The time - oneshot
1 Capítulo Único
A alegria esplandencia por toda Nárnia com a coroação do príncipe Caspian a rei de Nárnia, trazendo paz entre os Telmarinos e os Narnianos, a paz que todos almejavam desde que a época de ouro se foi. A comemoração não parecia ter fim, mas a grande felicidade não chegava aos olhos de Pedro e Emilie que sorriam diante do seu povo.
Ambos sabiam que em poucas horas voltariam ao seu mundo, um mesmo mundo, mas com apenas um problema... São de tempos diferentes.
Pedro preso no passado, e Emilie presa no futuro. Ambos não sabiam quando e como voltariam a se ver, já que o mundo mágico é a única coisa que os une. Logo Aslan os mandaria de volta, e não sabiam o que seria dali em diante.
Pedro não conseguia disfarçar os olhares que dava a rainha sábia, não conseguia esconder os sentimentos tão puros que sente por ela. Sempre foi transparente com suas afeições, o que fez com que todos percebessem rapidamente o amor que crescia ali.
Emilie se lembra perfeitamente do dia em que conheceu os irmãos Pevensie na casa dos castores, de como havia gostado da forma em que ele sempre foi protetor com seus irmãos e fazia de tudo para mantê-los bem.
Assim que cresceram naquele lugar, se tornando adultos e reis decididos, os sentimentos exalava por eles. Os olhares brilhantes, as carícias em simples gestos, os elogios que os deixavam envergonhados.
Até um beijo acontecer diante da madrugada na praia de Cair Paravel, ali já não poderiam mais negar nada um ao outro.
Deixaram rótulos de lado e apenas seguiram o que sentiam, deixaram aquela paixão avassaladora crescer por entre eles, até que os consumisse. Mas não durou tanto tempo como esperavam, voltaram cada um para seu mundo.
Os Pevensie em sua caçada através do guarda-roupa, e Emilie através do espelho de seu quarto. Ficaram apenas com a esperança de que voltariam a se ver.
Mesmo com as desavenças na volta ao mundo mágico diante das decisões de Pedro para provar ser um rei adulto, os sentimentos continuavam ali cada vez mais forte ao passar por duras aprovações, e ali decidiram não deixar nada ruim os atrapalhar.
Se amaram, se entregaram um ao outro de corpo e alma sabendo que poderia ser a última vez, acariciaram e beijaram sabendo que nunca teriam mais essa oportunidade.
— Deveria ir falar com ela, logo Aslan irá nos reunir — Caspian sussurrou para perto de Pedro que ainda observava Emilie conversando animadamente com suas irmãs.
No início havia uma rivalidade, mas Caspian acabará se tornando um amigo para o grande rei.
— Temo uma despedida, mesmo sendo um rei, não controlaria minhas emoções — admitiu.
— Mesmo sendo um rei, é normal chorar Pedro. Vá falar com ela antes que seja tarde demais.
Bateu nas costas do loiro e se afastou. Emilie seguia os assuntos sobre as diferenças do ano em que viva comparado as meninas, até que as rainhas se afastaram com desculpas ao ver o irmão se aproximar.
— Me daria a honra de uma dança? — estendeu a mão com um sorriso gentil.
— Não recusaria, meu rei — piscou.
Juntou suas mãos, sentindo uma energia boa passar pelos corpos. Se dirigiram ao salão do Castelo com olhares admirados do súdito sobre eles.
Pedro pousou sua mão sobre a cintura de Emilie, e a conduziu por todo salão. Os olhos conectados como imãs, a imensidão azul encarando a imensidão castanho-escuro.
— Não me deixe — sussurrou quase inaudível.
— Não quero, Pedro. Porém, sabe que não temos escolha. Não poderemos ficar juntos.
A rodou e a mesma voltou para seus braços com rapidez, os olhos voltando a se conectar.
— Se houvesse algum jeito — Ela suspirou com pesar.
— Em seu tempo, provavelmente já estaria morto, no meu tempo você nem nasceu ainda — tentou descontrair em forma brincalhona, o que a fez sorrir fraco.
— Pedro, eu te amo!
As palavras saíram por impulso dos lábios rosados, mas é justamente o que o coração gritava para que ela dissesse. Mas acabou pegando o grande rei de surpresa, seu peito se encheu de felicidade.
— Eu também te amo, querida.
Não precisou mais de palavras, apenas um beijo casto demonstrando toda intensidade que sentiam, todo carinho e paixão um pelo outro.
— Queridos — A voz grossa de Aslan rimbou pelo local.
O casal sabia o que significava, e já temiam antecipadamente.
— Gostaria de falar com o Rei Pedro e as rainhas Susana e Emilie — O Leão virou as costas e seguiu para o pátio do lugar.
Trocaram olhares confusos e curiosos, mas seguiram o grande senhor dos bosques.
