The (my) Bodyguard
13 #13. Amigas Loucas, Sustos e Pílulas.
Notas iniciais
Tobias
Atordoado. Essa era a palavra que me definia minutos após ouvir às palavras chocantes de Albert. Ele estava me provocando, eu sabia. E ele certamente conseguiu. Conseguiu também que meus punhos se chocassem contra seu rosto.
– TOBIAS! — Tris gritou, numa tentativa fracassada de me separar de Albert, que estava empoleirado em cima de mim.
– Tobias? Esse é seu nome? — Albert indagou confuso.
Merda, agora vem mais essa.
Pelo rosto pálido de Tris eu já podia saber sua reação sobre a bomba que Albert tinha soltado. Era pânico. Ela estava grávida? Será que Tris poderia estar grávida? Por que mesmo estando atordoado com a pergunta que acabei de ouvir e com um garoto rejeitado em cima de mim eu não me sentia desesperado? Me sentia confuso, atordoado, chocado, mas não estava em desespero.
Um punho me acertou com força, tirando-me de meus devaneios. Filho da puta.
– É melhor você dar o fora daqui, Albert. Caso o contrário, você vai a força. E sem o seu nariz, isso eu posso afirmar. — Murmurei, já sem paciência.
– Você comeu minha namorada, seu pedófilo de merda. — Ele latiu.
– Pedófilo? Pedófilo? — Repeti, não podendo conter minha gargalhada. Pedófilo? Eu era dois anos mais velho que Tris! Eu juro que também vi a mesma segurar uma risada. — Olhe aqui, camarada. Eu não comi Tris, se você chama fazer amor de comer, eu agradeço a Deus por Tris não ter feito isso com você. Ela não é e nunca foi sua namorada, você nunca, nunca mais a chame assim, entendido? Ou você quer que eu desenhe?
Nessas horas nós já tínhamos trocado de posição, eu em cima dele o enforcando e ele calado completamente enfurecido. Tris estava no telefone, será que ela estava ligando para a policia?
Merda.
– Ela não vai ser sua por muito tempo, Quatro. Nos conhecemos há anos, e você? Há uma semana? Você só é mais um rosto atraente, o badboy que as garotas amam, mas logo ela se cansa. Ela é Beatrice Prior. E quem vai estar lá para ela? Eu. Sempre fui eu.
– Eu disse para você ir embora! — E sua cara literalmente foi para o piso. — Eu avisei.
*******
Tris
– Alô? Tris, é você?
– Chris! Eu preciso de ajuda!
– O que aconteceu? Você soa nervosa, o que houve? — Minha amiga indagou preocupada.
– Eu... uh... Eu fiz algo sem pensar nas consequências. — Funguei.
– E quando é que você pensa nas consequências mesmo?
– Christina, pelo amor de Deus, não é hora para brincadeiras. Eu fiz a coisa mais estupida, irresponsável e irracional da minha vida. — As lágrimas que segurava cairão. — Eu estou nervosa, confusa, eu estou com... medo. Como eu fui ser tão idiota, Chris? Me explica? Foi tão precipitado!
– BEATRICE! Cale a porra da boca! Explique o que aconteceu. Eu não tenho paciência para palavras-chave.
– Chris... — Eu já estava chorando descontroladamente e falava entre meus soluços. — Eu não sou mais virgem.
– O QUE?!
– Eu sei, eu sou uma estupida. Eu agi como uma vadia! — Chorei ainda mais. — Agora eu corro o risco de estar grávida.
– O QUE?!
– Me ajuda. Eu preciso de um teste, um médico, um remédio, uma bola de cristal ou qualquer outra coisa que prove o contrário.
– Eu não estou acreditando nisso, Tris. Quero dizer, a parte do 'eu corro o risco de estar grávida'. SERÁ QUE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR NAQUELA PORRA CHAMADA CAMISINHA?
– Ele estava tão sozinho, com aquela carinha de cachorro abandonado. Suas costas, oh, suas costas, Chris... Eu só queria ajuda-lo e eu não pensei em mais nada, e no calor do momento simplesmente aconteceu. Eu não me arrependo... Foi muito bom. Foi bom, eu admito! Ah meu Deus.– Lágrimas caiam deliberadamente.
– Tome pílulas! Você tem pílulas?! TOME À PORRA DA PÍLULA, AINDA DÁ TEMPO! Ah meu Deus. COM QUEM VOCÊ TRANSOU?
– Se papai descobrir acabou tudo!
– COM QUEM, CARALHO!
– COM O QUATRO! PRONTO!
– O QUE?!
******
Tobias
Albert já tinha caído fora, depois de várias implorações e um chute na canela por parte de Tris. Ele se levantou, disse que nada estava acabado e correu para longe.
Com uma canela esfolada e um nariz quebrado, é claro.
Tris agora estava trancada no banheiro gritando descontroladamente com o seu celular. Ela não tinha ligado para a polícia, mas tinha ligado para Christina, que eu juguei ser muito pior.
