The only way

1 Photograph


Notas iniciais
Olá! Esse capítulo foi inspirado na música Photograph do maravilhoso Ed Sheeran, tanto que encontrarão trechos dela traduzida ao decorrer do capítulo e também uma pequena modificação na letra. Enfim, boa leitura!

Nós éramos o vento, entusiasmo e alegria. Nós, os cinco melhores amigos. Elena, Thomas, Finn, Gracie e eu, Alice, corríamos loucamente pelo bosque em uma brincadeira sem sentido. Fui a primeira a desistir, deitei com as costas na grama macia e passei a observar o céu. Não demorou muito para os outros se juntarem a mim.

– Somo infinitos. – Eu disse após alguns minutos, quebrando o silêncio.

– O quê? – Finn riu de mim como se eu tivesse falado Árabe.

– É. Somos infinitos. – Elena concordou.

– Acho que vocês estão meio loucas, fumaram alguma coisa? – Gracie brincou.

Todos rimos e o silêncio voltou a dominar o local.

– Já pensaram que há muitos anos atrás cinco amigos poderiam estar exatamente aqui olhando para o céu? – Eu disse fitando as nuvens.

– E agora estão todos mortos nos observando. – Thomas se manifestou.

– Nossa Thomas, era melhor não ter falado nada. – Gracie riu e nós a acompanhamos.

– E se a gente tirasse uma foto? Seria legal guardar esse momento. – Elena sugeriu.

Nós concordamos e tiramos a foto. Após isso, caçamos gravetos e fizemos uma fogueira. Finn pegou seu violão e começou a cantar.

“Nós mantemos este amor numa fotografia

Nós fizemos estas memórias para nós mesmos

Onde nossos olhos nunca se fecham

Nossos corações nunca estiveram partidos

E o tempo está congelado para sempre”

Abro os olhos e tudo que sinto é escuridão. A faca já furava minha barriga, mas eu não tenho coragem para ir em frente. Tudo que eu quero é estar com eles, mas eu os perdi. Largo a faca e as lágrimas começam a percorrer meu rosto. Eu não consigo mais. Não quero todos os dias fechar os olhos e ter a mente invadida por nossas memórias. Eles se foram, estão todos mortos. Posso lembrar-me perfeitamente de seus gritos na casa em chamas. Foi horrível.

Entretanto, ainda somos infinitos, não somos? Vamos sempre ser. Pego a foto que tiramos aquele dia no bosque e lembro os últimos versos da música.

“Então você pode me guardar no bolso do seu jeans rasgado

Me abraçando perto até nossos olhos se encontrarem

Você nunca estará sozinha

Me espere para voltar pra casa

Pois nós somos infinitos.”

☆

Abro os olhos e eles começam arder por conta dos raios solares que invadiam meu quarto. Ótimo, mais um belo dia de sol. E quem liga pra isso, não é? A vida é uma droga mesmo. Sento-me na cama, colocando os pés no chão frio e só então percebo a faca. Pego-a do chão e observo. Por que eu não consigo? Por que não consigo simplesmente colocá-la na minha barriga? Seria tão mais fácil e eu estaria com eles, onde quer que seja. Eu estaria com eles de novo. Guardo a faca em baixo de algumas roupas no guarda roupa e vou para o chuveiro, depois me arrumo e desço para o café da manhã.

– Bom dia! – Minha mãe disse animada, ou pelo menos tentou fingir, por mim.

– Olá. – Respondi seca.

Sentei-me na mesa e comecei a comer.

– Dormiu bem? – Não, ela não queria saber se eu dormi bem, ela queria saber se eu tentei me matar de novo com remédios ou algo assim, como já havia tentado antes.

– Claro. – Minhas respostas eram sempre assim, curtas e claras.

– Ótimo. – Ela fingiu um sorriso e ficou me encarando, como se estivesse receosa de dizer algo. – Hoje é o dia do seu psicólogo.

– Eu não preciso de psicólogo. – Eu odiava aquele cara, ele sempre me fazia sentir mal, me lembrar de coisas que eu luto todos os dias para esquecer.

– Sim, Alice, você precisa, faz um ano e meio que seus amigos se foram e você... – Ela parou como se tivesse dito algo proibido.

– Mãe, não preciso de um psicólogo. – Virei o copo de suco e peguei minha mochila. – E não precisa ficar com medo de mencionar a morte deles, eu sei disso, não é como se fosse uma tortura pra mim ouvir isso. – Na verdade, até que era, mas eu estava acostumada com a dor.

Saí sem dizer mais nada e parti rumo à minha nova escola. Éramos só eu e minha mãe. Sempre fomos só nós, meu pai é um canalha que não me liga nem no meu aniversário. Nós já nos mudamos umas três vezes de cidade, ou seja, eu não tinha amigos e era isso que mais preocupava minha mãe, eu não tinha ninguém além dela, que vivia trabalhando – o motivo das nossas mudanças. Ela ficava com medo de eu me matar por não ter amigos, já que tinha dezesseis anos e uma garota na minha idade, uma garota normal, devia ter muitos amigos.

Cheguei em frente ao prédio e alguns alunos já entravam apressados, enquanto outros não estavam nem ligando. Bem, então é isso, mais um ano está começando. Mais um maldito ano. Coloco os pés no gramado bem aparado do colégio e dou o primeiro passo para minha tortura.

Notas finais
Esse capítulo foi meio curto, mas o próximo será maior, prometo aslçkas. Espero que tenha gostado!Beijos, Gabs.