Theres a Hell...
38 Epílogo
10 dias depois...
11 de Dezembro
O aniversário de Zacky tinha chego. Ele esteve animado com a data, mas não queria festas e nem surpresas. Johnny havia ligado logo cedo desejando parabéns ao amigo. Um dia antes, Brian tinha o convidado para passarem o dia juntos na praia. Zacky aceitou e exatamente no dia 11 de Dezembro, o sol contribuiu com o convite.
Maria estava longe outra vez. Tinha deixado como presente ao filho um farto e diverso café da manhã e ao lado da bandeija, deixou-lhe um objeto pequeno: o anel que seu marido usara quando se conheceram, aos 18 anos. Deixou também um pequeno bilhete que contava a possível história do anel e parcialmente, Maria agradecia ao filho por ter se tornado um homem tão forte. Deu-lhe um beijo singelo antes de sair para o trabalho e quis morrer por nunca estar com o filho em seus aniversários. Zacky meio que não se importava. Tinha Johnny todos os anos e incrivelmente nesse, teria Brian. Sua mãe fazia falta, mas não a falta que ele esperava que fizesse.
Quando a tarde começou a chegar, Zacky ouviu buzinadas do lado de fora. Esperando por ele, Brian desligou o motor.
Tempo depois, Zacky apareceu vestido com uma camiseta preta com uns desenhos estranhos na frente, bermudas da mesma cor e chinelos. No rosto, um óculos de sol também negro escondia as grandes jóias que tinha nas pupilas.
Tudo era preto, exceto a pele, os olhos e os piercings que reluziam ainda mais com o brilho do sol.
No pescoço Zachary carregava duas coisas: uma nova tatuagem na lateral direita, que em letra cursiva dizia "Forever". A palavra estava lotada de protetor solar e coberta com um plástico transparente. Também no pescoço, carregava uma grande corrente prateada que como pingente suportava um anel da mesma cor, bem pequeno. Era o presente que sua mãe havia lhe deixado junto ao café, naquela mesma manhã. Significara para ele mais do que qualquer outro presente durante toda a sua vida. Sentia que aquele aniversário seria o melhor que já tivera.
Ao entrar no carro, recebeu um beijo rápido e um "parabéns" tímido de Brian.
Zacky analisou-o atentamente. Brian ficava mais bonito a cada dia que passava. O cabelo espetado foi escondido em um chapéu preto com cinza. Os olhos foram igualmente tampados por um óculos espelhado que refletia Zacky perfeitamente. Vestido com uma bermuda clara e a costumeira gola V preta, Zacky secou o parceiro como nunca teve coragem de fazer.
Ao olhar o decote de Brian, Zacky percebeu uma semelhança. Uma não, duas: Haner também tinha um colar pendurado no pescoço da mesma cor que o seu. As famosas pequenas asas negras que Zacky tinha visto outro dia; no peito, uma nova e enorme tatuagem chamava toda a sua atenção. A palavra "Forever", igualmente a dele, foi escrita com uma fonte diferente, apenas em preto e branco. Era um trabalho realmente surpreendente. Zacky sorriu ao lembrar-se do acordo que fizeram.
- O aniversariante trouxe protetor solar? — Brian perguntou enquanto já dirigia em direção a praia.
- Não, esqueci. — Zacky respondeu com um pequeno sorriso no canto dos lábios, passando a mão várias vezes nas laterais do rosto onde o cabelo caía.
- Sorte sua que eu leio sua mente, Zacky.
Com uma mão, Brian tirou o pequeno pote de um creme protetor de um dos consoles do carro, entregando ao outro com um perfeito sorriso e marcas de expressões no rosto.
Bem melhor do que imaginaria que fosse.
(...)
Zacky e Brian estavam deitados confortavelmente na areia da praia deserta. O sol falsamente tropical aquecia-os perto das águas frias de Coldwater. Os dois estavam usando apenas as bermudas. As camisetas e os chinelos já tinham sido esquecidos em qualquer lugar da praia vazia, habitada apenas por eles, alguns turistas e pelos trabalhadores de um bar localizado ali perto.
Os peitos, braços, barrigas, mãos e outros membros dos dois, estavam empanturrados de protetor solar. Zacky ainda mais por ser tão branco e ter a pele tão sensível.
