Theres a Hell...

27 Capítulo 26- Shout The Truth


Notas iniciais
NC-17.

Alguns minutos depois Brian e eu encharcávamos a entrada de um motel barato. Não dissemos uma palavra enquanto andávamos debaixo da chuva gelada, muito menos agora. Eu não estava preparado, mas posso afirmar que estava completamente desesperado. A chuva desabava, e eu tinha certeza de que não voltaríamos ao carro tão cedo, o que fazia com que eu e Brian estivéssemos no mesmo lugar por tempo indeterminado.
Um sino soou quando entramos, e o recepcionista ergueu o olhar.
— O que vai ser?
— Precisamos usar o telefone. — Eu disse batendo os dentes, esperando que ele pudesse entender meu pedido.
— As linhas estão mudas. Você viu que 'tá chovendo lá fora?
— O que você quer dizer com isso? Não tem um celular?
O funcionário olhou para Brian.
— Ele quer um quarto para não fumantes. — disse Brian.
Virei para encará-lo, dizendo silenciosamente: Você ficou louco?
O homem bateu em algumas telas do computador à sua frente.
— Tenho um quarto com cama king size para não fumantes.
— Ficamos com ele. — disse Brian abruptamente.
Ele me olhou de esguela, e os cantos de sua boca se ergueram. Apertei os olhos.
Foi quando as luzes do teto se apagaram, mergulhando o saguão na escuridão. Ficamos todos em silêncios por um momento, até que o recepcionista tateou à volta e ligou uma lanterna.
— Como vão pagar?
— Em dinheiro. — respondeu Brian.
— Isso é loucura. — sussurrei para Brian.
Ele riu.
— Eu sou louco. — Ele estava a ponto de sorrir para mim novamente. — Por você! Quanto quer pela lanterna? — perguntou ao homem.
— Tenho uma coisa melhor, mais romântica. Velas tamanho gigante. — disse ele, colocando duas velas a nossa frente. Ele acendeu uma delas. — São de graça, não vão custar nada. Coloquem uma no banheiro e outra no quarto e nem perceberão a diferença.
— Obrigado! — disse Brian, pegando meu cotovelo com uma das mãos enquanto eu segurava as duas velas.
(...)

No quarto 106, Brian trancou a porta atrás de nós. Coloquei uma vela na mesa de cabeceira e então levei a outra até o banheiro.
Brian sacudiu os cabelos de um lado para o outro como um cachorro molhado. Fiquei vislumbrando-o por um bom tempo até ele começar a falar:
— Você precisa de um banho quente. Devem ter algumas coisas no banheiro.
Eu ri ligeiramente.
— Você não pode me obrigar a ficar aqui.
— Isso me pareceu mais uma pergunta.
— Então responda.
— É difícil me concentrar quando você 'tá desse jeito.
Baixei o olhar e vi minha camiseta de manga comprida em malha colada ainda mais em meu corpo por estar encharcada. Decidi não seguir com o assunto, então andei até o banheiro e esbarrei nele antes de encostar a porta.
Abri o chuveiro e esperei que a água ficasse escaldante. Tirei a jaqueta de couro molhada de Brian, a malha e o restante de minhas roupas. Então entrei atrás da cortina que servia como um box de banheiro e comecei a tomar meu banho.

Brian's POV.
Tudo estaria dentro de meus planos se Zachary não tivesse me feito refém de si mesmo à dias atrás. Em horas como essa, ele poderia muito bem estar morto e eu assim, poderia recuperar a coisa pela qual me arrependi parcialmente de ter perdido.
Estávamos agora em um motel barato e eu sabia que não iríamos embora cedo. Logo, eu tinha certeza de que centenas de coisas aconteceriam ainda naquela noite.
Zacky estava no banho e eu tentei pensar em alguma forma de dizer pelo menos uma das coisas que eu guardava por tanto tempo. Mas, ele era esperto, porém, ingênuo ao mesmo tempo. Tinha que haver uma forma de contar-lhe todos os meus mistérios indiretamente.
