Notas iniciais
Lá vai mais um pra vcs, aproveitem!

Jeremy deixa Will em sua enorme casa na Saint Louis Street, ele está ficando sozinho em sua casa, de acordo com minhas contas há mais ou menos umas duas semanas, e como não há carros na entrada da frente da casa, ele deve continuar sozinho por mais alguns dias. Tudo isso porque a Sra. Emma Flynn, sua mãe, e o Sr. Peter Flynn, seu pai, andam viajando muito a trabalho, os dois são empresários e possuem três redes de escritórios de contabilidade, cada um em um lugar do país, por isso sempre viajam para averiguar a qualidade dos seus escritórios, e para ajudar quando estão lotados de serviço, afinal, seus escritórios são requisitados por diversos condomínios famosos e as vezes até artistas. Apesar da fama no mundo dos negócios a Família Flyn preferiu se estabelecer aqui em Black Diamond por causa da tranquilidade de uma boa e exemplar cidade do interior

Antes de sair do carro Will me abraça e da um beijo no meu rosto, ele sai do carro junto com Jeremy, que abre o porta malas e tira aquela mochila que Will carregava quando eu o ataquei, e também pega uma mala, aquela que encontrei no quarto de hóspedes. Ele se despede de todos com um aceno e desejando boa noite, mas antes de entrar no prédio ele dá uma batidinha no vidro traseiro do carro, pra ser precisa na minha janela, eu a abro e ele diz:

– Te vejo na escola amanhã, pode ser? – Sua voz está ansiosa pela resposta

– Tudo bem, mas, você me espera no estacionamento, ainda não sei como falar com a Caroline...

Uma espécie de silêncio aparece entre nós, mas ele não dura muito tempo, com a cabeça ainda baixa Will me pergunta:

– Você tem certeza que vai contar pra ela? – Seu olhar me desperta uma certa dúvida

– Vou, só não sei quando, mas é o que eu pretendo. Vai ser melhor assim, ela é minha melhor amiga, ela vai começar a falar que a gente não tem segredos, que ela sabe dos vampiros, do Jeremy e do Simon. Bom... Só não sei como ela vai reagir quando eu contar sobre mim... Mas também né Will, quando meu comportamento começar a mudar... Aí já viu, se eu não contar, ela vai dar um jeito de descobrir, aí eu vou me foder

– É você tem razão! – Ele solta uma risada – Então às 8 horas no estacionamento

– Ta legal, até amanhã.

–Até Bay!

Ele entra na casa, quando olho ao meu redor vejo que Jeremy e Tracie estão do lado de fora do carro conversando, ela faz grandes gestos com as mãos e Jeremy está com uma expressão fria no rosto, parece mais que eles estão discutindo. E desde que ela apareceu após a minha transformação, reparei que na verdade Jeremy não se sente nem um pouco a vontade na presença dela. Eles estão do lado oposto ao meu, nem me arrisquei a chegar perto. Noto que a discussão deles já acabou, Jeremy está voltando para o carro e minha irmã está caminhando pela rua. Inconformada eu abro a porta e desço do carro, vou correndo atrás dela enquanto Jeremy está entrando.

– Tracie aonde você vai? – Pergunto quase gritando

– Vou ficar aqui na cidade mesmo, onde eu sou bem vinda – Ela vê que fiquei assustada com o tom de voz dela e se redime – Me desculpa, pode ficar tranquila Bay, assim que uma PESSOA permitir eu vou cuidar de você. Até mais maninha!

– Han... Até Tracie – Meu Deus ela usa gírias

Ela segue pela rua principal até desaparecer de minha vista. Eu entro novamente no carro, mas dessa vez me sento no banco do passageiro ao lado Jery que liga o motor e aumenta o som do rádio local, como quem não quisesse falar sobre o que acabou de acontecer. Fico pensando no que ela quis dizer quando falou que um certa PESSOA não deixava ela cuidar de mim, Jeremy não queria ela por perto, mas tava na cara que não seria agora que eu ia descobrir o porquê.

Estamos na rodovia que liga Black Diamond à Monray City, onde no meio há uma estrada recém asfaltada que entra floresta a dentro até chegar na mansão McCarey, do nada um plantão de noticia corta uma música. Jery aumenta ainda mais o volume e ficamos sem fazer nenhum ruído, ouvimos o locutor

“Notícia urgente, mais um ataque está sendo registrado aqui em Black Diamond nas proximidades da Salem Florest, a polícia afirma ser um animal grande e forte, recomenda-se não andar sozinho a noite, obrigado”

Salem Florest recebeu esse nome porque no período da caça as bruxas diversas mulheres se mudaram para a nossa região em busca de proteção e se estabeleceram nessa floresta, quando foram descobertas a inquisição mandou queimá-las na mesmo, e o nome acabou se tornando uma marca de como saber onde aquelas “bruxas” se esconderam. Até hoje a clareira em que as mulheres foram queimadas está lá intacta, ainda surgiu uma lenda que lá é uma terra amaldiçoada, dizendo melhor, condenada, e naquela clareira especificamente nenhum tipo de vegetal cresce, formando um círculo perfeito... Assustador eu sei, e o pior é que essa é a floresta que rodeia a mansão deles.

