The only treasure
3 A Família
Notas iniciais
Acordei com a vibração do celular na mesa de vidro. Estendi o braço e atendi:
[Ace]-Ãhn... Alô. Alô.
[Sabo]-Olá, Marilene!
[Ace]-Em primeiro lugar, que horas são?
[Sabo]-São 8h30, horário local. O Plantão SaboNews informa: O senhor foi convocado para o almoço de domingo lá em casa.
[Ace]-Você precisava mesmo me ligar cedo pra falar do almoço?
[Sabo]-Hmm... Não. Mas eu não seria seu irmão se não arrumasse um jeito de incomodar você. De qualquer forma, é ordem da Koala.
[Ace]-E por que ela não mandou uma mensagem ao invés de ligar tão cedo?
[Koala]-Ai cunhado, larga de ser tão ranzinza. Primeiro, bom dia. Segundo, eu não tenho culpa do horário.
[Ace]-Dia. Ah, suspeitei que fosse coisa do Sabo. Mas é que eu tô com um agravante aqui em casa.
[Koala]-Mas, de acordo com o nosso combinado, é nossa vez de fazer o almoço de domingo.
[Ace]-Não é isso. É que eu tenho visita em casa.
Não devia ter falado aquilo. O silêncio imperou do outro lado da linha:
[Ace]-Sabo, se você estiver sequer pensando em rir disso, lembre-se que você tem piscina em casa e que eu posso afogar você. E Koala, você também.
[Koala]-Mas eu não estou rindo. O Sabo sim.
[Sabo]-Amor!
[Koala]-Estou calada por estar impressionada. Seja como for, leve ela também! Vai ser um prazer conhecê-la.
[Sabo]-Vou comprar um troféu pra ela de melhor domadora de animais.
[Ace]-Ela não é minha namorada, se é o que querem realmente saber.
[Sabo]-Oh não, vamos passar por um túnel! A...lig....cort....Depois...li...ga...
Desliguei a chamada e levantei do sofá. Fui ao banheiro e lavei o rosto. Reparei que a porta do quarto estava aberta, e havia luz vindo da janela. Presumindo que ela não estava lá, entrei vistoriando o quarto. Tudo estava arrumado e intacto. Chequei minha gaveta de pertences, que estava em perfeitas condições. Saí e fui para a cozinha arrumar o que comer.
Parei um pouco antes da mesa ao perceber movimentação lá dentro. Cheguei mais perto sem fazer muito barulho e encostei no marco da porta. Ela estava distraída com a chapa na boca do fogão enquanto parecia balançar seu corpo no ritmo de alguma música em espanhol. Fiquei admirando ela, na ponta dos pés, tentando olhar o coador de café e ao mesmo tempo a chapa no fogão:
[Ace]-Eu tenho direito a dizer que essa foi a melhor parte do dia?
Rapidamente, ela parou:
[Bonney]-A-ah, oi Ace! E-eu nem vi você aí. Há quanto tempo tá parado aí?
[Ace]-Tempo o bastante pra ter visto você dançar sozinha enquanto cantava alguma coisa. E não tem problema em ficar com vergonha... Já sei que seu rosto tá tão vermelho quanto...
[Bonney]-Você tava olhando pra minha calcinha?
[Ace]-Não.............muito... -sorri, sem graça- Desculpa.
Ela bufou e se virou:
[Bonney]-Homens.
[Ace]-Vai me impedir de admirar uma coisa perfeita assim? Não é todo dia que eu vejo uma obra de arte dentro de casa.
Ela se virou e correu pra me abraçar:
[Bonney]-Idiota. Pare de dizer tantas mentiras.
Eu a abracei contra meu peito:
[Ace]-Tô não. O café tá pronto?
[Bonney]-Aham. Seu interesse era na comida, seu miserável?
[Ace]-Ér... No início era. Mas mudou completamente.
A ajudei a arrumar a mesa e nos sentamos pra comer:
[Bonney]-Eu não sei se está do seu gosto, mas eu tentei fazer o melhor pra retribuir o café que você levou pra mim. Além disso, eu preciso fazer alguma coisa pela casa, né....
[Ace]-Que bobagem a sua. Você já faz muito ao quebrar a monotonia que é aqui. Não preocupa com coisa pequena.
[Bonney]-O que achou?
[Ace]-Não tomo um café tão bom desde o de mãe. Nem o meu chega perto disso aqui!E olha que eu me vanglorio bastante. Acho que mamãe deve ter te ajudado a fazer o café.