Minha visão foi desviada. A penumbra do apartamento me deixou desolado. Uma faísca de luz vinha do banheiro onde Zacky se encontrava, logo atrás de mim. Virei-me, a luz cresceu, esvaiando-se pela fresta esquecida aberta na porta do banheiro. De todo jeito, era uma luz tão apagada, tão fraca e sem-graça. Percebi que na realidade, não era aquilo que iluminava o cômodo. Era Zachary e sua pele alva com a ajuda da desnecessária vela.As mãos pequenas e grosseiras procuravam a barra das roupas. Aos poucos e lentamente, Zacky livrava-se de suas roupas molhadas e grudentas. Despiu-se, iluminando mais do cômodo com sua própria luz. Eu adorava o corpo dele e não via a hora de possuí-lo. Manter todos os meus fantasmas em pleno segredo só tornava a minha missão ainda mais excitante.
Analisei as pernas grossas andando até a cortina, calmamente. Ainda brilhavam pela quantidade esquecida de água por causa da chuva, parecia suor e estava me enlouquecendo. O plástico da cortina também foi esquecido aberto, como de propósito, eu ainda podia vê-lo. A água começou a cair, o vapor do líquido transparente fervendo tomava conta do lugar, é como se ele se condessasse ao cheiro poderoso que Zacky tinha. O mesmo vapor tocou meu rosto, era o cheiro dele tomando conta do ar.
Então ele entra debaixo da água e minhas pernas bambeiam. Me mantenho firme, mas ver o copo desnudo de Zacky ser coberto por gotas quentes me deixa ainda mais fixado. Observei-o por um tempo frustante, pude ver sua pele ganhar um tom rosa quase vermelho cor de sangue com o calor. Seu corpo inteiro parecia em chamas, e eu jurei a mim mesmo que eu não tinha montado aquela imagem. Zacky existia. O cabelo negro caído na testa, os olhos fechados e a boca entreaberta estava quase roxa de tanto frio. Zacky aproveitava seu momento e ele não imaginava quão sortudo era a água por poder tocá-lo sem culpa. Era a obrigação da mesma de todos os dias. E a minha obrigação ninguém deve saber.
Passando o sabonete pelos músculos do braço, pescoço e ombros, Zacky desceu até sua barriga e seu membro. Ele acariciava-o sem malícia, como um menino pequeno que ainda não soube a real função de seu sexo. Minhas calças apertaram, meus olhos queriam entrar dentro daquele banheiro e ver tudo de perto. Mas então o cheiro de Zacky inundou minhas narinas e me manteve no mesmo lugar. Era onde eu deveria estar, seu cheiro era como um calmante, mas nunca neguei que queria usar minha força e arrebentar o banheiro inteiro apenas para aproveitar-me de seu corpo como um homem de verdade.

Zacky's POV

Fechei a água e saí do chuveiro, enxugando a pele vermelha por conta do calor. Bastou uma olhada em minhas roupas ensopadas para saber que eu não tinha vontade de vesti-las. Coloquei apenas minha boxer preta e depois minha camiseta de malha, eram as peças menos úmidas. Decidi não vestir as calças, seria muito complicado dormir com aquilo grudando em meu corpo. Joguei-a dentro da pia e deixei o banheiro.
Quando saí encontrei escuridão total. Podia ouvir a respiração de Haner bem diante de mim, ele parecia um pouco diferente. Seu semblante e seu olhar o entregavam rapidamente.
— Minhas roupas 'tão ensopadas. Se você não se importa, eu ficarei de boxers apenas para dormir.
Ouvi o som de tecidos molhados deslizando do corpo dele como se fossem um rodo puxando água do chão.
— Sou um cara de sorte.
A camisa foi deixada perto de meus pés. Eu podia sentir o sorriso dele. E ele estava perto. Perto demais.
— Você deveria tomar um banho também. — exclamei.
— Estou cheirando tão mal assim?
Pra falar a verdade, era só o contrário. Ele cheirava bem demais. O odor do tabaco havia desaparecido, só havia ficado o seu cheiro próprio.
Brian desapareceu no banheiro. Manteve a porta encostada, deixando uma réstia de luz se espalhar do chão até a parede. A pele morena bronzeada servia como sombra para a luz e eu não deixei de me sentir sortudo por poder examinar aquilo bem de perto.
Encostei-me na parede ao lado da porta. Deslizei meu corpo e sentei no chão, com a cabeça completamente virada para a brecha que Brian tinha deixado. Eu não esperava encontrar muita coisa, mas encontrei mais do que estive procurando. Não podia acreditar que eu estava espiando Brian tomar banho.