Jeremy fica mais pálido do que ele já é, sua face se enrijece e seus olhos ficam fixos na estrada como se ele estivesse hipnotizado. Ele agarra firme no volante e acelera, eu vejo a expressão fria novamente em seu rosto então eu aperto o cinto.

Dessa vez ele nem desvia da rota para me deixar na casa da Caroline, que é o que ele geralmente faz quando há algum problema em andamento

Passamos o portão da entrada da propriedade, em frente a casa existe uma espécie de fonte rodeada por um jardim de com rosas, flores coloridas, que atraem algumas borboletas, e arbustos, dois bancos, eu paguei por esse jardim, ele não existia, mas eu pedi para Jery se eu poderia mandar fazer esse jardim, eu precisava de um lugar tranquilo para pensar nos meus dois trabalhos e um lugar pra relaxar, e não seria dentro da casa, onde acontece as maiores discussões familiares entre Simon e Jeremy. E ainda deu certo a construção porque agora havia um caminho para que um carro que entrasse pudesse sair, aquele jardim se tornou uma espécie de rotatória.

A casa de dois andares, além de linda e ter um aspecto colonial por ser de tijolos expostos com grande janelas de madeira escura, e em cada quarto havia uma sacada que dava direto para o jardim de entrada ou para a floresta, que mesmo com uma história assustadora era de um verde estonteante, é grande e muito afastada da cidade. A única coisa com uma aparência mas jovem mas que foi construída do mesmo material, foi a garagem, para três carros, com portões brancos.

Jery para o carro em frente a porta da casa, ele desliga o motor e permanece com o olhar fixo no vazio, como se ele estivesse em outro mundo. Preocupada eu pergunto:

– Jery, ta tudo bem?

Como resposta ele da um soco com muita força no volante do carro, eu me assusto, ele abre a porta e sai correndo, mas não distante, ele entra no pomar da propriedade que é magnífico com diversos tipo de árvores frutíferas, ele para ao lado do único poste de luz que ilumina o pomar durante a noite, agarra a própria cabeça e solta um grito.

Agora sim ele corre o mais rápido que consegue, mas sem usar o Poder. Com a minha nova visão consigo enxergar até um ponto que ele atravessa o pomar e entra na floresta, que a noite não é nem um pouco segura. Saio do carro e vou correndo em sua direção, não o encontro. Uso meus novos dons de vampira e sinto o seu cheiro, o sigo e o encontro, ele está sentado próximo a um pinheiro que a ele costumava me treinar, com os joelhos dobras a sua frente e escondendo sua cabeça entre eles. Vou até sua direção e me agacho ao seu lado, pego sua mão e olho em seu rosto

– Jery eu sei o que você está pensando, mas não foi ele!

– Claro que foi você sabe com ele é descontrolado e o quanto ele adora me tirar do sério com essas criancices! – Ele sempre com o olhar direcionado a mim, esperando que eu o salvasse desse seu abismo familiar — Só pode ter sido aquele imbecil do Simon!

Faço uma pausa, me sento ao lado dele com as pernas cruzadas e me encosto na árvore. Respiro fundo para encontrar as palavras certas. E por sorte eu as encontro:

– Se fosse, ele teria cuidado do corpo, Simon é muito perfeccionista com isso. Ele não ia se arriscar tanto e se expor, ele se exibe demais pelo fato de ser cuidadoso, e não ia ser agora que ele iria parar com isso...

Jery fica em silêncio, ele solta as minhas mãos e se levanta, fixa os olhos em mim e solta uma risadinha

– Você tem sorte de ser muito convincente! Só você pra conseguir fazer com que eu acredite nisso...

– Obrigado! Talvez esse seja o meu Dom – Dou uma piscadinha pra ele – Quando precisar acreditar em algo é só bater na porta do meu quarto. Agora seu nervosinho me ajuda a levantar vai!

Soltamos uma risada, ele segura minhas mão e me puxa em sua direção até estar de pé, passa sua mão pelo me rosto, da um tapinha na minha bochecha, como de costume, e me abraça, escondendo sua cabeça entre meus cabelos e meu ombro, ele respira fundo, consigo sentir que aquilo foi um agradecimento, dava quase pra ler sua mente. Mas eu o conheço e sei que esse discurso não vai convencê-lo por muito tempo, e logo mais ele vai estar mal de novo.