Eu estava no banho, muito atordoado e completamente em pânico para sequer me preocupar em sair do lugar. Minhas costas agora doíam de verdade, estava atordoado demais para me concentrar no prazer. Estava arranhado também, marcas da noite de ontem.
Portanto, se Tris não estava arrependida antes, ela certamente está agora.
Desliguei o chuveiro e me ocupei em vestir-me. Pai. Eu não sirvo para ser pai. Eu nunca seria um bom pai. E se a maldição da minha família se passasse para meu filho? Eu não quero que meu filho seja um masoquista ou um sádico. Quero que meu filho seja normal, que tenha uma vida tranquila e que seja amado. Eu não irei poder amar meu filho. Eu serei igual a Marcus e eu não quero que meu filho seja um Tobias.
Cristo, por que eu sequer estou pensando nisto?
Ouvi a campainha tocar e congelei-me em meu quarto por um breve momento. A primeira pessoa que se passou por minha cabeça foi Andrew. Ele iria surtar comigo. Ele nunca iria me perdoar. Mas Andrew estava viajando, certo? Balancei minha cabeça afastando todos os pensamentos incabíveis de minha mente e desci para atender a porta, porque eu tenho certeza de que Tris acha que além de ser seu guarda-costas eu sou seu empregado.
Falando em empregado, eu não tinha visto a dos Prior até hoje.
Se olhar matasse, eu provavelmente estaria morto e despedaçado antes mesmo de abrir a porta e dar de cara com Christina. Eu juro que senti a garota me esfaqueando apenas com seu olhar fulminante-castanhos-assustadores.
– Bom dia, Christina. — Disse, com certa incerteza.
– Bom dia? O inferno que isso aqui é um bom dia, Quatro. — A garota entrou, me empurrando propositalmente com seu ombro. — E ah, eu trouxe um presentinho para você, amigo. — Ela procurou algo em sua sacola e jogou em minha direção.
Esse algo eram camisinhas.
Eu poderia apresentar qualquer tipo de reação que seria concebível. Poderia rir da garota; Poderia xinga-la ou retrucar, poderia fazer qualquer coisa para reverter a situação, mas eu apenas senti minhas bochechas esquentarem. Isso mesmo, eu apenas fiquei ali envergonhado, e com razão.
– Você sabe o que é isso? — Ela me perguntou, se aproveitando de minha vulnerabilidade. — Camisinhas. E sabe o que ela faz? Previne o caus que está acontecendo agora, moço!
E ela apenas se virou e subiu as escadas, deixando um individuo completamente confuso e envergonhado.
Essa garota tinha que ser amiga de Tris, não é? Quem seria mais adequada para o cargo?
******
Tris
Medo é uma palavra muito bonita para descrever o que eu estava sentindo no instante em que pulei na cama e comecei a pensar na minha — e de Tobias também — irresponsabilidade. Estava apavorada. Em pânico. Podia ser uma piadinha inapropriada para o momento, mas eu parecia prestes a parir um filho.
A porta de meu quarto se abriu e eu já estava preparada para atacar um de meus quadros de formatura em Tobias, mas olhei novamente e vi que era apenas Chris.
– Você nem ouse me atacar esse quadro, Beatrice! Eu estou muito, mas muito puta mesmo. Você tomou a pilula que eu te falei?
– Eu não tenho nenhuma pílula. Eu pensei que era o To... o Quatro. — Respondi, completamente assustada com o estado de espirito de minha amiga.
– Eu tenho certeza de que ele não vai aparecer aqui tão cedo. — Um sorriso maléfico se formou em sua boca. — Por falar em Quatro, por que o gato está todo machucado?
– Ele, uh, ele brigou com Al. — Engoli em seco, esperando a reação inesperada da criatura meio mal humorada e meio interessada na minha frente.
– Ele O QUE?! — Ela gritou, e eu não sei dizer se foi de entusiasmo ou de pavor.
– Você só sabe dizer isso agora?
– Meu Deus! — Ela bateu palmas... alegre? — Eu queria ter visto isso!
– Você queria ter visto o nariz de Al quebrado?
– Não é que o gato está mesmo fazendo seu trabalho?... — Christina riu, pulando em minha cama e fuçando sua sacola. — Agora me diz. Ele é bom de cama?
– Christina! — Repreendi minha amiga chocada.
– O que é? Ele é gostoso, tem um físico digno de um deus da Grécia e uma voz que causa orgasmos instantâneos. Eu só estou curiosa... — Recebi seu olhar inocente.
– Eu realmente não posso te dar uma resposta. Não tenho ninguém para comparar. — Respondi secamente. Não estava muito contente com a chuva de elogios que Chris dera ao Tobias, mesmo que tudo o que ela disse seja verdade.
Ela já tem o Will.
– Vamos torcer para que ele não seja bom o suficiente para te engravidar. — Foi sua vez de ser rude. — Agora saia dessa cama e vá tomar a pílula.
– Eu estou com medo. — Admiti, chorosa.
– Relaxe, amiga, você não está grávida. Vamos apenas prevenir, ok? — Sua voz se suavizou e eu fiquei meio impressionada.
– Mas e se eu estiver? — Lágrimas pinicaram meus olhos.
