The last game
2 Os tronos dos 24 anciões
Coraline estava sentada no escritório da empresa na qual trabalhava ligando para clientes para vender planos de saúde, era assim todos os dias de segunda a sábado das sete da manha até às cinco da tarde, uma rotina comum para uma pessoa comum. Era uma sexta feira de uma data imprevista, quando Coraline prestes a ir embora para casa depois de um longo e cansativo dia de trabalho foi convocada por seu chefe em sua sala.
Aguardando sentada na sala de seu chefe enquanto ele atendia a um telefonema de negócios, na verdade era sua mulher, Coraline já temia saber qual era o assunto da conversa. Em fim quando recolocou o telefone no gancho Adrien começou a conversar com sua empregada que demonstrava de certa forma estar cansada. Começou ele a falar sobre o grande aumento do mercado da saúde já que por conta das varias doenças e epidemias contagiosas que surgiram depois da guerra tensa (conflito entre os EUA e o Japão que se iniciaram no ano de 2019 até 2021) até os pobres vem tendo a necessidade de ter um bom plano de saúde. Em seguida começou a falar que a empresa passaria por uma transformação e isso acarretaria na demissão de alguns empregados medíocres e na contratação de pessoas mais eficientes para a grande demanda que estaria por vir.
—Está me demitindo?
—Apesar de ser uma boa funcionaria, não parece feliz na empresa. —disse Adrien olhando-a diferente.
—Não posso perder esse emprego, é o que me sustenta. —Coraline realmente não podia perder o emprego.
—O que estaria disposta a fazer para continuar sendo uma das minhas funcionarias? —perguntou seu chefe retirando a aliança do dedo.
—Tudo. —disse Coraline não notando a intenção por trás dos olhos do homem que parecia não ter boas intenções.
Só quando se levantou de sua cadeira de chefe a jovem mulher notou a intenção por trás dos olhos do homem que estava prestes a demiti-la. Indo até a jovem mulher que estava sentada na cadeira de frente para a sua o homem começou a massageá-la com suas mãos ásperas e fortes que de certa forma a assustavam.
—Desabotoe minha blusa. —disse o homem virando a mulher para sua frente.
Coraline sabia bem o que estava acontecendo, mas não tinha certeza do que deveria fazer, se afastar do homem que a incitava ao sexo ou aceitar a proposta que a manteria na empresa quem sabe por mais um ano. Assustada e encurralada tinha que tomar logo uma decisão por mais terrível que fosse.
Engolindo em seco a jovem moça acatou as ordens do chefe desabotoando sua camisa que revelou o corpo forte e másculo de um homem maduro e já castigado pelo tempo. Ele sentou-se no colo da jovem colocando sobre ela o peso de um homem já cansado do corpo da mulher velha que tinha em casa, o beijo foi molhado e sem amor, o aperto nos seios foi estranho e vergonhoso, Coraline não queria ter que dormir com seu chefe para manter o emprego, mas o medo de perder o que a sustentava era maior do que tudo, pelo menos no momento.
A calcinha que vestia Coraline foi retirada com tanta força que parece que seu útero veio junto, sobre seu corpo a língua molhada do homem a fazia se arrepiar, mas não de prazer, e sim de nojo, sentiu seu corpo ser levantado e jogado sobre a mesa onde se despojavam porta retratos de uma família aparentemente feliz, papeis de negócios e outros objetos que foram derrubados e jogados ao chão. Abaixando as causas o homem então penetrou na jovem que gemeu de dor ao sentir entrar em si o símbolo do homem que deixava claro que mulheres foram feitas para servir e não comandar. Coraline sentiu-se novamente ser virada, e de costas para seu chefe se viu mais uma vez ser penetrada e dessa vez a dor foi maior, lágrimas caíram por seus olhos, mas nada fez para impedir o que depois com certeza a faria se lastimar. Sentiu seu cabelo ser puxado com força e a dor da penetração de certa forma aumentar, seu corpo começou a suar quando sentiu o aperto forte em seus seios e ser obrigada a se sentar no colo do homem que parecia não querer terminar com suas perversões. Quando o clímax do momento parece ter acontecido, o homem que abusou de seu cargo com uma funcionaria parece ter tido uma das melhores ejaculações de toda vida.
