The living game - A espada
8 Lembranças part. 2
Notas iniciais
Após a conversa com os jovens, Ig foi até o templo e lá encontrou novamente a estranha figura com o rosto tampado. Chegou ofegante, estava nervoso e preocupado.
– Ele voltou, está aqui para nos tirar a única chance de redimir o Reino de Aksi.
– Eu sei.
– O que vamos fazer Anthony?
– Não sei velho amigo.
A voz, que não se sabia dizer anteriormente de quem vinha, agora se tornara mais do que apenas um som. Um senhor alto, forte, de barbas grisalhas que iam até o chão. Sua voz não era mais apenas um sopro, mas sim, era forte como a de um homem novo. Ele levantou e começou a caminhar indo em direção a fonte que ainda jorrava água, no jardim. Ig o seguiu com os braços nas costas e os pulsos cirrados, ainda preocupado.
– Me lembro de quando eu havia conhecido Aksi. Reino magnifico, pensei. Queria ter um papel importante, mas lembro que o antigo shiway me disse que o único papel que eu teria nessa história, seria ajudar um dia quatro jovens.
– Nós não temos mais os quatro...
– Sim... Mas temos a garota... Você bem sabe o que aquele lobo representa, ambos sabemos.
– Sim, eu a pedi para que guardasse para a hora certa.
– Hora certa? Se o roubador de memórias está aqui, significa que estamos entrando em guerra! Nosso inimigo está se levantando mais uma vez e acha que nos enfraqueceu com a morte do garoto, mas não, estamos mais fortes.
– Como você pode dizer isso?
– Quando os jovens se lembrarem dele e do por que de estarem fazendo tal coisa, não haverá nada ou ninguém que vai impedí-los. Isso se chama amizade, amor, companheirismo e lealdade.
– Anthony, eu acredito nisso, mas existem poderes mais fortes que os nossos que podem decidir nosso destino num piscar de olhos.
– Não! O Reino pode estar sobre essa maldição, mas eles vieram para quebrá-la.
– O autor, ele... — E foi interrompido por Anthony que começara a falar:
– Existe uma antiga lenda sobre ele... Nela diz que em tempo de guerra, ele voltaria a essas terras, para ver que decisão seria tomada sobre todo o Reino. Estou o aguardando desde que ouvi essas palavras serem proferidas e acredito que a vinda dele está perto.
***
Arthur estava caminhando lentamente e quando virou sua cabeça, viu a espada. Era linda e estava cravada numa pedra.
Pov's Arthur
Que engraçado, me lembrei da história do rei Arthur. Não acredito que estou aqui e ainda mais com um coelho. O que esse animal vai fazer? Pelo amor de Deus! Eu podia ter recebido ao menos um cachorro, isso é humilhante.
– Eu me lembro! — Disse ao coelho. — Cody é o nome dele, somos grandes amigos. Onde será que ele está?
Eu preciso desviar meus pensamentos, não quero chegar até aqui e sair correndo por falta de coragem. Estou lutando comigo mesmo, confesso, está sendo difícil caminhar até aquela espada. Achei que iria demorar mais tempo até encontrá-la e tudo está parecendo tão fácil até agora, mas algo me cheira mal.
Ela é realmente magnífica! Me perdi em pensamentos, o que será que meus pais estão fazendo em casa? Que estranho. Por que eu estou pensando nessas besteiras? Estou com fome, devia ter pedido um biscoito pra moça simpática da barraquinha. Vou tentar tirá-la dessa pedra.
Pov's autor
Quando Arthur tentou arrancar a espada da pedra, um enorme estrondo, vindo das entranhas da floresta, surgiu. Era um som agudo, grave, forte, soprado, tudo ao mesmo tempo, era impossível de distinguir o que era.
Passadas fortes e os estrondos ficavam mais fortes, os urros eram quase ensurdecedores. Arthur estava certo de que era ele, era o terror vindo até ele, o desafio e a morte. Tentou colocar pensamentos bons na cabeça para não desanimar, pois não havia conseguido tirar a espada da pedra e agora, estava começando a ficar desesperado.
O chão começara a rachar e de dentro da terra saíam longos braços verdes e raízes fortes. Arthur não pensou duas vezes e começou a correr, não havia o que ser feito.
– Que eu vou fazer agora? — Perguntou ao coelho que estava correndo com ele à toda velocidade.
– Não sei, eu não tenho uma bola de cristal. — Falou irritado. — Você devia ter pegado a espada!
– Você é cego?! Um coelho, o que eu poderia esperar de você.
– Sou o seu reflexo, idiota.
– Tá me chamando de coelho?
– Fica quieto e se concentra em correr antes que você tropece.
– Não sou cego.
– Por que você não se cala?
– Tá me mandando calar a boca?
– Tô!
– Você é um coelho, não manda em mim!
– Então por que tá discutindo comigo, já que eu sou um mero animal?
Arthur bufou e se calou, estava correndo por sua vida, não era tempo de brigar. O bicho tinha mais de 3 metros de altura, era gordo e parecia um ogro, ou melhor, era um ogro. Um enorme.
Arthur não conseguiu mais aguentar e gritou por ajuda.
– SOCORRO!
Seu coelho o olhou e do nada o animal foi se transformando em um enorme cavalo com grandes asas.
– Suba!
– Que droga é essa? Além de coelho, sou um unicórnio? — Falou, pulando no dorso do animal.
O cavalo bateu as suas asas e saiu do chão. Ainda corriam perigo, pois o ogro era enorme e grandes raízes dominadas por ele, tentavam os agarrar. De todos os pensamentos que podiam vir em sua cabeça na hora, o mais forte foi: Vou morrer aqui e não vou poder me despedir dos meus pais. O garoto permitiu que pequenas lágrimas caíssem de seu rosto, mas limpou-as e se recompôs, tentando pensar em algo para derrotar o gigante.
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