The world has turned and left me here.
27 And i've been thinking over...
Notas iniciais
Pela primeira vez, Jenny Pierce estava feliz por retornar ao mundo trouxa, ao contrário de Tom Riddle, que cada vez mais abominava a ideia de pisar no orfanato.
—Por que simplesmente não podemos passar as férias no castelo?-O mesmo perguntou quando entrou no trem.
—Serei sincera,um tempo longe do mundo mágico vai ser bastante saudável.
—Sinto se não posso concordar com você querida.-Abriu a porta de uma das poucas cabines vazias.-Mas se quiser falar sobre o assunto...
—Qual?-Ela sentou-se de frente para ele.-Não tem nada acontecendo.
—Ah,então acordar chorando de noite não é nada?
A castanha piscou:
—Anda me espionando de novo?
—Espionar não é um bom termo,eu estou cuidando de você.
—Quem você usou dessa vez?
—A namorada do Potter.
—Eles ainda não estão juntos.
—E o que falta mesmo?
—An,não vou discordar desse raciocínio.
—Estou falando sério. Desde o incidente com o bicho papão você não tem sido mais a mesma.
—Como assim?
—Ironicamente... Se comporta como uma criança assustada.
—...
—...
—An,eu já disse que te amo?
—Boa tentativa Pierce.
Revirando os olhos,Jenny foi para o lado dele:
—Tudo bem,eu fico vendo a imagem daquele maldito corvo,ele não me deixa em paz e tem essas vozes.
—Vozes?
—Sim,elas falam coisas, mas não sei o que dizem.-Esfregou as têmporas.-Estou ficando maluca, não estou?
—Não.-A puxou para si.-Acho que podem ser memórias.
—Memorias?
—O que você se lembra?Digo,antes de nos conhecermos…
—Hum...Não muito.-Jenny bocejou.
—Bom,estava na biblioteca pesquisando sobre algumas maldiçoes, a maioria na seção reservada, as vezes precisa-se quebrar algumas regras,e não achei...-Pierce o silenciou com uma mão.
—Garoto irritante.
Riddle pensou em rebater mas viu que ela estava quase inconsciente. Revirando os olhos a ajeitou no banco de forma que ficasse confortável para ambos.
—Descanse um pouco Pierce, vou cuidar de você…-Sussurrou enquanto acariciava a face adormecida da mesma.-Merlim, eu realmente disse isso?-Zombou um pouco.
Para Pierce, não importava, ela estava em um mundo sem sonhos.
☆☆☆
Charlus veio bambeando pelo corredor caçando sua boa e velha amiga Jenny.
—É impossível que ela não tenha pegado esse trem.-E já estava perdendo a paciência.
Para sua sorte, a cabine premiada chegou,contudo,para seu desgosto,Jenny estava dormindo no colo de Tom Riddle.
—Potter.-O mesmo falou.
—Riddle.-Charlus devolveu.
—O que quer aqui?
—Estava preocupado com minha amiga, obviamente.
—Não perca seu tempo, ela está bem.
—Quem tem de dizer isso é ela.
—Mas como pode ver, no momento, ela não pode.
Potter revirou os olhos e depois olhou para o rosto adormecido fazendo Tom arquear uma sobrancelha:
—Oh não Potter,não fez isso.
—O que?
—Se apaixonou por ela,não foi?-Com essa ,Charlus corou e foi embora.- Merlim. -Riddle suspirou e acariciou a cabeça da namorada.-Eu lhe disse.-Falou para a figura adormecida.
Horas depois o trem parou na estação.
—Pierce.-Jenny ouviu uma voz conhecida e ela ficava cada vez mais alta.-Vamos lá,acorde.-Os olhos dela se abriram para dar de cara com os orbes escuros.-Já chegamos e a menos que você queira voltar para Hogwarts, temos que descer.
Esticando-se um pouco, Pierce falou:
—Eu devia usar você como travesseiro mais vezes.
—Não se acostume.-O menino rebateu.
☆☆☆
—Bem vindos de volta.-Sra. Cole os recebeu de forma gentil.
—A senhora parece feliz.-Jenny observou.
—Talvez não estejam sabendo, mas a polícia encontrou muitas crianças em um favela,elas foram mandadas para cá e o orfanato ganhou ajuda monetária para continuar funcionando por mais alguns anos. Não é fantástico?
—Incrível.-Tom zombou.
—De qualquer forma, dinheiro significa reformas então vamos derrubar uma parede do orfanato para construir mais alguns quartos, o que me lembra, senhorita Pierce, que terá de dividir o quarto com o senhor Riddle até o fim da reforma ou, até que seja adotada.
—Vamos pelo mais provável, esperar a reforma terminar.-Tom pegou na mão da namorada e o ato não passou despercebido pela mais velha.
