The nightmare
4 Final
Notas iniciais
Já estava tudo pronto, Cristina estava terminando de se arrumar, sabíamos que Francisco estaria seguindo-a onde quer que ela fosse. Não muito longe da pousada onde Cris estava hospedada havia um velho galpão abandonado, não era difícil entrar lá. Eu mesmo quando era mais novo vivia naquele galpão, o conhecia como a palma da minha mão.
Francisco ligava para Cristina todas as noites para atormeta-la e esta noite não foi diferente. Cristina pediu que ele parasse procura-la, principalmente nesta noite que ela tinha um compromisso e não poderia perder tempo com ele. Francisco perguntou o que ela teria de tão importante, Cristina respondeu que teria um jantar comigo e pediu que dali em diante, ele não a procurasse mais já que ela estaria dando um novo começo a sua vida e em seguida desligou.
Antes de sair de casa recebi um sms de Cristina dizendo que nosso plano prosseguia como planejado, apressei-me e passei na pousada para leva-la até o restaurante onde jantaríamos, mais uma etapa do nosso plano. Sentamos em uma mesa mais afastada, fizemos nossos e depois e minutos depois uma das mesas próximas a nós foi ocupada por um alto que vestia um paletó preto, era Francisco. Jantamos rapidamente, achamos melhor não demorar muito e partir para a próxima fase do plano.
Como em toda pequena cidade, tudo é muito próximo, o restaurante não ficava muito longe do galpão. Caminhávamos de mãos dadas enquanto conversávamos sobre qualquer bobagem. Quando estávamos mais perto de nosso destino paramos embaixo de uma árvore, levei minhas mãos a cintura de Cristina, ela sorria e parecia despreocupada naquele momento. Sem perder mais tempo avancei sobre seus lábios, enquanto a beijava, Cris passou os braços pelo meu pescoço. Não foi um beijo demorado, me separei dela depois de terminar o beijo com uma leve mordida em seu lábio inferior. Sorrimos um para o outro, segurei sua mão e a puxei para que corrêssemos até a entrada do galpão onde paramos e selei nossos lábios demoradamente antes de entrarmos.
A porta do velho galpão fez um enorme barulho enquanto era aberta. Cristina entrou primeiro, procuramos pelo interruptor para ligar as luzes, mas já fazia muito tempo que o lugar estava abandonado e tivemos que nos virar com nossos celulares como lanterna. Fomos até o galpão na esperança de sermos seguidos por Francisco e faríamos com ele o que ele estava tentando fazer conosco. Nosso plano era dar um susto nele para que ele parasse de nos procurar e o mais importante, parasse de atormentar Cris.
Andamos pelo galpão por algum tempo e nem sinal de Francisco, falei com Cristina que talvez fosse melhor irmos embora já que ele não havia aparecido por lá. Voltamos a porta por onde entramos e ela estava trancada. Ok, talvez isso não fosse uma boa ideia, estávamos trancados com o ex violento da minha amiga e isso não era bom. O que diabos eu estava pensando quando aceitei fazer isso? E no quê Cris pensava quando sugeriu isso? Ao olhar para mim, Cris percebeu que estava assustado e tentou me acalmar me chamando para procurar outra saída, foi então que ouvimos Francisco rir e dizer que apenas um de nós sairia vivo de lá.
Cristina segurou minha mão e me puxou, corremos até a saída mais próxima e ela também estava trancada e foi a mesma coisa em todas as outras que tentamos. Eu precisava me manter calmo, minha amiga precisava de mim e eu tinha que ajuda-la a se livrar do ex maluco e psicopata, então pensei em todos os filmes e séries que já tinha visto e eles teriam que me servir em alguma coisa. Peguei minha arma e verifiquei para ter certeza que ela estava encarregada e pedi a Cris para ficar atrás de mim e tentar não fazer barulho. Estava muito escuro e mal podíamos ver o que tinha a nossa frente sem ajuda de nossos celulares. Passei por uma grande porta de ferro que dividia duas salas e antes que Cris pudesse fazer o mesmo a porta foi fechada nos separando. Aquela era a única passagem que tinha ali, eu precisaria dar a volta para encontrar a minha amiga.
Pedi a Cris para não ter medo e a mandei procurar alguma coisa que pudesse usar como arma no caso de Francisco se aproximar dela e precisasse se defender, eu iria dar a volta e pedi para ela não sair de lá. Caminhei o mais rápido que pude tomando cuidado para não cair em nenhuma armadilha. Quando finalmente consegui chegar onde Cristina havia ficado presa, ela já estava mais lá. Ouvi Francisco dizer que havia avisado que apenas um de nós sairia dali vivo.
Uma fúria tomou conta de mim, se Cristina estava nesta situação foi porque eu permiti, agora teria que dar um jeito de consertar isto. Gritei para Francisco que o único lugar para onde ele iria seria o inferno e que eu mesmo me encarregaria de mandá-lo para lá. A gargalhada de Francisco ecoou por todo galpão e ele me desafiou a fazer isso.
