The world is ours
8 O erro em Á Minuit
Notas iniciais
Tentei voltar para o hostel o mais rápido possível. A ideia era sair e voltar sem que ninguém notasse, não foi a melhor ideia que já tive.
Quando havia chegado, Dan estava se arrumando:
–Já estava indo atrás de você. — Dan se sentou com mais calma, aparentava um pouco nervoso.
–Não seria necessário. — Coloquei a câmera em uma das beliches e fiquei diante de Dan.
–Poderia se perder... Ou quem sabe encontrar outro Patrick. — Dan brincou.
–Essa piada nunca perde a graça pra vocês? — Me sentei na mesma cama que Dan se encontrava. — Luna não está , certo? — Disse olhando em volta. Só eu e Dan estávamos no quarto.
–Sim por quê? — O tom de Dan mudou, estava mais preocupado.
–É sobre o Patrick... — Sussurrei.
Dan chegou mais perto:
–O que tem ele Dylan? — Conseguia ver sua ansiedade em seus olhos.
–Ele disse que me ama...
–Que susto! — Dan gritou aliviado. — Achei que tinha sido algo mais sério. Quer me matar do coração?! — Dan colocou a mão no coração, para poder sentir os batimentos cardíacos.
–Não acha isso um absurdo?! — Gritei abismada. Achava a ideia insana, não conseguia imaginar que alguém como o Dan acharia tão comum.
–Dylan, qual é o problema nele te amar? Não estou te entendendo...
–Passamos só duas semana juntos... Não acha que é muito rápido pra ele dizer que me ama?
–Bom... Cada um tem seu tempo. — Dan tentava ser o mais compreensivo, pois percebia que eu estava perturbada com tal ideia. — Ele decidiu se manifestar um pouco mais rápido... Por quê? não está feliz?
–Eu não sei... Me pareceu que ele queria apressar as coisas... Quer dizer.. A gente nem transou.
–Calma, não era algo que eu precisava saber. — Dan se levantou rapidamente, havia ficado sem graça. Virou-se para a janela, pensou por alguns minutos e voltou a me responder. — A questão não é transar Dylan. — Dan dizia com um nó na garganta, como se não conseguisse dizer uma palavra tão forte.
–Está mesmo dizendo isso? — Agora eu estava assustada. — Quer dizer... Você nunca foi aberto com esse tipo de coisa...
–Nunca disse que não havia me apaixonado... Nunca me fechei pra nada. Estou sempre tentando experimentar algo diferente. — Mal sabe que isso iria foder com ele. — Por quê você está se fechando?
–Não é bem se fechar... Talvez seja... Não há explicação, eu só estou assustada. Quando alguém diz para outra pessoa que o ama, geralmente... As coisas começam a ficar mais sérias...
–Teu problema é sexo?! Por que se for isso...
Tentei interrompe-lo o mais rápido possível:
–Não é sexo! Droga. — Isso foi inconveniente, confesso. — As pessoas fazem besteiras... Te usam... Até te amassarem, e quando se é amassada... É trocada...
–Entendo que deve ter algo no seu passado que te machucou... Todos temos. — Dan se ajoelhou, colocou sua mão em meu joelho e olhou diretamente em meus olhos. — Os erros nos servem para aprendermos algo, não para nos deixar com medo... E o medo de amar possa ser o mais comum, mas... Como sabe que será ruim pra você? Só por que deu errado uma vez?
–O que eu respondo? — Peguei o celular do bolso e mostrei para Dan a mensagem que Patrick havia deixado.
–Coitado. — Dan sorriu, ao ler a mensagem. — Não devo te dizer o que mandar, só estou te aconselhando... — Dan me devolveu o celular.
–Você conseguiu me deixar mais confusa sobre o que sinto. — Me joguei na cama.
–Eu estou tentando ajudar. Mas, você é bem complicada. — Dan se deitou ao meu lado.
–O que eu respondo.... — Batia o celular na minha testa de leve.
–O que você quer responder?
–"Você é maluco!" — Gritei. — "Por quê me disse aquilo?... "
–Ninguém disse que ia ser fácil... Diga que precisa de um tempo para pensar.
Dan me deixou pensativa, um pouco confusa... Mas pensativa. Talvez ele estava certo. Deveria abrir minha mente. Mas agora só pensara no que estava sentindo, e quando se esconde por tanto tempo as emoções, depois não consegue mais identificar nenhuma delas. Todas começam a ficar iguais...
O fato é: Fiquei feliz de conhecer um pouco mais Dan. Ele foi sempre tão divertido, nunca parece que vá dizer algo sério. Dan era daqueles que fumava, bebia nas festas e não estava nem ai. Não era como aqueles adolescentes que se achavam legais só por que fumam no ensino médio. Mas Dan... Ele era realmente legal.
–Bom você prefere ficar ai chorando ou ir comemorar em uma puta festa? — Dan se levantou no mesmo instante.