— Os chamei aqui acredito que saibam porquê — Aslan pronunciou assim que os reis se postaram para fora com ele.
— Sim, senhor — Pedro sussurrou enquanto acariciava a mão de Emilie com o dedo.
— Vocês cresceram, já aprenderam tudo que haviam para aprender em Nárnia, por isso não irão mais retornar.
Emilie segurou o soluço que ameaçou sair e tentou segurar as lágrimas que marejavam seus olhos. Sabia que isso aconteceria, mas não estava pronta para aceitar, não como Susana aceitou com tanta facilidade mesmo sendo apaixonada por Caspian.
— Levem os ensinamentos consigo mesmo estando em seu mundo, lá eu tenho outro nome e outra forma, terão que aprender a me reconhecer nele também — O Leão correu os olhos por cada um dos filhos de Adão e Eva, parando mais no casal que tentava não se fragilizar na frente dele — Até mesmo o amor de vocês é um ensinamento que levarão para seu tempo. Sinto muito por não poder fazer nada, não posso mandar um ou outro para o ano em que vivem.
— Entendemos — Emilie forçou um sorriso.
— Susana, vamos deixá-los sozinhos — Aslan seguiu um caminho diferente, para onde está o súdito com Caspian e Susana foi ao seu alcance.
Emilie se virou e abraçou Pedro fortemente, deixando com que as lágrimas banhassem seu rosto. Nem mesmo o loiro controlou suas próprias lágrimas. Nunca gostou que o vissem chorando, mas nada fazia mais sentido ali.
— Eu prometo que nunca irei te esquecer — fez a promessa com a voz falha por conta do choro.
— Eu prometo que também nunca irei lhe esquecer — prometeu de volta e retirou um anel que fica em seu dedo indicador — Fique com isso para se lembrar de mim, para sempre que sentir minha falta — colocou o anel no dedo da amada e beijou.
— Fique com isso também — Emilie soltou o colar do seu pescoço, e se esticou para colar sobre ele. O colar era de sua falecida avó, era muito importante para ela, agora seria para Pedro — Para se lembrar de mim e para sempre que sentir minha falta.
Pedro a ergueu pela cintura e voltou a beijar seus lábios em meio a lágrimas. Emilie abraçou seu corpo dando tudo de si naquele beijo, até que precisaram se afastar.
Seguiram para onde os demais estavam, e ali as despedidas começaram. Os Pevensie mais velhos que não retornariam assim como Emilie que nunca mais os veria e nem ninguém de Nárnia.
— Você é como uma irmã, sentirei sua falta. Me foi uma ótima conselheira — Caspian a abraçou, o que ela retribuiu.
— Se cuide, Caspian — beijou sua bochecha e se afastou, enquanto Pedro e Susana iam se despedir dele.
Emilie abraçou Trumpkin e Ripchip, sentiria falta deles também, dos seus caros amiguinhos. Abraçou o grande leão voltando deixar as lágrimas caírem.
— Um dia vocês dois encontraram um amor em seu tempo, mas o que sentiram um pelo outro ficará guardado até o fim de suas vidas — Aslan disse calmamente e ela sorriu.
— Cuide de nós — sussurrou se afastando.
Lúcia correu e abraçou Emilie apertado, e seus irmãos fizeram o mesmo. Todos sentiriam falta dela, mas ficaria guardada em suas memórias e coração.
— Se cuide — Susana afagou suas costas.
— Vocês também. Edmundo, de olho nele — apontou para Pedro soltando uma risada.
— Pode deixar!
Encarou o loiro e voltou a abraça-lo, trocando um beijo lento e demorado. Não precisavam mais de palavras, o gesto já falava por si só.
— Irão atravessar juntos, mas cada um retornará a seu tempo — Aslan explicou.
Emilie segurou na mão de Pedro, um aperto forte, o medo sobre os dois. A árvore se abriu, um portal de volta para o seu mundo ali. Susana, Edmundo e Lúcia atravessaram primeiro.
O casal hesitou por um momento, até que trocaram um último olhar e entraram naquele portal. No momento em que atravessaram, ambos não sentiam mais a mão um do outro ali.
Pedro havia retornado a estação de trem com seus irmãos, e as lágrimas voltaram a cair. Seus irmãos ficaram surpresos ao vê-lo chorar por uma garota.
— Ela nunca te esquecerá — Lúcia consolou o irmão que sorriu.
Emilie retornou ao seu quarto a onde havia atravessado o espelho para retornar à Nárnia, havia um sorriso triste em seus lábios assim como no de Pedro.
Tocou o anel no mesmo momento em que ele tocará o colar em pescoço. Em tempos diferentes, mas o amor que sentiam um pelo outro permaneceria mesmo que nunca mais retornariam a ver um ao outro.
E mantinham a esperança que um dia encontrariam alguém como um ao outro.
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