Não sabiam quanto tempo estavam calados, deitados abaixo do sol, um ao lado do outro em uma proximidade tão ridícula que fazia o cotovelo de Brian triscar o de Zacky. Mesmo assim, não trocaram uma palavra.
Brian havia descoberto em todos esses dias que a simples proximidade de Zacky era altamente magnética. Os olhos dele o enfeitiçavam e a pele branca era como um convite à loucura. Ele costumava cobiçar outros homens e até mesmo mulheres, mas Zacky era quase irreal, quando o "diferente" ali era o próprio Brian. Ele por ser um anjo, não era tão bonito quanto Zacky era.
Estava observando o corpo cheio de Zacky, disfarçando com o óculos que cobria o rosto. Estava muito consciente do corpo de Zachary ao seu lado. A ereção só de olhá-lo tornara-se tão óbvia que se virou para o lado contrário antes que Zacky percebesse e se tornasse um idiota perto dele.
Os olhos mal deixaram Zacky e ele logo se voltou a Brian, chamando-lhe a atenção.
- Preciso beber alguma coisa. O sol 'tá forte.
Brian levantou rapidamente, adorando a idéia da desculpa vir na hora certa. Andou até o bar fracamente movimentado e fez uns pedidos.
Voltou carregando duas latinhas de refrigerante gelado, uma de cerveja e um copo plástico com uma bebida que era uma mistura de frutas. Zacky ajudou-o a beber o coquetel de frutas e depois bebeu uma lata de coca-cola zero.
Com o ar quente e diferente que Maine nunca teve, Brian sentia-se incrivelmente incluso na vida de Zacky. Ainda mais passando uma data tão especial ao lado dele. Sabia que significava para Zacky, sabia que ele o queria ali. Estava fazendo de tudo para disfarçar a falta que o pai de Zacky em datas especiais.
Entretanto, Zacky sentia-se aliviado e sem pressa. Não entendia o que acontecia e nem sabia por que se sentia assim. Não queria compreender.
Brian tomou a cerveja depressa, e então disse:
- Você é tão bonito, Zacky. Sei que soa estranho e sei que talvez não seja o momento, mas quero muito te beijar.
Todas os sentimentos de timidez pareciam ter sumido e ele observou o sorriso se abrir no rosto de Zacky. A sinceridade que ele carregava em seu semblante era tão diferente do modo como as pessoas costumavam a agir com Brian. Este que sentiu-se novamente cheio e quente por dentro.
(...)
Passaram praticamente a tarde bebendo drinks fortes e cerveja. Depois de um tempo, decidiram andar pela praia, longe dos turistas. A tarde tinha chego, mas ainda não havia escurecido e demoraria para acontecer.
O toque da mão de Brian na de Zacky era um tipo de incentivo para as descargas elétricas de desejo correrem com ainda mais pressa por ambos corpos, enquanto caminhavam pela areia de dedos juntos, com as camisetas jogadas nos ombros.
Saíram da vista total de todas as pessoas ali perto e se "esconderam" entre alguns coqueiros. Sentando-se na areia caramelo, Brian aproximou-se ainda mais de Zacky.
- Preciso te falar algumas coisas e tenho um presente para você. — Brian disse com a voz quase inaudível.
Decidiu que não demoraria com aquilo. Não poderiam ficar na praia por muito tempo e queria aproveitar ainda mais o dia.
Analisando-o por bastante tempo, Brian passou as mãos por detrás do pescoço, abrindo o fecho da corrente simples de prata que sempre passava despercebida por Zacky. Ele não sabia de nada daquele colar, mas sentia que era importante para Haner. Era a única coisa que Brian usava sempre, depois da camiseta gola V.
As mãos agéis deslizaram até a nuca de Zacky, onde ali Brian prendeu a corrente junto a outra. O metal gelado fez o aniversariante sorrir de ansiedade.
- Ganhei isso do meu pai quando eu caí, com 18 anos também. — começou Brian. — Servia para me ajudar a diferenciar a verdade da ilusão. Agora que você está comigo, quero que saiba quando eu digo a verdade e quando eu minto. Quero que veja que entre nós não há segredos.
Zacky olhou as pequenas asas negras, admirando ainda mais a importância do objeto.
- Ainda funciona?
- Comigo não. É sua vez.
Zacky sorriu e percebeu que tinha uma pergunta guardada em sua garganta.