[Bonney]-Mas eu fiz tudo sozinha. Como ela poderia...
[Ace]-Ela não sobreviveu ao parto. Mamãe é espectadora do mundo agora.
Ela ficou em silêncio e desviou o olhar para a mesa:
[Bonney]-Ah... Desculpa. Eu não sabia.
[Ace]-Relaxa. Nunca tive problemas com isso. Por falar nisso, você quer sair hoje?
[Bonney]-Como assim?
[Ace]-Bom... Eu quero que você conheça a minha família. Bom, pelo menos a parte idiota dela. E mais cedo um dos meus irmãos me chamou pra almoçar na casa dele. Ah, e ele exigiu que você fosse.
[Bonney]-Ma-ma-mas você fa-fa.... Por que falou sobre mim? Eu achei que...
[Ace]-Tsh. Por que não falaria? Você não é um encosto. Eu gosto de você.
O rosto da garota ficou vermelho outra vez. Me projetei sobre a mesa e beijei sua testa:
[Ace]-Vá se arrumar. Há probabilidade de ficarmos para a noite lá, então não esqueça de arrumar algo a mais. Na parte de cima do armário tem uma mala, use-a. Vou dar uma jeito nisso aqui. -e sorri, enquanto encarava os olhos arregalados dela
Ela se levantou quase como um robô e foi para o banheiro. Tirei tudo da mesa e fui lavar a louça. Comecei a assobiar uma música instrumental que eu conhecia. Cerca de 20 minutos depois, ouvi meu nome ser chamado:
[Bonney]-Ace... Será que você pode me dar uma opinião?
[Ace]-Claro. Que é?
[Bonney]-Saia daí e venha ver.
Dei quatro passos pra trás e virei a cabeça para a direita. Ela estava... Linda. Arregalei os olhos. Com um vestido de cor clara, sandálias marrons e óculos escuros na testa, ela estava simplesmente:
[Ace]-...encantadora. E-eu... Eu não sei o que dizer. Sério.
[Bonney]-É suficiente pra conhecer seus irmãos?
[Ace]-Pera... Você tá mesmo preocupada com aparência? Pro Sabo e pro Luffy?
[Bonney]-É... Já que fizeram tanto caso que eu fosse, acho melhor não decepcionar.
[Ace]-Quem deve reparar na sua roupa é a Koala e olhe lá. Sabo deve dizer algo como: "Vejo que você está muito bem vestida." e o Luffy vai dizer: "Oi!". Eu só tenho uma pergunta a fazer.
[Bonney]-Sim, eu me vesti assim por você. -e desviou o olhar para o vaso de flores da mesa
Fiquei sem palavras por um momento, restando apenas sorrir como forma de gratidão. Sequei as mãos e fui para o quarto me arrumar. Pouco tempo depois, saí com a mala no braço e a chave do carro girando no indicador esquerdo. Conferi a segurança da casa e saímos. Assim que tomamos o rumo da rodovia, meu celular mais uma vez tocou e eu atendi pelo volante:
[Ace]-Linha Presidencial.
[Luffy]-Aceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!
[Ace]-Diz aí irmãozinho. É pra buscar você?
[Luffy]-Sabo me buscou. Você já vem?
[Ace]-Hmm... Meia hora, mais ou menos.
[Luffy]-Você vai dormir aqui?
[Ace]-Pelo visto, né... Conhecendo muito bem a Koala, ela não vai deixar que a gente vá embora.
[Luffy]-Ahn... Tá. Até.
Desliguei e reconfigurei para o rádio:
[Bonney]-Quantos irmãos você tem?
[Ace]-Somos 3. Nenhum de sangue.
[Bonney]-E como se conheceram?
[Ace]-Ah... Longa história. Meio que a gente foi criado na mesma casa, no interior. A mulher que cuidou da gente se chama Dadan. Quem me levou pra lá foi o avô do Luffy, que acabou levando o Luffy anos mais tarde. No começo, éramos só eu e o Sabo. Não confiávamos e nem gostávamos do Luffy, mas por alguns eventos, acabamos criando laços e hoje tamos aí... Acho que já são quase 15 anos de irmandade.
[Bonney]-Mas e seus pais?
[Ace]-Não conheci nenhum dos dois. Lembro por vultos do rosto da minha mãe.