Saindo de cima do homem a jovem mulher pegou suas roupas vestiu-as rapidamente e prestes a ir embora escutou a voz do homem a chamar. Virando-se ouviu da boca de seu chefe a ordem de arrumar a sala antes de ir embora, Coraline sentiu raiva nesse momento e se tivesse uma arma na mão não excitaria em atirar na cabeça daquele que a abusara. Obedecendo as ordens do chefe começou a recolocar os objetos do chão de volta na mesa inclusive os porta retratos que notou estar com o vidro quebrado bem no meio do casal como que separando o homem da mulher, que ironia. Quando em fim terminou de juntar todas as folhas e organizar as canetas percebeu que seu chefe estava terminando de calçar os sapatos.
—Esta mais claro que isto ficara somente entre nós.
Então se foi Caroline para sua casa onde então poderia se lamentar e se debruçar nas lágrimas que sabia que não poderia evitar, pois o medo que tinha a garota era um medo característico. O medo do fracasso.
Já em casa depois de ter passado horas debaixo da água fria do chuveiro a jovem se serviu de um pouco de vinho tinto e ficou na varanda do prédio onde morava admirando a paisagem do mar que era um dos mais belos do mundo para ela, o mar do Rio de Janeiro, cercado pelas areias por onde muitos passaram e onde um dia perdera a virgindade com um homem de verdade, um homem que conhecera na faculdade e que quem sabe hoje em dia estivessem juntos se não fosse pelo terrível acidente o qual tirou sua vida. Na verdade ele foi mais um que entrou para a estatística de vitimas que morrem por conta de motoristas alcoólicos que tiram a vida de inocentes, mesmo a lei seca tendo tido uma melhoria de 90% com a implantação de um rigoroso sistema de fiscalização com a maquininha que muitos preferem chamar de olheiros—aparelho robótico em formato de um olho criado por jovens brasileiros com o objetivo de vagar pelas cidades como insetos para fiscalizar e alarmar as autoridades sobre os motoristas bêbados— os acidentes vem diminuindo drasticamente, mas ainda assim existe uma pequena taxa de 5% que levam vidas inocentes.
Perdida em lembranças que a assustavam, Coraline sentiu o terrível sentimento do desgosto impregnado em seu coração apertado e sem espaço para mais nada além de medo, seus olhos começaram a se encher de lágrimas e foi quando largou a taça que segurava cair de sua mão e vela cair lentamente do 13° andar do prédio, foi quando viu a solução para a terrível desgraça que era sua vida, a resposta que procurava já há muito tempo e que estava bem diante de seus olhos.
Olhou uma última vez para o relógio de parede que ficava na sala e viu que faltava um minuto para a meia noite, respirou fundo e retirou as sandálias que usava. “O mundo não foi feito pra mim, ou será que eu não fui feito para tal?”, duvida essa que Coraline talvez não tenha resposta já que estava prestes a uma última escolha, a escolha de um ultimo grito exultante de seu coração que clamava por ser abatido para que desse logo fim ao seu sofrimento interminável permeado pelo medo.
Quando deu meia noite a jovem subiu na grade que a separava da queda que com certeza a mataria e deu um último e longo suspiro antes de chegar ao fim de sua desprezível vida que não acrescentou em nada no mundo e então se soltou da grade. Ela saltou. Ela saltou para o suicídio que a chamava desesperadamente e não viu nenhum flash back passar diante de seus olhos como muitos diziam acontecer quando se estar diante da morte, mas antes mesmo de se chocar contra o asfalto sentiu seu corpo se puxado de volta como se tivesse pulado de Bungee jumping, achando ser sua alma já retirada do corpo viu ser puxada ainda mais para cima, se viu ser puxada para o céu noturno. O estranho é que não sentiu dor alguma, foi muito instantâneo como um piscar de olhos. Ao ser puxada se sentiu como se estivesse amarrada a uma corda ou fio que fosse sendo puxado por alguém para o céu, mas se realmente estava morta porque se sentia tão viva? Seu coração ainda dava pulos de adrenalina e sua pela formigava intensamente.
