The guardians of Svante - Interativa
5 "Pequenas discussões"
Notas iniciais
Sorrisos, em alguns rostos eles são constantemente vistos, como no rosto de Seren, mas em outros rostos eles são dificilmente encontrados ou você pode vê-los em horas não muito comuns, como no rosto de Kalevi.
Mas um sorriso nunca sumiu tão rapidamente do rosto dele como quando o General a viu entrar no restaurante:
– Não está feliz em me ver General? — Um sorriso irônico se formou no rosto da garota de longos cabelos castanhos escuros
Ela usava um capuz que quase impossibilitava ver seus olhos e suas feições, mas ainda era possível ver seus cabelos e seus lábios que formavam um sorriso conhecido pelo general da Fronteira Sul.
Todos da mesa voltaram seus olhos para Kalevi, mas ele continuava com seu olhar na garota que agora já estava bem perto da mesa onde estavam sentados. Seren que sentava a direita do general da Fronteira Sul agarrou o braço dele receosa com a resposta que ele daria a garota:
— Muito pelo contrario – Um sorriso que poderia ser considerado totalmente inocente se formou nos lábios do garoto que ainda tinha seus olhos centrados na garota a sua frente – Gostaria de se sentar conosco Senhorita Alekzia?
Ao ser pronunciado o nome da até então desconhecida Thorian e Skylar se levantaram e fizeram uma rápida reverência:
— General Alekzia! — a voz de Skylar demonstrava certa surpresa e até mesmo um pouco de receio — Chegaste agora na feira?
— Não, já faz algum tempo — ela falava enquanto puxava uma cadeira pra sentar em frente á Kalevi — E para minha felicidade já completei minha lista.
— Coincidência, eu também já terminei a minha lista — Kalevi deu ênfase na palavra “minha” e “terminei”, o que fez Erza revirar os olhos.
Alekzia e o General se encararam de um modo intimidador, de repente um silencio sepulcral e levemente constrangedor domina o restaurante e todos se viram para a mesa onde os Generais e as Stinnes estavam sentados, Thorian limpa a garganta:
— Certo...competição pra ver quem piscar primeiro....Meio infantil não acham? — Ele olha para Seren esperando que a mesma concorde, mas ela está com as mãos cobrindo o seu rosto e Thorian finalmente percebe o erro que comete.
“Competição”, a palavra proibida quando se está com Kalevi e Alekzia, porque para eles tudo já era uma competição. “Quem corre mais rápido”, “quem sabe mais golpes com espada”, quem consegue ficar mais tempo de baixo d’agua” (essa quase causou a morte dos dois), até mesmo “quem consegue comer mais torradas com queijo apimentado sem pedir água!” (essa ultima o vencedor foi Kalevi). E tudo estava indo muito bem, mesmo não parecendo, até que nosso General da Fronteira Norte oficializou a competição:
— Infantil... Com certeza, mas eu ganharia facilmente — Kalevi fala sem tirar os olhos de Alekzia
— Só porque você fica trapaceando! — a General da Fronteira leste cospe as palavras, mas sem piscar nem por um segundo.
— Como ousa!? — Kalevi se levanta com o rosto queimado de irritação e os olhos cinzentos cheios de raiva e ódio — Como se atreve a falar que eu trapaceio!?
— Só falo a verdade — Alekzia também se levanta, a competição parecia ter acabado, ou só virado uma competição de insultos — As suas torradas não estavam apimentadas! Eu fiquei com todas as que verdadeiramente ardiam!
— Ou você não tem a capacidade de aguentar o ardor das pimentas e fica inventando desculpas para seu fracasso... — O General fala com um sorriso cínico no rosto.
— Ah, você não falou isso... — agora a própria General de cabelos castanhos escuros tinha seus olhos inundados com ódio — Retire o que disse, e aí eu não quebro a sua cara...
Todos na mesa se assustaram qual tal palavreado, não era educado nem um simples Pedar vendedor de doces falar isso, imagine uma General! A atenção de todos do restaurante parecia estar novamente voltada para a mesa onde todos estavam sentados:
— “Só digo a verdade” — Kalevi fala em um tom debochado imitando Alekzia com o sorriso cínico ainda estampado no rosto.
