There is no way back

1 Not even if we try


Notas iniciais
Senti vontade de escrever essa fic após me esbarrar na rua com uma pessoa que já havia criado paixonite. Nós dois parecemos desconhecidos no meio daquela multidão e eu parei pra refletir se já escreveram algo sobre isso. A mídia sempre mostra o lado bonito do amor. A inocência, paixão e toda aquela coisa maravilhosa.

Mas o que acontece quando duas pessoas terminam e se reencontram novamente por acaso? É isso que vocês vão ver aqui. Espero que gostem.

Era mais uma noite de sexta-feira. Nenhuma programação conseguia ser melhor para Evelyn Smith do que ir ao Jazz In' Lounge após um dia exaustivo e estressante de trabalho. Aquele lugar já havia se tornado a sua segunda casa. As luzes neon que iluminavam todo o cenário, a melodia vinda do baixo e piano sendo tocados possuíam efeito tranquilizante maior do que qualquer calmante que pudesse encontrar por aí. Ela sentou em seu lugar preferido, bem em frente ao balcão de bebidas.

— Smith. — O barman conhecido a cumprimentou. — É bom te ver aqui novamente.

— Pela terceira vez só nessa semana. — Ela complementou a frase. — George, o de sempre. Bem gelado.

— É pra já. — Ele pegou um dos copos de vidro e começou a revirar as bebidas.

A mulher de cabelos pretos curtos começou a remexer a sua bolsa enquanto isso, tirando um maço de cigarro Black Stone e acendendo-o. Ficou observando a fumaça quente que saía. A ponta estava com uma marca vermelha do batom que usava.

A rotina não conseguia ser mais corrida do que já estava para Joseph Alexander. Gerenciar a empresa de sua família era mais difícil do que imaginava. Por sorte, conseguira tirar um dia de folga e o aproveitaria ao máximo. Amante da música, o clube de Jazz era o local perfeito pra isso. O som vindo dali era extremamente nostálgico. Há um ano atrás ele havia apresentado o local para a sua ex namorada. Ela não era uma pessoa muito chique e culta, então pensou que seria bom que conhecesse algo diferente. Olhou aos arredores do bar, sentindo-se satisfeito por estar vazio. Queria paz naquele momento. Mas pareceu como se houvesse voltado no tempo quando seus olhos fisgaram o cachecol vermelho conhecido. Ele sorriu com o nervosismo. Não havia paz onde Evelyn Smith estivesse. O que será que a vida trouxe para aquela mulher? Ele questionou a si mesmo. Curioso, Joseph se aproximou do balcão e sentou ao lado dela. Não tinha nada demais nisso, certo? Quando terminaram, disseram que continuariam sendo amigos. Uma mentira fútil que todos costumam dizer.

O cheiro incômodo do cigarro que ela tanto gostava era nostálgico. O batom vermelho ainda presente. Era engraçado e irônico que ela ainda usasse o cachecol que havia dado de presente quando fizeram dois meses de namoro. Notou que ela apertou o copo em suas mãos com mais força no momento em que os olhos escuros foram ao encontro dos dele. Os cubos de gelo com vodka se mexeram ao toque.

— Joseph Alexander. — Ela falou o nome dele calmamente para logo depois tomar um gole de sua bebida. — O que o trás aqui?

— Eu te disse uma vez que esse era o meu lugar secreto. — Ele checou as horas em seu celular e o guardou novamente em seu bolso, voltando a olhar para ela. — Mas parece que alguém o roubou.

— É. Eu sou boa nisso. — Ela olhou para o cigarro entre seus dedos e o apagou na mesa. — Você odiava o cheiro de cigarro.

— E você não se importava com isso. — Respondeu.

— É normal querer ser educada com quem você não vê à tempos. Fazer uma boa impressão.

— Eu pareço um desconhecido pra você? — Ele resolveu perguntar.

— Nope. — Falou ironicamente. — Você ainda continua usando roupas sem personalidade, não deixa a sua barba crescer e seu cabelo continua sem graça.

— Eu posso dizer o mesmo de você. — Ele deu uma risada. — Não consegue experimentar outras cores de batom, ainda continua irônica e usa o cachecol que eu dei pra você.