Sem entender bem o que se passava observou cada vez mais se afastar do chão e ser levada para cima sem destino certo. Quando percebeu que estava em uma altitude além da considerada normal até para um avião viu-se ultrapassar a camada de ozônio, o ar lhe faltou nos pulmões e por um breve momento achou que ali nos segundos exorbitantes que lhe torturava a falta de oxigênio achou que fosse morrer e como um bebê acaba de gritar o choro da vida ao nascer do ventre de sua mãe Coraline sentiu o ar ressurgir em seu sistema respiratório e desesperadamente começava a devorar o ar inexistente no espaço. “O que está acontecendo?” estava atônita a jovem mulher que notou se afastar cada vez mais da terra.
Com uma distância não tão longa do planeta Coraline sentiu a força que a puxava parar e solta-la na vastidão que é o espaço silencioso. Sozinha na escuridão sentiu algo que nunca sentira em toda a vida, paz. A paz de não ter que acordar cedo para ir trabalhar, a paz de não ter que dar satisfações a ninguém, a paz de não existir no mundo em que vivia.
Silêncio.
Silêncio.
Parada e somente aproveitando a existência de não existir Coraline ouviu um grito, não era exatamente um grito estava mais para uma discussão. Abrindo os olhos e procurando ver de onde vinham os berros, viu de não muito longe dela duas pessoas que pareciam ser dois homens sendo ser puxados da mesma forma que com ela acontecera. “O que?”. Chegando perto o suficiente para ver quem eram os dois homens Coraline percebeu que não pareciam entender o que estava acontecendo, e como ela, eles também pararam de ser arrastados ficando os três no vazio do espaço.
Nenhum dos três nunca se vira antes e isso foi um poço para desconfianças. Um dos homens que parecia ser já um senhor de idade tinha um ralo cabelo grisalho e seus olhos estavam meios sonolentos como se tivesse acabado de acordar, era plausível a ideia já que usava roupas de dormir.
Olhando a mulher o homem começou a questiona-la com certa autoridade e ignorância o que tinha feito a ele, quem era ela e o que estava ocorrendo. Sem nem ela mesma entender o que se passava no presente momento Coraline tentou explica-lo que não sabia de nada, que foi arrastada para o céu de forma anormal. O homem sem acreditar na mulher começou a insulta-la chamando-a de mentirosa e psicopata, isso serviu de carona para que o segundo homem que parecia ser jovem e belo entrar na discussão ofendendo o homem velho. A discussão perdurou por um tempo significativo e os três depois de perder os argumentos se juntaram ao silêncio do espaço que até o momento se mostrava o mais sensato de todos ali.
—Eu me chamo Christian e não sei se estou apenas sonhando. —disse o um dos homens, o mais jovem que tinha traços de uma pessoa respeitosa.
—Sou Coraline e desculpe não poder usar o prazer da apresentação.
O jovem Christian sorriu e percebeu Coraline que tinha falado com ironia, algo que já não fazia há anos.
—Não acho que preciso me apresentar a vocês, mas como falaram o nome de vocês me sinto no direito—disse o homem velho com aquela sua arrogância—me chamo Bastian.
Antes que pudessem ter um dialogo mais plausível diante do inexplicável acontecido notaram da mesma forma que como chegaram ali outras milhares de pessoas virem da direção da terra para perto de onde estavam, pessoas de todos as idades, de todas as aparências e em pouco menos de uma hora parecia que metade das pessoas da terra se encontrava no espaço, inexplicavelmente todos pareciam não acreditar no que acontecia até mesmo Coraline começava a acreditar que tudo não passava de um sonho.