Tudo aconteceu muito rápido, um grito, que lembrava mais um rugido, foi ouvido vindo da General da Fronteira Oeste. Depois era possível ver copos e pratos voando e Kalevi sendo praticamente lançado contra a fonte, e caindo na mesma. Moral da historia... Um olho roxo, roupas encharcadas e todos foram expulsos do restaurante com ordem de não voltar para o mesmo tão cedo.
Um silencio constrangedor caiu sobre eles, que agora estavam do lado de fora do restaurante, ninguém tinha coragem de falar algo, principalmente se fosse algo sobre a “pequena discussão” entre o General da Fronteira Sul e Alekzia. Felizmente depois de mais alguns minutos Erza quebrou o silencio:
— Bem, já que metade da refeição foi pelos ares... E tenho certeza que ainda estamos com fome... Eu poderia comprar algo para comermos... Conheço uma Pedar dona de uma Padaria aqui perto. Alguém quer vir comigo? — Skylar foi a primeira a se voluntariar logo depois Alekzia, provavelmente para ficar longe de Kalevi — Certo... Sigam-me...
Logo as três já tinham sumido de vista, e o silencio voltou a reinar entre Seren, Kalevi e Thorian:
— Kalevi... Seu olho ainda dói? — A voz de Seren era baixa e preocupada.
— Estou bem... — Foi a única resposta, mas Thorian e a Stinne das tempestades sabiam que aquilo era uma mentira. Alekzia tinha dado um belo de um soco no olho do General de olhos cinzentos — Só está meio roxo... E um pouco inchado
— Um “pouco”? — Seren quase grita o “pouco” — Seu olho parece uma berinjela gigante! — ela para um pouco e parece pensar sobre o que acabou de dizer — Certo, péssimo exemplo... Parec com... Bem...O que é redondo e roxo?
Thorian abre a boca para falar, mas Seren o impede tapando a boca do mesmo:
— Porém não é isso que importa no momento... Precisamos de um curandeiro.
— Tem uma família de Curandeiros... — O General da Fronteira Norte começa a falar e a Stinne retira lentamente a mã da boca do mesmo — Eles passam os ensinamentos de geração em geração e se não me engano a barraca deles para a Feira de Niels é dobrando a esquina
Como resposta Seren abre um sorriso e abraça Thorian, já Kalevi se contenta a dar uns grunhidos insatisfeitos:
— Ah, pare de resmungar! Por Gunhild e todos os onze mundos! Você resmunga mais que seu pai ao roncar! — O General da Fronteira Sul olha para Seren meio confuso “Eu resmungo tanto assim?” ele se perguntava — Agora Thorian poderia mostrar o caminho?
— Seria um prazer! — fala com entusiasmo e logo começa a caminhar em direção ao centro da feira
Iam caminhando tranquilamente pelas ruas, agora não tão lotadas. Thorian e Seren conversam bobagens como: “Qual é o melhor torta de frutas?” Ou “O que você faria se esbarrasse com alguém da família real”? Chegaram rápido a barraca, mas essa parecia não ter ninguém:
— Com licença... Teria como alguém nos ajudar? — logo depois da pergunta feita pela Stinne, ela e os dois Generais ouviram alguns frascos e outras coisa sendo derrubadas.
— Parecem ocupados... Vamos voltar outro dia, que tal? — Kalevi começa a andar para longe da barraca, porém Seren faz com que um raio caia bem em sua frente impedindo que continue a se distanciar — Retiro o que disse...
Thorian ri um pouco da situação, era engraçado como Seren não parecia nem um pouco incomodada ou assustada com a arrogância de Kalevi. O General da Fronteira Norte começou a se perder em seus pensamentos, mas foi trazido de volta a realidade quando um garoto um tanto magro e com olhos alaranjados apareceu de dentro da Barraca:
— Como posso ajuda-los?
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