—Sim, bem...-Cole começou- Contudo, ainda há regras e espero que não tenha nenhum comportamento vergonhoso, eu raramente deixaria um menino, e uma menina, juntos no mesmo quarto.
Por alguma estranha razão, Tom sentiu vontade de esconder sua cabeça em baixo da terra.
—Não desrespeitaremos a senhora.-Pierce garantiu.
—Sei que não.-A outra sorriu e fez sinal para que a seguissem até o andar de cima.
Tom podia dizer que seu quarto parecia mais apertado, e talvez realmente estivesse com duas camas. A pequena mesa que antes ficava do lado de sua cama logo abaixo da janela foi para atrás da porta, tanto que seria uma boa ideia prestar atenção quando fosse abrir a mesma.
—Eu acho que preferia ficar até em uma árvore no jardim.-Jenny comentou.
— Dramática.-Tom revirou os olhos, largou suas coisas no chão e jogou-se na própria cama de olhos fechados.
—Não estou fazendo drama, nossas camas estão afastadas por apenas, o que, dez, quinze dedos de distância?-Jenny começou a arrumar suas coisas.
—Isso não é nada, se pensar no fato de que, quando nos casarmos, vamos compartilhar a mesma cama.
—Pés no chão Tom,não sabemos se vamos ficar juntos por tanto tempo.
Ainda de olhos fechados, Tom sorriu sarcasticamente :
—Santo pessimismo Pierce. Lembre-se que é comum as pessoas noivarem cedo,nós que estamos um tanto atrasados.
—E o que vai fazer?Me pedir em casamento?
—Talvez no fim dos nossos estudos.
Jenny engasgou deixando alguns de seus livros cair no chão, para diversão dele:
—Tom!
O rapaz se levantou e foi ajudá-la:
—Sua expressão de pânico é impagável. -Entregou um dos livros.
A garota fez uma careta e pegou o exemplar de forma ríspida:
—Francamente.
Riddle observou-a guardar as coisas dentro do seu guarda-roupa e suspirou quando ela não conseguiu fechar a porta:
—Acho que precisamos nos organizar melhor.
—Com certeza.
☆☆☆
Depois de longos e intermináveis dias de barulho e poeira, a reforma estava completa. Como as crianças chegariam em dentro de dois dias, a Sra. Cole pediu para que Jenny e Tom a ajudassem a reabastecer o estoque de comida. Riddle negou-se, apesar da insistência de Pierce, ele até proferiu um discurso para defender sua escolha e ela desistiu.
—Acho que já temos tudo.- Cole comentou enquanto levava algumas sacolas.-Pena que Tom não veio.
—É...-Jenny deu de ombros escolhendo as palavras. -A senhora o conhece. Ele consegue ser um estraga prazeres quando ele quer.
—Bom, poderia ser pior. Eu fico feliz que ele tenha alguém como você para deixá-lo mais ``amigável.´´ Socialização não é o forte dele.
—Vendo por este ângulo…Hum, não, eu não o mudei em nada.
A mais velha revirou os olhos e olhou para a esquerda:
— Oh!-Exclamou em realização.-A loja de vestidos esta aberta, se importa se eu der uma olhadinha?
—Só se a senhora não se importar que eu espere do lado de fora...Vestidos...-Pierce olhou para a loja com desgosto.-Não são bem do meu interesse.
—Certo, certo. Levarei as sacolas comigo e você fique aqui, nem pense em falar com estranhos.
—Descuida.
Porem, nem cinco minutos que Cole saiu de cena, Pierce saiu do seu ``posto.´´ Não foi exatamente de propósito, ela havia visto um grupo de valentões arrastando um garotinho para o beco e a castanha não podia se controlar quando o assunto é injustiça.
Com a varinha em mãos, Jenny observou atentamente a cena. Dois meninos altos seguravam o mais novo enquanto o outro velho se preparava para socá-lo. Murmurando um ``confundus´´ , Jenny conseguiu fazer com que o agressor errasse o alvo e acertasse um dos meninos altos. E a vítima?
Saiu correndo, só parou quando se bateu em Pierce.
—Cuidado.-A mesma disse ao estender a mão para ele.
Assim que o menino levantou, os valentões vieram correndo e ...Surpresa!!!
—Pierce?-Billy Stubbs estava cara a cara com ela.
—Ora,ora.-Pierce cruzou os braços.-Velhos hábitos são complicados de largar,não é Stubbs?
—Ei Bill,quem é essa?-Um dos amigos dele perguntou.
—Uma velha conhecida.-Billy admitiu.- E meu sobrenome não é mais Stubbs.
—Não,não é. E isso não me interessa nem um pouco. Agora se puder me contar o motivo de estar tentando bater nesse garoto...-Jenny apontou para a criança que, agora, estava escondida atrás dela.