–Que festa?
–Sei lá, vamos encontrar uma. — Dan riu. — Vem, vamos atrás de sua irmã.
Descemos e fomos atrás de Luna que obviamente estaria com Sam e Julie.
Luna estava fumando um cigarro, na porta do hostel. Sam e Julie estavam a sua frente:
–Então o que teremos para hoje? — Dan perguntou dando um trago no cigarro de Luna.
–Vamos dar uma volta. — Sugeri.
Como havia sugerido: Fomos passear por Paris, que é mais bonita, como citados nos livros. Mais iluminada e absolutamente mais viva.
Passamos pelo museu do Louvre. O Palácio do Louvre é uma estrutura quase retangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul. Ao centro está a Pirâmide do Louvre, transparente, grandiosa e iluminada.
Em seguida é óbvio, passamos pela torre Eiffel, como de se esperar, linda e iluminando grande parte da Avenue Anatole France. O clima nublado e frio deixava tudo mais perfeito.
Por um momento todos haviam se esquecido, dos problemas e de suas preocupações.... É claro... Estávamos em Paris.
Já estávamos cansados, afinal, fomos do hostel até o museu andando, então paramos no Champs-Élysées, Arborizada ao longo dos 2 quilômetros que ligam o Arco de Triunfo à Place de la Concorde. Com os seus cinemas, cafés, lojas de especialidades luxuosas.
Dan havia feito uma reserva no café Victoria, um lugar tanto glam, quando cotidiano:
–Não sei vocês, mas pra mim, Paris é de longe o melhor lugar que já estivemos. — Julie dizia com brilho nos olhos.
–É, talvez. — Tentei ser modesta. Me virei e comecei tirar fotos das janelas a fora.
–É claro, nunca nada vai superar Londres — Luna brincou.
–É pode ser. Se eu pudesse apagar isso da minha cabeça...
–Não pode apagar as lembranças de Londres da sua cabeça, foi tudo muito maravilhoso. — Sam disse tomando de seu café preto.
–Ele disse que me ama.... — Não conseguia mas suportar guardar um segredo, aquilo me corroía por dentro, não conseguia aproveitar tudo de bom que estava me acontecendo.
–O que?! — Luna gritou, com que fez que todos no café olhasse para mim, me deixando vermelha de vergonha. — Nossa... Ele é... Rápido né? — Luna falou em um tom mais baixo, tentando contornar a situação.
–Obrigada! — Disse tomando mais um gole do meu café com canela.
–O que você disse? — Julie perguntou curiosa.
–Eu ainda não disse nada... Eu não sei o que dizer. — Já sabia exatamente o que eles iriam dizer "Você não o ama?"
–Mas.. Você não o ama? — Eu não disse. — Quer dizer ele é um bom garoto... E.. — Sam estava um pouco atrapalhada, parecia mais chocada que eu.
–"Um bom garoto?" O que é isso? Uma entrevista pra faculdade?
–Que na verdade devia ser o seu foco. — Luna retrucou.
Dan não dizia nada, parecia não querer demonstrar nossa conversa mais cedo, ou só estava mantendo uma posição de homem.
Mesmo assim não conseguia desviar meus olhos de Dan, com um olhar de assustada, rezando para que Dan abrisse a boca e me salvasse dessa.
–Bom... O que iremos fazer depois daqui? — Dan gaguejava, parecia não saber o que estava fazendo.
–Você não pensa em ligar para ele? — Julie perguntou ignorando o que Dan havia dito.
–Eu não sei o que fazer. Não está claro?!
–Confesso que a Dylan estava um tanto diferente desde de que saímos de Londres. — Sam tentou ajudar. — Não acha que está sentindo o mesmo?
–Não sei...
–Por quê não liga pra ele? — Julie disse animada.
–Julie?! — Luna gritou outra vez.
–Ah o que foi? Como ela vai saber o que sente se nem o vê mais, se não ouve mais a sua voz. — Julie fechou os olhos e pareceu viajar na própria frase.
–Que besteira. — Dan riu. — Mas talvez... Ela esteja certa.
–Obrigado Dan.
–Mas eu não....
–Liga.... — Luna me interrompeu. Parecia feliz com a ideia, ou não, nunca entendo o que ela sente.
Me levantei com um sorriso no rosto, fui até a porta do café e liguei, estava nervosa, meu coração batia forte, minhas mãos estavam geladas, soltava suspiros e nem sabia o por quê:
–Achei que nunca iria ligar. — Patrick disse em um tom suave.
Por um minuto eu havia desligado minha mente. Havia me esquecido do doce sotaque britânico, dos cabelos azuis, e do sorriso encantador...
–Você me deu uma grande noticia né, precisava ligar.
–Não queria te assustar. Quer dizer, talvez sim, você é muito complicada. — Ele riu
–Cala a boca... Eu precisava te ligar...
–Ouvir o doce som da minha voz? Ah eu entendo. As garotas nunca me esquecem...
