Theres a Hell...
28 Capítulo 27- All Alone.
Parecia que ninguém estava me vendo.
Ouvi alguns passos nos degraus do outro lado do Bo’s Arcade e o dono do salão apareceu ao pé da escada. — Tem alguém lá em cima querendo falar com você – Falou para Brian. Brian ergueu as sobrancelhas, transmitindo uma pergunta silenciosa. — Ele está sozinho, não disse o nome. Posso expulsá-lo se quiser. — Peça para ele descer. – Disse enquanto terminava sua última tacada na sinuca, ao restante dos jogadores. – Estou fora. Caminhou até o outro lado do Fliperama, ficando ao lado da mesa mais próxima da escada. Recostou-se nessa e deslizou suas mãos para os bolsos do jeans escuro. Eu o segui, mesmo sabendo que ninguém ali estava realmente me vendo. Parei ao lado de Brian. Passos pesados ressoaram na escada, ficando mais próximos. Quando Dr. Sullivan deixou a escadaria, me espantei em confusão. O cabelo não tão escuro agora estava menor, totalmente desfiado e não sem-corte como vejo na escola. As tatuagens eram poucas, porém os olhos eram os mesmos. Aquele azul celestial, da cor mais pura que podia ser. Aquele azul que faz você querer mergulhar no meio do mar e não voltar nunca mais. As roupas eram diferentes das que usava na escola. Estava com um terno prata, com uma camisa branca por baixo, uma gravata também branca e a calça combinando com o terno, nos pés calçava um sapato social preto. O rosto era tão sereno e ingenuo que mais parecia um Anjo. Um lindo anjo que veio do céu à fim de dar um possível recado a Brian. Parecia que eu tinha voltado ao tempo. Parecia que Dr. Sullivan tinha a minha idade. O rosto de Brian é sempre uma máscara e nunca consigo adivinhar no que ele está pensando. Mas assim que colocou os olhos em Dr. Sullivan eu notei a surpresa. — Rev? Meu coração gelou. Uma mistura de confusão e medo. Aquelas primeiras sensações que eu tive quando conheci Brian. Rev? Como então Dr. Sullivan e Brian se conheciam? Por que ele chamava meu psicólogo por outro nome? — Como você está? — Que porra você faz aqui? Os olhos de Brian ficaram mais atentos. — Fugi... – O sorriso apareceu apenas em um canto dos lábios. – Precisava te ver de novo. — Péssima ideia vir até aqui. — Ok. Sei que já faz muito tempo. Mas eu esperava uma porra de uma reação melhor. – Disse, deixando que um ligeiro bico aparecesse em seus lábios.Brian não respondeu. — Não parei de pensar em você. – Rev disse baixo para um tom mais suave, dando um passo a frente, ficando mais próximo de Brian. – Não foi nada fácil vir até aqui. Leana está dando desculpas pela minha ausência. Estou arriscando o futuro dela e o meu. Você quer ouvir o que eu tenho a dizer? — Diga. — Não desisti de você e eu sei como você pode recuperar as suas asas… Ele sorriu mas Brian não lhe devolveu o ato. — Assim que recuperá-las, você poderá voltar para casa. — falou, com mais segurança. — Tudo será como antes. Nada mudou. Nada mudou de verdade... — Qual é a armadilha? — Não há. Você precisa salvar uma vida humana. Muito apropriado, considerando o crime que cometeu para ter caído. — Qual será o meu posto? O rosto de Rev ficou mais pálido do que realmente era. Vi o corpo se mexer incomodado e a boca se apertar em um possível acesso de raiva. — Acabei de contar que há, ainda, um jeito de recuperar suas asas. Acho que mereço um obrigado. — Eu quero que responda à pergunta. Ele sorriu. E o sorriso sombrio me dizia que ele já sabia. Ou tinha um bom palpite. Desse jeito, até eu, Zachary James Baker já sabia o posto de Brian. — Você será um anjo da guarda, certo? Brian inclinou a cabeça para trás e riu suavemente. A voz grossa saindo do fundo da garganta exposta enquanto eu a observava cuidadosamente. — O que há de errado em ser um guardião? Não é bom o bastante para você, Junior? — Estou planejando algo melhor. — Escuta aqui, Brian, não há nada melhor. Você 'tá se enganando. Qualquer outro anjo aceitaria a proposta sem nem pensar. Qualquer outro deles faria tudo para aproveitar a chance de recuperar asas e se tornar um guardião. Por que você não larga de ser imbecil e faz o mesmo? — A voz dele parecia sufocada pelo espanto, pela irritação e rejeição. — Foi bom vê-lo outra vez, James. Faça uma boa viagem. James? Sullivan? Rev? Quantos nomes esse cara tem? Inesperadamente, Rev enfiou os dedos na camiseta dele, puxando-o para perto, beijando-lhe os lábios com força. Muito lentamente, o corpo de Brian se voltou para ele, a postura um pouco relaxada. Ele levantou as mãos e acariciou o braço do mais alto. Engoli em seco. Minha vontade era de olhar bem dentro daqueles olhos azuis e descontar toda a minha raiva; toda a minha ira por ele estar beijando o cara que eu parcialmente gostava. Tentei ignorar o ciúmes, parte de mim queria virar as costas e dizer a Brian para que ele nunca mais encostasse em mim, mas outra parte, queria atropelar os dois e mostrar do que eu era capaz. Não que fizesse diferença. Eu 'tava invisível de todo jeito... Obviamente o Dr. Sullivan, Rev, quem quer que ele fosse, tinha um envolvimento romântico com Brian. Será que ainda estavam juntos agora? Será que Rev conseguiu o emprego no meu colégio para ficar mais perto de Brian? Ou ele estava determinado a me afastar de Haner?
