The house next door
12 O baile .
Notas iniciais
Ao chegarmos no baile, todos ficam nos olhando, mas nem nos importamos, sentamos em uma mesa. O lugar está lindo todo no tipo dos anos 90, as músicas não são bem todas daquela época, mas ainda são legais, bem algumas. Thomas me convida para dançar, e vamos até a pista, está tocando ‘’Foy Vance- be the song’’, reconheço pois é uma das minhas prediletas; é lenta,calma, boa para dançar. Depois de mais algumas músicas voltamos para nossa mesa. Vejo Dean nos olhando do outro lado do salão, ele parece estar meio nervoso, mas nem me importo, não vai ser ele quem irá estragar minha noite.
Depois de algum tempo, eles vão anunciar o ‘’Rei e a Rainha’’. Nos levantamos, e vamos perto da multidão de pessoas que estão por lá.
–E agora o momento mais esperado pelas garotas. Quem será o ‘’Rei e a Rainha’’ ? –o garoto que da anuncio na rádio da escola e foi o Dj dessa noite anuncia. –Pam Pam Pam Pam. E o ‘’Rei’’ desta noite meus caros e caras. É Zac Fisher.
Todos gritam e aplaudem, bom era o esperado já que ele é o capitão do time da escola.
–E agora, a “Rainha”. Pam Pam Pam Pam... Meghan Owen.
Quando ele fala o nome da Meghan ela e as amigas dão uns gritinhos, eu e o resto das pessoas aplaudem. Bom ela é namorada do capitão do time, e a capitã das líderes de torcida., seria meio obvio isso. Eles dançam no meio do salão, e logo vai surgindo outros casais. Thomas pega em minha mão, e caminhamos até lá, e dançamos juntos, ele está segurando minha mão direita, com a outra mão em volta da minha cintura, e eu apoio meu queixo sobre minha mão, que está em seu ombro. Logo começa a tocar uma música agitada ‘’Fefe Dobson –I want you’’. Todos começam a dançar e pular como uns descoordenados, eu e Thomas vamos até a mesa e pegamos algo para beber, quando Dean chega.
–Bela noite, não acham ? –eu e Thomas nos viramos para ele, que parece ter bebido um pouco. –Você está linda Lara. Pena que veio com esse carinha aí.
–Dean, o que você está fazendo ? –eu falo sem saber o que dizer, olho para Thomas e percebo a mudança em seu humor.
–“Eu sei mais sobre ele, do que sei sobre você’’. Será que conhece tão meu seu amiguinho assim Lara ? –ele fala, então encara Thomas, e volta a me olhar, confesso que não entendendo nada do que ele está falando.
–O que você quer cara ? –pergunta Thomas se segurando.
–Eu sei sobre você Chapman, mas será que ela sabe ?
–Do que você está falando Dean ? o que você quer ?
–Estou falando desse louco aí. Não se satisfez matar a mãe, quer matar ela também ? –hã ? como assim?
Quando eu vejo Thomas avança para cima de Dean, que cambaleia mais ainda de pé, com o nariz todo sangrado, então Thomas volta a bater nele novamente que cai no chão, sem se conseguir levantar. De repente um monte de gente se aproxima para ver a briga.
–THOMAS ! –eu grito segurando seu braço, que tanta se afastar de mim, e acaba me empurrando para a mesa.
Zac,e outros caras vem e ajudam Dean a se levantar, Thomas se vira para mim, me olha meio confuso e sai dali, eu decido ir atrás dele quando ouço alguém gritar meu nome, me viro para ver, é Meghan. Olho de relance para Dean, que parece ter quebrado o nariz, pois não parava de sangrar, dou de ombros para Meghan e saio dali atrás do Thomas.
–THOMAS. –grito de novo, procurando por ele, vejo ele perto do carro, e caminho até lá. –Thomas.
–Me deixa Lara, sai daqui.
–Não ! eu não vou sair, o que foi aquilo ? do que Dean estava falando ? –ele se senta no meio fio, coloca as duas mãos no rosto, parece muito nervoso. Eu me sento ao lado dele, e pego em seu braço. –Hey.. Thomas.. fala comigo. –eu quase suplico em voz baixa e calma.
Ele olha para mim com os olhos cheios de lágrimas, então respira fundo e fecha os olhos, ao abri-los novamente lágrimas escorrem pelo seu rosto, eu o continuo olhando, sem desviar meus olhos dos dele, que agora parecem ficar meio acinzentado.
–Foi culpa minha. Foi tudo culpa minha. –ele diz em suspiros, e lágrimas caem em seu rosto.