De costas para mim, os ombros pareciam ainda mais largos. O corpo passou pela cortina deixando-a totalmente escancarada. Os glúteos bem definidos revelavam a real cor da pele de Brian. Não havia muita diferença, mas o contraste não deixava de ser visível. Nas costas, o "Haner" tatuado antes não percebido me assustou, aparentava ser uma de suas primeiras peripécias pelo corpo, era realmente um trabalho feio. Pela primeira vez pude me orgulhar do "Vengeance" em minhas costas, pelo menos em algo eu era melhor que Brian. Mas por outro lado, mais uma coincidência. Tatuagem nas mãos, sobrenomes nas costas.E esse foi o primeiro defeito que achei nele. A cicatriz ainda estava presente, porém, não me assustava mais. Era como se fizesse parte dele desde que eu o conheci.
Ele ligou o chuveiro. Segurando o registro, deixou que a água caísse desnorteadamente em seus cabelos inicialmente. Os pingos pareciam abusados. Agora, tomavam conta do corpo inteiro de Brian. Desciam pelas costas umidas, encontravam os glúteos, se separavam nas costas e terminavam na sola de seu pé. A pele dele era tão invejável, daria qualquer coisa para ter aquela cor tão bonita. Daria tudo para ter a textura áspera e segura que ele tinha, eu daria tudo para ser metade do que Haner era.
Depois de um breve tempo, Brian alcançou um pote de um shampoo barato em uma prateleira do qual eu não quis usar e jogou o líquido perolado diretamente nos cabelos. As mãos trabalhavam juntas, os dedos longos massageavam duramente os fios escuros, como se estivesse a ponto de simplesmente relaxar. A espuma parecia ainda mais intrusa do que a água, escorregava tão descaradamente pelo pescoço e ombros do homem; misturando-se a água, a substância espessa fazia zigue-zagues pelo corpo de Brian como se estivessem prontas para tomar conta dele. Eu quase que senti ciúmes. Ninguém sabia o quanto eu queria ser qualquer coisa que mantinha-se perto dele por todo o tempo.
Um tempo enxaguando os fios, deixou que a água retirasse o resíduo por completo.
Virou-se de lado e foi quando senti algo instantaneamente crescer entre minhas pernas. Eu era tão idiota. Estava endurecendo apenas por ver o pênis de Brian rijo e nu novamente. O perfil que eu tanto gostava, o peito nu, a corrente despercebida... Brian conseguia fazer com que tudo na minha vida fosse irrelevante.
Pude perceber uma pequena tatuagem em outra língua que não identifiquei no lado esquerdo de seu peito, era como uma frase, mataria para saber sobre aquilo, poderia dizer muito sobre Brian. Um espaço foi esquecido nas duas extremidades do peitoral, talvez com o tempo Brian adquirisse um desenho novo.
Ele alcançou o mesmo sabonete que eu usei. A parte pior viria agora: Zacky Baker veria Brian Haner se ensaboar, sentado, com o pau latejando entre as pernas.E foi exatamente como imaginei. Começou no peitoral, usando em uma mão o sabonete e a outra vazia, para esfregar-se. Brian ergueu seu rosto para o chuveiro deixando que toda a água caísse primeiro em sua face. Senti que meus olhos brilhavam vendo aquilo. Quase tinha certeza de que eles tinham mudado de cor. Eu sentia. Minha boca salivava e eu lutava para engolir minha própria secreção, eu estava praticamente engasgado, mal conseguia captar ar para dentro de meus pulmões. Isso era desejo.
Era ansiedade. Os dois sentimentos apenas se saciariam quando eu tivesse Brian ao meu lado inteiramente.
Haner continuou seu banho.
A mão enxaguou a barriga definida e foi descendo. Desceu até parar em seu próprio membro mais duro que o meu.
Deixou o sabonete de lado. Engoli em seco,meus olhos nem ao menos piscavam.
Brian havia agarrado seu pênis com uma de suas mãos, deslizando-a por toda a extensão. Sim, ele era grande. Novamente tentei engolir a saliva, mas não consegui nada além de movimentar o meu corpo desconfortavelmente.