Um terrível zumbido de vozes se fazia, pessoas choravam outras gritavam e até mesmo se batiam para ver se acordavam desse sonho que começavam a notar que não era sonho. Ali perto havia uma criança choramingando incontrolavelmente chamando pela mãe que parecia não estar ali, Coraline sentiu um forte aperto no coração pela criança e foi na direção da própria para consola-la já que nenhuma outra pessoa ali parecia com ela se importar, antes mesmo que chegasse perto da menina Christian a ultrapassou e foi na direção da criança que arregalou os olhos ao vê-lo.
Sem entender o que se passara Coraline se aproximou dos dois e perguntou o que se passava, foi quando o jovem rapaz lhe explicou que conhecia a menina que parecia ter 12 anos de idade, disse que ela era irmã de uma ex-namorada. A menina se agarrou a Christian como se ele fosse seu porto seguro e assim ela parou de chorar.
Juntos ficaram observando a face das demais pessoas para ver se conheciam mais alguém e por incrível que pareça o jovem rapaz conheceu mais algumas delas que na maioria das vezes era um velho amigo ou parente distante. Coraline por outro lado não conhecia ninguém e sentiu-se de certa forma solitária, o jovem rapaz por momentos puxava uma conversa com ela para não deixa-la no vácuo total.
—Você parece ser bem popular com as pessoas. —falou Coraline.
—Nem sou apenas tento ser atencioso com todas as pessoas que conheço. —diz o rapaz com a jovem garota que se chamava Nina agarrada a sua calça.
Nesse momento olhando para os pés Coraline notou que estava pisando em terra firme, não exatamente terra, era grama, uma grama aparada e firme, levantando a cabeça e olhando ao redor viu as arvores e foi então que começou a escutar os suspiros de toda aquela multidão que como ela começou a perceber que estava no que parecia ser uma clareira. O céu noturno ainda predominava, mas pelo que tinham passado não tinham certeza se estavam na terra.
Apesar de ser noite dava para enxergar claramente o ambiente que começava a revelar-se familiar, todos começaram a se questionar onde estavam e foi nesse momento de duvidas que uma forte luz se viu descendo do céu como que uma estrela caindo e quando mais se aproximava do solo ia tomando forma, a forma de um homem alto, forte e com uma alma que dava para ser sentida de perto.
À luz que tomou a forma de um homem começou a mexer os lábios formando palavras que de inicio não fizeram sentido, mas só depois as incontáveis mentes que se encontravam ali começaram a raciocinar.
“Aqui quem vos fala é o que a este universo criou, o qual do barro fez o homem e a mulher”.
A voz que se escutava era estrondosa de um grave que inundava não só audição como também fazia a alma se arrepiar e o espírito tremer.
“O fim da minha primorosa obra chegará ao fim quando o ultimo dos escolhidos estiver de pé, pois muitos serão chamados mais poucos escolhidos”.
Nesse momento a mente de cada indivíduo ali começou a remexer algo familiar nas palavras desse homem que os transbordava de prazer ao escuta-lo. A familiaridade das palavras de certo livro que praticamente todos possuíam em casa, mas não o leram de verdade.
“Aqui estão todos os chamados entre aqueles de sua espécie, aqueles que dentre todos merecem uma chance de ser parte dos 24 escolhidos”.
As pessoas começaram a entender parte do que estava ocorrendo, algumas ainda desacreditavam na verdade ou apenas achavam ainda estar sonhando.
Todas as pessoas que estavam ali perceberam estar sendo cercados por criaturas com corpo de homens e aparência de deuses, possuíam enormes asas alvas como a neve que estava levantada com todo o esplendor da magnificência.
“Agora neste momento tardio serão escolhidos os meus queridos anciões que representarão seus irmãos na ultima batalha a ser travada e no último jogo a ser jogado.” Disse a estrondosa voz que arrepiava a todos.
