The pain of love

2 Old and Good Memories


Notas iniciais
Voltei! demorei um pouco, mas estava ocupada com assuntos escolares :33 O que importa é que estou de volta com mais um capitulo. Espero que gostem :33

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E cá estava ela.

Entregando um pedido formal de demissão a Nicolas.

—___

O moreno a encarava totalmente estático. Nunca imaginara aquilo! Ou melhor, não queria nada daquilo.

Ao reler mais uma vez o pedido da ruiva, seu coração se apertou, causando aquela dor aguda mais uma vez, mas dessa vez, dezenas de vezes mais forte.

Ele ainda não entendia o porquê, na verdade estava pouco se fodendo pro porque, o mais importante no momento, era não permitir a saída de Julieta.

—

— Por que esse pedido tão repentino Juli? — A ruiva não soube reconhecer os sentimentos contidos naquela frase, talvez porque os mesmos nunca haviam sido dirigidos a si. Em nenhum momento.

—

— Apenas decidi seguir meu sonho de cursar pedagogia. — Respondeu sem nenhuma emoção na voz, no entanto não era mentira. Era aquele um sonho antigo, abandonado quando a mesma decidiu ajudar o moreno a sua frente se tornando sua secretária e braço direito na empresa.

Mais um sonho abandonado por ele.

Ah! Haviam sido tantos!

—

— Não tem como eu te convencer a ficar? — Perguntou Nicolas com certas esperanças, ele realmente não queria que ela fosse.

A ruiva deu um sorriso amargo.

—

— Na verdade não, ordens médicas. — Com isso puxou outro papel da bolsa, revelando um atestado que dizia que Julieta vinha sofrido stress por causa do excesso de trabalho, e que isso não estava fazendo bem a sua saúde, física e mental. Sentiu-se traído quando viu a assinatura de Charles no atestado.

—

— Se quiser, diminuo seu horário de trabalho, na verdade, te dou mais folgas durante a semana, basta pedir Juli. — Julieta apenas negou, agora com um sorriso forçado, estendeu a mão para que Nicolas a apertasse. O moreno se recusou.

Levantou de sua cadeira e num impulso abraçou a amiga.

—

— Juli, não vá, eu preciso de você, eu realmente preciso. Você é a pessoa mais confiável que alguém poderia ter ao lado. Você... É a minha melhor amiga, quase uma irmã. — Nicolas disse cada palavra, com o objetivo de convencer a ruiva a ficar.

Longe disso.

Julieta se afastou de maneira quase violenta do moreno, que pareceu surpreso, mas não tanto quanto ficou depois de sentir uma forte ardência no rosto.

Ela havia lhe dado um tapa.

—

— Eu não posso acreditar que você ainda tem a capacidade de dizer isso pra mim, Nicolas: Você é cego? Durante anos eu estive ao seu lado! Consolei-te quando sua mãe morreu te dei apoio quando sua avó se foi logo em seguida. Ajudei-te a superar essas duas perdas e ainda tentei suprir a ausência do seu pai que estava simplesmente se afogando no trabalho, nunca sai do seu lado! Nem quando você se tornou um enorme babaca egoísta na época do colégio, quando desprezou a todos, inclusive a mim. Também te ajudei a conseguir o perdão dos nossos amigos. Eu desisti do meu Sonho de ser pedagoga para te ajudar nos negócios da Sua família, me mudei para Londres e deixei minha irmã e meu pai para trás, apenas para te ajudar a crescer no mundo dos negócios. Eu abri mão de tudo para estar ao seu lado! — A ruiva gritou sem dó, despejando todo o sofrimento e dor que tinha.

Nicolas sabia de tudo aquilo, óbvio que sabia. Era exatamente por isso que Julieta era tão importante para si. Ela nunca havia desistido de si, fora ela quem estivera sempre ali, Sempre. A ruiva abrira mão da própria vida por ele.

Mesmo assim, ouvir aquelas duras verdades era mais doloroso do que o tapa que levara. Receber o olhar cheio de tristeza e solidão da amiga piorava tudo.

Ele se sentia o pior dos lixos, a escória do mundo.

Provavelmente era.

—

— Eu sei! Sei de tudo Juli, e é por isso que eu preciso de você, da minha amiga... — Foi brutalmente interrompido por uma secretária eletrônica que passara a milímetros da sua cabeça e indo de encontro com a parede de maneira ruidosa.

—

— Pare de repetir essa palavra! Nicolas eu te amo! Sempre te amei, durante todos esses anos! — Agora as lagrimas escorriam dos belos olhos lilases de Julieta.

O moreno pareceu entrar em choque.

Nunca lhe passara pela cabeça a simples hipótese da ruiva o amar.

