The mouth test
2 O orgulho de um homem é frágil como cristal
Notas iniciais
Custou-lhe alguns favores e um pouco de sua autoestima, mas Sanji conseguiu o endereço do indivíduo mau caráter que tinha lhe difamado (indiretamente) na internet. Zoro Roronoa. Até o nome indicava alguém de péssima índole. Grunhiu enquanto andava a passos firmes, pelo terceiro dia consecutivo, em direção a porta marrom escura. Nos dois dias anteriores tinha apertado a campainha até cansar e não tinha sido atendido, mas agora ele ficaria esperando alguém dar as caras nem que precisasse montar acampamento ali.
Ergueu a mão para apertar a campainha, no entanto, antes que conseguisse clicá-la uma voz o interrompeu.
— Não quero assinar nada. Nem comprar nada. Parem de insistir com essa merda.
Chocado, Sanji se virou e encarou o homem taciturno que acabava de chegar. O homem vestia um terno negro e exibia um olhar de poucos amigos. Numa de suas mãos, uma sacola de mercadinho. Ele andou tranquilamente até a porta, puxou as chaves do bolso e destrancou-a num só movimento. Depois fechou a porta na cara de Sanji, nem dando oportunidade do outro se defender.
— O que diabos ele é? Um matador de aluguel? — indagou ao vento, perguntando-se pela primeira vez se um comentário na internet valia todo esse esforço.
A dúvida, entretanto, durou só alguns segundos, pois quando o comentário curto e revoltante voltou a sua memória, a raiva aumentou outra vez. Apertou a campainha e, não achando o suficiente, começou a bater na porta também.
A porta abriu de repente exibindo um Zoro de feição irritada.
— Que porra!
Respirando fundo e mostrando seu melhor sorriso comercial, Sanji lhe estendeu um cartãozinho da empresa. Em sua mente as palavras do horóscopo repetiam-se sem parar.
— Engano seu, Sr. Roronoa. Não vim para oferecer serviços de assinatura, nem vender nada. Somente vim averiguar seu problema com um de nossos produtos. A Germa 66 preza muito por seus clientes.
Com um olhar cheio de suspeitas e uma sobrancelha arqueada, Zoro leu o cartão.
— Vou precisar pagar por isso?
“Maldito mesquinho!”
— Não, claro que não. Inclusive, trouxe outro produto do mesmo para substituir o produto defeituoso. — disse enquanto apontava para a caixa debaixo de seu braço. O sorriso começava a doer no rosto.
Ainda parecendo desconfiado, Zoro permitiu sua passagem porta adentro. Enquanto era guiado para a cozinha, Sanji tentou não se distrair com o ar antigo daquela casa. Parecia ter saído diretamente do início da era Heisei! Na sala havia uma televisão tão velha que ele duvidava que ainda funcionasse. Mexeu na franja caída sobre um de seus olhos, buscando manter a paz interior assim como a mensagem no horóscopo recomendava.
Mas pior foi quando Zoro parou e apontou um amontoado de plástico derretido e peças metálicas deformadas — além de umas partes de conteúdo indeterminado —, dizendo que aquele era o liquidificador. Seus olhos se arregalaram feito pratos e ele quase derrubou a caixa do novo liquidificador que carregava.
— Isso... Isso... Como você fez isso?!
Zoro colocou as mãos nos bolsos.
— Ele cometeu suicídio.
— O liquidificador?
— Está vendo mais alguém morto aqui?
Sanji quase respondeu que bastava procurar bem que era capaz de encontrar alguma prova de crime, visto que Zoro tinha a maior aura de membro clássico da Yakuza. Felizmente, no último minuto conseguiu controlar a língua. Inspirou profundamente, resistindo a vontade de chutá-lo no meio das pernas.
Manter a paciência estava sendo mais difícil do que imaginava. Um trabalho quase hercúleo de ser feito.
— O que, exatamente, você estava tentando preparar? — perguntou depois de um discreto bufar de leve.
— Ensopado.
Como, em nome de todos os deuses, ele pretendia fazer ensopado no liquidificador?! Precisou se apoiar na bancada para não despencar no chão. Estava por demais horrorizado.
Era um absurdo atrás do outro!
— Sukiyaki? — Zoro assentiu. — Certo. Poderia, por favor, descrever como foi o preparo?
Dando de ombros, Zoro abriu a geladeira a procura de algo que pudesse mastigar enquanto falava. — Coloquei repolho, batata, tomate, cogumelos e carne, e liguei. Fui no banheiro e quando voltei ele estava em chamas. Não prestou nem para uma coisa simples.
Batata e Repolho? Tomate?! Que tipo de sukiyaki ele estava tentando fazer? Estava até preocupado de saber qual cogumelo ele utilizara naquela monstruosidade gastronômica. Uma veia, que já palpitava nervosa desde sua entrada na casa, se exaltou em sua testa. Que a paciência fosse se lascar!
