The world has turned and left me here.
30 Bad Usurpation.
Era cedo, muito cedo…Jenny Pierce deixou o quarto com uma careta, ah se ao menos pudesse dormir para sempre…Bom, um dia todos iriam pois imortalidade não é para qualquer um. Conforme descia as escadas sentiu que alguém a seguia,mas já tinha um palpite:
—Bom dia, Tom.-Ela deu uma olhada rápida por cima do ombro.
—Bom dia,Pierce.-O fato de chamá-la pelo último nome indica seriedade. — Você parece cansada.
Na verdade, ela parecia doente, mais pálida do que de costume, o olhar caído e a voz não tinha tanta vida.
— Você quer respostas.-Jenny concluiu.
—Bom,a mulher que eu amo está definhando e batendo portas na minha cara.Eu acho que tenho direito.-Ele parou na frente dela.
Jenny o olhou ,havia certo lampejo de preocupação em seus olhos escuros,mesmo que ele tentasse manter uma máscara fria, ela o conhecia. Pierce o amava. De verdade. Não era mentira, era algo que ela sentia no âmago do seu ser; havia algo nele que a fazia sentir como se estivesse em casa, as vezes era como se afundar numa poltrona e dormir: plenamente seguro, mas as vezes era como afundar em uma cama de espinhos: plenamente insano. Naquele momento, ele estava mais para poltrona.
—Tudo bem.-A castanha suspirou esfregando os olhos.-Eu vou te contar o que aconteceu no banheiro feminino.
—Ótimo e aproveite agora que somos os primeiros a acordar.-O rapaz a tomou pela mão e puxo-a contra seu corpo.-As coisas vão melhorar querida,eu prometo.
—Não prometa Tom,não está em suas mãos.-Ela o beijou de forma lenta.
Riddle não lhe negou afeto, mas discordou mentalmente dela.
Uma semana depois...
Myrtle suspirou, tudo estava indo de acordo com o seu plano. Ela só precisava se livrar de Jenny Pierce por vinte e quatro horas. Como ela faria isso? Com uma poção do sono é claro. Mas a parte mais difícil era fazer Pierce ingerir. O que ela sabia sobre o inimigo? Bom, sabia que Pierce havia adotado um costume de ser a primeira a chegar na mesa do café, as vezes Tom estava com ela, mas na maioria a menina sempre estava sozinha. Então ela só precisaria colocar a poção em um biscoito, bolo ou até mesmo bebida.
Era um novo dia, Pierce foi tomar o café, ela tinha que se preparar porque acima de tudo,havia treino de Quadribol. Como sempre, a este horário, os elfos ainda estavam colocando a comida, então não tinha muitas opções no cardápio, exceto por dois tipos de pães, queijo, biscoitos, suco e um tipo de bolinho…Não, espera, UM único bolinho.
—Tão tá né.-Jenny olhou para o mesmo em confusão.-Ou eles esqueceram de trazer o resto ou alguém já saiu comendo.-E mordeu o cupcake. Em segundos Pierce tombou para o lado e foi ao chão,mas antes de perder a consciência avistou Myrtle ,sorrindo, vindo em sua direção.- Mas que filha da...-E apagou.
—Agora vamos levar você para um lugar confortável.
☆ ☆ ☆
Tom acordou com preguiça, mas de bom humor. Talvez seja porque ontem Pierce o deixou deitar em seu colo e ler a edição completa sobre criaturas noturnas da Venezuela enquanto a mesma acariciava-lhe os cabelos e lia ``Os doze contos da Morte´´,em poucas palavras, foi o tempo mais agradável de sua vida, até agora, e o rapaz precisava de mais momentos relaxantes. Parecia que quanto mais o tempo passava, mais ele tinha certeza de que ninguém mereceria ``mais dele´´ do que ela. Riddle desceu para o salão comunal da Sonserina e sentou-se com seus `` amigos´´ em frente a lareira:
—Bom dia senhores.
—Bom dia.-Os meninos falaram.
—Sobre o que estão discutindo?
—Nada de mais...-Alphard começou- Só sobre o treino de Quadribol. Estamos esperando a nossa capitã.
—Ela ainda não desceu?
—Se desceu, não sabemos onde ela foi.
—Estranho.
Foi então que a porta principal se abriu para revelar a própria, Jenny Pierce, com seus cabelos amarrados em duas tranças e sua expressão nervosa.
—Ai está ela.-Alphard jogou os braços no ar.
—Finalmente Pierce, estava começando a achar que você tinha se perdido.-Tom deu um meio sorriso de deboche.
