The only exception

1 A única exceção


Sai da faculdade, eram quase onze da noite, entrei no carro, larguei minhas coisas no banco do carona e liguei o som pra tentar esvaziar minha mente de tantos afazeres e preocupações. Olhei no celular e nada, nenhuma mensagem ou ligação. Dirigi de volta pra casa tentando não pensar no pior, mas isso estava difícil, diria até que estava impossível depois de uma semana sem noticias dele.

Cheguei em casa, fui direto para o computador checar os e-mails e as redes sociais, mas também não tinha nada sobre ele, nem mesmo na secretaria eletrônica, nada, nenhuma noticia de meu Henry.

Henry, meu noivo, é um militar recrutado para uma guerra urbana em outro estado havia uma semana que não nos falávamos, nem sequer uma mensagem, um recado, um e-mail, nem mesmo sinal de fumaça dele pra dizer se estava bem ou não. Era só isso que eu precisava saber, se ele estava bem. Pode parecer que não, mas uma semana é muito tempo para quem está trocando tiros com bandidos, na verdade ele já estava lá há seis meses, porém na ultima semana havia ficado incomunicável, graças a isso minha mente estava um turbilhão de pensamentos ruins, mesmo eu tentando evita-los a todo custo. Ocupava-me mais no trabalho, passava mais tempo na faculdade, virava a madrugada fazendo algo para não pensar em bobagens, mas estava muito complicado não pensar que algo bom não estava acontecendo onde ele estava.

Henry havia saído nessa missão absurda contra a nossa vontade, mas fazer o que, ele é militar e como ele mesmo dizia, ordens são ordens, é preciso cumpri-las. Mal via a hora dele voltar, para continuarmos nossa vida e nossos planos para o futuro, antes de viajar ele havia me pedido em casamento e eu não via a hora dele voltar para podermos planejar nossa vida juntos.

Fui pra cama tentar dormir, embora soubesse que por mais uma noite, mesmo estando exausta, não conseguiria, e foi assim que aconteceu, quando consegui pegar no sono o dia já estava clareando, bem perto da hora de acordar novamente. Arrumei-me para o trabalho, não tinha vontade de comer, mas tentei engolir ao menos um pouco de café para me manter acordada, e fui para mais um dia corrido no laboratório e mais um dia cansativo no mestrado da faculdade. Assim que entrei no laboratório Nessa, uma amiga, veio ao meu encontro, parecendo muito preocupada.

- Luna, quanto tempo tem que você não dorme?

- Uma semana talvez, mas isso não importa Nessa, estou ótima. — Respondi mal humorada.

- Não, você não está nada bem, já se olhou no espelho parece um zumbi de pé. Não pode vir pra cá nesse estado Luna, não vai te fazer bem, volte pra casa e descanse.

- Não vou voltar ficar em casa é o mesmo que morrer aos poucos esperando por noticias dele, noticias que nunca chegam você não entende Nessa, meu coração dói só de pensar no que pode ter acontecido. Prefiro ocupar minha mente aqui no laboratório com trabalho e cálculos do que em casa com besteiras.

- Vai acabar se matando desse jeito, não dorme, mal come, sei que está desesperada, mas não pode ficar assim, tem de reagir Luna.

- Pra você é fácil falar.

- Não é não, você é minha amiga, não quero vê-la triste desse jeito.

- Não vou voltar pra casa Nessa, já disse. – Ela suspirou derrotada

- Já que está aqui, e é teimosa o suficiente pra ficar e não ir embora vamos ao trabalho, pra variar isso aqui hoje está uma loucura. – A última frase de Nessa foi em tom de ironia, mas eu já sabia, era sempre assim no laboratório, todos os dias, ficávamos de pé da hora que chegávamos até a hora de ir embora, mas até que era divertido e interessante.

Pra minha felicidade, tinha tanto trabalho pra fazer que por alguns instantes consegui esquecer do que realmente me preocupava, mas não por muito tempo, a imagem do rosto de Henry sempre voltava a minha mente. Quando deram cinco horas da tarde me despedi das pessoas do laboratório e fui embora com Nessa para a faculdade, ela fazia o mestrado junto comigo então íamos juntas todos os dias. A faculdade foi como sempre, aulas, seminários, pesquisas, professores chatos tirados a Einsteins e por ai vai.