—Esse ladrãozinho só ia ter o que merecia. Foram semanas de furtos no mercado do meu pai.
—Oh, entendo seu ponto. No entanto, gostaria que você reconsiderasse.
Os meninos começaram a rir, exceto Billy que sabia bem dos riscos. Afinal, ele conviveu com Jenny Pierce, e ele sabia que tinha um certo nível de razão quando a chamava de aberração.
—Certo...-Billy começou.-Vamos dizer que hoje é seu dia de sorte.
Os outros dois parara de rir e olharam em choque:
—O que?!
Billy se virou e começou a ir embora e seus capangas o seguiram fazendo milhões e perguntas, mas ele só tinha uma resposta:
—Ela é encrenca.- Billy olhou por cima do ombro rapidamente.-Uma bela encrenca.-E sorriu.
E por falar em encrenca...
—Meu Deus!-Sra. Cole exclamou, acho que ela já se deu conta de que alguém está faltando. — Onde foi parar essa menina?- Para sua sorte, Jenny saiu do beco mais próximo, contudo, o que mais lhe chamou a atenção, foi o menino desconhecido que ela estava trazendo.- Menina!-A mais velha foi até ela e lhe esbofetou na testa.
—Au.-Jenny fez uma careta.-Suponho que a senhora já esteja me procurando há um certo tempo.
—Pode apostar que sim,sem sobremesa hoje mocinha.-Cole olhou para o menor.-E esse?
—Oh!-Pierce começou.- Este é Archie, ele é um sem-teto .Pensei que poderíamos levá-lo para o orfanato.
—Oh querida,é uma atitude nobre mas não temos mais vagas, lembra?
—Na verdade, temos uma. Estou cedendo o meu quarto.
— Quer mesmo continuar a dividir o quarto com Tom?
—Ah,não é tão ruim. Claro que as vezes ele ronca, mas fora isso, não temos problemas.
A mais velha riu e o aceitou a proposta.
☆☆☆
Tom estava lendo em sua cama quando ouviu vozes no corredor. Ele abaixou o livro e foi ver quem era. Abrindo a porta de forma lenta, viu a Jenny junto da Sra. Cole, está última estava falando animadamente com um garoto de cabelos escuros, levemente cacheados ,pele pálida, olhos azuis. Pelos seus cálculos, o menino devia ter uns onze ou doze anos.
—Oh,um momento Archie...-Cole parou em frente a Riddle.-Tom,este é Archie,ele vai ficar conosco,Archie,este é Tom Riddle.
Archie acenou e Tom lhe arqueou a sobrancelha.
—Okay, vamos prosseguir.-Jenny se meteu empurrando Tom para dentro do quarto e fechando a porta.- Francamente Tom, você poderia ser menos rude.
— Você foi a única que fechou a porta na cara deles. -O outro provocou.
Pierce revirou os olhos e bufou, Tom, por outro lado, sorriu amplamente e a puxou para um beijo. Jenny colocou os braços ao redor do pescoço dele e o deixou guiá-la para onde quisesse.
☆☆☆
Tom Riddle queria dizer que estava levando uma vida com menos preocupações, mas seria mentira. Ele não via a hora de voltar para Hogwarts para colocar seus planos em prática. Queria desenvolver as qualidades necessárias para controlar o monstro que vive abaixo do castelo, queria apagar os nascidos trouxas, e, principalmente, queria encontrar seu pai para fazer com que ele pague por tudo. Vingança era algo marcado em sua mente, mas com uma certa dose de preocupação.
—Ela vai entender.-Era de noite, o menino se revirou no colchão olhando para a figura adormecida na cama ao lado.- Ela vai. -Claramente era um exercício desesperado para converter a si mesmo.- Mas e se ela não o fizer?- Suspirando, o moreno se sentou. Se Jenny Pierce não o apoiar, ela provavelmente vai se voltar contra ele, uma inimiga a altura.- Talvez eu pudesse acabar com isso agora...-Retirou sua varinha e foi na direção de Pierce com passos lentos e silenciosos.
Jenny resmungou algo em seu sono e virou-se de lado deixando seu rosto ser tocado pelos fracos raios de luz vindos da lua. A visão fez Riddle ficar com um pé atrás em suas ações, afinal, ainda era Jenny Pierce, a garota que ele aprendeu a respeitar, admirar…amar.
—Ninguém poderia ser melhor...-Tom esfregou os olhos frustrado por um segundo e depois exibiu uma expressão assassina.-No entanto...-Apontou a varinha e...-Avada Kedavra!
Do lado de fora do orfanato, uma forte luz verde é vista, dura apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para Billy Stubbs suspirar:
—Nunca muda.-Ele se vira e começa a caminha de volta para sua casa, tendo em mente que algo ruim aconteceu esta noite, mas, que está além dele interferir.
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