-capitã do Glee.
Sabia que tinha motivos muito mais complicados. Complicados demais para que tentasse entender no momento. Por isso se permitiu apenas a tentar, razoavelmente, trazer a loira novamente para o coral.
Rachel, entretanto, não acreditava que seria o Glee a dar forças para aquela Quinn Fabray desacreditada, e sinceramente não saberia dizer o que poderia dar, mas a sua parte egoísta; aquela que todos criticavam, mas que Quinn via como uma das que faziam Rachel Berry ser a estrela em ascensão que era; queria a garota ali, onde pudesse ver.
E por isso, mesmo incerta sobre o que diria e como diria, enfrentou Quinn e as Skanks. E mesmo que a Fabray não aparecesse e escutasse a música que cantaria, já estava contente simplesmente por saber que conseguira falar com ela e garota não a expulsara a pontapés.
Quando Mrs. Shuester perguntou se alguém gostaria de cantar a canção da semana, Rachel prontamente levantou a mão e ganhou alguns olhares confusos de seus colegas, pois a mesma já tinha cantado a sua.
“Mrs. Shue, eu sei que já cantei o tema da semana. Mas eu tenho que expressar algumas coisas para alguém importante. E eu sei que poderia fazer isso de outra maneira, mas creio que..”
“tudo bem, Rachel. Pode cantar”
Mesmo contrariada, por ter sido interrompida em meio a seu monologo e por alguns de seus colegas terem feito comentários ardilosos a respeito disso, Rachel caminhou até Brad e o entregou as partituras da música que cantaria. Sentou-se no banquinho em frente aos seus colegas do Glee, e rezou para que Quinn Fabray escutasse suas palavras.
“Essa música é um desabafo de alguém. Eu estou apenas dando voz à ela e espero que, assim como essa pessoa, vocês consigam encontrar dentro de si o significado de cada palavra e as transformem em ajuda. Em carinho e compreensão.”
...
Fazia poucos segundos que Quinn chegara porta do coral. De onde estava podia enxergar as costas de Rachel e um pouco do seu perfil, assim como podia ver todos os seus colegas olhando curiosos para a morena.
Quando o som do piano soou pela primeira vez, e a voz de Rachel fora a unica coisas a ser escutada naquela sala, Quinn prendeu a respiração.
And a heart made of glass
A tattered gown
And her kingdom of ash
She walks alone
She can never look back
Rachel estava cantando sua vida.
The story of a queen
Whose castle has fallen to the sea
She'll make it out
But she's never the same
She's lookin' down
At the scars that remain
But you hold your ground
Though your kingdoms in flames
Quinn nunca saberia dizer que tipo de sentimento a inundou naqueles versos.
A voz de Rachel a conduzia por um infinito de lembranças, das mais duras ás mais tristes. Quinn recordou-se de todas as coisas que perdeu e de todas as cicatrizes no seu coração que fizeram ser que era.
Cause it's the story of a queen
Whose castle has fallen to the sea
Knowing there's no one who will be a king that
Will come and save his queen
Quinn sabia que não haveria um cara para salva-la daquela situação. E sinceramente, ela não queria um.
Admitia que estava quebrada, mas diferente de das vezes anteriores, agora sabia que não precisava de alguém para reergue-la, até porque, esse alguém nunca existiria.
Entretanto, olhando para aquela garota irritante que parecia sofrer tudo aquilo que Quinn sofreu durante todos aquele anos, duvidou de seu pensamento.
When all she needs, and all she wants
When all she finds
When all she is, and ever was
Is compromised
Cause there's no one to love you
When you build your walls too high
And there's no one to love you
When you build your walls too high
Porque, sabendo que naquele instante as pessoas que a amavam verdadeiramente se resumiam a nada, e ouvido da boca de Rachel Berry como sua vida era uma merda, Quinn se sentiu compreendida pela primeira vez?