Quando cheguei em casa fiz o mesmo ritual de sempre, chequei celular, e-mails, redes sociais, e nada, ou seja, mais uma noite em claro. Tomei um banho bem relaxante catei algo na cozinha para comer, até porque nisso Nessa estava certa, eu estava me alimentando muito mal, e eu não era assim, já que eu não consegui dormir, tinha que ao menos tentar me alimentar direito e me manter viva pra continuar esperando por ele. Quando acabei de comer sentei no sofá com o notebook no colo e fui terminar algumas coisas do trabalho que sempre deixo pra fazer em casa pra poder ter com o que me ocupar, ou pela falta de tempo mesmo, fiquei horas sentada, até que peguei no sono no sofá mesmo com o notebook no colo.

Duas e meia da manhã acordei assustada com o telefone tocando, procurei o telefone ainda meio desorientada, derrubando tudo que tinha na frente, àquele horário só podia ser alguma noticia dele, boa ou ruim não importava naquele momento, o que importava era eu saber de Henry. Atendi o telefone praticamente gritando.

- Alô, Henry... Henry, meu amor é você? – A voz que respondeu era conhecida, mas não era a dele, era do Luca, um amigo dele também militar, que por sorte não tinha sido escalado para essa missão suicida, como eu gostava de chama-la.

- Não Luna, é o Luca, liguei, porque recebi uma ligação dizendo que o Henry havia sido liberado devido a um acidente que ocorreu no alojamento. – Aquelas palavras quase pararam meu coração, um acidente?

- Que acidente Luca?

- Uma explosão no prédio onde ele e outros estavam alojados. Mas pelo que soube ele não se feriu, se quer estava presente.

- Então porque o mandaram de volta?

- Isso eu não sei, mas os superiores me ligaram pra avisar que assim que ele chegar precisa entrar em contanto com eles, pra informar que chegou em segurança, foi por isso que liguei tão tarde, não se preocupe, só achei que ia gostar de saber que ele está voltando.

- Ok Luca, obrigada. – Desliguei o telefone atordoada, um acidente, uma explosão e Henry voltando pra casa depois dela, o que será que havia acontecido. Não importava naquele momento, quando ele chegasse com certeza me explicaria o que houve. Mas uma coisa era certa, ele estava voltando.

Fiquei alguns minutos no chão até que ouvi a secretaria eletrônica apitar meio desligada do mundo ainda, apertei o botão e tive uma surpresa com que ouvi.

“Luna, sei que deve estar muito preocupada e te peço perdão por esta semana sem noticias, mas aconteceram tantas coisas, que mal pude entrar em contato, na verdade fui proibido de entrar em contato com qualquer pessoa de fora da missão para evitar tumultos, e você sabe, quando se trata de militares ordens são ordens. Mas enfim, farei um breve resumo da semana pra você, armamos uma operação para tentar acabar logo com esse conflito, passamos a semana quase toda tentando encurralar os bandidos quando finalmente conseguimos há dois dias, porém ao chegar no alojamento nos deparamos com destroços, uma explosão destruiu tudo, por sorte não houve mortos nem graves feridos, porém agora que o pior aqui já passou, a policia local vai assumir e nos mandaram de volta para nossas casas, para nossas famílias, me mandaram de volta pra você, espero que depois de seis meses não tenha se cansado de esperar, pois nesse tempo eu consegui parar de pensar em tudo que deixei pra trás por conta da missão suicidada, como você diz. Porém houve uma única exceção nos meus pensamentos, à exceção que me fez continuar lutando e que me fizera ter esperança de voltar pra casa, você foi minha única exceção Luna, te amo e mal posso esperar para te reencontrar.”

A mensagem acabou e eu estava às lagrimas, Henry estava voltando pra mim, eu mal podia acreditar, nem em conter de tanta felicidade. Mais uma noite passei em claro, mas dessa vez não de preocupação e sim de ansiedade. Ao amanhecer, estava eu deitada no sofá, quando ouvi a porta se abrir, e lá estava ele de volta,meu amor, o dono do meu coração, a única pessoa que fazia meu mundo parar e que era capaz minha mudar mudar a minha vida, a minha única exceção.

Notas finais
Espero que goste, deixem comentários e se querem que eu poste mais one-shots.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!