Então, basicamente durante anos, ela o vira com outras garotas, o vira ficar com sua antiga amiga de escola.

Naquele dia a uma semana...

Tudo aquilo era novidade para si.

O motivo de toda aquela dor, tristeza, amargura...

Era ele.

Como pudera ser tão insensível?

Julieta respirou fundo, retomando o controle sobre seus sentimentos.

Ela já estava indo embora mesmo, então qual seria o problema em jogar tudo para o alto? Na verdade, havia sido libertador.

Colocando novamente sua mascara de indiferença, Julieta pronunciou as palavras que ficariam na mente de Nicolas por um bom tempo.

—

— Adeus senhor Gold. — E saiu. Deixando para trás um moreno completamente atordoado.

Pior.

Desesperado.

Como não percebera antes? Como pudera ser tão cego!

Ele a fez sofrer durante todos aqueles dias, ou melhor, anos.

Não era surpresa que um dia a ruiva se cansaria.

Afinal, até mesmo ela tinha ao menos um pouco de dignidade e orgulho.

O pior de tudo não era nem a culpa.

Era a dor.

A dor imensa que sentia no fundo do seu peito.

Como se seu coração tivesse sido pisoteado, esmagado e quebrado em milhões de pedaços.

Solidão, arrependimento, amargura, tristeza, desespero.

Estes eram só alguns dos sentimentos obscuros de Nicolas.

Entre eles...

Amor.

Um amor perdido.

Na verdade, um amor que acabara de sair pela porta.

Ele só não havia se dado conta ainda. Pelo menos não até aquele momento.

Nicolas pensou em correr atrás da ruiva, mas desistiu logo em seguida. Seria muito egoísmo de sua parte, sem falar que ainda nem sequer sabia o que era aquele turbilhão de sentimentos em seu peito.

Suspirou e segurou as lagrimas que provavelmente logo desceriam aos milhares. Lembrou-se automaticamente dos bons tempos de criança.

Flashback

Quatro crianças brincavam em um imenso jardim de uma grande mansão. Para ser mais especifico, três garotos, um moreno de olhos verde-água, um moreno de olhos azuis céu, e um loiro de olhos castanho mel. Com eles uma garota de cachos ruivos e olhos em tom lilás acinzentados.

Os quatro corriam sem parar pelo imenso jardim, sem nunca se importarem. Um homem moreno de olhos castanhos apareceu na varanda com um olhar severo.

—

— Nicolas, não me recordo de permitir que trouxesse amigos para casa. – Disse o homem para o garoto igualmente moreno, o pequeno parecia agora incrivelmente desanimado. A menina ruiva se aproximou rapidamente.

—

— Não foi culpa dele senhor Gold, eu insisti muito e tia Sarah disse que não haveria problema. Sinto muito por minha inconveniência. – Disse a criança com tamanha educação que até mesmo o mais velho ficou perplexo. O mesmo ao encarar a menina nos olhos perguntou:

—

— É filha de Elliot Sagesse, estou certo?- A pequena sorriu e assentiu varias vezes.

—

— Sou Julieta Sagesse senhor Gold, meu pai já me falou muito sobre o senhor, muito prazer em conhecê-lo. – O mais velho sorriu para a pequena. Praticamente uma cópia da mãe, tanto em aparência quanto em personalidade.

—

— Também é um prazer conhecê-la Julieta, não se preocupe não há problema algum, apenas quero que meu filho me avise da próxima vez. – Disse Albert Gold, lançando um olhar mais suave e compreensivo ao garoto, que se surpreendeu, já que o pai raramente o olhava com tanto carinho. Teria que agradecer a amiga mais tarde por ter acalmado seu pai, e provavelmente lhe livrado de um grande castigo.

Quando o pai entrou, o pequeno deu um grande sorriso para a ruiva e agradeceu.

Julieta apenas deu-lhe devolveu com um amigável e inocente.

— Seis anos depois –

Ambos tinham doze anos.

A mãe de Nicolas, Sarah, uma incrível mulher havia falecido a apenas um ano, e lá estavam eles, enterrando a querida avó do moreno.

O garoto chorava.

Seus amigos não se atreviam a se aproximar, afinal, não sabiam o que dizer ou fazer. O Nicolas brincalhão, alegre e travesso havia sumido. Tudo o que tinha ali era um garoto desolado e sozinho.

O pai de Nicolas estava tão arrasado quanto o filho, perdera a amada e agora a própria mãe. O adulto se encontrava isolado em um canto com alguns amigos sussurrando palavras de conforto.

Julieta se aproximou.

Sempre era ela a dar o primeiro passo.

