The secrets about me
16 Muita coisa está por vir
Notas iniciais
POV Leonard
Abro os olhos e vejo Daven dormindo ao meu lado, sua mão está sobre a minha. Me mexo e acabo por acorda-lo.
— Ei, acordou? — ele pergunta. Percebo que está com olheiras, parece cansado.
Não o respondo, apenas continuo a observá-lo, como senti falta dele. Vejo que seu cabelo cresceu, sua barba está por fazer, o deixando ainda mais lindo. Seus olhos me observam atentamente como que por medo de me perder, sei que seu olhar reflete o meu.
— Como... está aqui? — pergunto confuso.
Antes que ele possa me responder a porta é aberta e vejo Maree.
— Leonard! — ela diz vindo em minha direção e me abraça. — Está tudo bem? Tem algum lugar doendo? — retribuo o abraço, notando o quanto senti falta dele.
— Está tudo bem. — respondo ainda confuso.
Ficamos em silêncio por um momento, analiso minha irmã, ela também está com olheiras profundas.
— Acho que vou deixar vocês sozinhos por um momento. — Maree fala já se retirando.
— Espera. — a chamo e ela se vira. — Você não quer ficar a sós com seu namorado? — dói demais.
Eles se olham confusos.
— Ele ainda está vindo. — ela responde, é minha vez de os olhar confuso.
— Vocês não...? — começo a perguntar.
Nessa hora batem na porta e um garoto que aparenta ter seus 19 anos entra. Ele beija Maree, me deixando ainda mais confuso. Minha irmã está traindo Daven bem na frente dele?
— O que está acontecendo? — pergunto com o tom de voz mais elevado.
Eu abri mão de Daven por Maree e ela está o traindo?
— Você está bem? — o garoto me pergunta enquanto abraça minha irmã de lado. Noto que ele também está com olheiras.
O que está acontecendo? Por que todos parecem cansados e estão com cara de choro? Por que ao me ver todos fazem a mesma pergunta? E por que tem um garoto agarrado a minha irmã falando comigo como se me conhecesse?
— Eu estou confuso. — falo fechando os olhos para ver se em um passe de mágica tudo vem a minha mente. — Por que você está agarrado a minha irmã e não Daven?
Silêncio.
— Eu e sua irmã terminamos quando nós nos beijamos sem pensar e eu notei ser apaixonado por você. — ele corou ao dizer isso e eu apertei sua mão mais forte.
— E eu não queria admitir, mas já estava apaixonada por Jenn. — os dois estavam se olhando e qualquer pessoa percebia que existia amor entre eles. Entre o cara que descobri chamar-se Jenn e Maree. Mas... por que eu não me lembrava dele?
— Eles namoram, e nós também. — Daven sussurrou.
— Vou chamar papai e mamãe, eles querem ver como você está. — minha irmã fala me tirando de meus devaneios.
— Não! — grito a assustando. — Você não vai chegar perto daqueles monstros. — me levanto e vou em sua direção para impedi-la.
— Leonard, você tem que descansar. Não faz nem dois dias que sofreu um acidente de carro. — Jenn me repreende.
— Não, você não entende! Nossos pais são monstros, não posso deixar que minha irmã se aproxime deles.
Nesse instante, ouço um barulho na porta e vejo meus maiores medos atravessarem a mesma.
— Filho, que bom que você está bem. — a mulher que deixei de chamar de mãe há anos diz.
— Eu não sou seu filho há muito tempo.
Sinto uma dor insuportável, mas não posso me entregar a mesma. Luto e saio da onde quer que eu esteja para a sala no esconderijo.
— Leonard, você está bem? — ainda não consigo ver a pessoa mas reconheço a voz, Jansen.
— Por que motivos todos me fazem essa pergunta? — me surpreendo com a minha voz, ela está baixa como um sussurro.
Jansen ri com a minha pergunta, mas eu não vejo graça alguma.
— Que bom que você está bem.
— Sim, estou. — paro um pouco para respirar, já o consigo ver perfeitamente bem. — Você pode me explicar o que houve? Era como se eu estivesse em um sonho, mas parecia tão real.
— Dimensão. — ele fala muito baixo mas ainda escuto.
— O que? — pergunto, preciso ter certeza do que ouvi. E além do mais não entendo o que aconteceu com uma simples palavra.
— Nada. — ele diz e abre um meio sorriso forçado. — Mas... Quem é Daven? — sinto meu rosto queimar na hora.
— Como você sabe esse nome?
— Você não parou de gritar esse nome. Ele parece alguém importante para você.
— Sim. — abri um sorriso sem perceber.
— Por que nunca falou dele para mim?
— Não queria que você sentisse vergonha de mim.
— Por que sentiria? — dei de ombros. — Fale sobre ele.
— Eu falo sobre ele se você me falar sobre dimensões. O que houve comigo, Jansen? É meu direito saber. — ele hesitou um pouco mas acabou assentindo.