Neste momento foi visto por todos os olhos que ali estavam o ser luminoso que vos falava ser elevado ao céu noturno e como fogos de artifícios seu corpo ser explodido em milhares de pontos fluorescentes que começaram a cair por terra como pingos de uma chuva passageira que começaram a tocar os seres angelicais que ali estavam cercando as milhares de pessoas e como mágica eles eram transformados em perfeitos e espetaculares tronos de mármore sendo no total 24 deles.
Era lindo ver aquele espetáculo maravilhoso, mas antes que se pudesse admirar a magnificência destas coisas ouviu-se uma voz alta e clara:
“Aqueles que se apoderarem de seu trono serão salvos da terrível calamidade que agora ocorrerá e vos apresso em dizer que os que aqui permanecerem logo terá um fim para o último jogo a ser jogado não precisar assistir”.
Logo após a voz se calar o chão começou a tremer e raios avermelhados começaram a eletrocutar as pessoas que ali estavam indiscriminadamente, gritos se ouviam e o cheiro de cabelo queimado impregnou o lugar.
De repente se viu uma criatura monstruosa aparecer de lugar nenhum e começar a devorar as pessoas que começaram a correr desesperadamente.
Christian agarrou Nina no colo e começou a correr para qualquer lado sem saber para onde ir, vendo os assentos de mármore pensou ser um lugar seguro para se proteger e ao se aproximar de um dos 24 tronos que se encontravam ali colocou a menina que chorava desenfreadamente no assento e sem precedentes a menina e o trono de mármore desapareceram num piscar de olhos. Sem entender o que ocorrerá Christian se lembrou do que disse a voz “aqueles que se apoderarem de seu trono serão salvos...” foi nesse momento que começou a correr rapidamente para um dos tronos restantes e sentar em um, mas foi quando se lembrou de Coraline que deveria estar pressa entre a multidão de desesperados, sem pensar duas vezes se voltou para as pessoas e começou a gritar seu nome.
Enquanto procurava pela jovem mulher, Christian não notou que as demais pessoas o viram colocar a criança no trono que desapareceu e não tardou para juntarem um mais dois e lembrarem-se do que dissera a voz, aos poucos pessoa após pessoa tomava um trono que desaparecia rapidamente.
Coraline estava agachada no chão chorando lágrimas de pavor e medo quando sentiu mãos doces e fortes a tocarem, assustada as afastou rapidamente e só depois de ver de quem eram se levantou e o abraçou forte com medo de perdê-lo novamente.
—Temos que nos sentar nos tronos se quisermos sair daqui. —disse Christian.
—Como assim, o que está havendo? —Coraline estava perplexa.
—Não sei, mas sinto que devemos fazer isso.
Se virando para correrem em direção aos tronos observaram que agora só restavam 10 ainda presentes, as pessoas estavam começando a perceber o que deveriam fazer para saírem daquela chuva de raios e do monstro que estraçalhava as pessoas sem piedade.
De mãos dadas correram sem demora, mas de repente foram forçados a parar por conta de um agudo grito que os anestesiou, com a dor gerada pelo grito foram forçados a levar as mãos aos ouvidos, o grito era tão agudo e penetrante que o ouvido de Christian começou a sangrar e Coraline ficou zonza quase desmaiando.
Olhando ao redor viram uma criatura enorme surgir dos céus, era uma espécie de pássaro amarronzado com garras enormes e afiadas, seu bico era fino e longo, suas penas pareciam brilhar como ouro. Do ar o pássaro titânico pegava as pessoas com suas enormes garras e as levava para o alto para que assim pudesse solta-las e vê-las gritarem de medo antes de serem mortas com impacto ao chão.
—Vamos rápido. —gritou Christian para Coraline.
Voltando para a corrida que antes fora interrompida observaram mais duas pessoas sentarem nos tronos assim sobrando apenas oito, aceleram os passos quando viram que as pessoas que ainda se mantinham vivas começaram a correr na mesma direção, começando uma estrema corrida pela vida.