–Esqueci o quanto era convencido. — Estava extremamente sem graça.
–Não quero te forçar a nada, eu disse o que tinha que dizer, se não sentir... Quer dizer...
–Duas semanas.. Foi esse o tempo que ficamos juntos... Eu preciso de tempo para processar...
–Eu entendo amor. — Ele dizia " amor" com um sotaque que faria qualquer garota tirar a roupa no mesmo segundo. — Só não precisava desaparecer...
–Era isso que eu deveria ter feito.
–E me deixar sofrer? Nossa você é cruel.
–Não seja tão dramático, aposto que tem muitas meninas britânicas atrás de você.
–Tem mesmo, o pior é que uma americana roubou meu coração, e não vejo mais graça nessas.
–Patrick... — Sentia minhas bochechas ficarem tão quente que talvez pudesse queimar alguém.
–Eu sei eu sou um charme... Hã... Scott deu um oi.
–Mandei um outro.. Eu preciso ir agora... Luna deve estar preocupada...
–Como sempre...
–Não fique assim, é o trabalho dela.
Nos despedimos e ele desligou.
Voltei para o café, sem conseguir disfarçar o sorriso. Ainda estará com as bochechas vermelhas, mas o coração já estava mais calmo.
–Olha a cara dela! — Dan gritou um tanto animado. — Esse moleque faz milagres.
–Ah meu Deus. — Essa era praticamente a reação de todos.
Depois de explicar, implorei para ir embora, pois além de passar muita vergonha com os gritos de Luna e Dan, ainda estavam brincando comigo, pela conversa que tive com Patrick.
Ao sairmos do café, decidimos dar mais uma volta e não voltar para o Hostel, o que nós menos queríamos fazer era dormir.
A duas quadras, Dan nos levou a um clube com uma porta preta que dizia "à minuit".
–Me diz, onde você encontra esses clubes? — Julie conseguia ver as luzes piscando pelas janelas dos andares a cima.
–Internet. — Dan pegou uma cartela com aproximadamente 10 remédios.
–Dannel o que é isso?! — Luna gritou.
–Relaxa...
–Isso é êxtase? Onde conseguiu?
Dan tentara disfarçar mas olhou para mim. Na hora não havia sacado mas depois de me lembrar do acontecimento em Londres, Dan estava muito próximo ao Scott, com certeza ao tentar juntar Patrick e eu, Dan conseguiu alguma recompensa...
–Vamos lá, só por uma noite. Vocês disseram estar abertas a novas experiências.
–Experiência, não overdose. — Julie brincou
–Só por essa noite. — Dan distribuiu, dando um comprido para cada um.
–Mas e se... Foda-se. — Luna disse em um tom descontraído
–No três... Um... Dois... Três... — Ao contar três, nós tomamos ao mesmo tempo.
Entramos no à minuit. Primeiramente era uma grande escada que os levava para o segundo e seguintes andares.
Depois de alguns minutos começava a sentir os efeitos da êxtase, não me lembrava muito bem de tudo mas de uma boa parte sim:
Meu coração batia rápido, sentia meu sangue passando por minhas veias. Conseguia reparar em tudo que acontecia á minha volta, pessoas dançando, outras bebendo, Dan pegando uma garota na ponta do bar. Luna também estava com outro cara.
Me sentia viva, uma louca de dançar e pular, me sentia poderosa, sentia que poderia pular de um terraço! As luzes ofuscavam em meus olhos, o calor do clube me deixava suada.
Estava com um copo na mão? Estava bebendo? Não me lembro ao certo, mas sentia um gosto de álcool na boca.
Após umas horas, tudo era muito vago. Dan ainda estava beijando a mesma garota.
Eu estava trancada em um banheiro com um homem, não me lembrava de seu rosto. Depois disso... Não me lembrava de mais nada.
Pela manha, a dor de cabeça era horrível, estava de ressaca. Estava deitada no chão, me levantei devagar, tentando me lembrar da noite passada, mas não me lembrara de muito.
Fui até a cozinha, pegar algo para beber e percebo que não estávamos no hostel, estávamos em um belo apartamento. Paredes brancas, com uma mobília chique, e nas janelas uma bela vista de Paris.
Não conseguia ver Luna. Então sai da cozinha e sorrateiramente andei por todo apartamento para encontrar Luna e os outros.
No sofá, duas garotas praticamente peladas. No chão mais dois caras sem camisa, com garrafas de vodca na mão.
Andei até o fim do corretor, fui ao primeiro quarto á direita. Uma grande cama, com um armário luxuoso. Me aproximo a cama, pensando encontrar Luna. Mas Luna não estava no quarto, Era Dan... Com apenas um lençol para cobrir suas parte intimas, não havia garota ao lado, supostamente estava no banho, conseguia se ouvir o som da água do chuveiro caindo, e uma doce voz cantando algo em francês.
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