The great change
20 Desabafo
Notas iniciais
– O que esta acontecendo aqui? – falou séria.
– Nada só estamos rindo.
– Sobre?- continuou a ficar séria.
– Sobre o programa de televisão. – nossa ele mentiu feio.
– Que surpresa te ver aqui Cecília. — ironizou.
– Vim ver o Davi. E saber como você esta, melhorou do resfriado?
– Ah... Sim estou melhor. Cyh não se incomoda se eu e o Bernardo fomos sair?
– Claro que não. Se divirtam. – falei rindo por fora e chorando por dentro.
Depois que eles saíram me senti tão triste. Me sentei no sofá e fiquei olhando televisão até o Davi terminar de ter feito o almoço. Resolvi ligar para minha mãe.
– Oi mãe.
– Oi meu amor, tudo bem?
– Tudo sim e com você?
– Tudo ótimo. Estou com saudades e como vão as coisas por ai?
– Esta tudo bem mãe. Só quero que o tempo passe rápido para poder voltar para casa.
– Ah meu bem eu também quero, e seu pai como anda?
– Ele esta bem, não o vejo muito, ele só passa trabalhando. Na verdade só quem mora naquela casa somos eu e a empregada.
– Que chato isso meu amor.
– Nem me diga mãe. Mas estou gostando daqui, tenho uma boa escola, ótimos amigos.
– E o seu namoradinho?
– Que namoradinho mãe?
– Aquele, o Bernardo.
– Ele não é meu namoradinho.
– Mas você gosta dele não é?
– Mãe, para de falar assim.
– Porque filha? Se você gosta dele.
– Eu não falei que gosto.
– E nem que não gosta.
– Ta mãe para de confundir. E Como vão as coisas por ai?
– Esta tudo certo meu amor, estou bem, me tratando, não estou ingerindo álcool.
– Que ótima noticia mãe, assim você me deixa muito orgulhosa.
– Quero que você volte o mais rápido possível, faço isso por você meu amor.
– Obrigado mãe, mas para de falar essas coisas se não eu choro.
– Ta bem meu amor, vou ter que desligar, vou sair, se cuida filha e tenha um ótimo dia. Te amo.
– Ta bem mãe, te amo.
Davi terminou de fazer o almoço e comemos, a comida estava muito boa, ele sabe cozinhar. Ficamos a tarde toda vendo filmes e comendo pipoca de chocolate. Passar a tarde com ele era agradável, me sentia como uma princesa ao lado dele. Algumas vezes me sentia mal por não corresponder o que ele sentia por mim, afinal só tenho um coração. E infelizmente ele esta ocupado, por enquanto.
Bernardo
Passar o tempo com a minha loirinha me deixava feliz demais, ela era a garota perfeita para mim. Não tem como não ficar perto dela sem sorrir, ela é engraçada, divertida e uma ótima amiga, claro que para mim não. Eu a deseja em secreto, não conseguia passar um dia inteiro sem falar com ela. Meu dia era mais feliz ao vê-la, mas também triste por não a ter. Precisava acabar com tudo esse namoro de fachada, não aguento mais a Laís e as histórias superficiais dela.
Depois de um passeio entediante levei a Laís em casa e para minha surpresa a Cecília ainda estava la, será que ela e o Davi estão ficando? Não é possível, ela não pode fazer isso, eu vejo o jeito que ela me olha, e de como gosta de estar ao meu lado.
– Oi pessoal.
– Oi Bhê, vai para casa?
– Vou sim Cecília, quer carona?
– Quero sim. Davi a noite eu passo aqui para a gente ir na pizzaria.
– Quem disse que vou te levar na pizzaria?
– Eu sei que vai. – Ela o beijou na bochecha, que raiva desse cara.
– Vamos, seu gordo.
Fomos para o carro e, pois é ganhei um carro da minha mãe, ou melhor, uma conversível prata. Vou fazer aniversário mês que vem, ganhei presente antecipado.
– Que carro é esse? – falou Cecília.
– Meu carro.
–E desde quando você tem carro?
– Minha mãe me deu, estou me comportando melhor diz ela.
– São as boas influencias. – piscou para mim.
– Devem ser mesmo. – durante o caminho escutamos músicas e rimos muito. Não tinha como estar do lado da loirinha e não rir.
– Bernardo posso te fazer uma pergunta?
– Claro que pode loirinha.
– Você já gostou de alguém de verdade? – me assustei com a pergunta, parei e fiquei a olhando.
– Como assim? – mantive o olhar na estrada.
– Tipo, você já gostou muito de alguma menina?
– Não sei Cecília. – menti descaradamente.
– Como assim não sabe?
– Não sei, oras...- comecei a gaguejar. – ficamos em silêncio.
– Mas porque essa pergunta?
– Porque sim.
– Porque sim não é resposta.
– Ah deixa pra la.
– Você esta gostando de alguém? — falei preocupado.
– Não te interessa.
– Não me interessa mesmo. — falei num tom grosseiro.
Cecília
Chegamos no prédio e cada um foi para seu AP. Estava cansada desse joguinho bobo do Bernardo, ele me olha e posso ver que ele me quer, mas temos um obstáculo a Laís, e hoje deu pra ver que ela ficou brava com a gente. Melhor eu voltar a ser a Cecília arrogante de antes, assim não me machuco tão rápido.
A noite passou rápido, estava cansada e não quis sair com o Davi, mandei uma mensagem para ele e depois adormeci. No dia seguinte acordei, tomei banho, fiz uma maquiagem rapidinha e sai correndo para pegar o ônibus, mas para minha surpresa quando fui abrir a porta de casa o Bernardo estava do lado de fora me esperando. Ele estava incrivelmente lindo, quer dizer ele sempre é lindo. Ah coração, vê se toma jeito!
– Oi Linda.
– Oi. – respondi seca.
– Tudo bem com você?
– Aham.
– Mal humor?
– Quer saber estou sim de mal humor. – falei aumentando meu tom de voz.
– Calma, só te perguntei algo.
Fomos para a escola de carro, no caminho não nos falamos. Desci do carro e fui caminhando até a sala de aula. Algumas pessoas estavam sentadas, graças a Deus a Carter esta la.
– Amiga preciso falar com você, vem! – a puxei pelo braço. Nos fomos sentar em um banco do outro lado da escola.
– O que foi Cecília?
– Não aguento mais amiga, to sofrendo muito. – comecei a chorar, não aguentava mais guardar esse sentimento dentro de mim. Ela me abraçou.
– Oh minha flor, o que aconteceu?
– Eu estou apaixonada pelo idiota do Bernardo.
– Sérioo? – falou surpresa. – consenti com a cabeça.
– Estou me sentindo muito mal. Eu não devia ter me apaixonado por ele, porque ele namora a Laís.
– Isso acontece amiga, mas você gostava dele antes isso não é? Desde aquele beijo?
– Acho que sim. Mas e agora? O que eu faço? Esta doendo ver ele com ela.
– Sei que isso é horrível, mas passa meu amor. Tenta esquecer ele, faz de conta que ele nem existe.
– Nos estávamos sendo amigos, mas não tem como. Quanto mais eu tento me afastar dele, mais eu me aproximo.
– Te entendo.
– Me ajuda, por favor?
– Vamos sair hoje? Agora?
– Quer matar aula?
– Não é isso, só quero que você fique melhor, porque se ver ele agora vai piorar.
– Vamos então.- falei desanimada.
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