[Bonney]-Mas você tinha dito que nunca tomou um café tão bom desde o da sua mãe...
[Ace]-É porque eu nunca tomei um café tão bom em toda a minha vida. Seu café é milhares de vezes mais bem feito que o meu.
[Bonney]-Bobo... Obrigada.
Acabamos em silêncio por um bom tempo, tempo o bastante para chegarmos aos portões do condomínio. Abaixei o vidro e tirei os óculos:
[Porteiro]-Ô grande garoto!
[Ace]-Fala, chefe. O de sempre.
[Porteiro]-É, a dona Koala me avisou que você vinha. E quem é essa?
[Ace]-Ah... Ela é minha acompanhante.
[Porteiro]-Quer dizer que ela conseguiu ajeitar o senhor? Hahaha! Pode passar. Boa estadia aos dois!
Acelerei e segui as ruas de pedra até enxergar duas figuras no portão. Vendo que ele estava aberto, fui entrando e parando perto das árvores. Descemos e logo meus irmãos se aproximaram:
[Sabo]-Muito prazer, meu nome é Sabo. Seja bem-vinda ao meu humilde lar. Sinta-se à vontade. E você é...
[Bonney]-Bonney. Obrigada.
[Sabo]-Você está muito bem vestida.
[Bonney]-Gentileza sua dizer isso. -ela sorriu
[Luffy]-Oi! Eu sou o Luffy!
[Bonney]-Oi Luffy.
[Ace]-Viu? Eu disse que os dois diriam suas frases de efeito.
[Sabo]-O que me importa em saber é: Como você conseguiu fazer o Ace se comportar? Qual seu truque? Você pode revelar?
De repente, uma figura baixinha surgiu e puxou a orelha esquerda do jovem de cartola:
[Koala]-Você pode descobrir assim que terminar de me ajudar lá em cima, moleque.
[Sabo]-Ai ai ai ai ai ai! Amor, tem gente olhando.
[Koala]-Ah, que falta de educação a minha! Perdoe o meu noivo. Eu sou Koala, muito prazer. Venha comigo, vou te mostrar tudo.
[Bonney]-Quer me dar a mala? -ela estendeu a mão até mim
[Ace]-Ah, claro. Pode levar.
Assim que as duas subiram e entraram, os dois começaram a me olhar estranho:
[Ace]-Quê?
[Sabo]-"Oh meu amor, leve as nossas coisas até o nosso ninho de amor. Vamos dormir juntinhos porque meu irmão tem um quarto de casal a mais. Veja como ele é um bom homem" — debochou
[Luffy]-O Ace tá apaixonado?
[Ace]-Calem a boca vocês dois! Não tem nada a ver com isso. Ela só mora lá em casa e dorme no meu quarto. Eu durmo na sala.
[Sabo]-Duvido que você não tenha deitado com ela um momentinho sequer.
[Ace]-Qual o seu problema? Eu consigo ser maduro se eu precisar.
[Sabo e Luffy]-Não consegue.
[Ace]-Nós não transamos. Não somos namorados.
[Sabo e Luffy]-Ainda.
[Ace]-Luffy, você é o que menos pode falar disso. Ou vai me dizer que arrumou alguma coisa com aquela garota?
[Luffy]-Quem, a Hancock? Nah... Ela só me dá carne todo dia. Eu almoço na casa dela.
[Sabo]-Meu irmão dei...
[Ace]-Sabo, é o Luffy. Não exagera.
[Luffy]-O que tem a ver ser eu?
[Sabo]-Esquece.
[Ace]-De qualquer forma, não me façam passar vergonha na frente da Bonney.
[Sabo]-Ah, então admite que tem interesse nela.
[Ace]-Totalmente.
[Luffy]-E ela sabe?
[Ace]-Talvez...
[Sabo]-Deixou explícito?
[Ace]-Ér...
[Sabo e Luffy]-Idiota.
Dei um murro na cabeça dos dois:
[Ace]-VÃO A MERDA, SEUS MALDITOS!
Subimos para a cozinha, que era bem espaçosa, e sentamos na bancada. Sabo serviu cerveja para nós dois e refrigerante para o Luffy. Começamos a conversar sobre a vida e acabamos nos distraindo em meio às bebidas e aos aperitivos servidos, a ponto de nem repararmos na chegada das meninas:
[Koala]-Com licença. -ela pigarreou
[Sabo]-Ah, amor!
