Depois de muita conversa e depois de Jacoby ter voltado, fomos os quatro dar uma pequena volta pelo local. Eu só não sabia que isso seria tão infortúnio pra mim. Johnny finalmente havia encontrado Brian e com isso, ele tentou chamar a atenção dele para mim de todos os jeitos, o que me causou um grande problema.

Johnny sempre falava demais, então ele fez questão de contar para Kevin todo o meu relacionamento com Brian.

No final de tudo, Kevin quis resolver as coisas por mim e isso não foi muito bom. Logo, eu tive que resolver tudo.

Esfreguei a palma das mãos no jeans e depois de um longo suspiro, comecei a diminuir a distância entre eu e Brian.

Não tinha ideia de como resolver aquilo. Só diria alguma besteira para Kevin realmente achar que eu estava colocando tudo em ordem.

Brian estava vestido diferente, camiseta preta e branca ¾, uma bermuda de um tecido leve e um tênis preto e branco também. E estava com o mesmo boné do dia do jogo.

Com a camiseta ¾ pude ver suas tatuagens. Tinham muitos tons de verde e eu não conseguia decifrar o que eram direito, por isso preferi pensar que eram alguns monstros.

Quando cheguei ao seu lado, dei um tapa na lateral de sua cintura querendo alertar que eu estava ali. Em um instante ele se virou.

– O que ‘tá jogando?

– Não sei, mas não é softball, se fosse você poderia ficar atrás de mim e me dar uma ajudinha.

Sorri sem graça. Sem graça de verdade. Mas não por ele e sim por Kevin.

– Qual é o nome dele? – Brian perguntou olhando diretamente para mim. O semblante nada amigável.

– Kevin.

– Eu o conheço?

– Ele é novo.

– Primeira semana na escola e já tem amigos como você? Sorte a dele né.

Não respondi.

– Quer jogar?

Ele inclinou a cabeça para as mesas de sinuca no final do fliperama.

– Não posso. Kevin ‘tá me esperando.

– Se eu ganhar, você vai dizer pro Kevin que não ‘tá livre hoje.

Arrogante.

– Ok. E se eu ganhar?

Os olhos dele me examinaram da cabeça aos pés.

– Não precisamos nos preocupar com isso. Não agora.

Ele sorriu e eu sorri junto por impulso. Dei um soco forte em um de seus braços logo depois.

– Cuidado! Podem achar que ‘tá rolando um clima aqui.

Senti vontade de apanhar, porque ao meu ver, realmente aquilo estava acontecendo. Tanto de minha parte, da parte do próprio Brian, da parte de Johnny e do coitado do Kevin.

– É só uma partida de sinuca, Zacky.

– Eu ‘tô com outra pessoa aqui! Não ‘tá vendo?

– Vá até as mesas, eu resolvo o resto.

Gargalhei alto, cruzando os braços.

– O que você vai fazer, garotão? Vai brigar com Kevin?

– Se for necessário…

Eu queria muito ter certeza de que a gente só tava brincando.

– Uma mesa acabou de ser desocupada, vai lá.

Eu te desafio. Agora!

– Como você fez isso?

Ele demorou para negar, então eu fiquei sério. Era real. Ele falava dentro da minha cabeça de verdade.

– Vai, fala, como você fez isso? – repeti.

– Você ‘tá louco?

– Não, louco ‘tá você.

– O que eu fiz, exatamente?

– Falou comigo na minha mente.

Ele olhou em volta de forma teatral, rindo da minha cara logo depois.
– Você não quer dizer… Que eu estou falando com sua mente né? Você sabe que isso é coisa de gente doente né? Sabe o que eu acho? Seus remédios para a barriga poluíram sua cabeça. Pare de tomar isso, ‘tá te atrapalhando…

Brian foi interrompido por um Johnny sorridente.

– Vee!

– Encontre comigo no Arcanjo. – disse Brian.

Dei alguns passos para trás me afastando dele.

Sibilei um “não” totalmente inaudível e dei as costas pra ele.

Senti um arrepio e pude ver que Brian tinha acabado de passar atrás de mim.

– Vou esperar, de todo jeito – disse em meu ouvido.

E desapareceu no fliperama.