- E o seu pai? Por que motivo Jacoby falou aquelas coisas sobre ele?
Brian respirou fundo e uma risada sem-graça deixou os seus lábios.
- Meu pai se chama Brian também, você deve imaginar. Ele era um anjo da morte como Rev. Nunca gostou de ir buscar as almas das pessoas, sentia-se um demônio por isso e não deixava de ser. Ele desafiou os arcanjos todas as vezes que tentaram forçá-lo a fazer alguma coisa que ele não concordava. Se ele achava que a pessoa não merecia, ele não fazia o seu trabalho... — Brian direcionou os olhos ao mar calmo, antes de continuar. — Era de sua natureza mas ele morreria para não matar, sabe? Ele acabou fazendo um pacto que nem eu sei direito e o quebrou. A penalidade para isso era a sua "morte", e isso era o que ele mais queria. Ele foi para o inferno. Desde então, eu não soube mais dele. — Suspirou pesadamente. — Só vou encontrar meu pai novamente se eu fizer algo ruim e cair no inferno também. Normal. Acontece com todo mundo.
Zacky riu da mesma forma que Brian tinha feito há minutos atrás. Realmente acontecia com todo mundo.
O garoto dos olhos claros tocou o anel pendente no peito e tirou-o do pescoço, colocando-o na cabeça de Brian, deixando-o pendurado em seu peito também, fazendo o mesmo se surpreender com o ato.
- Minha mãe me deixou isso hoje de manhã com um bilhete. Meu pai usava esse anel quando tinha 18 anos também e disse a minha mãe, quando namoravam, que se tivessem um filho homem, ele teria de usar esse anel. — Zacky também começou sua breve história. — Mas o anel não cabe em nenhum dos meus dedos. — E riu deliberamente, fazendo Brian encher-se de entusiasmo e prazer. — Meu pai foi assassinado enquanto comprava o presente de aniversário da minha mãe. Eu já contei, mas acho que é um fato que nunca vai sair da minha vida. Então, se me deu uma coisa importante, quero que fique com algo que é importante para mim também.
Brian segurou o anel simples entre os dedos, examinando-o silenciosamente.
- Não posso aceitar.
- É a coisa mais importante para mim, Brian. É uma troca de importâncias.
- Zachary. — hesitou ele. — Eu não posso aceitar.
- Só guarde e use. Simboliza que nada vai nos separar. Aceita. — Zacky ergueu os óculos, deixando-os de lado, estreitando os olhos pela luz do sol. — Não quero ficar sem você, então não fique sem o meu anel.
Os olhos de Brian estavam descobertos também, negros como a noite entre os raios mais lindos de sol.
Ao olhar os olhos de Brian, Zacky sentiu uma antecipação tomar conta de seu corpo. Brian se aproximou lentamente, segurando o rosto redondo e iluminado do outro entre as mãos. Permitiu sem medo, que sua boca explorasse a dele.
Os lábios de Zacky eram carnudos e macios. Os lábios de Brian eram finos e quase ásperos. Eram os lábios mais deliciosos que ambos já beijaram. Eram confiantes, seguros e íntimos. Quando as línguas se tocaram, o beijo quase que se tornou erótico.
As mãos corriam os corpos quase que desesperadas. Haviam se tocado todos os dias, não tinha motivo para tanta emergência.
Brian desejava tocar Zacky há muito tempo. Desde manhã. Queria traçar seus contornos, queria explorar tudo com os dedos e a própria língua. Queria ver a excitação de Zacky crescer e ver a sanidade dele voar como os próprios grãos de areia que incomodavam seus corpos.
A pele de Haner brilhava tanto quanto a de Baker.
O beijo cessou e os olhos se conectaram. Os verdes quase colorindo toda a praia de cores quentes e frias. O sorriso travesso de Zacky deu o sinal de que podiam continuar.
Os dedos de Zacky enroscaram-se nos cabelos de Brian, tirando-lhe o chapéu enquanto a língua de Brian lambia os mamilos duros do outro ao mesmo tempo que as mãos fortes de dedos grossos agarravam as nádegas brancas.
Marlboro e Cali4nia em ação. Ao mesmo tempo.