A menina corou um pouco:
—D-desculpem,eu estava caminhando e perdi a hora.
Com essa, Riddle arqueou uma sobrancelha, afinal, desde quando ela não rebate uma de suas respostas?
—Que seja...-Avery começou.-Bom,agora que você está aqui,vamos discutir sobre o treino de Quadribol.
A menina arregalou os olhos, verdade seja dita, Jenny Pierce era mestre em Quadribol mas Myrtle Elizabeth Warren só sabia montar na vassoura, e nem nisso ela era boa:
—An...Eu adoraria ficar e discutir as jogadas e os lances, mas a aula já vai começar e eu não quero me atrasar, vamos Tom?
Tom franziu o cenho, Pierce não se importaria muito de se atrasar para aula se o assunto fosse o seu time de Quadribol, e ele não foi o único que percebeu:
—Tá, eu acho…-Abraxas piscou.-A gente discute depois, no vestiário ou no campo.
—Perfeito, vejo vocês lá, vamos Tom.-E puxou o menino pela mão.
Conforme iam deixando a sala, Abraxas se virou para os outros:
—Impressão minha ou ela está muito estranha hoje?
Concordaram.
No corredor, descendo as escadas…
—Tem certeza de que está bem?-Riddle olhou para a menina.
—Sim,claro,por que a pergunta?
—Pierce...-Tom revirou os olhos e a puxou para si,como a uma semana atrás,Myrtle quase desmaiou com tanta aproximação.- Ouou, calma, eu não vou morder.-Aproximou-se da orelha dela.-A menos que você queira.
Ah! Malditos hormônios! Ela nem mesmo pode lhe dar uma resposta, o rapaz não deixou. Ele a beijou com voracidade, como sempre fazia quando sentia falta de seu toque,é claro que, se ele soubesse quem realmente estava ali a repulsa seria mais forte. Warren estava chocada, era de mais para sua cabeça, seu primeiro beijo foi com Tom Riddle, o garoto de seus sonhos. Demorou um pouco mas ela correspondeu com intensidade. Quando se separaram,ela estava com os olhos nublados de amor e Tom...Não sentia nada.
—Como é possível?-Ele questionou em voz baixa.
—Algum problema?-A menina tinha uma voz adocicada que o fazia querer vomitar.
—Oh!-Slughorn apareceu.-Ai estão vocês, vamos logo, ou vão se atrasar!
Myrtle acenou com a cabeça:
—Claro professor, estamos indo.-Tomou a frente mas parou por alguns segundos para olhar para Riddle.- Você vem querido?
Tom olhou para ela e deu um falso sorriso:
—Claro,vá na frente.
Conforme via a menina andar pelo corredor em direção a sala, Tom tinha certeza, aquela não era Jenny Pierce…Mas então…Quem era? E onde a verdadeira estaria?
☆ ☆ ☆
Jenny estava…sentada? Ela não sabia com certeza, a iluminação era pouca, mas a sua frente, tinha certeza, era um berço. Conforme tudo ao seu redor tomava formava viu que de fato era um quarto de criança,e a criança estava no berço brincando com um boneco.
—Olhe para ela.-Uma voz masculina encheu o ar,e não parecia totalmente desconhecida.-Tão linda,parece com a mãe.
—Acho que ela tem os olhos do pai.-Uma voz feminina suave se manifestou.
Logo tudo ficou claro e lá estava a figura de uma mulher de cabelos loiros distribuídos em cachos grossos e volumosos, ela estava de costas, mas Pierce conseguiu ver ela erguer uma criança.
—Shhh,minha pequena, mamãe está aqui.-A mulher riu.-Acho que você devia conhecer seus irmãozinhos.
De repente,a figura de um homem de cabelos escuros colocou o braço ao redor dos ombros da mulher:
—E pensar que não faz nem duas semanas que ela nasceu.
—Eu temo pela vida de nossa filha.-A mulher comentou.-Ele não vai exitar em nos matar, Rasputin sempre cumpre suas ameaças.
—Não tente pensar nisso agora, por hora, vamos esquecer as ameaças daquele homem louco e mostrar para os meninos a pequena Jehnnetty.
Pierce arregalou os olhos e tudo começou a rodar. Os orbes claros foram fechados por um segundo e quando voltaram a se abrir, ela estava deitada em um colchão velho em alguma parte da Sala Precisa.
