Theres a Hell...
17 Capítulo 16
Voltei um pouco antes do previsto. Entrei em casa e vi minha mãe deitada no sofá, coberta com alguns panos. Sorri, contemplando a minha visão e fiquei observando-a um bom tempo. Eu não queria acordar minha mãe, ela trabalhava muito e talvez tivesse pouco tempo pra dormir, então eu esperaria ela acordar para matar minhas saudades. Na verdade, olhar pra ela segura no sofá de casa, já me fazia saber que tudo estava bem.
Fui até a cozinha tomar um copo de água. Fiz um pouco de barulho pegando um copo e abrindo a geladeira. Minha mãe tem o sono leve, mas não acordou. Fiquei um tempo na cozinha, tentando organizar meus pensamentos sobre os últimos acontecimentos na minha vida. Desisti, não adiantaria em nada se as coisas não se resolvessem.
Voltei para a sala e sentei em uma poltrona em frente ao sofá onde minha mãe dormia. A vi se espreguiçar.
— Zacky! – disse minha mãe, jogando para o lado seu cobertor e levantando-se para me abraçar.
Minhas mãos envolveram o corpo dela assim que as dela tocaram o meu.
— Eu senti tanto a sua falta, Zacky. – ela afastou o cabelo do rosto e piscou sonolenta, sentando-se ao meu lado.
— Eu senti sua falta também, mãe.
— Mesmo? – ela perguntou um pouco entusiasmada.
Assenti.
Minha mãe deveria saber que eu sentia sua falta. Ela fica longe a maior parte do tempo, isso fazia uma grande diferença, mas eu nunca deixei de amá-la e nunca o faria.
— Tem um assunto do qual eu preciso tratar com você.
— O que ‘tá acontecendo?
— Pensei em colocar nossa casa à venda.
— Mas como?
Ela suspirou longa e pesadamente.
— Faz um ano que estamos tentando estabilizar a nossa vida. Eu não ganho o tanto que deveria, eu não consigo manter tudo sozinha e nem dar o conforto que eu sei que você precisa. – ela riu sem nenhum vestígio de humor. – Tem a Gena, ela sempre está com você. O salário dela não é um horror, mas é um dinheiro a mais. A nossa única alternativa é uma casa menor.
— Mas essa é nossa casa. E eu posso te ajudar, mãe. Eu já sou grande, posso arrumar um emprego e tudo fica do jeito que deveria.
Todas as lembranças estavam ali, as memórias do meu pai estavam ali. Não podia acreditar que ela não sentia o mesmo. Eu faria o que fosse necessário para permanecer ali.
— Vou esperar mais três meses. Mas não quero alimentar esperanças.
Naquele momento eu soube que não podia falar para minha mãe sobre o homem da máscara de esquiador. Nem sobre Brian. Ela abandonaria o emprego no dia seguinte.
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