Brian procurou nos próximos segundos o velcro da bermuda de Zacky, abrindo-a com agilidade. Zacky soltou um gemido de prazer, tirando a bermuda de Brian na mesma rapidez, puxando-o de forma agressiva para deitar-se ao seu lado na areia fina. Brian o fez.
Zacky subiu seu corpo sobre o de Brian e deslizou-os. Abaixando a boxer branca do outro, vislumbrou o pênis duro e umido. Sem muito jeito, mas com bastante entusiasmo, levou o membro do outro até a boca, praticando as estratégias que Brian lhe ensinara outros dias. Ambos sentiam a erupção começar a crescer dentro de cada um. Uma explosão tão forte que tornava tudo completamente diferente.
Os olhos cintilantes e preciosos de Zacky, pareciam sorrir para Brian enquanto sua boca estava ocupada deslizando para cima e para baixo em seu membro. Brian quis gritar, quis tomar Zacky naquele segundo. Mas os olhos claros indicariam quando a hora certa chegasse.
Zacky girava os lábios na ponta do membro de Brian enquanto as mãos apertavam a base com força fazendo movimentos descontrolados. Brian apenas deixou seus cotovelos apoiados na areia, sentia os grãos esfarelando entre seus dedos. Deixou também que a voz grossa saísse em forma de urros com o nome curto do parceiro, incentivando-o cada vez mais a continuar com aquilo.
Zacky tinha em mente que tinha que pegá-lo naquele instante, não dava mais para esperar. Esqueceu do que tinha acontecido, esqueceu da sua vida antes de Brian, esqueceu da conversa séria que acabaram de ter sobre os passados. Tudo em que conseguia pensar era naquele homem. Aquele homem que o salvara, que entrara na sua vida para provar-lhe o que era real e o que era ilusão. Aquele homem que roubava toda a sua sanidade e jogava ao vento, como grãos de areia.
Brian ergueu Zacky lentamente, fazendo-o parar quando sentiu o pré-gozo se aproximar. Movendo-se até o corpo do outro, tirou a boxer escura de Zacky e o fez sentar-se em seu colo, sendo obedecido imediamente.
Quando a cabeça de seu membro roçou a entrada de Zacky, jurou que acabaria naquele mesmo segundo. Com coragem e insistência, empurrou-se para Zacky até que estivessem unidos, desfrutando do momento juntos.
Os mamilos de Zacky estavam colados aos mamilos de Brian. As correntes se chocavam uma com a outra, fazendo um barulho irritante. A boca de Brian estava entreaberta como a de Zacky. Zacky mexia-se lentamente como se tivesse ensaiado aqueles atos e incrivelmente, os dois gemiam em uníssono.
Tempo depois, Zacky se tocou rapidamente e sentiu que estava perto quando Brian acertou várias e várias vezes o mesmo ponto. Expelindo-se, Zacky deixou que seu gozo melasse a barriga de Brian. Dois segundos mais tarde, Brian expeliu-se dentro de Zacky, diminuindo os movimentos vagarosamente, como começaram. Descansando os corpos na areia, um ao lado do outro, perceberam que tudo com sentimento era melhor. Zacky sabia tanto quando Brian havia descoberto.
Afastaram-se por um tempo, que foi utilizado para se limparem com as camisetas e vestirem as boxer. Quando se aproximaram de novo, foi o suficiente. Os lábios se tocaram e as línguas brincaram enquanto se abraçavam na areia pinicamente.
Se afastam de novo e Zacky olhou para Brian sorrindo. A face bronzeada do outro contorcida em uma máscara de puro êxtase à medida que os olhos se faiscavam.
Zacky sentiu uma convulsão iminente e não familiar crescendo dentro de seu peito. Algo que aquecia mais que o sol. Algo que era maior que o mar. O peito inundou-se em algo quente que subia e descia dentro de si, derretendo cada parte gelada, fazendo seu coração bater muito, muito rápido.
- Eu... eu... e-eu... — Zacky começou. — Eu acho que amo você, droga.
Com o som das ondas quebrando, sabiam que estavam juntos. As palavras fixadas nos corpos, os atos e os objetos trocados faziam aquilo ser simbólico. Brian podia chamar Zacky do que quisesse — namorado, por exemplo — e Zacky a mesma coisa.