Eu não tinha certeza se Brian faria o que eu estava pensando. E veio a minha resposta: ele continuou. As mãos subindo, descendo. A pele da extensão engolindo a cabeça larga de seu membro. Seu rosto estava abaixado em direção ao orgão, os olhos abertos analisando a deixa enquanto a água caia sem aviso terminal. A boca em uma linha reprimida não emitia som algum, mas as cordas vocais pareciam vibrar como as lavas de um vulcão. Cada urro que a garganta dele simulava era um ponto de excitação crescendo dentro de meu estômago. Me perguntei por quanto tempo eu reprimia aquilo? Desde a primeira vez que o vi? Outra resposta: o ritmo havia acelerado. Avisei para eu mesmo que sim, eu queria Brian dentro de mim desde o primeiro segundo que ele me olhou, desde a primeira vez que seu nome foi pronunciado para mim. E agora, ele estava se masturbando em minha frente e minha timidez não me deixava fazer nada, conseguia ser ainda maior que o meu desejo e espera.
Seu corpo se contorceu. Pude ver que ele tentava equilibrar o peso sobre os pés. Logo viu que não era preciso, então apoiou o seu antebraço na parede e encostou a parte de trás do seu corpo no mesmo, deixando apenas sua cintura em contato com a água, as gotas deixavam o membro ainda mais pulsante. A mão ainda no membro tentava sincronizar a velocidade com a vontade. Talvez ele estivesse chegando onde prentendia com as ações ou supostamente, aquilo não estava basicamente nada perto do que ele tinha em mente.
Ele conseguia ser perfeito. Eu não sentia medo, eu não lembrava de cicatrizes e muito menos de matérias sobre anjos caídos. Eu não me preocupava com Jonathan e muito menos com minha mãe. Brian me fazia esquecer do mundo apenas por vê-lo pelado, e eu tinha certeza que aquele não era um dos poderes que anjos caídos normalmente tinham sobre os humanos.
Era ele mesmo.
O corpo, o nome, a voz, os olhos, o perfil. Era tudo o que eu gostava nele. Era tudo o que ele tentava ser comigo. Somente ele.
Brian abriu a boca, finalmente. As mãos estavam agora ditando um ritmo totalmente lento que me fazia sentir desconfortável ainda mais. Quase confundi o vapor do chuveiro com o possível suor que Brian exalava mesmo debaixo do chuveiro. O suor fazia-o brilhar ainda mais parcialmente entre a água, e era perceptível o calor que Brian transmitia mesmo que de longe.
Mais alguns gemidos desconexos e as mãos desaceleraram. Fiquei intacto, meus olhos possivelmente brilhando como diamantes de esmeralda pura. Os pés firmes no chão, as coxas contraídas; a mão em seu sexo, masturbando-se vagarosamente como se fosse parar. Ele ergueu o rosto para o chuveiro de novo. Sorriu, de olhos fechados, a água fervendo deixando a pele morena ainda mais convidativa. Aquela era a cena mais salivante que tinham posto no mundo. Senti minha blusa grudando em meu peito.
Os braços tão fortes e coloridos. Os pingos que caíam sobre os membros lutavam por atenção em meio a tantos desenhos, e eu nunca conseguia memorizar por quanto tempo eu ficava o observando.
Um som, uma voz, um nome que eu conhecia. Acordei.
— Zacky! — Brian gemeu meu nome rouco e prolongadamente.
Brian gemeu o meu nome com a voz esganiçada. As mãos ainda trabalhavam em sua extensão, fazendo com que minha boxer fosse seis números menores do que eu usava. E ele gemeu de novo, tão alto quanto da outra vez. Ele queria que eu percebesse? A resposta era não. Pela primeira vez na minha vida vi Brian com o semblante totalmente ingênuo. Sem culpa, sem prepotência. Ele não sabia o que estava proferindo.
Então gemeu de novo. E de novo. Outra vez. Ele só podia estar brincando. Apertei meus olhos e foi como se eu sentisse minhas pupilas dilatando. O vapor não podia me atrapalhar agora, nem a falta de luz.
— Zee! — E sibilou meu nome entre um urro misturado a um gemido. Ficava ainda mais excitante gemendo o meu apelido.
Errei.
Sem querer, respondi ao seu chamado com um gemido parecido. E só Deus sabe o quanto eu fiquei envergonhado ao notar que ele havia percebido minha não convidada presença. Eu não pensava em me auto-satisfazer, eu pensava sempre, primeiramente no prazer de Brian, isso fazia com que o inchaço entre minhas pernas fosse algo normal e irrelevante.
Nossos olhos se encontraram na escuridão do banheiro. O dele brilhava no meu. Depois de tanto cuidado, eu havia acabado com o seu momento. Foi meu o descuido. Levantei.