— Que merda você tentou fazer no meu liquidificador? Primeiro que não se faz ensopado no liquidificador! E colocar tomate em sukiyaki é um crime!
Zoro ergueu uma sobrancelha, fechando a porta da geladeira sem retirar qualquer alimento dela.
— Seu liquidificador? — o início de um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios. Agora tudo fazia sentido. — Você quem criou, então? É por isso que está irritado por ele ter dado problema? — riu. — A culpa não é minha se o que você criou algo imprestável.
O rangido de dentes que Sanji deu poderia ter sido ouvido até da esquina de tão intenso e revoltoso que foi. Seu rosto adquiriu um incrível tom vermelho e por um breve momento Zoro achou que a cabeça dele explodiria de pura raiva. Felizmente, sua aposta estava errada. Seria trabalhoso limpar uma sujeirada dessas.
Sem dizer mais uma palavra, Sanji jogou os restos mortais do eletrodoméstico obscurecido no lixo, retirou o novo liquidificador da caixa e o colocou no lugar do outro, em cima da bancada. Em seguida investigou todos os armários sem pedir permissão, e também a geladeira em busca dos itens necessários. Contrariado, ele percebeu que não havia muitos elementos cozinháveis naquele lugar, mas se recusando a levar desaforo para casa, resolveu improvisar.
No liquidificador preparou a massa, fez o molho de tomate e por fim fez uma maionese caseira que reservou na geladeira. Não precisou nem experimentar para saber que os sabores dos preparos não haviam se misturado, pois o material da jarra tinha sido desenvolvido justamente para isso não ocorrer. Bastou lavar bem o objeto entre um processo e outro para que tudo saísse como deveria. Após isso houve etapas de cozimento, um período de 40 min para assar bem e um de 5 minutos para montagem do prato.
E com um sorriso satisfeito, depositou uma fatia de pizza de miso, ovo e brócolis em frente a um Zoro muito incrédulo. O cheiro e a temperatura estavam mais do que perfeitos, Zoro não teria do que reclamar. Nem se quisesse poderia! Posicionou-se um pouco afastado da mesa, enxugando as mãos numa toalhinha, e sorriu satisfeito com o próprio resultado.
Já Zoro... Olhou com desconfiança para o prato. Demorou-se bastante nessa avaliação, quase parecendo que não estava disposto o suficiente para experimentar, mas contrariando os pensamentos de Sanji, Zoro ergueu a fatia com as mãos nuas — ignorando o calor que subia em filetes de vapor — e abocanhou-a inteira.
Sanji o assistiu mastigar ruidosamente sem notar qualquer sinal de incômodo pela temperatura no rosto alheio. Em outro momento teria feito graça da resistência de uma língua dessas, mas a ansiedade pela resposta e a raiva pelo descaso com seu precioso produto não lhe deram ânimo de fazer comentários engraçadinhos. Somente queria acabar logo com aquilo e ir para casa dormir em paz. Ah, como dormiria bem depois de ter resolvido, finalmente, esse assunto.
Observou o homem engolir o alimento mastigado, já permitindo que o início de um sorriso de vitória contornasse seus próprios lábios. No entanto, as palavras que se seguiram quase o fizeram cair de costas:
— Que porcaria.
Sanji congelou.
A palavra “porcaria” tinha sido usada não uma, mas duas vezes para referir-se a produtos frutos do seu esforço. Não era possível. Não ouvia essa palavra desde que parara de tentar competir com seus irmãos quando eram mais novos.
Não. Era. Possível.
— O que disse?
— Essa pizza é uma bela de uma porcaria. Esse liquidificador definitivamente não presta.
O coração de Sanji saiu do compasse com o impacto que aquelas palavras causaram em seu ego. A confiança quase caiu aos cacos, sorte que já tinha ouvido coisa muito pior de seu pai durante a vida e a ofensa vinda de uma pessoa desconhecida não o afetava tanto. Ou talvez isso fosse um azar. Enfim, não conseguindo acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de quem experimentara sua majestosa comida, ele apertou os punhos e deu um passo na direção de Zoro. Sua consternação, porém, foi tão grande que as palavras até fugiram da sua boca e nem uma réplica a altura conseguiu dar.
Por fim, rosnou como um animal ferido, jogou a toalhinha na mesa e saiu pisando duro da cozinha. Ainda bateu a porta forte ao sair da casa para deixar bem claro o quão irritado estava.
Que dia infernal!
