Depois de enterrarem Cody, voltaram para a casa de Ig e o ajudaram a arrumar a bagunça. Todos estavam quietos e pensativos.

– Não acho que devia ter sido ele. — Shawn disse.

– E quem você acha que devia ter sido? — Arthur perguntou.

– Por favor! Ele já se foi e não há nada que possamos fazer quanto a isso. Vou me deitar. — Amy disse, largando o pano que tinha nas mãos.

A garota foi até o quarto que Ig havia separado para ela e que não tinha tido tempo para experimentá-lo. Deitou-se na cama, era confortável, mas diferente do seu colchão. Fechou os olhos e tentou desligar-se e sempre que tentava, via Cody em seus braços.

O lobo se aproximou da garota e sentou-se ao lado da cama, encostando a cabeça sobre o braço dela.

– Não!

O animal se afastou.

– Eu vi algo...

Darthaen a olhou com fogo nos olhos e ela sabia que ele queria dizer algo, então forçou sua mente para que suas palavras fluíssem. Até que não precisou mais forçar nada, pois era como se estivesse falando normalmente com ele.

– Sim... Eu a mostrei isso... Abra a mão.

Ao abrir a mão, uma pequena chama apereceu e então, assustada fechou-a.

– Não se assuste. Você irá precisar disso mais tarde.

– Os animais dos garotos também se tranformam?

– Não.

– Por que?

– Porque foi assim que o autor quis.

– Quem é o autor?

– Como já disse, é uma longa história e você tem coisas mais importantes para se preocupar.

A garota fechou os olhos e desligou-se dali.

Pov's Amy

Ao acordar, me senti leve como uma pluma, mas com uma estranha tristeza tomando conta do meu ser. Olhei para o lado e sabia que Darthaen estava lá. Caminhei até a sala com ele ao meu lado, sem saber ao certo onde estava e lá, encontrei dois garotos encostados no sofá de olhos fechados. Quem eram eles?

Me aproximei e olhei para o lado, havia um velho estranho me olhando.

– Desculpe, mas... Eu não sei o que estou fazendo aqui. — Eu falei para o velho.

– Você dormiu aqui, não se lembra? — O velho me disse, com uma cara de dúvida.

– Não...

– Não é possível...

– Onde estou?

Pov's Ig

O que está acontecendo aqui? Por que a garota está agindo assim? Não é possível! Ele também está aqui!

– Acho melhor você ir caminhar pela cidade, enquanto eu faço algumas coisas por aqui. — Disse para a garota.

– Tudo bem. — Ela disse.

A garota saiu e eu fiquei curioso, será que os garotos se lembrariam de algo? O roubador de memórias está aqui... Cutuquei um dos garotos, Arthur se eu não me engano. Ele coçou os olhos e quando me olhou se assustou.

– Quem é você?

– Ig.

– Que nome é... — Interrompi ele.

– Por favor, já passamos por isso em uma situação semelhante. Por que você não vai caminhar pela cidade?

O garoto fez o que eu disse, achei estranho, porque ele parecia querer brigar, mas foi. O outro estava acordando e quando abriu os olhos me encarou como que eu fosse um monstro e quisesse comer ele. Onde estão os bons modos desses meninos?

Comecei a olhar as minhas coisas rapidamente, enquanto aquele garoto se levantava e saía de fininho. Preciso ir no templo e é pra lá que eu vou.

Pov's Shawn

Estava andando pela rua, depois de sair daquela casa com aquele velho estranho e me deparei com uma garota. Ela estava do outro lado da rua. Se estivesse em outros tempos eu iria até ela, mas hoje sinto como se já estivesse com alguém ou coisa do tipo. Devo admitir que ela era muito bonita. Andei mais um pouco para não olhá-la novamente, mas foi impossível, lá estava ela novamente! E sinceramente, de perto, que garota!

Me aproximei para ver umas coisas na barraquinha em que ela estava e fingi não me importar com ela, mas ela me olhava direto. Então um homem estranho chegou perto dela e bruscamente pegou as mãos dela e as amarrou. Achei estranho, pois ela não parecia ser do tipo que iria fazer algo para merecer aquilo. Resolvi seguir o homem. Ele a levava pelo meio da multidão, pois tinha muita gente e eu quase a perdi.

Todos gritavam a chamando de bruxa, por causa do animal que caminhava com ela. Sinceramente, andar com um lobo era algo um pouco estranho, mas não a ponto de machucarem ela por causa disso. Eu tinha que tirá-la dali, as pessoas começavam a jogar comida nela, que desperdício! Tinha que inventar uma desculpa, foi a mais idiota que pude achar, mas tinha que pelo menos tentar.

– Eu cuido de bruxas, com licensa senhores, eu levo ela a partir daqui.

Os homens me olharam de um jeito que quase me intimidaram, mas não conseguiram, pois eu sou o Shawn. Eles a entregaram pra mim sem dizerem nada. Ufa, essa foi fácil!

Peguei-a pela mão e a levei para um lugar onde ninguém poderia nos ver.

– Quem é você? — Ela me perguntou.

– Alguém que provavelmente salvou a sua vida. Não mereço um agradecimento?

– Claro. Obrigada senhor.

Me aproximei dela, quase juntando o meu rosto com o dela e que vi que eu era mais alto, normal. Tirei uma pequena faca que estava ali, pendurada na minha cintura. Ela me olhou e eu acabei me perdendo em pensamentos.

– Você pode me soltar por favor? — Ela disse, me trazendo para a realidade.

Assenti e cortei a corda que estava amarrada em seu pulso. Ela me olhou novamente e vi algo em seus olhos. Eu a conhecia, mas não me lembrava. Garanto que se eu a conhecesse antes estaria apaixonado por ela, como estou agora. Ela sorriu para mim, agradeceu novamente e quando ela estava indo embora, eu a segurei pelo braço. Soltei rapidamente quando tinha percebido o que havia feito e perguntei:

– Qual é o seu nome?

– Amelia. — Ela disse com um lindo sorriso no rosto.

– O meu é Shawn.

– Sinto que já o conheço de algum lugar.

– Sinto o mesmo. Talvez seja apenas o destino.

– Talvez.

A garota, tinha ficado corada e abaixou a cabeça. Então virou-se e foi embora. Fiquei a olhando até que ela desaparecesse e eu não pudesse mais vê-la. Ela era linda! Eu não acreditava em amor a primeira vista até hoje. Mas o estranho era que parecia que eu já havia passado por isso, com ela.

Pov's Arthur

Que lugar é esse? Biscoitos! Saí correndo em direção a uma barraquinha de biscoitos e esbarrei em uma garota. Senti vontade de perguntar o nome dela.

– Qual o seu nome?

– Amelia. — Ela me respondeu.

– Já nos conhecemos?

– Sinto que sim.

– Prazer, Arthur. Você não é daqui, é?

– Não e nem você. — Ela disse rindo.

Acenei para ela com a cabeça e saí, precisava comer meus biscoitos.

***

O que será que havia acontecido com eles? Todos haviam perdido as memórias. O que aconteceria com os futuros heróis agora?