Notas iniciais
Heey gente, como estão? Primeiro: muito muito muito muito obrigada por lerem - gostarem- e comentarem, não fazem ideia da minha felicidade! Segundo: desculpem pela demora, esse ano estou estudando na ETEC e nunca imaginei que seria TÃO puxado assim... A única coisa que faço quando chego em casa é dormir! Terceiro: leitores anônimos não tenham medo de ser felizes e comentar, todos gostam um pouquinho de incesto mesmo sendo estranho u_u

Primeiramente o único som que ecoava pelos corredores era o do meu salto contra o piso. Não demorou para que os meus soluços competissem com o som do salto.

Eu prendia minha respiração de tempos em tempos, tentando assim fazer com que ela voltasse ao normal. Eu estava fracassando, é claro.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto, tão salgadas quanto à água do mar. Eu tinha certeza de que em breve desidrataria.

O rosto de Albus invadia meus pensamentos quase como se estivesse me perseguindo.

Não, não, não. Eu implorava para ele sempre que aparecia para me perturbar.

Mas a verdade é que seu rosto não me é perturbador, mas tranquilizador. A forma como ele sorri serenamente, como seus olhos azuis esverdeados me transmitem paz.

Ele é o garoto que me protege, me abraça nos dias mais frios, me faz sorrir nos momentos mais difíceis... Quando foi que ele tornou-se perturbador?

Eu não podia ir para a Sala Comunal da Grifinória agora. James me veria e faria perguntas inoportunas, e era tudo o que eu menos precisava agora.

Sentei no último degrau de uma escadaria e deixei minha cabeça tombar no corrimão. Fechei meus olhos e tentei criar em minha mente uma borracha mágica, capaz de apagar qualquer traço de amor que eu sinta pelo meu irmão.

— Lily?...

Não, por favor. Por que justo agora? Não essa voz.

— O que houve? — ele sentou ao meu lado e passou um de seus braços ao redor da minha cintura. Senti seu polegar enxugar carinhosamente minhas lágrimas.

Abri os olhos.

James me encarava, sua testa franzida, suas sobrancelhas unidas.

— Por que nós amamos uma pessoa James? — seus olhos se arregalaram, de surpresa.

— Como assim?

— Não pode ser simplesmente ciência. Duvido que a explicação para o amor esteja em um simples hormônio. Não deve ser somente química, caso contrário não seria tão difícil encontrar a pessoa. Mas então qual é a explicação? Por que amamos essa pessoa? — o que eu estava querendo perguntar era por que essa pessoa tem que ser o Albus?

— Acho que não há uma explicação Lily, apenas o sentimento. Ele é invisível, mas está ai... Como se tivesse sido predestinado. Você pode conhecer quinhentas pessoas, mas apenas uma irá se destacar. O amor não foi feito para ser compreendido, apenas sentido.

Eu balancei a cabeça, concordando. Sim, sim ele deve ser sentido e não compreendido. Mas eu preciso compreender o que sinto pelo meu próprio irmão. Ou compreender porque tal amor é tão proibido.

— Você... Você está... Apaixonada? — ele perguntou pausando as palavras, como se estivesse com medo de dizê-las, como se elas fossem muito pesadas.

— Eu não diria apaixonada. Paixão parece algo muito vago, algo momentâneo, como se a chama fosse se extinguir a qualquer momento. Eu diria simplesmente que estou amando.

— Posso saber quem é? — ele franziu os lábios.

Fecho os olhos antes de abri-los e responder:

— Me desculpe James, mas não. Não me sinto confortável para falar ainda — nem nunca me sentirei.

James começou a desenhar círculos com o dedo na palma da minha mão. Parecia pensativo.

— Quer fazer alguma coisa para se distrair? — ele perguntou de repente.

— Quero sim.

— O que?

— Qualquer coisa.

♠

— Tudo bem, feche seus olhos — James pediu sorrindo animadamente.

Ele havia me arrastado por todo o castelo até o Lago Negro. Não sabia o que íamos fazer, e James não estava disposto a me revelar. Segundo ele acabaria com o elemento surpresa.

Fechei os olhos, mordendo os lábios de curiosidade.

Fiquei mais alguns segundos com os olhos fechados, até que James disse:

— Pode abrir.

Quando abri os olhos eu soube que, ao menos no momento, não havia sorriso maior que o meu no mundo. James conseguira despertar em mim uma lembrança de minha infância que era muito querida, mas que estava enterrada em um abismo.