Voltamos para o carro, pegamos as malas e colocamos na varanda, Jery abre a porta da mansão, pega a minha mala e a dele segue passando pelo corredor principal onde nas paredes estão pendurados alguns quadros da família e no meio encostados no lado direito há uma mesinha lateral com porta retratos nossos e um telefone antigo, cercada por duas cadeiras de estofamento florido. No fim do corredor ele vira a esquerda passando pela porta que entra na sala da lareira, com paredes pintadas em tom de marfim, e uma lareira na parede do fundo e é feita de alvenaria, está cercada por três sofás de couro preto, na mesma parede da porta, no canto para ser exata, existe um bar com banquinhos altos de madeira em volta, é onde eles guardam garrafas de diversas marcas de wisky envelhecido e vodkas caras, ao lado da lareira há uma pequena adega em forma de barril com algumas taças. Jeremy passa entre os sofás caros e chega a porta que fica na parede esquerda e que dá acesso à sala de estar, esta pintada com três paredes em tom marfim.

Na parede direita (em relação à porta) está o nosso entretenimento em dias chuvosos, a amada televisão 3D de 52 polegadas, em um fundo vermelho vivo escolhido especialmente para combinar com os três sofás de couro, só que dessa vez branco, que estão dispostos ao redor dela. Na parede oposta a da televisão tem um quadro da propriedade pintado por Simon. Todos os ambientes muito arejados e com grandes janelas

Enfim, Jeremy deixa as malas em cima dos sofás claros na sala de estar, e volta para fora da casa. Enquanto ele faz todo esse trajeto, eu pego alguns potes de comida congelada que sobrou da nossa estadia lá na chácara, que estavam do meu lado e de Will dentro do carro, entro na casa, e viro logo no começo do corredor, na primeira porta a esquerda onde é a entrada para a sala de jantar.

Com três paredes em tons de marfim também, a com um único quadro de moldura branca na parede da esquerda que está pintada de marrom, uma cor que faz o quadro se destacar. Uma grande mesa de jantar de vidro para oito pessoas, cadeiras de madeira entalhadas com detalhes provavelmente feitos a mão e que devem ser bem antigas. No canto da parede do quadro está a porta que atravesso e me faz chegar na cozinha, guardando toda a comida dentro da geladeira.

Quando termino vou até a sala de estar e como de costume Jeremy já deixou as malas abertas para eu poder pegar as bolsas de mão. Logo que as pego, volto ao corredor que do centro para a esquerda há uma larga escada de mármore creme e um corrimão de carvalho, onde logo embaixo da escada tem o quartinho com alguns quadros que não foram pendurados e alguns objetos antigos, uns com e outros sem valor. Enfim, subo no segundo andar.

Passo pelo pequeno corredor que vira a esquerda e chega a um maior no centro da casa e que a cada direção nos leva a um cômodo. Primeiro a direita, quarto de hospedes principal com suíte, primeiro a esquerda, quarto de hospedes comum, segundo a direita, minha primeira parada, o quarto de Jeremy, assim que entro vou direto até a suíte e guardo suas poucas coisas, espuma de barbear, pós barba, perfume e desodorante. Saio do quarto, volto ao corredor, segundo cômodo a esquerda e o terceiro a esquerda são os banheiros dos hospedes. Terceiro a esquerda outro quarto de hóspedes. Último quarto a esquerda, quarto do Simon, com suíte, e sempre inabitado. E por fim o último quarto da direita, o meu, que atravesso e entro na minha suíte para guardar as minhas coisas, e quanta coisa! Demorei uns dez minutos até guardar cada item que eu levei, tinha até pequenas ferramentas de caçada, eu sei muito bem como esconder as coisas. Dou risada sozinha. Volto para o corredor e desço para escada.

Chego novamente na cozinha e esquento um pouco da comida que eu tinha guardado, abro o frigobar de sangue que fica escondido em um compartimento dentro do armário da cozinha, embaixo da pia para ser exata. Jeremy me explicou que ele fora planejado exatamente assim, para as pessoas acharem que não há nada além do encanamento embaixo da pia. Pego uma bolsa de sangue e despejo o líquido em dois copos, que estavam secando no escorredor de louça. Arrumo a mesa do jantar e levo a comida para lá, coloco nos nossos lugares de costume. E está pronto nosso jantar.

– Jeremy! – grito – O jantar está na mesa!