O moreno se virou meio surpreso para a amiga, que também mantinha um olhar tristonho, não só por ter uma boa relação com ambas, a mãe e a avó do amigo, mas também por vê-lo em tal estado.

Ela fez o que qualquer um daquele local deveria ter feito.

O abraçou.

Era tudo o que Nicolas queria, era tudo o que ele precisava.

Julietaera tudo o que ele precisava.

Nicolas só não havia percebido ainda.

— Quatro anos depois –

Dezesseis anos. Já eram adolescentes.

Depois do velório da avó, Julieta esteve sempre ao lado do amigo, o ajudando, consolando, mesmo que a ruiva tivesse seus próprios problemas familiares. Afinal sua mãe morrera a dez anos, no dia em que dera a luz a sua irmã mais nova. Coube a Julieta cuidar da recém nascida ao lado do pai, já muito ocupado com o trabalho.

Nicolas sabia disso, muito bem por sinal, mas apenas acontecia de Julieta sempre estar ali ao seu lado. Ele já estava acostumado. Muitas vezes o moreno até mesmo esquecia de que a amiga também tinha seus próprios problemas, quando lembrava, perguntava a mesma que fazia pouco caso dos próprios demônios internos.

Ela nunca reclamava dos seus problemas, com ninguém.

Ele já deveria saber daquilo, já deveria estar atento.

Mas novamente, pela milésima vez naquela vida, ele ignorou.

Normalmente, em um romance clichê seria esse o momento em que o moreno supostamente descobrisse que estava apaixonado pela melhor amiga e vice-versa. Que uma linda história nasceria e que o futuro deles juntos já estaria completamente traçado pelo amor. Ledo engano.

O pai de Nicolas havia se tornado totalmente alheio a assuntos que não envolvessem seu trabalho. De certa forma o filho também estava incluído nessa lista.

O moreno fazia de tudo para chamar a atenção do pai, havia se tornado um rebelde na escola, vivia em detenção, cabulava diversas aulas, saia com qualquer rabo de saia e tinha péssimos amigos.

Não aqueles que estavam no velório, mas sim membros do time de futebol americano, os populares, patricinhas esnobes e etc.

Aqueles amigos de infância haviam sido totalmente escorraçados da vida de Nicolas. Na verdade ou eram esnobados e ignorados pelo moreno ou se tornavam seu alvo de insultos, piadinhas e brincadeiras de mau gosto. Julieta fazia parte do segundo grupo.

Claro, Nicolas não gostava realmente daquilo, mas na mente de Adolescente babaca e rebelde do moreno, aquilo era necessário. Nem por isso Julieta desistiu dele. Pelo contrario.

Mesmo que a ruiva tivesse deveres de casa, compromissos ou até mesmo que buscar a irmã na escola, ela sempre encontrava um momento em sua apertada agenda para ir até a casa dele, tentar por um pouco de juízo na cabeça de Nicolas. Quase sempre o mesmo se encontrava fora, se recusava a recebe-la ou até mesmo a mandava embora, sem nenhuma explicação.

Ele sentia-se envergonhado e indigno de sequer encarar a amiga de infância e sabia muito bem que se a deixasse entrar em sua vida novamente, acabaria por leva-la junto naquele caminho sem volta que estava tomando em sua vida. E isso era algo que ele definitivamente não queria. Machucar e prejudicar Julieta.

A ruiva fora obrigada a marcar uma reunião na empresa do pai do amigo, para falar com o mesmo. Contou ao mais velho todos os acontecimentos, detalhadamente, praticamente jogou na cara de Albert as verdades nuas e cruas da vida. O mesmo se obrigou a ouvir tudo calado, pois mesmo sendo mais velho, tinha imenso respeito por Julieta. O fato de ela ser filha mais velha de seu melhor amigo também ajudava e muito.

Depois disso, falar com Nicolas e reatar o relacionamento de pai e filho fora fácil. Até mesmo havia conseguido convencer seu grupo de amigos a aceitar o moreno de volta. Graças a ela. De novo.

—

— Promete que não vai voltar a ser um babaca como há duas semanas? – Perguntou Charles ao antigo melhor amigo.

—

— Prometo. – Disse o moreno com sinceridade. Era claro para todos que o amigo estava terrivelmente arrependido. Para descontrair o clima, Thomas perguntou:

—

— Podemos cada um te dar um soco se quebrar a promessa? – Nicolas gelou, riu nervosamente e ao receber uma leve cotovelada da ruiva ao seu lado, sorriu, apenas devolvendo a pergunta com o acenar de cabeça. Julieta gritou em alegria, logo contagiando a todos.

