Theres a Hell...
5 Capítulo 4 - Now's the time of weakness.
Na metade do caminho, começou a cair uma chuva fina das poucas nuvens de neblina que tinham no céu da estrada. Eu já tinha mencionado o quanto minha casa era longe da merda do centro daquela cidade?
Dividindo atenção entre a estrada e o controle do volante, tentei encontrar o comando dos limpadores de para-brisa.
A luz dos postes piscava lá no alto, fiquei imaginando se uma tempestade caísse ali agora. Perto do oceano, o clima mudava constantemente, e uma garoa podia muito bem se transformar em uma enxurrada. Pisei no acelerador.
As lâmpadas vacilaram mais uma vez. Senti um frio na nuca e os pêlos dos meus braços se eriçaram. Eu era tão cuzão quando o assunto era tempestade e chuva. Isso não é normal para quem veio da Califórnia. Acelerei de novo. E quanto mais eu acelerava, mais a chuva engrossava.
Encontrei o comando dos limpadores, mas mesmo na velocidade máxima eles não conseguiam dar conta da chuva forte. O sinal ficou amarelo, então diminuí até o carro parar. Verifiquei rapidamente se vinha outro carro e atravessei o cruzamento.
A única coisa que ouvi foi o impacto antes de registrar que um vulto negro deslizava pelo capo do carro. Pisei fundo no freio. O vulto bateu contra o para-brisa e ouvi um barulho de vidro quebrado. Por impulso, virei o volante para a direita. O carro saiu de traseira e girou no cruzamento. O vulto rolou e desapareceu por trás do capô.
Prendi a respiração, eu estava tão agarrado ao volante que sentia minhas mãos dormentes. Tirei os pés dos pedais sentindo o carro dando um tranco logo para a frente, parando.
Ele estava agachado a alguns metros, observando-me. Não parecia nem um pouco… Machucado. Estava vestido de preto e se confundia com a noite, o que tornava mais difícil dizer qual era a sua aparência. Eu não consegui ver nada. A única coisa que vi foi uma máscara de esquiador.
Ele ficou de pé e caminhou até mim. Espalmou as mãos contra a janela do meu lado. Nossos olhos se encontraram pelo orifício da mascara. Um sorriso brutal parecia querer saltar de seus olhos. Eu quis gritar, então ele deu um golpe, quase partindo o vidro que nos separava. Liguei o carro. Tentei sincronizar meus movimentos, tentei passar a marcha, tentei pisar no acelerador, tentei de tudo… O motor ligou, o carro andou alguns centímetros e morreu.
Dei partida de novo, mas me distrai com um estranho ruído metálico. Observei aterrorizado a porta cedendo. Ele estava arrancando aquela merda.
Engatei a primeira marcha. Meus tênis escorregavam nos pedais. O punho atravessou a janela com uma explosão de cacos de vidro. A mão tateou o meu braço e subindo um pouco, diferiu um soco ao lado esquerdo de meu rosto. Perdi um pouco o controle do carro, soltando um grito rouco. Pisei fundo no acelerador, soltando a embreagem. O carro começou a cantar pneus a entrar em movimento novamente. Ele continuou pendurado, segurando meu braço por alguns metros antes de me largar.
A adrenalina me fez avançar em toda a velocidade. Verifiquei o retrovisor para ter certeza de que ele não estava me perseguindo mais. Apertei os lábios nervoso.
Cheguei em minha casa completamente atordoado. Estacionei o carro de qualquer jeito e me tranquei dentro do quarto. Liguei para Johnny e acabei explicando tudo o que tinha acontecido. Avisei o que tinha acontecido com o seu carro e até menti um pouco. Não falei que tinha atropelado um homem, disse que tinha atropelado um veado. Não ia fazer diferença, o carro se arrebentou da mesma forma.
No telefone, me despreocupei quando Johnny disse que tinha seguro. Logo depois, desliguei a chamada e fui dormir.
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