[Koala]-Eu posso saber o motivo dos risos que são ouvidos do outro extremo da casa?
[Ace]-Ah... Coisas de homens. Nada que vocês achariam graça e essas coisas.
[Koala]-Tsh. Por favor, não fique assustada com isso. -virou-se para a Bonney, sorrindo sem graça
[Bonney]-Ah, não tem problema. Eu acho que família estraga a gente mesmo.
[Sabo]-Eu gosto dela! Venha cunhada, beba um pouco com a gente.
[Bonney]-C-cunhada? -seu rosto mais uma vez recobriu-se de vermelho
Fiquei calado e fingi conversar com o Luffy, mas atento ao que os dois diriam:
[Sabo]-Sim, claro! Você é parte da nossa família. Quem aguentaria o Ace por mais de 4 horas? Você é uma guerreira exemplar!
[Bonney]-Não entendi. Ele não é insuportável...
[Sabo]-Mas é porquê...
[Ace e Koala]-Sabo, cala a boca!
[Sabo]-Mas eu nem falei nada demais...
[Koala]-Vocês três, sumam daqui. Aliás... Ace, você fica.
[Luffy]-Vamos jogar futebol no videogame?
[Sabo]-Prometo não fazer 7x1 com o goleiro de novo.
[Luffy]-Ei Bonney, você sabe jogar?
[Bonney]-Hmmm... Não...
[Luffy]-Não tem problema. Vem com a gente assim mesmo.
Os três subiram as escadas e foram para a sala. Assim que já não era mais possível ouvir os risos do Luffy, Koala desabafou:
[Koala]-Foi por pouco.
[Ace]-É... Eu achei que o Sabo fosse acabar com a minha fama.
[Koala]-O que diabos ele bebeu?
[Ace]-Érh... Cerveja?
[Koala]-Só?
[Ace]-Hmm... Não.
[Koala]-Suspeitei. Bom, enfim... Eu aproveitei o tour pela casa pra conversar com a garota. Ela me contou que te conheceu em uma pizzaria e você a levou pra sua casa, e que você a trata muitíssimo bem desde então. Ela diz que essa semana foi a mais incrível da vida dela. Ah, e que ela te acha um amor. Você gosta dela, não é?
[Ace]-É impossível mentir pra você, não é?
[Koala]-Ah... Nem é. Só me agradeça.
[Ace]-Agradecer pelo quê?
[Koala]-Vocês vão dormir no quarto azul. Juntos.
[Ace]-Mas o quarto azul é...
[Koala]-É, a outra cama de casal. Vocês não dormiram juntos antes?
[Ace]-Não. Eu ia acabar parecendo um abusador ou sei lá o quê... -comecei a ficar com a respiração pesada e desviar o olhar para os lados
[Koala]-Ace... Você quer namorar com ela, não é?
[Ace]-O que quer que eu diga? Você já concluiu o livro todo.
[Koala]-Bom... Vocês têm uma boa sintonia. Quem sabe não mude alguma coisa quando dormirem juntos. Diga, vocês já se beijaram?
[Ace]-Ela te contou do café na cama?
[Koala]-Sim.
[Ace]-Então.
[Koala]-Só?
[Ace]-Ah... Eu tento arrumar um toda manhã e consigo. Mas nem sempre é um beijo na boca... Porém, ela me abraça muito.
[Koala]-É, ela também ama você. Mas por que você a trouxe pra dentro de casa?
[Ace]-Eu só quis. Parecia alguém que eu conhecia há bastante tempo... Tanto que só foi estranho no primeiro dia. Depois, foi super tranquilo.
[Koala]-Diga... Você vai pedí-la oficialmente?
Puxei a caixinha azul do bolso e pus sobre a bancada:
[Ace]-Aí.
[Koala]-Isso deve ter custado seu baço no mercado negro. -ela fez um gesto de surpresa ao abrir a caixinha
[Ace]-Custou. Mas eu não me importei em pagar caro.
[Koala]-Quer alguma ajuda, tipo um clima mais propício e coisas assim?
[Ace]-Nem precisa. Eu meio que tenho tudo em mente.
Depois da conversa, ela me pediu para ajudar com o almoço. Acabei fazendo. A Koala é uma boa pessoa e, se ela foi com a cara da Bonney, significa que eu não estava errado com o que sentia por ela. Já era hora de avançar um passo naquele relacionamento construído ao acaso e forte como uma parede de diamante.
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