Corri até a cama com o membro tenso entre minhas pernas. O registro se fechou novamente e um Brian pingando água quente deixou o banheiro com uma toalha seca em volta da cintura, o volume central ainda o entregava e não fazia meus olhos prestarem atenção em outra coisa.
Ele caminhou até mim, pingando o quarto com algo que eu não soube se era água ou suor. Conseguia ver sua silhueta perfeita no meio da penumbra do quarto. Jurei aos céus que aquela era a cena mais sexy e aterrorizadora de todos os tempos e eu não sabia se queria correr ou deixar meu corpo ali, a mercê de Brian.
Brian parou em minha frente. Os cabelos colados na testa e nas laterais do pescoço. Ele não fazia ideia do quão envergonhado eu estava. As mãos foram relaxadas nos próprios quadris por cima da toalha, uma sobrancelha havia sido arqueada em minha direção.
— 'Tá nervoso, Baker? — Ele sorriu como se não quisesse o fazer.
Não falei nada, apenas olhei dentro de seus olhos, querendo transmitir que eu estava tão chocado quanto ele. Ele retribuiu meu olhar da pior maneira possível.
Analisou meu corpo de cima à baixo umas três ou quatro vezes, na última, parou as orbes negras em minha boxer esticada pelo volume. Sorriu novamente, dessa vez traiçoeiramente. Fechei os olhos querendo que aquilo passasse logo.
Passou.
— Vem cá... — disse ele, levantando-me da cama enquanto eu abria os olhos.
Senti que tudo tinha ido por água abaixo. E foi.
Brian colou nossos quadris de forma que seu membro ficasse completamente friccionado ao meu. Sentia a umidade da toalha se estendendo por toda a minha boxer, ele não tinha se dado ao trabalho de secar o corpo. Nossos peitos também foram colados e senti a minha camiseta mais gelada que antes.
Nossos peitos subiam e desciam juntos, como se estivessem ligados à algo que não sei o que é. Mas não estavam, erámos pessoas diferentes.
Nossas respirações estavam estranhamente descompassadas e nada tinha acontecido ainda.
As mãos molhadas de Brian tomaram conta de minha nuca, puxando meus cabelos, trazendo-me para si. Nossos lábios se tocaram e ele fez o mesmo com o seu membro, encostando-o no meu na mesma itensidade que sua língua brigava por um espaço quente e aconchegante dentro da minha. Naquele momento percebi que a unica coisa que nos separavam eram panos. Cedi.
Respirações colidindo, olhos fechados, bocas em perfeita sintonia. Todos os sentimentos citados antes. Intuição, sensibilidade e percepção tomavam conta de nós.
A água caía dos cabelos escorridos em sua testa, molhando os lábios finos que instintivamente beijavam os meus. Minhas mãos apertavam escorregadias os dois lados da cintura de Brian fortemente, fazendo nossos membros se chocarem de um jeito nunca feito antes.
Brian parou de me beijaar apenas para gemer contra minha boca e por estendidos segundos só se ouviam barulhos de panos úmidos esbarrando-se uns contra os outros, gemidos de desejo e o som da chuva do lado de fora do apartamento. Lamentei-me contra seus lábios da mesma forma um tanto quanto amargo. Brian ponderou.
Nossos peitos subiam e desciam ao mesmo tempo que nosso quadris melindravam-se e nossas bocas brincavam de proferir coisas sem nexo.
A falta de luz me ajudou. Talvez eu não faria nada daquilo se tudo estivesse aceso. E se a pessoa comigo dentro daquele quarto de motel não fosse Brian.
Um reflexo pareceu convocar meus sentidos. Desviei os olhos de Brian e vi que um espelho estava pendurado atrás dele. Olhando sobre seu ombro, eu vi as cicatrizes em forma de "V" de cabeça para baixo marcando sua pele em um traço negro.
Todo meu corpo ficou mais duro que meu membro. Pisquei para tentar fazer aquilo desaparecer, mas elas estavam ali de verdade e eu sabia o que fazer.
Sem pensar, deslizei minhas mãos pelo peito dele e contornei as costas. Minhas mãos serviam como um rodo que arrebatava qualquer resquício de água. A ponta de um dedo meu esbarrou na cicatriz.
Brian ficou mais tenso que eu. Congelei. A ponta de meu dedo estremeceu sobre o possível machucado. Precisei de um momento para perceber que não era meu dedo que se movia, era eu. Eu inteiro.
Fui sugado por um redemoinho suave e turvo, e tudo escureceu.