—

— Vamos comemorar em uma pizzaria, por conta do Nicolas claro. – Disse a ruiva, todo o grupo riu e seguiu em direção a habitual pizzaria. O moreno a encarou com descrença, mas logo também se contagiou com a alegria do grupo, principalmente pela alegria dela. Era ela quem conseguia levantar o seu astral, não importasse a situação.

Na verdade, era sempre ela. Em todo e qualquer momento. Era ela.

Nicolas só não havia percebido.

— Cinco anos depois –

Penúltimo ano de faculdade.

Julieta havia se mudado há três anos com ele para Inglaterra, para acompanhá-lo em Oxford. Deixou o pai e a irmã para trás. Alguns outros vieram juntos, como Thomas, Charles e Alice. Dylan havia ido para França. Samantha ficara nos Estados Unidos.

A ruiva havia conhecido uma boa amiga, Kate, sua colega de classe na faculdade. Nicolas e ela já estavam no fim do estagio em uma das filiais da corporação Gold.

Tudo estava indo as mil maravilhas.

Para Nicolas, é claro.

Afinal, o moreno havia conquistado uma das garotas mais belas, desejadas e difíceis de Oxford. Agatha. Uma “amiga” de Julieta, que aparentava desde o começo daquela “harmoniosa” amizade, ter interesse em Nicolas.

O moreno sem nenhum tato pediu a ajuda da ruiva que concordou na hora em ajudar o “irmão de criação”.

Fora um dos momentos mais dolorosos para Julieta. Não que na época Nicolas tivesse percebido.

Agora ele sabia.

—- Fim do Flashback –

Tais lembranças o quebraram ainda mais. Revendo tudo desde o inicio, ele pode enfim ver o quão claro e obvio eram os sentimentos da ruiva que nunca lhe disse nada com palavras, mas os gestos, os olhares, tudo parecia demonstrar os sentimentos dela por si. Mas ele havia sido burro demais, egoísta demais, mimado demais para perceber qualquer coisa que não fosse parte da sua própria felicidade.

Ele precisou perder aquilo o que mais valorizava, o que mais amava, para perceber o quão cego havia sido.

Precisou perder de vista a melhor mulher que já conhecera, para perceber que na verdade... A amava. Não como irmã, amiga, mas como mulher.

Sim, precisou desperdiçar dezoito anos de sua vida, para perceber que ele era apaixonado por Julieta. Para perceber o quanto ela era importante e especial para si, o quanto ela era uma mulher incrível por ter suportado dezoito anos de sofrimento ao seu lado.

O moreno pegou o celular, discando rapidamente o número da ruiva, com se sua felicidade dependesse daquilo.

Provavelmente dependia.

Ela não atendeu, nem a próxima, nem as dezenas mais.

Correu para o apartamento de Julieta para ser barrado pelo porteiro.

—

— A senhorita Sagesse saiu daqui com varias malas, disse que estava a dias planejando voltar para os Estados Unidos para ficar com a família. – Respondeu o amável porteiro, até mesmo ele sabia mais sobre a atual ruiva do que Nicolas.

Ele saiu do prédio, pronto para ir ao aeroporto que o senhor havia o indicado, quando foi barrado por Charles.

—

— Charles, me deixe passar, eu Preciso ver Julieta antes que ela... – O loiro apenas fez sinal para que o amigo se calasse.

—

— Sei o que pretende fazer, por isso estou aqui, sei também que finalmente percebeu que o que sente por ela vai muito além do afeto e carinho de amigos, mas confie em mim, é melhor que a deixe ir. – Disse Charles com calma.

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— Como assim? – Perguntou o moreno em desespero, até mesmo seu melhor amigo sabia, e não lhe contara.

—

— Se aparecer lá, o Thomas vai lhe dar vários e vários socos, sem falar que: Não quero ver Juli sofrendo ainda mais por sua causa. Ela se trancou durante uma semana no apartamento depois da cena que viu no escritório. Ficou totalmente desolada. Voltar para casa é o melhor para ela agora, sem falar que, a família precisa dela muito mais do que você. – Nicolas ouviu a tudo calado. O loiro a sua frente estava certo, ele tivera sua chance, na verdade, tivera muitas chances. Dezenas, centenas, milhares de chances para concertar tudo, para ser feliz ao lado da ruiva.

Ele soltou um riso sarcástico e desgostoso.

—

— Sabe Charles, não há nenhum homem nesse mundo que desperdiçou chances para ser feliz do que eu, não é? – Um sorriso tristonho surgiu nos lábios do amigo, que apenas assentiu desgostoso.

Naquele momento, não parecia haver homem mais azarado e cego do que Nicolas Gold.

Notas finais
Espero que tenham gostado :33 Aguardo e anseio por comentários (Criticas ou sugestões são muito bem vindas)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.