—Mas o que diabos estou fazendo aqui?-Ela questionou ao olhar em volta e aos poucos a realização bateu.-Ah claro,aquela pirralha!Mas por que diabos ela faria isso?Oh,espere!Eu esqueço quem é o meu namorado. Francamente,por que eu fui escolher justo Tom Riddle?Não podia ter escolhido alguém mais simples,como Charlus Potter?Pelo menos ele não tem uma tribo de loucas atrás dele.-Deu um giro.-Nunca pensei que a Sala Precisa fosse tão grande,acho que vou pegar minha varinha...-Apalpou-se em busca de sua varinha mas no mesmo instante gemeu.-É claro...Eu devia saber.Ela levou-a.
Era oficial,Myrtle estava em maus lençóis,Jenny Pierce ia dar o troco,mas primeiro,a saída precisava ser encontrada.
☆ ☆ ☆
—Céus!Senhorita Pierce,este não é o feitiço que lhe pedi.-Horácio gemeu vendo a bagunça na mesa.-Já é o terceiro erro hoje senhorita e confesso estar ficando preocupado, está tudo bem?
—Desculpe senhor,eu não sei o que está havendo comigo hoje.-Warren falou.
Tom sabia, a impostora estava usando uma varinha que não lhe pertencia. Fazia todo o sentido.
—Oh,bem,de qualquer forma o resto da aula terá de ser suspensa até essa...-Apontou para a gosma espalhada.-Até limparmos isso. Dispensados.
Conforme os alunos saiam,Walburga parou Warren, confiante de que estava falando com Pierce:
—Ora ora,parece que alguém não é mais tão brilhante, não consegue fazer um feitiço simples Pierce?Que vergonha.
Myrtle queria chorar, provocações sempre despertavam isso nela, mas foi então que avistou Riddle observando tudo:
—Não vai me defender?-Questionou ao ``namorado´´.
—Estranho, você sempre se defende sozinha.-Tom comentou intencionalmente.
Myrtle engasgou e saiu correndo em lágrimas.
Black riu e foi para perto de Riddle:
—Ah Tom,eu sabia que um dia você ia ver..-Ela foi silenciada por uma varinha no seu rosto.
—Fique longe de mim,Black.-Abaixou lentamente o objeto.-Afinal, tenho de encontrar minha verdadeira namorada.
Walburga não entendeu mas ele não se importava,Tom iniciou sua caça,ele ia revistar cada canto de Hogwarts,se fosse preciso...
—-Ou talvez eu só precise falar direto com a fonte.-A impostara lhe serviria.
E por falar nela...Myrtle limpava as lágrimas:
—Mas que droga,nem pra ser Jenny Pierce eu sirvo.
—Jenny!-Alguém chamou,o melhor,Charlus e Septimus.
—Ah,oi.-Warren disfarçou.
—Ai está você, estava te procurando, precisamos levar você para o vestiário, ordens do professor, o treino de Quadribol já vai começar.-Potter a arrastou para uma porta.
Riddle avistou o trio adentrando uma sala desconhecida e tentou alcançá-los, mas a medida que avança a porta diminuía, isso até que a mesma sumiu. Aquilo só podia significar uma coisa.
—Porcaria, eles foram para a Sala Precisa.-O menino rosnou.
☆ ☆ ☆
Jenny estava andando por um corredor de mobília velha, ela não sabia bem onde estava indo:
—Esse lugar só fica maior.
Eis que avista um bando de Diabretes da Cornualha, eles pareciam estar tentando resgatar um dos seus que estava preso de baixo de um móvel velho, se não tomassem cuidado, o pequeno poderia ser esmagado. Quando um deles avistou a menina todos se assustaram e foram se esconder e o diabrete preso choramingou.
—Pobre criatura.-Jenny se aproximou.-Não tenha medo rapaz.-Ela empurrou a mobiliá com cuidado e o duendezinho se viu livre.
Os outros saíram de seus respectivos esconderijos e foram abraçá-lo fazendo com que Pierce soltasse uma risadinha. De repente, ele se virou e foi até ela se curvando em agradecimento. Antes que a menina pudesse dizer qualquer coisa, ouviu vozes, incluindo a sua...própria...voz? Jenny e os diabretes se encolheram no canto observando Charlus e Septimus passarem com a impostora e a castanha só não foi tirar satisfação porque avistou algo precioso...
—Minha varinha.-A mesma comentou ao ver o objeto exposto no bolso da blusa de Myrtle.-Se tivesse um meio de pegá-la.
Foi então que o diabrete acenou e voo para perto do trio de forma silenciosa, aproveitando a distração deles, e pegou a varinha de Pierce. Por fim,o grupo atravessou outra porta e saíram da sala deixando o caminho livre para a Sonserina:
—Isso é que é golpe de mestre.-A castanha sorriu para o diabrete e ele devolveu.
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