–O que foi culpa sua Thomas ? –eu falo com a voz calma. –fala comigo, por favor, eu quero te ajudar, fala comigo.
–Ela morreu por minha causa, eu deveria ter buscado ajuda, mas não, ela morreu minha culpa minha. –ele volta a olhar pro chão, com as mãos na cabeça, com a respiração em desespero.
–Quem morreu por sua causa ?
–Minha mãe. Minha mãe. –minha nossa ! –Eu e minha mãe éramos muito apegados quando eu era criança. –ele diz ao respirar novamente, e agora o choro e a respiração se acalmam. –Um dia meu pai foi levar Dylan até o treino, e eu fiquei com minha mãe em casa. –ele faz uma pausa novamente.
–O que foi que aconteceu ? –pergunto pegando em seu braço novamente.
–Eu estava no quarto, e ela estava preparando biscoitos. Quando um ladrão entrou em casa, eu desci correndo, e em meio ao susto o ladrão disparou a arma, e acertou minha mãe. Ele saiu correndo, e eu corri até ela que estava sangrando no chão, eu me ajoelhei e fiquei lá, do lado dela. Eu poderia ter ido pedir ajuda, ou até mesmo ligar para a polícia. Mas não, eu fiquei lá com ela. Uma hora depois meu pai chegou, e nos viu lá. Ela ainda estava viva, mas era tarde demais, ela morreu a caminho do hospital. Os médicos disseram que se ela tivesse sido socorrida algum tempo antes, ela teria sobrevivido, mas demorou muito e ela perdeu muito sangue.
–Como você dizer que a culpa foi sua ? você era apenas uma criança.
–Uma criança de 8 anos sabe ligar para a polícia ou até mesmo pedir ajuda. –ele ficou em silêncio por alguns segundos. –Depois que minha mãe morreu, meu pai começou a beber. Ele bebia todos os dias, e quando chegava em casa, ele me batia, me batia muito, e sempre me culpava pela morte da minha mãe. Dylan não fazia nada para tentar me defender ou me ajudar. Se fosse o contrário eu o defenderia, mas não. Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, eu comecei a me meter em brigas, tentava descontar a raiva que sentia de meu pai em outras pessoas. Certo dia, eu perdi minha cabeça, e avancei no Dylan, eu bati muito nele, e me arrependo tanto por isso. Meu pai chamou a policia, e eles me levaram para uma clínica psiquiatra. Meu pai disse que eu era louco, eu fiquei lá por 5 meses, só sai depois que soube da noticia, que meu pai tinha morrido. Então eu e Dylan viemos morar com minha avó. Mas eu nunca o perdoei, eu o desculpei, mas ainda não consegui perdoar.
Eu não consigo dizer nada, estou totalmente aterrorizada com esta história. Então ele volta a falar.
–Sabe o que é sentir culpa pela sua mãe ter morrido por sua causa ? é horrível Lara. Eu a amava, eu ainda a amo. Mas as únicas coisas que consigo me lembrar é de seus gritos me chamando; dela fazendo biscoitos, e de repente, ela caída no chão da cozinha. Morrendo. Foi quando eu te vi, no carro. Foi como se eu tivesse encontrado uma maneira de amenizar esta culpa, foi por isso que eu me aproximei de você. Eu nunca tive amigos, eu realmente era um garoto violento, mas quando eu te vi, algo mudou, eu não sei dizer, não sei explicar.
Eu coloco minhas mãos em seu rosto, e olho fixamente para dentro dos olhos dele.
–Está tudo bem agora Thomas, eu vou te ajudar. A culpa não foi sua. Eu estou aqui, e não vou sair de perto de você. Eu vou te ajudar. –as palavras saem com total sinceridade, e uma necessidade de ajudá-lo.
Ele continua olhando fixamente dentro dos meus olhos, e então me beija. Eu sinto o desespero dele. Ele precisa de mim, da minha ajuda. E eu preciso fazer isso por ele. Depois de um longo beijo, ele se afasta de mim, e volta a olhar fixamente em meus olhos, seu rosto muda. Ele fecha os olhos inspira profundamente, e depois solta o ar com calma, volta a abri-los.
–Obrigada por me contar. –eu digo ainda com seu rosto em minhas mãos.
–Obrigado por aparecer. –ele da um sorriso tordo, tímido mas encantador. –Vamos, eu vou te levar para casa, você deve estar exausta.
Ele se levanta, e pega em minhas mãos, me ajudando a se levantar, então entramos no carro e vamos para casa.
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