— Não sabia que existia alguma lei que me proibisse de usar um presente que ganhei de um ex. — Ela riu também. — Ao menos o meu cabelo mudou.

— Garotas costumam jogar fora. É, você finalmente resolveu cortar o seu cabelo.

— Pensei que soubesse que não sou como as outras garotas. Eu faço o que eu quero e eu gostei do cachecol, então continuarei usando.

— Ainda continua ácida, também. — Provocou. — O que aconteceu com fazer uma boa impressão?

— Mudei de ideia. Não vale a pena fazer isso com você. — Ela colocou a mão na sua bochecha, encarando-o.

— E pensar que você fez uma promessa de mudar nesse sentido. — Ele resolveu encarar o teto. O rosto da sua ex era intimidador demais.

— E eu tentei mudar. Por você. Pela sua família. — Aquele assunto a deixava desconfortável, então tomou mais goles de sua bebida antes de continuar. — Eu coloquei um sorriso fofo no meu rosto e fui um anjinho com a sua querida mãe que me via como uma vadia interesseira. Mas eu não fui feita pra isso, você sabe.

Joseph arrependeu-se amargamente de ter entrado nesse assunto e Evelyn sabia disso. Quando ele ficava nervoso, tinha o costume de passar a mão pelos seus cabelos desajeitadamente. E é claro que fez isso naquele momento.

— Olha... eu não devia ter vindo até aqui. — Ele disse, prestes a se levantar.

— E agora você vai fugir como das outras vezes em que brigamos. — Evelyn olhou em seus olhos. — Nada mudou nesses tempos, não é?

Ainda somos dois medrosos infantis que não conseguem encarar e resolver nossos problemas.

O maior resolveu ficar quieto e se arqueou até o balcão, colocando a mão em sua testa. Se arrependia por tudo que havia acontecido, mas já era tarde.

— Isso que me irrita em você, Joseph Alexander. — Ela tomou outro gole de bebida e bateu o copo com força no balcão. — Por mais que as coisas deixem de estar ao seu favor, você fica parado e aceita tudo. Como na época em que eu acabei com tudo entre nós. Você ficou quieto e não lutou por mim.

— Só porque nosso relacionamento terminou, não significa que o mesmo aconteceu com os meus sentimentos. — Ele finalmente disse algo, ainda evitando de olhar pra ela.

— Você diz ter sentimentos mas não faz absolutamente nada à favor deles. — Retrucou, sentindo uma sensação angustiante em seu peito. — Mentiroso.

— ...Eu disse para você seguir em frente. — Ele mudou de assunto.

— Como eu poderia seguir em frente se eu nunca quis ir embora?! Isso destruiu o meu coração e tudo que eu sentia! — Evelyn sentiu seus olhos lacrimejarem. Não devia ter bebido demais. Suas emoções afloram quando exagera no álcool.

— ...Como fomos terminar assim, Eve? — Ele levou a mão ao rosto, sentindo grande vontade de chorar. — Nós nos amávamos.

— Não foi o suficiente. Éramos diferentes demais, medrosos demais. E no fundo nós dois sabíamos disso.

— Ainda podemos ser amigos? Podemos manter contato? — Ele perguntou, sabendo a resposta.

— Mais mentiras? Nós dois sabemos que isso é impossível. — Ela o encarou. — Se você me vesse na rua, desejaria no fundo do seu coração que eu não o visse também. Quando conhecesse uma garota, não diria que eu sou ''Evelyn, minha amiga''. Você diria ''Essa é a minha ex-namorada idiota'' e logo em seguida explicaria sobre como nosso relacionamento foi um fiasco. Se os seus amigos perguntassem sobre mim, você diria sobre o quão horrível eu era na cama. Isso é ser amigos e manter contato ou só mais uma mentira qualquer pra que a nossa relação não pareça que acabou como a merda que foi?

Joseph não tinha mais palavras pra aquilo. Ela estava tão certa que aquilo doía nele.

— É um adeus, então. — Pegou suas coisas e se levantou, se retirando daquele local que o trouxera tantas recordações do passado. Precisava ir para algum lugar onde seu coração não doesse tanto.

— Adeus, Joseph. — Ela falou para o nada, sentindo-se melancólica.

Notas finais
Espero que tenham gostado. :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!