*
Na primeira oportunidade que teve, Zoro escapou da festinha pós-casamento. Johnny e sua bela noiva que o perdoassem, mas depois de uma exaustiva cerimônia, apesar de simples, e da barulheira sem fim da festa após, ele simplesmente não teve mais tolerância para aquilo tudo. E pra piorar alguém tinha esquecido de comprar bebidas alcóolicas e a comida oferecida foi uma das piores coisas que ele provou na vida. Por isso, quando uma nova música ensurdecedora começou a soar e a atenção geral se voltou para um sujeito dançando break no meio da pista de dança, Zoro levantou-se e saiu do salão sem maiores cerimônias.
Antes, claro, ele deixou um envelope, com passagens para uma hospedaria numa cidadezinha turística, junto aos outros presentes para os noivos. Gastara um bom dinheiro nesse presente, mas sabia que eles não tinham planos de lua-de-mel por não estarem tão bem das finanças e Johnny, apesar de ter falhado como amigo ao lhe indicar aquele liquidificador endemoniado, era um de seus amigos mais antigos.
Saiu de lá sem peso na consciência. Pegou o metrô, comprou alguns pacotes de comida instantânea no mercadinho e pensou em sua vida medíocre durante o curto trajeto a pé até a sua casa. Aquela semana tinha sido puxada, com o festival cultural chegando e sendo ele um dos poucos professores homens na escola, Zoro precisou ficar até tarde para ajudar na montagem de várias barracas e enfeites que exigiam um pouco mais de força braçal. Quando pensava que seu dia não podia piorar, ele viu um homem loiro parado a frente de sua casa com um olhar obstinado e uma caixa suspeita debaixo do braço.
Vendedores ambulantes de novo?! No mês passado algum vendedor enfiou mais de dez folhetos por debaixo da porta, diariamente, tentando convencê-lo a assinar uma revista de generalidades. E naquela semana mesmo ele tinha acordado assustado as 3 horas da manhã, depois de capotar de cansaço ao chegar de meia-noite, com um vendedor ambulante apertando sua campainha compulsivamente. Era um vendedor de remédios caseiros para insônia. Zoro quase esmurrou o idoso pelo disparate.
E por esse motivo, ele aproximou-se da porta com cara de poucos amigos, passou pelo homem já avisando que não queria assinar ou comprar nada, e entrou em casa, fechando a porta na cara alheia. Estava preparado para relaxar no silêncio de seu lar quando o homem começou a bater na porta e apertar a campainha como um louco. Quando voltou a abrir a portar, disposto a expulsar o vendedor nem que fosse aos gritos, surpreendeu-se ao perceber que o homem loiro não tinha a aparência desleixada que os vendedores ambulantes costumavam ter.
Porém, foi algo naquele olhar da cor azul de uma frutinha venenosa que certa vez impediu um aluno desmiolado de comer, que o convenceu a abrir espaço para Sanji entrar. Mas também foi a curiosidade que o fez permitir que o loiro, depois de tentar defender seu produto com unhas e dentes, mexesse e se movesse pela cozinha como bem entendesse.
A princípio duvidou um pouco do funcionamento das faculdades mentais de Sanji, já que não conseguia entender por que ele demonstrava estar tão ofendido e horrorizado ao descobrir que o liquidificador pegara fogo, ou por que ele começou a mexer no que lhe restava dos mantimentos deixados por Tashigi antes de se mudar. Mas quando começou a sentir o cheiro da comida sendo preparada, seu estômago contraiu-se de repente muito ansioso.
E quando a fatia da pizza foi servida? Antes de abrir a boca para poder mordê-la, precisou engolir a saliva que tinha se acumulado aos montes. E podia jurar que quase alcançou o nirvana depois da língua saborear a primeira comida realmente gostosa que comia desde... Bem, havia muito tempo que não comia algo delicioso assim. Era o tipo de comida que, definitivamente, merecia um elogio.
No entanto, ao olhar para a face cheia de expectativa de Sanji e lembrar que ele fizera essa comida utilizando um liquidificador igual ao que pegara fogo... Dar um feedback positivo seria como atestar sua própria incapacidade com eletrodomésticos.
Diante isso, sua resposta só poderia ser: Que porcaria.
A expressão convencida do loiro se desmanchou por completo e Zoro quase sentiu um pouco de arrependimento quando o outro saiu batendo a porta, deixando para trás a pizza de miso, brócolis e ovo ainda quentes. Ou melhor dizendo, o arrependimento somente durou até ele se levantar para pegar a assadeira onde estava o restante da pizza. Desfrutou do alimento junto a uma garrafa de sakê suave enquanto olhava o céu noturno, sentado no engawa da casa. Depois dormiu um sono pesado e restaurador.
Passou o dia seguinte inteiro sem pensar em liquidificador ou no loiro bonito que cozinhava bem, mas ao voltar para casa, novamente tarde da noite, surpreendeu-se ao ver o cenário se repetindo, sendo que dessa vez Sanji não segurava uma caixa debaixo do braço e sim várias sacolas de compras. Franziu as sobrancelhas enquanto se aproximava do enxerido funcionário da Germa 66.