A única coisa que eu conseguia pensar era se Cristina estava bem, Francisco estava completamente fora de si, suas atitudes não eram de uma pessoa sã. Gritei para ele que iria encontrá-lo e quando isso acontecesse ele iria se arrepender de ter entrado na vida de Cris
Durante alguns minutos tudo permaneceu em silêncio até eu ouvi-lo dizer que estava me esperando. Com o celular caminhei pelo galpão por alguma coisa que pudesse me levar até eles. Minha procura me levou até uma outra porta metálica, ela era pesada e com esforço consegui movê-la. Mais adiante havia uma escada e enquanto eu a olhava senti alguém passar por trás de mim. Virei rapidamente assustado e engatilhei meu revólver procurando por alguém a minha volta.
Os joguinhos de Francisco já estavam me cansando. Enquanto eu subia a escada fui traído pelo meu celular que descarregou a bateria completamente e voltei a ficar no escuro. A escada levava até uma pequena sala e em um dos cantos estava Cristina amordaçada e amarrada em uma cadeira. Sua boca sangrava, com certeza Francisco teria batido nela. Corri até Cristina e tirei sua mordaça, enquanto eu a desamarrava ela me disse que teríamos que ser rápido se quiséssemos sair dali.
Cristina pegou minha arma que eu havia deixado no chão e me mandou correr, quando eu terminava as escadas ouvi um barulho e as luzes do galpão que ainda funcionavam foram acesas. Olhei para o alto da escada e Cristina ainda estava lá, ela apontava a arma para mim e disse que a brincadeira havia terminado. Isso me deixou completamente confuso, eu a chamei e disse que teríamos que sair agora, Cristina riu e disse que não iria a lugar nenhum comigo e que sairia de lá com Francisco. Foi então que ele apareceu atrás de mim, em uma das mão ele tinha uma pistola.
Perguntei o que estava acontecendo. Um jogo, nada além disso, foi o Francisco respondeu, sua voz absurdamente calma, não parecia em nada a pessoa que estava me ameaçando até pouco tempo. Cristina disse que tudo havia sido planejado e que eu nada mais era que uma peça no jogo deles, a peça principal e que eu deveria me orgulhar disso. Não consigo descrever o que senti neste momento, mas a raiva… ah, eu estava possesso. Eu disse que iria embora, que eles não poderiam brincar comigo daquela maneira, eu acreditei que Cristina estava em perigo e tentei protegê-la. Foi a coisa mais cruel que já fizeram comigo.
Francisco me empurrou quando tentei ir embora e disse que eu não iria sair, que ainda não tinha acabado. Tentei passar por ele, mas fui empurrado mais uma vez. Pedi para ele sair da minha frente ou… não terminei a frase, tentei ficar calmo. Ele me provocou perguntando o que eu iria fazer, que não teria a menor chance contra os dois. Olhei para Cristina, ela ainda apontava a arma na minha direção e ela me disse que era melhor eu fazer o que Francisco mandasse. Qualquer um poderia ver o prazer que ela estava sentindo ao fazer aquilo. Ela estava me traindo, seu melhor amigo, eu que sempre a apoiei e a amei.
Baixei minha cabeça e uma pequena lágrima brotou do meu olho. Ouvi Francisco me mandar de frescura e olhar para ele. Levantei a cabeça e sem pensar duas vezes fui pra cima dele, agarrei a arma que ele segurava e tentei toma-la. Apesar de surpreso com minha reação, Francisco se manteve firme segurando a pistola. Com a mão livre soquei seu rosto, ele pendeu um pouco para o lado, mas ainda não soltou a arma. Ele a segurou com mais força e a puxou após me dar uma cabeçada, depois ele me deu dois socos. Soltei a pistola e cambaleei para trás, olhei para Cristina e ela sorria. Limpei o sangue que descia pelo nariz e parti novamente para cima de Francisco, lutávamos para ver quem ficaria com a arma, nossas mãos para o alto, cada um usando toda a força que tinha.
Francisco era muito forte, mas eu não poderia desistir. Ele gritou para Cristina terminar logo com aquilo, mandou-a atirar em mim, mas ela não podia, Francisco estava na minha frente, eu tentava usa-lo para me proteger. Cristina tentou chegar mais perto, apontou a arma para mim mais uma vez, usei toda minha força, puxei a arma para o lado e apertei o gatilho. O barulho do disparo ecoou por todo o lugar. Cristina estava caída a nossa frente, o tiro havia acertado-lhe o peito. Francisco gritou ao vê-la no chão e partiu para cima de mim feito um louco. Ele conseguiu me derrubar com um chute, a arma que eu havia conseguido tomar caiu de minhas mãos.
Eu estava no chão com Francisco por de mim me dando socos, mas eu não tinha mais força para revidar seus golpes ou mesmo me defender. Lembrei de um canivete que eu trazia comigo, peguei-a quase no mesmo instante e tentei usa-la contra ele. Eu não conseguia mais lutar, mas depois tudo eu não poderia morrer ali. De algum lugar consegui reunir forças e com um golpe acertei a jugular de Francisco, ele levou a mão até o corte e caiu ao meu lado. Continuei deitado por alguns segundos e depois procurei no sobretudo de Francisco pelo seu celular e liguei para a emergência. No final ele estava certo, apenas um de nós estava saindo de lá vivo.
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