Já chegando perto dos tronos, faltando apenas dez metros da salvação viram uma senhora perdida vagando fantasmagoricamente por entre os corpos dilacerados na grama verde que agora estava repleta do vermelho coagulante das entranhas de centenas de pessoas. Christian parou de correr para ajudar à senhora quando Coraline o puxou de volta, ele a encarou e entendeu que ela estava com medo.
—Prossiga, estarei logo atrás de você. —disse o rapaz a abraçando forte e soltando a mão dela.
Coraline não queria deixa-lo, seu medo estava agonizante, mas o estranho é que ela tinha certeza de que não queria mais viver e agora tinha medo de perder a vida.
Correndo sem parar viu o pássaro pegar duas pessoas que estavam correndo do seu lado com as garras afiadas deixando suas pernas tremulas e a fazendo perder o equilíbrio que a fez cair em cima de um corpo dilacerado, seus gritos foram inevitáveis e o medo a paralisou por completo. Tentando levantar-se do chão o sangue que lhe cobriu o corpo a fazia escorregar e o desespero começou o seu coração devorar. Foi quando sentiu novamente as mãos de Christian a levantar pelo braço, ela o encarou e se agarrou a ele dividindo parte do sangue que a cobriu no corpo dele. A velha que o Christian havia voltado para buscar estava agora em suas costas agarrada fortemente ao seu pescoço.
—Vamos rápido.
Chegando ao destino predestinado sentaram a idosa em um dos tronos e como acontecera com a pequena Nina ela desapareceu imediatamente. Faltavam apenas cinco tronos quando viram mais duas pessoas se apoderarem de dois deles que sumiram velozmente.
Rapidamente Christian empurrou Coraline em cima de um trono a fazendo materializar-se instantaneamente.
Agora faltavam apenas dois e um seria dele, prestes a se sentar em um trono viu um homem alto e forte agredindo um jovem magro que com certeza seria morto se ninguém o ajudasse, Christian não tinha escolha se não ajudar, seu maior principio era o respeito com o próximo e sabia que não podia ficar quito ao ver uma impunidade. Pulando sobre as costas do agressor Christian o apunhalou fortemente na cabeça com socos fazendo-o ficar desorientado.
—Rápido corra e sente-se em um trono. —disse Christian ao jovem garoto.
Vendo o jovem garoto correndo para longe do homem que o mataria ficou alegre com o feito e virando-se para o agressor sentiu um forte soco atingir-lhe a face, nocauteado desprevenido caiu ao chão com o nariz sangrando e ouviu o homem agradece-lo por ter lhe dado um dos tronos de presente.
Caído no chão viu o forte agressor sentar no último trono ainda restante e foi nesse momento que sentiu raiva da vida, não por ter perdido um trono, mas por ter sido uma pessoa má que o ocupou.
Os gritos das demais pessoas ainda davam para ser escutados enquanto os raios as atingiam ou as criaturas as devoravam. Cansado e exausto da correria que foi esse ultimo momento de sua vida sentiu um calor domina-lo e um momento de esperança surgir em seu coração, foi quando viu uma mulher correr desenfreadamente na direção dos tronos que não mais existiam, mas virando-se para trás sem nenhuma expectativa viu que ainda havia um intacto e intocado. Essa era sua última chance. Velozmente Christian correu e tentou com todas as forças ultrapassar a mulher que não pararia por nada na vida. Com toda a velocidade que tinha nas penas correu paro o trono de mármore que o salvaria, mas a mulher já estava a poucos metros de se salvar quando ele saltou sobre o corpo da sua oponente.
—Não, é meu. —ouviu a mulher falar.
Christian se levantou e sentou-se no mármore frio e pálido, mas antes de materializar-se como acontecera com todos os outros ele pode ver o medo e pavor impregnado na face daquela mulher que nunca mais veria na vida.
Fale com o autor