— Certo. Você me conta sobre Daven e detalha o que estava acontecendo...
— Mas eu não sei o que estava acontecendo. — o interrompi.
— Eu quero que você me conte o que aconteceu, quem apareceu, o que fez... — ele me explica. — Você fala sobre Daven e conta detalhadamente o que ocorreu, em troca eu te falo sobre dimensões. — assinto. — Então... — ele fala depois de um momento de silêncio.
— Daven... — começo pensando no que falar sobre ele. — O cara mais perfeito do universo. A pessoa que me encantou desde a primeira vez que vi, desde seus cabelos bagunçados e seus olhares atentos a tudo, até seu jeito responsável e seu bom coração. — parei um pouco pra pensar.
— Você gosta dele. — assenti. — E ele? — dei de ombros.
— Minha irmã gosta dele.
— E ele gosta dela?
— Não sei, sempre achei que ele era como eu. Mas ao mesmo tempo que ficaria feliz caso ele dissesse me amar, ficaria triste por minha irmã.
— Você abriria mão da sua felicidade por eles?
— Sim, eu os amo. Se os dois estiverem felizes juntos, eu também ficarei. Por mais que meu coração fique partido, porque eu amo o Daven! — Sinto algo frio pela minha bochecha, uma lágrima. — Eu o amo desde que o vi e continuarei o amando pra sempre... — mais lágrimas.
Jansen me abraça, um aviso de que ele estará comigo em todo momento. Um silêncio reina sobre nós, ele está me dando tempo para processar o que eu havia acabado de admitir.
Depois de um tempo contei com detalhes o que havia acontecido minutos atrás.
— Eu comecei a sentir uma dor insuportável e lutei para não me entregar a ela, aí eu voltei pra cá. — terminei de contar.
— Certo. — ele disse depois de um tempo. — Agora devo lhe contar sobre dimensões. — assenti. — Primeiramente, você estava em outra dimensão.
{...}
— Dimensão: um universo paralelo em que algo está diferente, modificando tudo. — repeti pela décima vez com o intuito de entender essas palavras.
Jansen saiu logo depois de me dizer isso e falar ainda que alguém deveria ter me levado por algum motivo para aquela dimensão e que aonde eu fui parar não deveria existir poderes e nem vampiros e lobisomens fazendo assim com que meus antigos pais ainda fossem meus pais e que eu ainda estivesse junto de Maree e de Daven.
— Acho bom você dormir. — Miriam disse enquanto entrava no local que eu me encontrava. — Começaremos a ir em direção ao palácio amanhã, é bom que você esteja descansado. — ela falou e então se retirou, sem me dar chance de falar nada.
Acabo adormecendo.
{...}
Acordo com um barulho ensurdecedor.
— Bom dia. — Jansen fala com um desânimo incomum.
— O que houve? — pergunto.
— Só estou cansado. Os garotos da sua idade foram comemorar não sei o que e ficaram conversando alto e deixando coisas cair até tarde da noite. Partiremos hoje e uns 50 jovens estarão com uma ressaca horrível. — começo a rir do seu modo de falar e de suas caretas. — Está rindo de minha desgraça? — ri mais ainda. — Queria ver se fosse você na minha situação. Mas vá... comece a se arrumar que partiremos em breve. — apenas assenti e fiz o que ele mandou.
Partimos. Passamos três dias caminhando, parávamos apenas para dormir e comer. No quarto dia avistamos o palácio de longe.
Continuamos a caminhar, estávamos chegando cada vez mais próximos. Quando faltava cerca de vinte passos longos para chegarmos no palácio, avistamos uma entrada, ela não era a principal, o que talvez nos facilitasse. Fizemos uma barreira com nossos poderes para nos protegermos caso nos atacassem. Enquanto metade de nós sustentavam a barreira, a outra metade tentava abrir o portão.
Conseguimos abrir. Tinham várias pessoas na nossa frente e elas começaram a nos atacar. Continuamos firme com a barreira. Busquei Daven e Maree com o olhar, antes que eu os localizasse ouvi um grito. Tentei localizar o local em que o som vinha e a vi. Levei um susto quando vi o cara da outra dimensão que estava a segurando enquanto ela tentava se soltar e continuava a gritar. Minha primeira reação foi correr em sua direção, mas isso não foi possível já que quando eu ameacei sair da barreira, Jansen me segurou.
— Nem pense. — ele gritou em meio à confusão de modo que eu ouvisse.
— Maree. — falei para ele no mesmo tom, enquanto apontava com a cabeça para o local que ela se encontrava.
— Ela não vai ser atacada, não corre perigo. — ele disse e eu concordei. Se eu saísse correndo e fosse em direção de Maree, todos pensariam que eu a queria matar. Era melhor eu ficar na minha e esperar que tudo saísse da forma que fosse pra sair.
Fechei os olhos por dois segundos e respirei fundo. Muita coisa estava por vir.
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