Zacky se virou, encaixando suas costas no peitoral curvado do outro que estava de pernas abertas, absorvendo seu calor, ainda que já estivesse bem quente. Brian por sua vez, ergueu o rosto do outro e abaixou o seu. Deixou-se sorrir pelas palavras, beijando-o logo em seguida. Os braços grandes de Brian envolveram o corpo forte de Zacky.
Tudo o que se podia ver eram dois homens vestidos apenas com cuecas boxer, contrastados pela diferença de tom de pele. Tinham muito em comum. Tatuagens nas mãos, olhos em tons misteriosos, tatuagens simbolizando sua união, importâncias trocadas...
Quando o beijo acabou, os braços de Brian apertaram-lhe com uma intensidade que fez Zacky suspirar procurando um pouco de ar.
Brian chupou os lábios do garoto entre suas pernas e sorriu para ele. Os olhos se misturavam, guardando cada detalhe. Haner beijou as bochechas de Zacky, mordiscando sua orelha e afundando mais tarde os dentes em seu pescoço, bem perto da nova tatuagem.
Nos lábios de Baker um sorriso era insistente. Quando virou seu corpo de lado, afundou o rosto na curva do pescoço de Brian e já nem se importava com a areia. Palavras estranhas foram ouvidas e Zacky não esteve esperando por isso.
- Eu também amo você. — disse Brian com mais convicção do que ele. Tinha certeza, nenhuma dúvida e nenhum receio. — Não me lembro de ter me sentido assim... tão feliz. — Continuou, acariciando um ombro de Zacky. — Feliz aniversário!
Zacky se assustou. Não esperava resposta. Talvez, por nunca ter sentido algo parecido antes.
À partir daquele momento, notou que amar alguém não era sentir as pernas bambas, os olhos brilhando, o estômago cheio de "borboletas". Claro, poderia incluir as sensações, mas pensando e estando bem naquela posição, era muito mais do que essa bobeira que as pessoas vivam repetindo e descrevendo.
Amar alguém era perder a razão, esquecer das consequências, olhar sempre para a frente e ser capaz de esquecer um passado. Pensamentos contraditórios e insegurança faziam parte, assim como a negação e a timidez que sentira desde o primeiro segundo ao lado do outro.
Zacky — tanto quanto Brian- sempre soube que o amor estava mais perto do ódio do que geralmente imaginamos. E sempre soube que o que nutria por ele não tinha nada de ofensivo. A negação que ambos tinham contra o sentimento, era como um nutriente que só o multiplicava. Era tão evidente que podia chamar atenção de longe.
Ainda sentia vergonha e se sentia confuso. Mas quando os olhos de Brian encaravam os seus com cuidado, ele concluía que tudo feito à base da verdade era bem melhor do que despencar em dúvidas.
Então o silêncio se instalou entre Brian e Zachary. Aos poucos, eles superariam os segredos do passado obscuro do Arcanjo.
Juntaram dois mundos inconciliáveis atravessando testes de lealdade, traição e confiança. Tinham feito isso por uma única razão, mais uma vez em comum.
Existe um Inferno, Brian acredita e garante já ter visto isso. Prometeu a si mesmo que faria qualquer coisa para manter Zacky longe de todas as coisas que aquele mundo pudesse oferecer.
Mas, existe um Paraíso no Céu, ao contrário do que Brian tinha conhecido, e Zacky prefere mantê-lo em segredo.
Ninguém precisa saber.
A verdade é que Céu e Inferno vivem simultaneamente dentro de todos nós, atuando como o Bem e o Mal, ou como Zacky e Brian, respectivamente.
Brian e Zacky descobriram tudo isso por uma intuição que vai além do abismo que há entre o Paraíso e a Terra. Um amor que não precisa ter rótulos e nem declarações exageradas. As ações ao decorrer do tempo eram como provas concretas do que sentiam. Todos os sacrifícios, todas as salvações... era tudo pelo que sentiram desde o início.
Zachary James Baker, agora acreditava em Anjos da Guarda.
Brian Elwin Haner Jr., tinha certeza que o ser humano, além de todas as outras criações de Deus, era a coisa mais linda que o Senhor tinha feito.
Precisavam apenas de armas para combater o que dali viria de mais complicado. Será que estavam devidamente preparados?
Talvez sim.
Ou não.
Mas sabiam que a arma mais forte contra tudo, era apostar na fé absoluta um no outro.
Para sempre.
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