Porque, mesmo não conseguindo ver os olhos de Rachel, sentia que a mesma prendia lagrimas nos cantos dos olhos cantando a sua dor?
Que sentimento gigante e desconhecido fizera o coração de Quinn apertar de tal maneira ao ver como talvez Rachel não conseguisse terminar a música?
She’s looking out
From the war that’s inside
She’s screaming out
Cause no one survived
But when you’re all alone
You wait and you hide
Quinn, sentindo a voz tremula de Rachel, finalmente notou algo que vinha lutando constantemente contra.
Ela não estava só.
Ela tinha Rachel.
Nada, nenhum sentimento duvidoso a impediu de entrar na sala do Glee, notando cada vez mais o cair de Rachel.
Não se importou com os olhares espantados e compreensivos de alguns colegas, só se importou em amparar a judia, com tudo que tinha.
Cause it's the story of a queen
Whose castle has fallen to the sea
Knowing there's no one who will be a king who
Will come and save his queen
Quinn não estava preparada para encara os olhos confusos de Rachel quando assumiu a música, por isso por alguns segundos cantou de olhos fechados, exprimindo de cada canto do seu ser, a dor que aquela música pedia e que tinha de sobra em si.
When all she needs, and all she wants
When all she finds
When all she is, and ever was
Is compromised
Quando sentiu um toque em seu braço, uma corrente elétrica fez Quinn abrir os olhos e, como se fosse a primeira vez que via Rachel, descobriu sentimentos intensos que escondia dentro si olhando aqueles olhos que pareciam varrer sua alma.
Sentindo-se dona daquele sorriso direcionado a si, que mostrava a felicidade de Rachel por saber que ela estava ali, Quinn também sorriu.
Cause there’s no one to love you
When you build your walls too high
And there’s no one to love you
When you build your walls too high
Olhando nos olhos de Rachel Berry, os muros de Quinn caíram.
E ela não se importou nenhum pouco com isso.
There's no one
Who is strong enough
To save your love
There's no fairytale
There's no fairytale
Por muito tempo, Quinn viveu em uma conto de fadas, cercada por mentiras e ilusões, e ali, quando tudo em sua vida parecia perdido e quebrado, olhando nos olhos de uma garota que nunca tinha olhado de verdade, Quinn entendeu que o mundo realmente não era um conto de fadas. Afinal, uma vilã não se apaixona pela mocinha.
E quinn nunca ficou tão feliz de perceber que não existiam tais coisas como contos de fadas,
When all she needs, and all she wants
When all she finds
When all she is, and ever was
Is compromised
Cause there's no one to love you
When you build your walls too high
And there's no one to love you
When you trapt yourself inside
Talvez existisse uma palavra para descrever o que Quinn e Rachel sentiram olhando intensamente uma para a outra, no final daquele música. Mas nenhuma delas, preparadas para encarar tal verdade ainda, conseguiu discernir algo a mais que gratidão.
Quando Quinn disse:
“Obrigada, Rachel.”
Ela queria dizer outras palavras.
E quando Rachel respondeu:
“Eu estou aqui para isso”
Rachel também queria dizer outra coisa.
Mas a vida não é um conto de fadas.
E nenhuma delas se preocupou com isso naquele momento.
Fim...?
Notas finais
hahaha Eu adoro "Paper Crown" E particularmente, acho que descreve muito bem o que Quinn Fabray foi por tanto tempo.
A história não teve tanto romance assimmm, mas acho que eu não saberia termina-la de outro jeito, então fiquem com esse "Fim...?", Não porque eu pretenda dar andamento a fanfic, mas porque tive a intenção de mostrar que aquele pequeno final, é apenas um grande começo para aquelas duas nesta fic.
Confuso? ausuas Espero que tenham entendido ;)
Comentem! Faz um bom tempo que eu não escrevo nada por aqui, e sempre faz bem ler alguns comentários.
Obrigada por lerem, até algum dia!
Fale com o autor