— O que está fazendo aqui?
Sanji, que estivera sentado na escadinha em frente a porta, levantou-se num pulo. Um sorriso inabalável nos lábios.
— Finalmente você chegou. Por que chega sempre tão tarde? Bem, de qualquer modo, pode abrir logo a porta? Essas sacolas estão pesadas.
Zoro ficou tão surpreso pelo comportamento não irritado do outro que abriu a porta no automático, deixando Sanji passar direto para a cozinha. Observou, levemente intrigado, Sanji analisando a cozinha e começando a esvaziar as sacolas que trouxera, organizando os produtos onde achava adequado. Elas estavam cheias dos mais variados alimentos e logo os armários e a geladeira estavam mais cheias do que estiveram há muito tempo.
Claramente Sanji não tinha se dado por vencido, pois mal terminou de organizar as coisas e iniciou o preparo de uma outra massa no liquidificador. Reservou a massa em um recipiente de vidro na geladeira, tratando de, em seguida, cortar uma porção de carne em pedaços pequenos em cima da tábua de madeira que Zoro nem lembrava mais que existia.
Vendo que não tinha vez ali e que Sanji não aparentava querer conversar, Zoro retirou-se do cômodo e foi preparar a prova escrita que aplicaria na quinta-feira seguinte. Estava selecionando um trecho de uma poesia de Matsuo Bashô para a sétima questão quando a porta do escritório deslizou com sutileza.
— Você mora sozinho nessa casa enorme? — perguntou Sanji, entrando com uma bandeja coberta por uma tampa prateada reluzente.
Zoro ergueu o olhar das folhas que estava rabiscando, retirando os óculos de grau.
— Sim. Algum problema?
Sanji negou. As mãos já tratando de encontrar um espaço na mesa para pôr a bandeja de tamanho médio.
— Só parece um pouco solitário. — pontuou, lançando um olhar curioso sobre as folhas que o outro fizera diversas anotações. — O que você estava fazendo?
— A prova de literatura para a próxima semana.
Zoro nem sabia o porquê de estar conversando casualmente com o intruso de sua casa, mas com a atenção voltada para a bandeja recém depositada na mesa, ele não poderia se importar menos. No entanto, a surpresa no tom da voz de Sanji na fala seguinte o fez encará-lo com curiosidade.
— Espera, você é... Professor?
Zoro ergueu uma sobrancelha.
— Sou. De literatura e de história. — estreitou o olhar. — No que achou que eu trabalhasse?
Com uma tossida sem jeito, Sanji cruzou os braços. — Nada não. Mas, de qualquer modo, por que não faz num computador? Pouparia tempo.
— Planejo melhor escrevendo a mão.
Aquilo pareceu desculpa de gente que digita lento, mas Sanji preferiu não comentar para não correr riscos de influenciar no humor.
— Se você diz... Agora coma logo.
Zoro então voltou a atenção para a tampa prateada e a ergueu com mais expectativa no íntimo do que gostaria de admitir. Na bandeja estavam dispostos três dos famosos crepes franceses que somente vira em filmes românticos de sua irmã. Cada um com um recheio diferente. Ele pegou o primeiro, que parecia ser de queijo, palmito e carne, e deu uma grande mordida sem nem pensar duas vezes.
Percebeu logo o retorno da face expectante no loiro ao mesmo tempo em que se deliciava com o sabor inigualável do crepe. Novamente não tinha do que reclamar. Na verdade, quase se sentia obrigado em demonstrar o quanto gostara nem que fosse com um simples aceno de cabeça. Entretanto, um rápido pensamento cruzou sua mente. O que aconteceria caso repetisse o ato da noite anterior e dissesse que não achou bom? Será que Sanji ficaria frustrado o suficiente para aparecer também no dia seguinte para cozinhar outra vez?
Utilizando-se do seu ótimo raciocínio lógico, ele resolveu arriscar. Não tinha nada a perder, afinal.
— Horrível.
Os ombros de Sanji murcharam de imediato, os olhos piscando com incredulidade. O choque pela segunda resposta negativa parecia ter sido impactante demais para ele, e precisou de um momento para a alma retornar ao corpo. Mas quando retornou, Sanji agarrou seu colarinho, encarando-o com muita fúria.
— Eu que fumei, mas são as suas malditas papilas gustativas que estão mortas. Horrível? Você não sabe o que é comida boa. A merda da sua língua é que deve estar podre!
E dito isso, Sanji partiu soltando os mais terríveis impropérios que sua mente conseguiu lembrar.
Zoro bufou, dando mais uma mordida no crepe bem recheado. Pela explosão que acabara de testemunhar, talvez — só talvez — o tiro tivesse saído pela culatra. Mas quem imaginaria que o loiro tivesse uma vaidade culinária tão grande?
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