– Você pode ter certeza de que meu sermão vai ser pior do que o do seu pai.
– Não era isso o que eu queria ouvir, sinceramente. — Levantei-me relutantemente e alguém — Tobias, óbvio — bateu na porta e a abriu em seguida.
– Posso entrar? — Ele pediu, com sua típica carinha de cachorro abandonado.
– Não. — Eu e Chris respondemos em uníssono.
– Por que de repente eu virei o vilão?
– Não há vilão. Há culpados. E vocês dois são. — Minha amiga apontou para nós dois. — Mas você– ela olhou para Tobias — tinha que saber dessas coisas. Ou você nunca usa camisinha em suas aventuras? — Chris enfatizava cada palavra.
– Christina, pelo amor de tudo o que é sagrado! Já chega! — Repreendi minha amiga, com completa pena de Tobias.
– Oh meu Deus. — Ela parou de repente e se calou por aluns segundos. — Eu já saquei tudo! Vocês dois são virgens! Que coisa fofa! — Ela voltou a bater palmas, seus olhos realmente brilhando. Como é que ela...
– Éramos. — Corrigi, atordoada.
– Jesus... — Tobias murmurou alto o suficiente para nós ouvirmos e fechou a porta.
– Ele é tão sexy e fofo quando está envergonhado! — Christina sussurrou, soltando um suspiro para à porta.
– Eu sei, eu sei. — Suspirei também, me dirigindo nervosa, relutante e pavorosa para o banheiro tomar meu comprimido.
******
Tobias
Já iria fazer uns bons vinte minutos que estava parado na porta, praticamente criando raízes, esperando receber alguma noticia das garotas, mas do jeito que elas me trataram mais cedo eu duvidaria muito que eu saberia de alguma coisa.
Dei um espaço para Tris. Eu sei que ela precisa de um tempo para pensar em tudo, mas foi tudo tão rápido. Quem diria que um simples toque nas mãos e uma sessão de masoquismo geraria um filho? Se é que Tris estava realmente grávida.
Ouvi vozes alteradas. Chris e Tris eram amigas, mas nesse meio tempo que presenciei a amizade das duas, eu só as vi discutindo. Bem, nem só de carinhos e elogios se consiste uma amizade. Principalmente quando você tem Tris como sua amiga.
A porta se abriu e uma Tris aliviada apareceu, junto com uma Christina da mesma forma.
– Pronto, só bastava tomar uma pílula. — Tris me disse, soltando a respiração que segurava.
– Você fez um teste? — Arqueei uma sobrancelha.
– Não, seu idiota. É muito cedo para se fazer um, mas eu tomei à pílula a tempo. Eu não estou grávida.
– Me desculpa. — Falei, meio incerto do que dizer. Graças a Deus não seria algo apropriado.
– Oi?
– Eu fui um idiota, Tris. Eu deveria ter pensado em prevenção. Me desculpa.
– Não foi apenas sua culpa, foi nossa. Vem cá. — E para a minha surpresa, Tris me puxou pela camiseta e me abraçou. — Mas foi divertido, confesse.
– Cristo, Tris. Você quase fica grávida e diz que foi divertido? — Soltei uma risada nervosa. Ainda estava confuso.
– Há uma garota linda e inocente aqui que não assinou nenhum tipo de contrato para ouvir uma coisa dessas. Falem isso em particular e de preferencia usem camisinha. Se a conversa for diária eu aconselho que continuem a tomar pílulas.
Tris se afastou de mim para bater em sua amiga, mas as duas acabaram aos abraços também.
– Agora precisamos comemorar! — A morena gritou. — Festinha hoje depois da aula!
– Hoje é terça. — Comentei.
– E dai?
– E dai que Tris não vai sair para comemorar seja lá o que diabos em dia de aula.
– Mas ninguém pediu sua permissão. — A morena retrucou. Duas Beatrices na minha cola já era demais.
– Tris não precisa. Ela sabe que não tem. — Finalizei, mas Chris não se abalou.
– Ok, vamos pelo método mais fácil. — Ela bufou. — Hoje você não vai ser o segurança da Tris, você vai como namorado!
Olhei para Tris com as sobrancelhas levantadas e ela apenas deu de ombros ruborizada. Nós tínhamos nos conhecido realmente ontem, e isso se resultou em minhas costas fodida, um beijo e ela na minha cama. As coisas poderiam andar mais rápido? Ontem de manhã eu ainda sonhava acordado com Tris, pensando que ela nunca seria minha, e hoje estou aqui na sua frente vendo-a dar de ombros depois de quase infartar com uma suspeita de gravidez.
– Eu posso uh, beijar ela? — Indaguei, ainda encarando a loira, totalmente petulante.
– Em que mundo você vive, puritano? Vocês são namorados, é o mínimo que eu esperaria. — Chris revirou seus olhos maléficos.
– Sem Strip tease?
– Correto. — Tris assentiu.
– Sem Al?
– Eu duvido muito.
– Sem surtos?
– Eu é que te pergunto.
– Eu tenho escolhas?
– Não.
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