Quando eu tinha cerca de seis anos adorava qualquer brilho e luz. Na época James havia descoberto um tipo de feitiço que projetava vários pontinhos brilhantes coloridos e feixes de luz. Ele costumava fazer o feitiço de noite, no quarto, quando todas as luzes estavam apagadas.

Eu me lembro de ficar encantada e adormecer com um sorriso no rosto. Também me lembro do ciúme de Albus. James nunca quis revelar para ele o feitiço, que por sinal era mudo, e Albus nunca superou isso. Brigas de irmãos, eu acho.

Deitei no gramado e fiquei olhando as luzes. Não estávamos no escuro completo, como costumava ser. Aqui perto do Lago Negro havia o luar, mas não importava. Não podia estar mais perfeito.

Ou estaria se não fosse por um imprevisto.

— Luna, finalmente eu te encontrei! — Ninguém mais me chamaria de Luna além dele, e de qualquer forma eu reconheceria sua voz em qualquer lugar.

— O que você quer? — pergunto ríspida.

— Precisamos conversar — ele praticamente sussurra quando já está perto de mim.

Ele me oferece sua mão para me ajudar a levantar, mas eu recuso. James observa a cena com a testa franzida, sem entender o motivo da tensão.

— Aquela discussão... Foi totalmente sem sentido...

— Talvez tenha sido para você, mas para mim fez total sentido.

— Então me explique — ele pede passando a mão pelo cabelo, nervoso.

— Não há nada a ser explicado.

Eu tento me distanciar dele, mas ele segura meu braço. Sinto a minha velha amiga, a eletricidade, percorrer por meu corpo.

— É claro que há algo a ser explicado. Por favor, Luna, estou te implorando, fale comigo.

— Me solta Albus — ele aperta ainda mais meu braço.

— Ei, deixa ela cara. Ela conversa com você mais tarde se quiser.

Fico grata quando James separa Albus de mim. Seu toque estava me deixando inebriada, e talvez se ele me tocasse por mais algum tempo, eu voltaria atrás.

— A conversa não é com você James, agora se me der licença...

Albus tenta desviar dele, mas James entra em seu caminho. Eles estão frente a frente, seus olhos faiscando como uma fogueira.

— Você ainda não entendeu que ela não quer conversar com você?

— Não fale por ela — Albus diz com os dentes cerrados. James ri secamente.

— Mas ela já disse por si mesma.

Eu abaixo os olhos, constrangida. Eles não deviam estar brigando por minha causa, não deviam. Por mais que eles estejam brigando o tempo inteiro não quero me sentir culpada por mais uma briga deles.

— Você não pode tê-la sempre que quer cara, ela não é seu brinquedinho.

— Acha mesmo que eu a considero meu brinquedinho? Eu faria qualquer coisa por essa garota! — Albus aponta para mim — Enquanto você morre de ciúmes por não ser o irmão preferido.

— Devia tomar cuidado com o que diz, porque me parece agora que ela está querendo falar comigo e não com você.

Albus respira fundo, alterna o olhar entre mim e James.

— Se você não vier comigo Lílian, se ficar com o James, eu vou saber. Vou saber que você realmente o prefere e que não quer falar comigo. Que nunca mais vai querer falar comigo.

Arregalo os olhos, assustada. Nunca imaginei que uma rixa entre os dois pudesse ir tão longe. Nunca cogitei a possibilidade de que as provocações e ironias pudessem ter um tom tão verdadeiro e ameaçador em seu interior.

Suspiro, pois sei que essa pode ser minha tão indesejável, mas necessária, chance.

Fico parada no mesmo lugar enquanto Albus se afasta, derrotado e com os olhos úmidos, os punhos fechados.

Ele vira uma vez mais antes de partir:

— Você sabe que não há volta, certo? Que se vier atrás de mim eu vou te ignorar?

Eu não respondo, e meu silêncio basta. Meu silêncio é do tipo mais barulhento possível. Do tipo que grita, quebra coisas, chora, e ainda assim, continua sendo somente o silêncio.

A verdade é de que nada Albus sabe. É muito mais complexo do que qualquer teoria que ele possa vir a fazer. E ao mesmo tempo deveria ser tão simples e natural, que eu sinto que meu cérebro vai pifar a qualquer momento.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Espero que sim >.< Então, eu sei, sou muito dramática pra escrever e tal, mas é meu estilo mesmo, espero que não se incomodem com toda essa melação :p Enfim... Beijos cupcakes
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.