— Tenho que ir — disse Rev, todo cheio das risadinhas. — Já fiquei tempo demais. Prometi para Leana que seria rápido. Sinto sua falta. — sussurrou. — Salve a vida de um humano e você voltará a ter asas. Volte para mim — implorou. — Amo você. Estremeci diante do tom de voz de Brian. Se um estranho assistisse aquilo, provavelmente diria que ele estava calmo, mas quem conhece Brian, sabe que seu olhar dizia que Rev tinha mesmo passado dos limites e seria melhor ele recuar... naquele instante. Brian o carregou com toda sua força até o bar. Colocou-o sentado em um dos bancos e se sentou em outro. Fiquei ao lado dele. — Diga o que realmente faz aqui. — Vo-vo-cê sabe o que eu vim fazer aqui. E-eu já lhe disse, Brian. — gaguejou. — Você 'tá mentindo. Quero a verdade, agora. — Ok. Sei que você ouviu boatos sobre O Livro de Enoque, e sei que você acha que pode fazer o mesmo, mas você não pode. Brian cruzou os braços sobre o balcão. — Se você veio até aqui, os boatos devem ser verdadeiros. — São apenas boatos. — Se aconteceu uma vez, pode acontecer outra e outra... — Nunca aconteceu. Você sequer deu o trabalho de ler O Livro de Enoque antes da queda? — desafiou. — Sabe exatamente o que diz? Palavra por palavra? — Me empreste um exemplar. — Isso é uma blasfêmia! Você 'tá proibido de ler, Brian. — gritou. — Você traiu todos os anjos do céu quando caiu. Brian ignorava os assuntos a todo momento. — Quantos deles sabem o que estou procurando? Que tipo de ameaça eu sou? Rev sacudiu a cabeça de um lado para o outro. — Não posso. — Vão tentar me impedir? — Os anjos vingadores vão. Brian encarou Rev com intensidade. — A não ser que pensem que você me convenceu do contrário. — Brian olhou para o outro com aqueles seus olhos negros. O azul estremeceu. Talvez tinham o mesmo efeito em Sullivan como tinham em mim. — Não me olhe assim. — Parecia que ele estava suplicando. — Não vou mentir para protegê-lo. O que você 'tá tentando fazer é errado. Não é natural. — Jimmy. — Brian pronunciou seu possível apelido como uma delicada ameaça. — Não posso ajudar você. — disse ele com tranquila convicção. — Não dessa forma. Tire isso da cabeça. Torne-se um anjo da guarda. Concentre-se nisso e esqueça O Livro de Enoque. — Diga a eles que conversamos e que eu demonstrei interesse nisso. — Quê? — Interesse. — repetiu ele. — Diga que eu pedi um nome. Se vou salvar uma vida, preciso saber quem está no começo da lista das partidas. Sei que você, como anjo da morte, tem acesso privilegiado a essa informação. Me diga, baby. Rev tremeu. Eu tremi. — Essa informação é sagrada, restrita, imprevisível. Os acontecimentos mudam a todo momento. — Um nome, Jimmy! — Prometa que vai esquecer o livro, então. — Você confiaria na minha palavra? — Não. — respondeu Sullivan. Brian riu com frieza e depois de pegar um palito no paliteiro, caminhou em direção à escada. — Brian, espera... Ele virou a cabeça. — Zachary Baker — disse ele, tapando a boca com as mãos logo depois. A expressão de Brian mudou no mesmo instante, demonstrando um ligeiro decline. Fechou a cara, num misto de descrença e aborrecimento. O que não fazia menor sentido, já que não tinhamos nos conhecido ainda. Meu nome não deveria lhe ser familiar. — Como ele vai morrer? — perguntou. — Alguém quer matá-lo. — Quem? — Não sei. É muito confuso. As coisas se misturam. Preciso de paz para saber. Brian se aproximou outra vez, passando uma de suas mãos no queixo do maior suavemente, lançando-lhe um olhar persuasivo. Rev estremeceu com o toque, acenou a cabeça afirmativamente e então fechou os olhos. — Quem quer matar Zacky Baker? — insistiu Brian. — Espere, eu consigo ver agora. — disse Rev. A voz dele ficou angustiada, quase como um começo de choro. — Há uma sombra atrás dele. É ele. Ele o segue em todos os lugares. Zacky não o vê... mas ele está bem ali. Por que Zacky não vê? Por que Zacky não corre? Não consigo ver, os olhos dele, estão nas sombras... Então, os olhos azuis de Rev se abriram e ele se afastou. Um arrepio gelado subiu e desceu minha espinha várias vezes, como se tivesse esfregando uma pena suave na região. Rev respirou fundo, ponderando. — Quem é? — Brian gritou. Sullivan passou as mãos sobre a boca. Tremia quando levantou os olhos para encontrar os negros de Brian. — É você! — sussurrou.
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