There Are Always Five
1 Denial
Notas iniciais
Hope ya like it :3
Não podia ser verdade.
Simplesmente não podia.
Por si só, a notícia em si era tão absurda que, se não fosse pela expressão de seriedade na face do mensageiro, Cersei teria explodido numa gargalhada exatamente ali, como se aquela fosse a piada mais engraçada de toda a extensão de Westeros.
Ela não podia, contudo, dispensar a notícia como se fosse apenas uma idiotice.
Mesmo que ela soubesse que não havia como ser verdade.
Já era exagerar e forçar a verdade até o ponto de ruptura o simples mencionar da possibilidade de Jaime ter perdido a batalha em Correrrio.
Agora, dizer que ele tinha sido capturado e levado como refém pelos Stark...
Era tão absurdo quanto risível.
Não Jaime.
Não seu Jaime.
Não ele, o cavaleiro mais jovem a entrar para a Guarda Real. Não ele, o orgulho de Tywin Lannister. Não ele. Nunca ele.
Ela solenemente ignoraria o pensamento de que, sendo aquilo verdade, Jaime estaria morto. Os nortenhos não tinham nenhum motivo para preservar a cabeça de seu irmão, não ante o que acontecera com a de Ned Stark.
Cersei se agarraria à certeza de que ele voltaria. Não tinha medo das desgraças recorrentes dentro dos muros de Porto Real, ou do perigo iminente e sorrateiro que só esperava uma pequena falha nas defesas, uma oportunidade, para se instaurar.
Ela sabia que ele, de algum modo, estaria ali para protegê-la, e a todos.
Talvez ele aparecesse na batalha derradeira, montado em seu cavalo branco, a armadura dourada cintilando sob o manto carmesim. E ele os salvaria, a fúria estampada no zunir do ar sendo cortado pela espada, a ira quase palpável.
E depois, quando tudo estivesse acabado e seguro, ele iria se voltar para ela, e os dois pares de orbes verdes iriam se encontrar, e todo o resto ao redor iria desvanecer.
Palavras não seriam necessárias; eles sempre se comunicaram melhor por olhares, de qualquer modo.
E aqueles míseros segundos, aquela pequena troca fixa de olhares, diriam tudo.
Então, ele a abraçaria, ela enterraria a cabeça na dobra de seu pescoço, não se importando se todos estavam olhando. Ela tomaria seu rosto entre as mãos, como que avaliando se ele estava em perfeito estado, se havia algum ferimento do qual ela precisava cuidar.
Porque sempre fora assim. E sempre seria.
Desde menina, Cersei sabia disso. Todas as outras garotas sonhavam com o príncipe do cavalo branco, com uma explosiva história de amor, com atos heroicos do príncipe desconhecido, loucamente apaixonado pela donzela em perigo.
Ela não.
Ela sabia que já tinha tudo o que queria, exatamente ali do seu lado, na figura perfeita de seu irmão gêmeo. Eles foram feitos sob medida um para o outro, e disso não havia a menor dúvida.
Para que ela precisava pedir por mais alguma coisa, quando já tinha Jaime ali, próximo a ela, diante de uma eternidade?
E, mesmo quando eles cresceram, e ele tinha de viajar, ou lutar batalhas das quais ela só ouvia falar, ele voltava para o aconchego de seus braços.
Sempre.
Agora não seria diferente.
E, quando ele voltasse, as palavras não seriam necessárias. Nunca eram, na verdade. Ela sorriria aquele sorriso puro, guardado especialmente para ele e para ninguém mais. E eles se amariam, em todas as esferas possíveis, se descobrindo apesar de já se conhecerem perfeitamente, se completando de um jeito impossível para quaisquer outros.
Não havia por que se preocupar.
Mesmo que todos dissessem o contrário, ela sabia que ele voltaria.
Voltaria para ela.
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