Espero sentada à mesa por dois, quatro, oito minutos, mas ele não aparece. Preocupada, eu subo e o encontro no seu quarto, deitado em sua cama. Ele está com os olhos inchados e vermelhos, deve ter chorado, já vi ele nesse estado algumas vezes, e era sempre pelo mesmo motivo, Simon.

Ele conseguia fazer Jery perder o rumo e ficar com medo de nos expor, e com o seu jeito protetor ele se preocupava demais com o irmão mesmo sabendo que Simon não dava a mínima pra ele, e mesmo os dois não se dando nem um pouco bem, talvez proteção acabou se tornando um truque do Jery.

Sento ao seu lado na cama, coloco sua cabeça no meu colo e acaricio seu cabelo castanho. Ele está bem triste, ou melhor, desapontado, querendo desesperadamente conversar

– Jery, você está bem?

– Na verdade não...

– É o Simon de novo, não é?

– Também...

– E você está sentindo o que exatamente?

– É que... Sabe Bay, o Simon é meu irmão, gostando ou não dele eu me preocupo, e você conhece muito bem como eu sou – Ele estava escondendo mais alguma coisa, mas não importava isso no momento

– Eu sei disso, e também não te culpo! A Tracie também, mesmo achando que eu não iria aceita-la ela continuou cuidando de mim! – Ele levanta a cabeça e olha pra mim de um jeito diferente, quase estava escrito em seu rosto “Ela não se preocupa com você idiota” – Mas, sabe, acho que você não devia se preocupar tanto com ele, o Simon faz burrada, mas ele sempre se safa e da uma volta por cima digna de Hollywood

– Eu sei – Ele da um leve sorriso – Mas essa não é a questão, os casos de ataque que a gente sabe muito bem que é de vampiro é muito característico dele.

– Ta legal, você tem razão... Mas ele não teria deixado o corpo exposto daquela maneira, em uma valeta no meio da estrada pra qualquer um ver! Ele é discreto demais para chegar a esse ponto, e gosta demais dessa cidade pra fazer isso e ter a chance da polícia vir atrás dele.

– Talvez seja até melhor que seja ele... – Ele abaixa o tom de voz fazendo com que eu quase não consiga ouvi-lo

– Pirou Jery? Por quê? Olha eu limpo a barra dele, não tem problema. – Trabalhar na delegacia me dava essa oportunidade

– Não é por isso, é porque, se não for ele quer dizer que tem um vampiro novo na cidade que não está dentro do no contrato local.

Fico em silêncio, na verdade Jery tinha razão, antes fosse Simon, se tivesse um vampiro novo na cidade, iria dar o maior trabalho, nós sabemos que existem mais deles entre nós, mas são discretos a ponto de nem os conhecermos. E os que conhecemos nós fazemos uma espécie de acordo de discrição, nós permitimos que ele cace em determinado ponto da floresta que se torna território dele, e caso algo trágico aconteça nessa área, como a morte de alguém, ele será responsabilizado e julgado do nosso jeito, desse jeito nós colocamos limites também na disputa de superioridade entre vampiros veteranos e novatos.

Porém um novo vampiro que mal chega e já está causando... Aí isso quer dizer que ele não deve ser um dos melhores negociadores.

Acabo que revirando memórias antigas, quando eu caçava com o Bob, penso um pouco e acabo me lembrando dos benefícios de ser caçadora, como por exemplo, quase sempre não levar a culpa. Lembro que muitas vezes caçadores matam vampiros simulando com ferramentas específicas ataques para a culpa cair em cima de outro vampiro. Sei disso, já matei muitos vampiros fazendo isso, tenho meus equipamentos até hoje...

– Jery fica tranquilo, amanhã você vai se sentir melhor.

– E o que faz você pensar isso? – Ele diz com um sorriso disfarçado de alívio

– Amanhã o que acha de você controlar umas mentes? – Esse era o Dom do Jery, só ele conseguia fazer isso.

Jeremy ri, mas ele nota que estou com uma expressão séria no rosto. Retiro sua cabeça do meu colo e a coloco lentamente no travesseiro, me levanto da cama e vou em direção a porta. Ele se preocupa, pra variar, pela causa que eu fiz aquilo, e o iria deixar lá sozinho, desesperado por atenção:

– E o que nós vamos fazer exatamente? – Ele pergunta

– Primeiro vamos comer, ir dormir e descansar muito mesmo – E pisco

– E por que temos que “descansar muito mesmo”?

– Primeiro porque temos aula, e vamos levantar bem cedo, e também temos um cadáver pra analisar.

Jeremy me olha confuso e eu saio do quarto fechando a porta

Notas finais
Espero que tenham gostado! O próximo capítulo é um dos meus favoritos! Deixem seus comentários Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.